Desde o começo deste mês tenho presenciado, embora à distância, os ensaios de quadrilha de roda que alguns jovens da redondeza estão realizando quase que diariamente, na rua.
Estes, como não poderiam deixar de ser, são embalados em alto e bom som. Mas, diferente de minhas recentes críticas musicais do local, as canções tocadas nesses ensaios não me incomodam, pois vejo isso como uma autêntica manifestação do folclore brasileiro. O que de fato o é.
Minha infância também teve festa junina. Chapéu de palha, camisas enxadrezadas, bigode feito com... carvão(?), e me tornava uma caricatura do personagem do Mazzaropi – que por sinal já era uma caricatura e então eu acabava ainda mais caricato.
Não dançava, mas de certa forma me divertia. As melhores lembranças certamente são alimentícias e de brincadeiras; de prêmios que nunca ganhei mas sempre tentava ganhar nas barracas, de ficar contemplando a fogueira – coisa típica do tímido mais ferrenho – e invejando os mais destemidos enfrentando o pau-de-sebo. Também admirava, em silêncio, uma ou outra menina presente na festa, torcendo para que delas recebesse um correio-elegante... eu não enviava porque, óbvio, era tímido feito não-sei-o-quê...
Ou melhor, sei: Feito Jeca Tatu, completo em brejeirice e traje, inclusive. Eram meus dias de caipira na capital.
Hoje, passadas décadas, não tenho mais essa coragem toda – está certo que eu não me produzia por vontade própria mas era produzido, muitas vezes na marra, mas mesmo assim havia sim, um quê de coragem – e me reservo a apenas acompanhar. E de longe.
E falando em chapéu, tiraria o meu para estas crianças que alegremente e com toda a disposição dançam a quadrilha. Crianças visivelmente humildes, de um local modesto até demais, mas que cultivam essa tradição com o merecido respeito.
Ah, o folclore, esta cultura cada vez mais tão esquecida...
Penso que se fosse depender da "geração ipod", muitas dessas tradições já não existiriam mais...
O título deste é uma referência à quadrilha do momento, a do Zuleido, e também a muitas outras que já passaram sob os holofotes da imprensa e já caíram no esquecimento, infelizmente...
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