10.5.07

O Midas da pintura

Já que a Caminhante tocou no assunto, vou atrever-me a abordá-lo, também. Já de antemão declaro que, diferente dela, sou um leigo sem aspas mesmo. (Mas não um completo leigo; afinal de contas, pelo menos sou capaz de diferenciar um Modigliani de um Matissé. (hehe)

Mas vamos ao que interessa: Quais critérios valorizam uma obra de arte? Digo isso em termos comerciai$, sabem.

Quero aqui deixar bem claro o desgosto que tenho ao ver as "obras-primas" (a meu ver, com aspas) de alguém chamado Manabu Mabe. Evidente que se as pinturas dele valem as fortunas que valem, o inapto a reconhecer-lhes o mérito é tão somente este que vos escreve. Claro, eu não entendo de arte! Fácil concluir isso, não?

Mas vejam só estas oOoobras:























Posso até elogiar o contraste das cores e tal, mas... é isto que leva o Mabe a ser endeusado? Como se somente ele, oh!, fosse capaz de tamanha intensidade de expressão e blablabla?

E esta outra?:



















Poderia ter sido feita pelo meu sobrinho, aos 3 anos de idade. E com os pés*. E de olhos vendados. Mas não, foi feita pelo, oh!, fabuloso Manabu Mabe e por isso possui traços de uma beleza ímpar que retumba até as profundezas do subconsciente e blablabla? Bah!

Francamente? Grande e fétida bosta. E evito procurar saber em quanto estão avaliadas essas oOoobras para não sofrer de gastrite, depois. Também nem quero me lembrar que esse sujeito é um conterrâneo. Inclusive, desconheço quem da colônia nipônica se orgulhe dele, exclamando por exemplo: "Ilustre figura, só poderia ser japonês!".

Um descendente que veio da horta – como consta em seu depoimento no próprio site oficial – e foi parar no meio dos pincéis. Para a sorte do mundo artístico (acho!), mas para a lástima dos "leigos" e leigos que ainda têm esperança de ver na arte apenas a beleza, a mensagem, o sentimento**, a precisão nos detalhes, o trabalho, enfim.

Por mim, ele bem que poderia ter permanecido com as enxadas...


* Um porém: Escrevi "pintar com os pés" para enfatizar o total despropósito de arte, embora existam pintores deficientes físicos que, na incapacidade de usarem suas mãos, concretizam belíssimas obras usando os pés.

** O que restaria ao abstracionismo, senão o sentimento? E muitas pinturas abstratas, apesar de serem completamente ininteligíveis quanto a alguma mensagem possuem o sentimento. Quer seja da beleza ou da feiúra, da alegria ou da tristeza... mas essas do Mabe, francamente, nada me transmitem além da repulsa do ridículo (e valem milhões de reais, o que inconforma ainda mais).

7 comentários:

Caminhante disse...

Ricardo, os quadros que você selecionou falam por si. Muuuuuito ruim mesmo!

R. disse...

Né!

: T

Anônimo disse...

Na verdade eu acho, na minha opinião de quase leiga, que o que custa caro é lábia do cara pra discursar sobre um possível "conceito" da obra dele e quem dá preço a isso deve ser aquele fulano que não entendeu o que o artista disse mas não quer admitir. Ou seja, o quadro é só uma desculpa pra pagar bem pela discurso artístico ( e convincente!) do fulano em questão.


Quero deixar registrado que gosto de obras abstratas também (amo Kandinski, por exemplo) mas essas que você mostrou são o Ó do borogodó.

R. disse...

Por certo Kandinsky não tem pinturas com esse ar de "feito em dez minutos" como o tem o Mabe. Pra quem não conhece, é só conferir...

http://artchive.com/glyphs/kandinsky/comp7640.jpg
http://www.uncw.edu/mals/images/kandinsky.comp-8.jpg

Anônimo disse...

Gente, eu conheço muito pouco de arte. Tudo o que sei é que os quadros desse indivíduo são bem ruins de se olhar. A primeira impressão que fica é a de desleixo. Posso imaginar o responsável pela obra pegando os vidrinhos de tinta guache (visão de leigo) lambuzando o papel com uma cara de "tenho que terminar logo essa porcaria, esse lixo..."
Só faltou amassar e pisar em cima.

Tô com você Ricardo.

Raquel disse...

Bom, acho que se custa caro é porque tem gente que compra e que valoriza. Arte é isso mesmo, não tem muito o que explicar, ou você gosta ou não gosta. Eu, por exemplo, adoro Volpi, viajo nos quadros dele. Acredito que o valor da arte está em quantas pessoas gostam daquilo e o quanto agrada a você possuir uma obra em casa. Ter prazer de olhar o quadro que está pendurado em sua parede. Mas se você não tem esse prazer, pra quê ter uma obra de arte, não é mesmo? Criticar é fácil, fazer seu nome como artista e vender suas obras num valor de mercado alto é outra história. Falei =P

R. disse...

Ni,

Pra mim, qualquer coisa que ele fizesse e, principalmente, tivesse a assinatura dele valeria $$$. "Fizesse", pois ele já morreu e que Deus o tenha – bem distante dos pincéis.


Raquel, que bom revê-la!

Estava eu aqui a crer que não me visitasse mais por ter, quem sabe, um namorado muito ciumento?
E critico sim, pois não vejo ARTE alguma nestas *erdas. Também falei! ; )