Sempre morei em periferias humildes e confesso que já me habituei a isso ou, ainda mais, que gosto de morar na periferia. Tem o quesito da segurança – estranhamente, sinto-me mais seguro aqui do que morando no centro ou em bairro nobre – mas este não é o que quero enfocar agora.
Como já escrevi sobre a "musicalidade" destes que me rodeiam atualmente, agora é a vez de citar os outros sons que compõem a "sinfonia" de Jardim Piedade.
Do barulho incessante dos carros do Imirim (onde morava), passei ao silêncio que por vezes é interrompido por coisas que aos poucos estão deixando de ser novidade pra mim, mas que no início me causaram estranheza. Um sino, por exemplo; quem em São Paulo adivinharia, ao escutar o tilintar de um sino se aproximar – destes que nos remetem à infância, aos parques de diversões e seus tradicionais trenzinhos – que seria o vendedor de gás em sua moto?
Ou que o relinchar ouvido pudesse ser de um cavalo de fato, e não o relincho sampleado de uma buzina eletrônica?
Outros, não guardam mistério algum:
– Água mineraôÔ !!
– Ó o Mmmiiiiii~Lho!!
São os vendedores ciclistas – e haja fôlego. Mas ainda têm os motorizados, ainda piores, com seus megafones... e eu que havia me alegrado por livrar-me de um maldito vendedor de abacaxis que não deixava ninguém escutar nada ao telefone quando passava pela avenida, anunciando seus frutos a volume de trio-elétrico, aqui encontro seus afins: Igualmente vendedores de frutas, ou de legumes, ou de peixes, talvez. E mais os alardeadores de qualquer evento; inauguração de loja, carnaval na praça – eta povo que parece não conseguir passar um mês sem carnaval, sô! – ou sei lá o quê.
Ah, por pouco nãoo ia me esquecendo dos vendedores de cds, uma categoria intermediária pois estão sobre bicicletas, mas fazem uma barulheira digna de deixar aquele-vendedor-de-abacaxi se roendo de inveja.
São vários mesmo, os sons deste meu dia-a-dia. Da criança largada no meio da rua chorando aos berros e sua "mãe" a discutir com vizinhas ao culto da igrejinha aqui perto – "Queima! Queima!!!" – tem de tudo. E tem coxinha, também.
Na primeira vez até pensei que fosse algum vendedor de salgadinhos, mas logo vim a saber: Tem um rapaz que mora aqui no prédio, cujo apelido é justamente esse. E não é que o amigo dele pára aqui em frente e fica gritando: "Coxinha! CoxinhaaaA!" ?
Pô... existe campainha pra quê...
(: T
4 comentários:
Os vendedores de CDs nas bicicletas, ou empurrando aqueles carrinhos de som, foram a coisa que achei mais engraçada quando voltei a morar em Recife. Mas não posso reclamar. Graças a eles, consegui organizar uma respeitável coleção de CDs bregas. :D
Cds bregas, ugh.
(: p
Ah, deixo aqui um PS do post:
Uma coisa que estranho é a ausência do som das sirenes; lá em SP era impossível não ouvir pelo menos uma por dia, de ambulâncias ou de viaturas policiais.
Isso significaria que não existem tantas ocorrências policiais ou médicas por aqui? Bem, Cardinot e similares me provam que não. Infelizmente...
: /
A falta de sirenes deve ser por causa dos CDs bregas. Deixam a população mais calma :P
Mas eu vou pedir emprestado e fazer uma cópia desses cds bregas da Pessoinha djá. :D
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