28.5.07

Neo-adolescentes

Definitivamente estou lidando com uma creche no Orkut; comunidade média, com aproximadamente 500 mil membros e que aborda o tema "desencontros amorosos".
Desde seu in¡cio já era perceptível a gradual queda na faixa etária dos membros incentivada, principalmente, por uma teórica restrição a menores de 18 anos e nenhum porteiro a vigiar as portas escancaradas do site. E a molecada foi entrando e tomando gosto pela coisa.

Recentemente, aproveitando o surgimento da ferramenta enquete, criei uma ao estilo IBGE, para delinear a faixa etária majoritária presente. Coloquei a pesquisa dentro dos parâmetros "anterior a 1966 até 1995 ou posterior", imaginando que fossem surgir muitos com 14, 15 anos de idade. Mas qual o quê!

Em apenas 3 dias, a enquete já começa a apontar sinais preocupantes que vão de encontro ao que eu esperava: A maioria (20% dentro de uma escala de 30 anos individuais) respondeu que nasceu em 1995 ou depois, o que significa que tem 12 anos ou menos! E acredito que até o final dessa pesquisa, que tem duração de um ano, o registro da presença infantil será ainda mais gritante.

Lembro bem de quando escrevi aqui sobre o breve relato de um menino de 10 anos de idade e seu lamento por ter perdido a namorada. À época, cheguei a considerar como um fato isolado, tamanha precocidade. Mas agora reconheço como um fenômeno de considerável consistência e me pergunto:

– O que levou a isso? A flexibilidade (mascarada de modernidade) da educação infantil por parte de alguns pais? A presença cada vez mais marcante da sexualidade em programas infantis? Ou a mensagem que, às vezes inconscientemente, passamos aos pequeninos quando os vemos ao lado de alguém e perguntamos, sorrindo: "É seu namoradinho?"

Essa é a mensagem perigosa, a meu ver. A criança sente-se exigida a ter um namoradinho ou namoradinha para ser considerada normal em seu meio, assimila que o certo é estar namorando.
Outra indução parece ser a supervalorização do amor; não se ama mais por espontaneidade e sim por uma obrigação social e motivo de orgulho perante os demais.
Temos sustentado em demasia o desprezo aos solitários. Não ter alguém para caminhar de mãos dadas é vergonhoso, nunca ter beijado ninguém até hoje é humilhante... até onde vai a influência de tais conceitos arraigados pelo tempo?

Respondo: Essa influência culmina com a infância terminando cada vez mais cedo do que poderia e deveria. E podem não ser questões coligadas, mas vejo essa precoce ruptura da inocência fortemente ligada à gravidez juvenil. À geração de meninas que, em geral, sequer possuem estrutura financeira para criar seu(s) rebento(s), ainda mais quando o genitor não arca com suas próprias responsabilidades e abandona a parceira.

Também com tristeza que vejo os pequenos ocupando a mente com preocupações que deveriam ser adiadas, em vez de com estudos, esportes e brincadeiras apropriadas. Ou o namoro também é um brinquedo? Se for, talvez aí esteja a resposta para a descartabilidade com que alguns adolescentes vêem o noivado e o casamento...

Que me perdoe o sociólogo (ou outro especialista da área) que porventura tenha lido isso e se abismado com alguma conclusão precipitada minha, mas... bem, eu não poderia me calar a respeito.

2 comentários:

Anônimo disse...

É difícil precisar o que realmente contribui com a precocidade das crianças em relação à sexualidade. Acredito que seja um conjunto de fatores. Eu também fico chocada com isso. Lembro-me que, na minha época, alguém que tivesse 14 anos e nunca tivesse beijado era ridicularizado (ah, como eu sofri). Hoje em dia, 14 anos é idade para início da vida sexual de muitos adolescentes. Sinceramente, é uma pena que as coisas estejam caminhando nesse ritmo. :(

R. disse...

Preocupante, enfim...