Um "semi-feriado", expediente de trabalho reduzido numa bela tarde ensolarada, nada mais propício para reencontrar minha horta. Tão abandonada, coitada.
E lá estava eu a quebrar o solo compactado devido à escassez de chuvas. Um solo tão enrijecido que somente uma enxada seria capaz de desintegrá-la. Se sou capaz de manusear uma? Certamente! Mas as possíveis bolhas que surgirão na palma da minha mão denunciarão o quanto não tenho praticado...
Para a enxada, o serviço mais grosso: quebrar o solo em blocos.Para quebrar os blocos em pedaços menores, um ancinho de mão.E quando nem o ancinho funciona mais, vai a mão mesmo.Sentado no chão, a esmagar pedaços de terra, comecei a pensar...
Se eu fosse um materialista, este estaria sendo meu reencontro com as origens, se for verdade que viemos da terra... pois da terra viemos, e a ela voltaremos, um dia; dizem. Não sei se realmente viemos da terra, mas tenho certeza de que um dia meu corpo será devolvido a ela, e terra se tornará. Mas eu não estarei dissolvido ali, estarei em outro lugar... disso tenho a absoluta convicção...
Envolto nessa filosofia espiritualista, prossigo espalhando a terra, quando repentinamente avisto uma minhoca e meus pensamentos acompanham o fato: Ora vejam! O Homem, que se considera tão superior a tudo, teme a hora em que será enterrado. A minhoca, em sua insignificância, vive o tempo todo enterrada e não tem medo disso! ( ... )Ah, pensando bem, a minhoca é - como já dizia aquela antiga anedota - um tremendo absurdo, pois não tem pé, nem cabeça!
Concluindo: Eu AMO mexer na terra. É uma excelente terapia. Ainda mais se deixo fluir esses momentos de filosofias e abobrinhas...... e assim, enquanto o sol estendia seus últimos raios de luz no horizonte, eu ia recolhendo os apetrechos e me dirigia à casa... feliz da vida.
: )
30.4.05
23.4.05
Complemento do post anterior
Só para ilustrar com dados, meu comentário de ontem:
FOLHA DE S. PAULO
Sábado, 23 de abril de 2005
Trazer Gutiérrez custará ao Brasil R$ 60,7 mil
" Vai custar no mínimo [no mínimo!] US$ 24 mil (R$ 60, 7 mil) aos cofres públicos [entenda-se "aos nossos bolsos"] a operação de resgate do presidente deposto do Equador Lucio Gutiérrez em Quito pela FAB.
O valor leva em conta apenas o combustível e a manutenção do Boeing 737/300, da FAB conhecido como "Sucatinha". A aeronave gasta cerca de US$ 2.000 para cada hora de vôo, em média. O valor foi calculado levando em conta apenas o percurso de cerca de 13 horas de vôo, ida e volta, de Brasília a Quito. "
Hunf. Não duvido nada que a hospedagem do dito cujo por aqui também saia "por conta da casa"...
Por que o Brasil o protege? Alguém acredita naquela demagogia de que é para "preservar a paz social no país"? Eu não. Como esse coronel equatoriano já esteve no Brasil durante um período a estudos em núcleo militar, não é nada difícil de se supor que exista algum "rabo preso" no meio dessa história.
): [
FOLHA DE S. PAULO
Sábado, 23 de abril de 2005
Trazer Gutiérrez custará ao Brasil R$ 60,7 mil
" Vai custar no mínimo [no mínimo!] US$ 24 mil (R$ 60, 7 mil) aos cofres públicos [entenda-se "aos nossos bolsos"] a operação de resgate do presidente deposto do Equador Lucio Gutiérrez em Quito pela FAB.
O valor leva em conta apenas o combustível e a manutenção do Boeing 737/300, da FAB conhecido como "Sucatinha". A aeronave gasta cerca de US$ 2.000 para cada hora de vôo, em média. O valor foi calculado levando em conta apenas o percurso de cerca de 13 horas de vôo, ida e volta, de Brasília a Quito. "
Hunf. Não duvido nada que a hospedagem do dito cujo por aqui também saia "por conta da casa"...
Por que o Brasil o protege? Alguém acredita naquela demagogia de que é para "preservar a paz social no país"? Eu não. Como esse coronel equatoriano já esteve no Brasil durante um período a estudos em núcleo militar, não é nada difícil de se supor que exista algum "rabo preso" no meio dessa história.
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22.4.05
O "Collor equatoriano"
Já é até tradicional: O Brasil recebe de braços abertos qualquer rejeitado estrangeiro, seja este o inocente cujo país foi destruído pela guerra, ou mesmo um criminoso, um torturador, um ditador, etc. Desejar que nossa nação feche fronteiras aos maus "imigrantes" é coisa inimaginável, haja visto que desde a época da colonização, alguns homens que aqui entraram vindo da Europa não possuiam nenhuma integridade de caráter; segundo registros históricos.
Hoje, o que vem a me incomodar é o fato de estarmos enviando um avião da FAB para o Equador, a fim de trazer o ex-presidente Gutiérrez pra cá. Quanta compaixão por parte de nosso presidente! Quanta bondade! Mandar um avião para buscá-lo, lá em Quito!
Claro, coitado do Gutiérrez. Temendo que ele fugisse às pressas do país, a população invadiu o aeroporto para evitar uma possível fuga. E ele ficou "ilhado" na embaixada brasileira. Lá fora, o povo irado pretende linchá-lo. Claro, o povo não entende de nada. Gutiérrez, militar que se elegeu dizendo que iria dar um fim a corrupção, acabou se envolvendo com subornos, uso indevido de dinheiro público e delitos contra a Segurança do Estado. E ainda dissolveu a Suprema Corte de Justiça do país. O fato de que essa Corte estava julgando vários casos de corrupção quando isso aconteceu foi mera coincidência!
Vc acredita nisso?
Nem vc, nem eu, nem o povo equatoriano. Só gostaria de saber por que o ex-presidente não pediu asilo político aos EUA, já que é (ou era) aliado deles. Talvez, por que os americanos lá de cima não se dessem nem ao trabalho de emprestar (emprestar!) um helicóptero a Gutiérrez, quanto mais enviar um avião pra lá. Bah!
Alguém que se elege dizendo que vai combater a corrupção e promove mais corrupção ainda. Parece que o Brasil está importando um "Fernando Collor equatoriano"...
Não custa nada, não é mesmo, Exmo Sr. Luiz Inácio ? Com seguidos recordes de arrecadação tributária, que mal haveria em ajudar o vizinho, se o dinheiro não está saindo de seu próprio bolso mesmo...
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Hoje, o que vem a me incomodar é o fato de estarmos enviando um avião da FAB para o Equador, a fim de trazer o ex-presidente Gutiérrez pra cá. Quanta compaixão por parte de nosso presidente! Quanta bondade! Mandar um avião para buscá-lo, lá em Quito!
Claro, coitado do Gutiérrez. Temendo que ele fugisse às pressas do país, a população invadiu o aeroporto para evitar uma possível fuga. E ele ficou "ilhado" na embaixada brasileira. Lá fora, o povo irado pretende linchá-lo. Claro, o povo não entende de nada. Gutiérrez, militar que se elegeu dizendo que iria dar um fim a corrupção, acabou se envolvendo com subornos, uso indevido de dinheiro público e delitos contra a Segurança do Estado. E ainda dissolveu a Suprema Corte de Justiça do país. O fato de que essa Corte estava julgando vários casos de corrupção quando isso aconteceu foi mera coincidência!
Vc acredita nisso?
Nem vc, nem eu, nem o povo equatoriano. Só gostaria de saber por que o ex-presidente não pediu asilo político aos EUA, já que é (ou era) aliado deles. Talvez, por que os americanos lá de cima não se dessem nem ao trabalho de emprestar (emprestar!) um helicóptero a Gutiérrez, quanto mais enviar um avião pra lá. Bah!
Alguém que se elege dizendo que vai combater a corrupção e promove mais corrupção ainda. Parece que o Brasil está importando um "Fernando Collor equatoriano"...
Não custa nada, não é mesmo, Exmo Sr. Luiz Inácio ? Com seguidos recordes de arrecadação tributária, que mal haveria em ajudar o vizinho, se o dinheiro não está saindo de seu próprio bolso mesmo...
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21.4.05
Teste de Fidelidade, o malfadado.
Vez ou outra assisto ao programa do irritante João Kleber. Mais precisamente a aquele quadro do teste de fidelidade. É de baixo nível, é de mau gosto, já houve denúncia de que tudo aquilo não passa de uma armação, uma encenação; mas mesmo assim assisto. Pra variar um pouco.
E penso em como seria se minha namorada resolvesse aprontar uma daquelas comigo...
A cilada costumeira é a oferta de um emprego ou serviço, pelo que tenho notado. Como não estou à procura de emprego nem saio às ruas oferecendo meus préstimos, o tal teste se daria envolvendo meu trabalho diário mesmo. E como seria?
A produção do programa escalaria uma morena de seios naturalmente volumosos, a insinuá-los em um decote nem tão exibido, nem tão discreto, para interpretar a "isca". Sei disso porque tenho certeza de que minha namorada iria fornecer informações sobre meus gostos, para a equipe. Pra que a atriz ficasse irresistível e eu caísse como um patinho.
Qual a forma de abordagem? Vejamos... Forjam um defeito elétrico qualquer no carro da 'isca' e, desta forma, ela surge na minha oficina. Atendo-a, ouço a breve descrição do problema que ela me faz e em seguida começo a examinar o carro. Durante os testes de rotina que vou fazendo, ela puxa conversa. Diz não entender nada de carros, ter pavor de tomar choque. Concordo com ela, respondo que mesmo entendendo alguma coisa de carros, também tenho medo de tomar choques. Ela ri. Não em tom de zombaria, mas de um jeito leve, descontraído: "Ah! Nãoo acredito" e ri. É simpática - penso - e tem um corpo bonito, atraente. Mas... ciente da ética profissional, evito olhá-la pescoço abaixo. Ademais, a esmagadora maioria das mulheres que vão a uma oficina automotiva já é comprometida, quer seja com namorado, ou noivo, ou marido. E definitivamente, a idéia de provocar ciúme neles não me atrai nem um pouco.
Reparo agora que ela não ostenta nenhuma aliança, em nenhuma das mãos. Provável que seja irmã, prima ou, sei lá, talvez a filha de um cliente antigo e, vinda através de indicação, explique-se o porquê de ela estar tão à vontade.
Ela pergunta se o som do CD estaria atrapalhando. É jazz (outra indicação da minha namorada para a armação); lhe respondo que não, pois gosto do estilo musical. Agora viria o clássico - "Quer conhecer minha coleção do Louis Armstrong lá no meu apartamento?" ? Claro que não. Trocando CD's por vinis, essa é mais velha que a invenção da bicicleta. Apenas sorriríamos pela coincidência de gosto musical e eu continuaria trabalhando.
Em poucos minutos o defeito no veículo já está sanado. Coisa relativamente simples, o custo da mão-de-obra é baixo. Ao ouvir o preço que lhe passo, ela se surpreende:
- Nossa, mas só isso mesmo? E respondo que sim, explicando que o problema estava em um aparente reparo mal feito. Ela arremata:
- Bem que eu desconfiei daquela outra oficina em que eu tinha ido; queriam me empurrar um monte de peças! Que bom que agora tenho em quem confiar.
Educadamente agradeço o voto de confiança. Ela paga o serviço e, ao receber a nota, pede também um cartão-de-visita. "Pra alguma eventualidade", diz. E se vai.
Dias depois, a "eventualidade" acontece: Ela liga pra oficina, toda esbaforida, afirmando que não está conseguindo fazer o carro pegar. Pergunta se posso ir socorrê-la. Para a sorte da produção do programa - e a continuidade desta historinha - justamente naquele momento estou disponível e respondo positivamente. Endereço dela anotado, lá vou.
É uma casinha média, numa rua tranqüila. Mas... onde está o carro? Toco a campainha e logo ela surge à porta: "Puxa, ainda bem que você veio rápido!". Pergunto pelo carro e ela me guia casa adentro "Ele está na garagem, que fica nos fundos" e chego no local: Um recinto todo fechado, exceto por duas ou três janelinhas estreitas que ficam quase no topo das paredes, e que só servem pra circular o ar; suas dimensões mal deixam a claridade da rua entrar.
Sem demora entro no carro pra ver o que está acontecendo. Giro a chave e nada, nenhum sinal de movimento. Me deito sob o painel pra tentar localizar um possível fio escapado ou com mau contato. Com o calor abafado da garagem, começo a suar. Notando meu suadouro, ela pergunta se eu aceitaria uma limonada; oferta que aceito. Ela sai pra ir preparar o suco.
Na volta, ao me entregar o copo ela se desequilibraria e derramaria todo o líquido em minha roupa? Hahahahaaaa! Lógico que não. Esta também é velha. Daí ela diria "Ai, me desculpa! Mas como sou desastrada, deixe-me enxugá-lo". E na afobação de me secar logo, encostaria os seios em mim. Ou ficaria numa posição em que o decote dela ficasse na frente do meu nariz. Ou diria "Melhor vc tirar a roupa, senão o açúcar da limonada vai te deixar todo grudento?" ( sonora gargalhada ) Nada mais típico para o enredo de um daqueles filminhos pornográficos!
Não. Não seria tão vulgar assim.
Minutos depois, lá vem ela, trazendo uma jarra com a limonada gelada e um copo, tudo sobre uma bandeja: "Vou deixar aqui em cima da mesinha, assim que puder..." Ainda deitado sob o painel, vejo de soslaio a direção que ela me indica e agradeço. Em seguida ela pede licença pra fazer uma ligação telefônica e sai.
Nesse intervalo resolvo fazer a pausa para beber. Enquanto estou no segundo copo, ela reaparece, agora com uma expressão mais aliviada: "Eu tinha um compromisso agora de tarde, mas consegui adiá-lo. Parece que o problema desta vez está mais complicado, não?" Concordo com ela, digo que ainda não achei nenhuma pista do que pode estar acontecendo. Enquanto bebo, começo a pensar... 'Mas se ela tinha algo agendado, devia ter ligado para o local do compromisso antes, não? Ah... se bem que antes não dava pra ela saber se ia ser demorado ou não... hum. E reparo que ela trocou de roupa.
Da calça comprida passou para a bermuda. Não chega a ser aquele tipo de peça que é pouco maior que a calcinha, mas tambám não deixa de destacar o belo par de pernas. Acompanhando a bermuda, uma camiseta que não deixa transparecer a marca do sutiã. Ou...
Uepa! Ela está sem sutiã por baixo?!
Ei, está!! Mas isso é covardia! Eu protesto!! - pensei.
Ela percebe o meu olhar e sorri. Com o mesmo sorriso malicioso da serpente ao oferecer a maçã para Eva. Mas nada diz, para não parecer vulgar. Um deslize nesta hora e a "presa" escapa, ela deve estar pensando. Engulo minha surpresa junto com o último gole de limonada, a agradeço e volto ao carro.
Última olhada sob o painel, não há nada de errado ali, é a vez de examinar o motor.
Abro o capô.
- E aquele fio solto ali, não tem nada a ver? - Ela pergunta, aproximando-se por trás de mim, a apontar o tal fio e se encostando ligeiramente em mim. ( Uau, desta vez deu pra sentir o calor dos... a-ham! ) - Este? - Verifico-o. Nada a ver. E começo a suar mais ainda. Ela ri discretamente e pergunta:
- Você é bem tímido, não?
- É. E como sou. ( enxugando o suor )
- É casado?
- Não, mas estou namorando.
. . .
( breve silêncio quebrado por ela ) :
- E não vai me perguntar se sou casada?
Reluto um pouco em entrar no jogo dela, antevendo seus próximos passos, mas acabo cedendo, mais por não saber o que dizer na hora que por qualquer outra intenção e faço a pergunta.
- Estou solteira, também. Estava namorando, mas terminei com ele há... uns cinco meses, já. E seu namoro, como está? Vocês se encontram todos os dias?
- Pois é, na verdade ela não mora por aqui. Aliás, mora bem longe daqui. Infelizmente. - Ela se surpreende com minha resposta:
- Nossa! Mas então, como é que vocês fazem pra... bem... pra namorar?
- Nos encontramos quando dá, e isso geralmente é uma vez por ano...
- Puxa, mas isso é que é força de vontade, hein? E não se sente carente, não?
- É... sinto falta sim, né? Mas... eu aguento, eu aguento.
- Estou impressionada com sua capacidade! Se fosse eu, não aguentaria!
E rimos.
Ela diz:
- Você tem um sorriso bonito... e, agora que estou reparando... lábios também... - olhando fixamente para minha boca.
- Ah! Ainda não olhei a parte de baixo do carro, talvez o problema esteja lá! - Desconversando rapidamente e me deitando sob o motor. Ela não entrega os pontos; agora é questão de honra pra ela: Se ela falhar, ou é uma atriz incompetente, ou uma mulher desinteressante. Ela se abaixa onde estou e, roçando sua perna na minha, pergunta se poderia me ajudar em algo. Agradeço a ajuda, mas não há nada que ela possa fazer. Aaah, maldito defeito... onde você está? Começo a perder a paciência. Nesse momento, toca o meu celular. Saio de baixo do carro pra atender.
- Alô? É... (...) Não, não; é que deu um problema aqui... (...) Isso. (...) Não... só amanhã... é. (...) Tá certo. - e desligo.
- Era sua namorada? - ela me pergunta, demonstrando interesse.
- Não, era da oficina; estavam estranhando a demora. Fazer o que, nãoo? Eu nem imaginava que isto fosse me dar tanto trabalho... - respondo, não conseguindo esconder o cansaço. - Não haveria algum carro que você pudesse pegar emprestado de alguém? Dos pais, irmãos, sei lá... algum parente ou mesmo amigo? - pergunto, na esperança de conseguir mais tempo para o conserto, pois assim poderia voltar em outra hora, com um ajudante. Ou com o guincho. Mas ela...
- Hmm, infelizmente não tenho, fiquei dependendo completamente desse carro...
Paro desconsolado à frente do carro. Tento um diálogo telepático com ele. Eu sei, eu sei, o carro é um objeto inerte, não responde, não lamenta, não ofende. Mas este é o lado fabuloso (referindo-me a contos de fadas, mesmo) de um eletricista. Ela apenas me observa, compartilhando o silêncio contemplativo. Certamente está delineando mentalmente seus próximos passos. Em parte, seu profissionalismo cênico cede espaço para o lado emotivo: Ela começa a sentir pena do sofrimento de sua "vítima"...
Mas logo volta à razão; estão sendo filmados. Ela pensa no contrato de trabalho que assinou e relembra sua confiança, sua convicção de levar este teste até as últimas conseqüências, as futuras chances profissionais que ela fatalmente iria perder se falhasse... Não, ela não desistiria. Pelo menos, não tão facilmente. Aproxima-se por trás de mim e começa a massagear meus ombros:
- Você está tenso. Posso te fazer uma massagem? Talvez ajude...
- Bem, já está fazendo, não? - respondo, sem dar muita importância a ela. Estou compenetrado, vasculhando meus arquivos mentais em busca de uma pista que me ajude a resolver o maldito problema deste carro. As mãos dela já ameaçavam descer pra minha cintura quando me lembrei: Ainda havia um ponto que eu não havia examinado! Fiquei tão esperançoso de finalmente solucionar o problema que entrei no carro na hora, e larguei a garota ali, sem nada dizer. Abri certo compartimento, retirei uma peça vital do carro, examinei-a minuciosamente. Fiquei pasmo: A peça estava simplesmente... OCA! Improvisei a ligação direta para substituir aquela peça e o carro finalmente pegou.
Nessa hora ela entra no carro e senta-se ao meu lado, no banco do passageiro, com um sorriso levemente maroto...
E eu, indisfarçavelmente inconformado com a descoberta:
- Me diga, o que é isto? - segurando e mostrando a ela a peça adulterada - Isto aqui foi mexido! Desmiolaram esta peça propositalmente!! E por quê? Para que finalidade ??
- Sabe... - e ela fica cabisbaixa - esse problema apareceu ontem... mas foi de noite. E eu não poderia chamá-lo aqui fora do horário comercial, não é? Fui pedir ajuda a um dos meus vizinhos, ele veio aqui... e mexeu, mexeu e não resolveu nada. Parece até que piorou mais ainda a situação, não?
- Piorar?! Ele simplesmente destruiu um componente do carro!
Ela mordisca o lábio inferior e afirma, em tom de desabafo:
- Eu não devia ter deixado o meu vizinho mexer aqui, não devia! Ele estragou todo o meu carro!! - e seus olhos umedecem. ( boa atriz, esta ) Minha revolta transforma-se imediatamente em dó:
- Ei, não precisa ficar assim, ele não estragou todo o carro, não. Olha, é só esta pecinha aqui que...
Mas não adianta. Sem conter os soluços, as lágrimas dela escorrem. Fico desesperado vendo-a chorando. Tento explicar que a situação não é grave, que o conserto é simples, que a culpa é minha por não ter descoberto logo o defeito, peço desculpas por ter me irritado. Em meio aos soluços, ela só consegue me dizer que "... a culpa não foi sua..."
Ponho minha mão no ombro dela e peço que se acalme...
Ela responde que "ainda bem que você é uma boa pessoa... muito boa" e termina por me abraçar.
Sob esta circunstância, sou incapaz de repelir o abraço que ela me dá. Seria, antes de mais nada, uma falta de educação de minha parte, se eu o fizesse. E permanecemos abraçados em silêncio por alguns minutos, até que ela parasse de chorar.
Os olhos dela já estão secos, de volta a normalidade. O calor do abraço, do contato com aquele corpo acaba me causando certo "efeito colateral". Ela sorri, a danada. E me pergunta se estou excitado. ( Como se não estivesse perceptível, bah! ) Sei que ela notou o volume que não se encontrava ali entre nós até ainda há pouco. Desvencilho-me de seus braços meio que à força, digo-lhe que preciso terminar logo o reparo do carro e entro dentro dele, a fim de deixar feita uma ligação direta para que o carro possa funcionar.
Em poucos minutos o reparo está pronto. Oriento-a para levar o carro até a oficina, onde poderei desfazer o "quebra-galho" e repor a peça que havia sido quebrada. Aparentemente sem prestar atenção em nada do que eu havia dito, ela persiste na frase anterior, só que agora com a expressão de coitada:
- Você ainda está excitado, não está... ? - e complementa - ... eu estou!
Tento desconversar:
- Olha, eu sinto muito, mas já estou um bocado atrasado, preciso ir...
E ela:
- Você não vai me deixar neste estado, vai? Vem, não tem ninguém em casa, vai ser rapidinho...
- Não, eu preciso ir mesmo.
Agora, mais manhosa ainda:
- Vem... você cuida tão bem do meu carro, tenho certeza de que sabe cuidar bem de mim, também... Vem preencher meu vazio, vem... - e levanta sua camiseta até o limite que precede a exposição total dos seios.
Nota do Editor: Cabe esclarecer aos leitores que a produção do programa proíbe a nudez parcial ou total. (...) Pelo menos, nesta minha versão, sim!
Uma parte inferior dos mesmos começa a aparecer e ela então dá sua cartada final:
- Vamos? - acompanhada de uma piscadela.
Definitivamente desisto de tentar dialogar com ela, pego minha caixa de ferramentas e me dirijo a saída. Ela não pôde fazer mais nada. Se o fizesse, este programa só seria liberado para ir ao ar após as 3 horas da madrugada. E eu não poderia ser acusado de nada, senão de ter sido... violentado!
: O
E penso em como seria se minha namorada resolvesse aprontar uma daquelas comigo...
A cilada costumeira é a oferta de um emprego ou serviço, pelo que tenho notado. Como não estou à procura de emprego nem saio às ruas oferecendo meus préstimos, o tal teste se daria envolvendo meu trabalho diário mesmo. E como seria?
A produção do programa escalaria uma morena de seios naturalmente volumosos, a insinuá-los em um decote nem tão exibido, nem tão discreto, para interpretar a "isca". Sei disso porque tenho certeza de que minha namorada iria fornecer informações sobre meus gostos, para a equipe. Pra que a atriz ficasse irresistível e eu caísse como um patinho.
Qual a forma de abordagem? Vejamos... Forjam um defeito elétrico qualquer no carro da 'isca' e, desta forma, ela surge na minha oficina. Atendo-a, ouço a breve descrição do problema que ela me faz e em seguida começo a examinar o carro. Durante os testes de rotina que vou fazendo, ela puxa conversa. Diz não entender nada de carros, ter pavor de tomar choque. Concordo com ela, respondo que mesmo entendendo alguma coisa de carros, também tenho medo de tomar choques. Ela ri. Não em tom de zombaria, mas de um jeito leve, descontraído: "Ah! Nãoo acredito" e ri. É simpática - penso - e tem um corpo bonito, atraente. Mas... ciente da ética profissional, evito olhá-la pescoço abaixo. Ademais, a esmagadora maioria das mulheres que vão a uma oficina automotiva já é comprometida, quer seja com namorado, ou noivo, ou marido. E definitivamente, a idéia de provocar ciúme neles não me atrai nem um pouco.
Reparo agora que ela não ostenta nenhuma aliança, em nenhuma das mãos. Provável que seja irmã, prima ou, sei lá, talvez a filha de um cliente antigo e, vinda através de indicação, explique-se o porquê de ela estar tão à vontade.
Ela pergunta se o som do CD estaria atrapalhando. É jazz (outra indicação da minha namorada para a armação); lhe respondo que não, pois gosto do estilo musical. Agora viria o clássico - "Quer conhecer minha coleção do Louis Armstrong lá no meu apartamento?" ? Claro que não. Trocando CD's por vinis, essa é mais velha que a invenção da bicicleta. Apenas sorriríamos pela coincidência de gosto musical e eu continuaria trabalhando.
Em poucos minutos o defeito no veículo já está sanado. Coisa relativamente simples, o custo da mão-de-obra é baixo. Ao ouvir o preço que lhe passo, ela se surpreende:
- Nossa, mas só isso mesmo? E respondo que sim, explicando que o problema estava em um aparente reparo mal feito. Ela arremata:
- Bem que eu desconfiei daquela outra oficina em que eu tinha ido; queriam me empurrar um monte de peças! Que bom que agora tenho em quem confiar.
Educadamente agradeço o voto de confiança. Ela paga o serviço e, ao receber a nota, pede também um cartão-de-visita. "Pra alguma eventualidade", diz. E se vai.
Dias depois, a "eventualidade" acontece: Ela liga pra oficina, toda esbaforida, afirmando que não está conseguindo fazer o carro pegar. Pergunta se posso ir socorrê-la. Para a sorte da produção do programa - e a continuidade desta historinha - justamente naquele momento estou disponível e respondo positivamente. Endereço dela anotado, lá vou.
É uma casinha média, numa rua tranqüila. Mas... onde está o carro? Toco a campainha e logo ela surge à porta: "Puxa, ainda bem que você veio rápido!". Pergunto pelo carro e ela me guia casa adentro "Ele está na garagem, que fica nos fundos" e chego no local: Um recinto todo fechado, exceto por duas ou três janelinhas estreitas que ficam quase no topo das paredes, e que só servem pra circular o ar; suas dimensões mal deixam a claridade da rua entrar.
Sem demora entro no carro pra ver o que está acontecendo. Giro a chave e nada, nenhum sinal de movimento. Me deito sob o painel pra tentar localizar um possível fio escapado ou com mau contato. Com o calor abafado da garagem, começo a suar. Notando meu suadouro, ela pergunta se eu aceitaria uma limonada; oferta que aceito. Ela sai pra ir preparar o suco.
Na volta, ao me entregar o copo ela se desequilibraria e derramaria todo o líquido em minha roupa? Hahahahaaaa! Lógico que não. Esta também é velha. Daí ela diria "Ai, me desculpa! Mas como sou desastrada, deixe-me enxugá-lo". E na afobação de me secar logo, encostaria os seios em mim. Ou ficaria numa posição em que o decote dela ficasse na frente do meu nariz. Ou diria "Melhor vc tirar a roupa, senão o açúcar da limonada vai te deixar todo grudento?" ( sonora gargalhada ) Nada mais típico para o enredo de um daqueles filminhos pornográficos!
Não. Não seria tão vulgar assim.
Minutos depois, lá vem ela, trazendo uma jarra com a limonada gelada e um copo, tudo sobre uma bandeja: "Vou deixar aqui em cima da mesinha, assim que puder..." Ainda deitado sob o painel, vejo de soslaio a direção que ela me indica e agradeço. Em seguida ela pede licença pra fazer uma ligação telefônica e sai.
Nesse intervalo resolvo fazer a pausa para beber. Enquanto estou no segundo copo, ela reaparece, agora com uma expressão mais aliviada: "Eu tinha um compromisso agora de tarde, mas consegui adiá-lo. Parece que o problema desta vez está mais complicado, não?" Concordo com ela, digo que ainda não achei nenhuma pista do que pode estar acontecendo. Enquanto bebo, começo a pensar... 'Mas se ela tinha algo agendado, devia ter ligado para o local do compromisso antes, não? Ah... se bem que antes não dava pra ela saber se ia ser demorado ou não... hum. E reparo que ela trocou de roupa.
Da calça comprida passou para a bermuda. Não chega a ser aquele tipo de peça que é pouco maior que a calcinha, mas tambám não deixa de destacar o belo par de pernas. Acompanhando a bermuda, uma camiseta que não deixa transparecer a marca do sutiã. Ou...
Uepa! Ela está sem sutiã por baixo?!
Ei, está!! Mas isso é covardia! Eu protesto!! - pensei.
Ela percebe o meu olhar e sorri. Com o mesmo sorriso malicioso da serpente ao oferecer a maçã para Eva. Mas nada diz, para não parecer vulgar. Um deslize nesta hora e a "presa" escapa, ela deve estar pensando. Engulo minha surpresa junto com o último gole de limonada, a agradeço e volto ao carro.
Última olhada sob o painel, não há nada de errado ali, é a vez de examinar o motor.
Abro o capô.
- E aquele fio solto ali, não tem nada a ver? - Ela pergunta, aproximando-se por trás de mim, a apontar o tal fio e se encostando ligeiramente em mim. ( Uau, desta vez deu pra sentir o calor dos... a-ham! ) - Este? - Verifico-o. Nada a ver. E começo a suar mais ainda. Ela ri discretamente e pergunta:
- Você é bem tímido, não?
- É. E como sou. ( enxugando o suor )
- É casado?
- Não, mas estou namorando.
. . .
( breve silêncio quebrado por ela ) :
- E não vai me perguntar se sou casada?
Reluto um pouco em entrar no jogo dela, antevendo seus próximos passos, mas acabo cedendo, mais por não saber o que dizer na hora que por qualquer outra intenção e faço a pergunta.
- Estou solteira, também. Estava namorando, mas terminei com ele há... uns cinco meses, já. E seu namoro, como está? Vocês se encontram todos os dias?
- Pois é, na verdade ela não mora por aqui. Aliás, mora bem longe daqui. Infelizmente. - Ela se surpreende com minha resposta:
- Nossa! Mas então, como é que vocês fazem pra... bem... pra namorar?
- Nos encontramos quando dá, e isso geralmente é uma vez por ano...
- Puxa, mas isso é que é força de vontade, hein? E não se sente carente, não?
- É... sinto falta sim, né? Mas... eu aguento, eu aguento.
- Estou impressionada com sua capacidade! Se fosse eu, não aguentaria!
E rimos.
Ela diz:
- Você tem um sorriso bonito... e, agora que estou reparando... lábios também... - olhando fixamente para minha boca.
- Ah! Ainda não olhei a parte de baixo do carro, talvez o problema esteja lá! - Desconversando rapidamente e me deitando sob o motor. Ela não entrega os pontos; agora é questão de honra pra ela: Se ela falhar, ou é uma atriz incompetente, ou uma mulher desinteressante. Ela se abaixa onde estou e, roçando sua perna na minha, pergunta se poderia me ajudar em algo. Agradeço a ajuda, mas não há nada que ela possa fazer. Aaah, maldito defeito... onde você está? Começo a perder a paciência. Nesse momento, toca o meu celular. Saio de baixo do carro pra atender.
- Alô? É... (...) Não, não; é que deu um problema aqui... (...) Isso. (...) Não... só amanhã... é. (...) Tá certo. - e desligo.
- Era sua namorada? - ela me pergunta, demonstrando interesse.
- Não, era da oficina; estavam estranhando a demora. Fazer o que, nãoo? Eu nem imaginava que isto fosse me dar tanto trabalho... - respondo, não conseguindo esconder o cansaço. - Não haveria algum carro que você pudesse pegar emprestado de alguém? Dos pais, irmãos, sei lá... algum parente ou mesmo amigo? - pergunto, na esperança de conseguir mais tempo para o conserto, pois assim poderia voltar em outra hora, com um ajudante. Ou com o guincho. Mas ela...
- Hmm, infelizmente não tenho, fiquei dependendo completamente desse carro...
Paro desconsolado à frente do carro. Tento um diálogo telepático com ele. Eu sei, eu sei, o carro é um objeto inerte, não responde, não lamenta, não ofende. Mas este é o lado fabuloso (referindo-me a contos de fadas, mesmo) de um eletricista. Ela apenas me observa, compartilhando o silêncio contemplativo. Certamente está delineando mentalmente seus próximos passos. Em parte, seu profissionalismo cênico cede espaço para o lado emotivo: Ela começa a sentir pena do sofrimento de sua "vítima"...
Mas logo volta à razão; estão sendo filmados. Ela pensa no contrato de trabalho que assinou e relembra sua confiança, sua convicção de levar este teste até as últimas conseqüências, as futuras chances profissionais que ela fatalmente iria perder se falhasse... Não, ela não desistiria. Pelo menos, não tão facilmente. Aproxima-se por trás de mim e começa a massagear meus ombros:
- Você está tenso. Posso te fazer uma massagem? Talvez ajude...
- Bem, já está fazendo, não? - respondo, sem dar muita importância a ela. Estou compenetrado, vasculhando meus arquivos mentais em busca de uma pista que me ajude a resolver o maldito problema deste carro. As mãos dela já ameaçavam descer pra minha cintura quando me lembrei: Ainda havia um ponto que eu não havia examinado! Fiquei tão esperançoso de finalmente solucionar o problema que entrei no carro na hora, e larguei a garota ali, sem nada dizer. Abri certo compartimento, retirei uma peça vital do carro, examinei-a minuciosamente. Fiquei pasmo: A peça estava simplesmente... OCA! Improvisei a ligação direta para substituir aquela peça e o carro finalmente pegou.
Nessa hora ela entra no carro e senta-se ao meu lado, no banco do passageiro, com um sorriso levemente maroto...
E eu, indisfarçavelmente inconformado com a descoberta:
- Me diga, o que é isto? - segurando e mostrando a ela a peça adulterada - Isto aqui foi mexido! Desmiolaram esta peça propositalmente!! E por quê? Para que finalidade ??
- Sabe... - e ela fica cabisbaixa - esse problema apareceu ontem... mas foi de noite. E eu não poderia chamá-lo aqui fora do horário comercial, não é? Fui pedir ajuda a um dos meus vizinhos, ele veio aqui... e mexeu, mexeu e não resolveu nada. Parece até que piorou mais ainda a situação, não?
- Piorar?! Ele simplesmente destruiu um componente do carro!
Ela mordisca o lábio inferior e afirma, em tom de desabafo:
- Eu não devia ter deixado o meu vizinho mexer aqui, não devia! Ele estragou todo o meu carro!! - e seus olhos umedecem. ( boa atriz, esta ) Minha revolta transforma-se imediatamente em dó:
- Ei, não precisa ficar assim, ele não estragou todo o carro, não. Olha, é só esta pecinha aqui que...
Mas não adianta. Sem conter os soluços, as lágrimas dela escorrem. Fico desesperado vendo-a chorando. Tento explicar que a situação não é grave, que o conserto é simples, que a culpa é minha por não ter descoberto logo o defeito, peço desculpas por ter me irritado. Em meio aos soluços, ela só consegue me dizer que "... a culpa não foi sua..."
Ponho minha mão no ombro dela e peço que se acalme...
Ela responde que "ainda bem que você é uma boa pessoa... muito boa" e termina por me abraçar.
Sob esta circunstância, sou incapaz de repelir o abraço que ela me dá. Seria, antes de mais nada, uma falta de educação de minha parte, se eu o fizesse. E permanecemos abraçados em silêncio por alguns minutos, até que ela parasse de chorar.
Os olhos dela já estão secos, de volta a normalidade. O calor do abraço, do contato com aquele corpo acaba me causando certo "efeito colateral". Ela sorri, a danada. E me pergunta se estou excitado. ( Como se não estivesse perceptível, bah! ) Sei que ela notou o volume que não se encontrava ali entre nós até ainda há pouco. Desvencilho-me de seus braços meio que à força, digo-lhe que preciso terminar logo o reparo do carro e entro dentro dele, a fim de deixar feita uma ligação direta para que o carro possa funcionar.
Em poucos minutos o reparo está pronto. Oriento-a para levar o carro até a oficina, onde poderei desfazer o "quebra-galho" e repor a peça que havia sido quebrada. Aparentemente sem prestar atenção em nada do que eu havia dito, ela persiste na frase anterior, só que agora com a expressão de coitada:
- Você ainda está excitado, não está... ? - e complementa - ... eu estou!
Tento desconversar:
- Olha, eu sinto muito, mas já estou um bocado atrasado, preciso ir...
E ela:
- Você não vai me deixar neste estado, vai? Vem, não tem ninguém em casa, vai ser rapidinho...
- Não, eu preciso ir mesmo.
Agora, mais manhosa ainda:
- Vem... você cuida tão bem do meu carro, tenho certeza de que sabe cuidar bem de mim, também... Vem preencher meu vazio, vem... - e levanta sua camiseta até o limite que precede a exposição total dos seios.
Nota do Editor: Cabe esclarecer aos leitores que a produção do programa proíbe a nudez parcial ou total. (...) Pelo menos, nesta minha versão, sim!
Uma parte inferior dos mesmos começa a aparecer e ela então dá sua cartada final:
- Vamos? - acompanhada de uma piscadela.
Definitivamente desisto de tentar dialogar com ela, pego minha caixa de ferramentas e me dirijo a saída. Ela não pôde fazer mais nada. Se o fizesse, este programa só seria liberado para ir ao ar após as 3 horas da madrugada. E eu não poderia ser acusado de nada, senão de ter sido... violentado!
: O
19.4.05
Um puxão de orelha nos "redatores"
Que o universo da escrita jurídica parece ter estacionado na era de Eça de Queiroz, todo cidadão brasileiro já sabe. O que me deixou revoltado foi este texto abaixo, que não foi encontrado em nenhuma revista ou noticiário jurídico e sim na revista sindical que recebo mensalmente, do Sincopeças-SP (Sindicato do Comércio Varejista de Peças e Acessórios para Veículos).
Uma publicação dirigida a donos de auto peças. Não tenho a menor intenção de ficar me gabando, mas meu vocabulário não é dos mais pobres. E mesmo assim, o que li foi quase incompreensível. Não só pelos termos incomuns, mas também pela construção das frases; a mim, completamente confusa.
Os donos de auto peças que são formados em Direito podem até ter entendido perfeitamente, mas eu, que não sou dessa área, simplesmente "boiei". Achei um verdadeiro descaso para com nós, leitores da revista. No texto integral, nada consta que este possua trechos transcritos de uma comunicação oficial. E, a meu ver, não há a menor necessidade de usar essas expressões rebuscadas. Vejam se um leitor comum conseguiria compreender isto:
" A pedido do Sincopeças, Justiça declara inconstitucional cobrança da TFE "
( trecho copiado conforme impresso, com todo esse monte de vírgulas )
" Ainda, em sede de preliminar, alegou a impetrada que a via eleita não poderia ser acolhida por se tratar de lei em tese, bem como pela necessidade de ampla dilação probatória proibida em sede de mandado de segurança, as quais foram amplamente afastadas, acolhendo-se a tese de que a indigitada lei atacada produz efeitos, porquanto, gera cobrança do tributo, impondo sanções, analisando, ainda, que se tornara despicienda a dilação probatória, reconhecendo a via eleita, posto que, tratava-se de análise de preceitos constitucionais em face do Código Tributário Nacional, possível de ser tutelado. "
"Se tornara despicienda a dilação probatória" ? Mas que cazzo é isso?!
O dicionário socorre:
Despicienda : Que deve ser desprezada.
Dilação : Ação ou efeito de dilatar, adiamento.
Probatória : Relativa a prova, que serve de prova.
Será que o sujeito que redigiu (se é que redigiu, pois acredito mesmo é que ele só tenha dado o conhecido Control+C/ Control+V em algum documento) este texto na revista não poderia ter usado uma linguagem mais... próxima à realidade?
Posso estar equivocado, mas a rebuscada frase do parágrafo anterior não poderia ser substituída por algo assim: "O adiamento da comprovação havia sido anulado" ... ?
Pra piorar: Nem de sindicatos eu gosto.
): [
Uma publicação dirigida a donos de auto peças. Não tenho a menor intenção de ficar me gabando, mas meu vocabulário não é dos mais pobres. E mesmo assim, o que li foi quase incompreensível. Não só pelos termos incomuns, mas também pela construção das frases; a mim, completamente confusa.
Os donos de auto peças que são formados em Direito podem até ter entendido perfeitamente, mas eu, que não sou dessa área, simplesmente "boiei". Achei um verdadeiro descaso para com nós, leitores da revista. No texto integral, nada consta que este possua trechos transcritos de uma comunicação oficial. E, a meu ver, não há a menor necessidade de usar essas expressões rebuscadas. Vejam se um leitor comum conseguiria compreender isto:
" A pedido do Sincopeças, Justiça declara inconstitucional cobrança da TFE "
( trecho copiado conforme impresso, com todo esse monte de vírgulas )
" Ainda, em sede de preliminar, alegou a impetrada que a via eleita não poderia ser acolhida por se tratar de lei em tese, bem como pela necessidade de ampla dilação probatória proibida em sede de mandado de segurança, as quais foram amplamente afastadas, acolhendo-se a tese de que a indigitada lei atacada produz efeitos, porquanto, gera cobrança do tributo, impondo sanções, analisando, ainda, que se tornara despicienda a dilação probatória, reconhecendo a via eleita, posto que, tratava-se de análise de preceitos constitucionais em face do Código Tributário Nacional, possível de ser tutelado. "
"Se tornara despicienda a dilação probatória" ? Mas que cazzo é isso?!
O dicionário socorre:
Despicienda : Que deve ser desprezada.
Dilação : Ação ou efeito de dilatar, adiamento.
Probatória : Relativa a prova, que serve de prova.
Será que o sujeito que redigiu (se é que redigiu, pois acredito mesmo é que ele só tenha dado o conhecido Control+C/ Control+V em algum documento) este texto na revista não poderia ter usado uma linguagem mais... próxima à realidade?
Posso estar equivocado, mas a rebuscada frase do parágrafo anterior não poderia ser substituída por algo assim: "O adiamento da comprovação havia sido anulado" ... ?
Pra piorar: Nem de sindicatos eu gosto.
): [
13.4.05
Enquanto isso, na Ilha da Fantasia orkutiana...
Prólogo
( Trilha sonora: Mood Indigo - Duke Ellington )
Entre o final da década de oitenta e o início da seguinte... Ah! A publicidade que eu tanto desejava; já estava até meio encaminhado, num curso técnico da área. Foi então que vim a conhecer a Erika. E minha concentração para os estudos desandou por completo.
Foi o começo do namoro mais desastroso que já tive até hoje.
E se... Aquela menina jamais tivesse aparecido em minha vida ? . . .
Introdução a là informática
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Ainda não satisfeito, vou lá tacar fogo na lixeira:
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Tem certeza de que deseja excluir "Erika"?
Sim, sim, SIM! puf!
( sumiu ) #
Capítulo 1
1988. Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado. FECAP, em São Paulo. E lá estou, sentado na ala intermediária da sala - não tinha conseguido vaga no fundão, ah! o fundão... - a observar os tipos ali presentes.
O que mais se via eram verdadeiras caricaturas dos chamados mauricinhos e patricinhas. Rapazes com seu indisfarçável orgulho do corpo torneado a base de horas e horas de academia - e anabolizantes também, vai saber? - e as moçoilas, quase tão embrulhadas de grifes quanto um piloto de fórmula 1 e seus patrocinadores, a ostentar aquele bronzeado de quem havia retornado de Guarujá ontem de tarde. Outras "tribos" também estavam presentes: A dos indiferentes a tudo e a dos CDF's. E eu, o que era? Apesar do tênis Nike de cano (cano?) alto e uma ou outra roupa Levi's americana, não pertencia ao grupo da ostentação. Eu sempre acabava na 'plebe rude' da sala: Os nerds. *
Na minha concepção, o nerd se diferencia do CDF por ser mais tolerante aos vícios. E mais! O CDF é capaz de recusar uma noite de sexo em plena época que antecede as provas bimestrais, coisa que o nerd não faria. Ele vai transar e depois fica com os remorsos. E a nota baixa nos resultados.
Mas, voltando a sala...
Capítulo 2
Aos poucos, fui me acostumando ao novo ambiente. A convivência diária foi evidenciando pessoas com as quais eu tinha mais afinidade: Paulo, o desenhista do fundão; Dárcio, o Raul Seixas da publicidade; Adriana, a japolaca (mestiça de japonês com polaca) mais linda que já vi até hoje; Julieta, a japonesinha que lidava com flores mas que não era uma que se cheirasse; Sofia e seu cabelão... entre outros personagens.
Não creio que eu tivesse a menor chance de namorar qualquer uma das garotas citadas. Muito menos as demais que estavam na mesma sala... ou no mesmo colégio, que fosse. Ah! Como eu gostava da área! Só não me atraía muito a sociologia - talvez por eu ser anti-social?! - mas o português, nossa amada e sofrida língua, seus recursos, seus meandros, seus subentendidos; Ê coisa boa! E até que eu ia bem nessa matéria. Persuadir, convencer. Também atrair e agradar. Gravar, cravar no topo da mente de cada consumidor ou cliente em potencial a nossa bandeira. Tais desafios eram meu deleite.
Talvez ainda sejam até hoje, mas sem os propósitos comerciais de então.
Da primeira bifurcação no desenrolar desta fantasia, um caminho já foi tomado: O profissional. ( Deixo o amoroso jogado no fundo do armário, trancafiado num baú ... (risos) solidamente imaginário cuja chave do trinco está perdida )
WENDELL: Mesmo tomando outro rumo... a vida insiste em trazer as experiências que a gente precisa viver... por isso tantos erros, acertos, até algumas trapalhadas memoráveis e outras até que gostaríamos de apagar definitivamente (quero o algoritimo de deleção... - não se esqueça de passar um programa para zerar o espaço livre, senão ainda pode se recuperar o arquivo deletado....). O amor nessa linha temporal fica relegado ao segundo plano... mas tem pessoas que adoram dificuldade e gente de conteúdo (como vc); creio que alguém apareceria para te desconcentrar novamente e lhe fazer repensar o caminho trilhado... Adorei o periodo escolhido... final da década de 80; passando para a década de 90, que surpresas o futuro reservaria... a popularização da Internet e do computador pessoal, o surgimento do celular... o dvd surge para tirar espaço do vinil. É um cenario de oportunidades e mudanças... a globalização começa a dar os sinais de vida. Certamente investindo seu tempo no aprendizado o Ricardo abriria um negócio próprio e se resolvesse aposentar os MSX e a vender computadores (enxergando a oportunidade de mercado...)
ALINE: E foi o que ele fez. Estava indo tudo taum bem na sua vida proficional... Ele estava mtu bem financeiramente... seu novo negócio era maravilhoso e crecia cada vez +... Ele estava feliz + sentia q algo estava faltando... Foi qndo em um dia de chuva ele no seu carro importado ele ve uma moça correndo... e a reconhece... era Adriana akela moça linda da qual jah falamos... ele pensa um poko... e chama atenção dela... e oferece uma carona... no caminho os dois conversam bastante relembrando os velhos tempos entaum marcam um encontro... um jantar em um restaurante ali perto...
Capítulo 3
Hmmmm. Internet. A (1ª) onda dos provedores gratuitos e a difusão da rede. O BBS perdendo espaço, os 14.4Kbps sendo superados seguidamente. O 286, 386, 486... Sim, num mercado onde a palavra estagnação não existe, num universo onde novas tecnologias são produzidas a cada instante, os equipamentos se renovam constantemente. Era (e foi) um ramo comercial próspero.
Amanhã é o dia do jantar marcado. Mas... por que um jantar?
Pelo clima romântico, o ambiente propício a grandes declarações amorosas, com taças de vinho brindadas à luz de velas? Ei ! Não estou apaixonado por ela. Ah sim, mas é claro. Não tem nada a ver, é um jantar porque ambos detestamos o trânsito no horário comercial. E não poderia ser num final de semana porque cada um de nós já tem seus compromissos pra esse período.
Talvez seja o dia em que ela leve as crianças - Sim, ela já deve ter uns dois filhos - ao shopping, ao parque...
Falando nisso, fiquei tão surpreso em revê-la daquela forma inesperada que até me esqueci de perguntar se ela ainda está solteira. Ou melhor, se já está casada, pra não passar uma impressão errônea de que eu pudesse estar cantando-a. Ou será que mesmo assim daria a mesma impressão? Tsc! Ah! De que importa? A menos que seja um marido neuroticamente ciumento, não haverá problema algum num jantar. É só o reencontro de amigos.
Dentro da minha mente alguma coisa curiosamente sussura : Íntimos ?. Não, não. Apenas uma amiga de escola. Uma boa amiga.
Intermezzo
... e me lembrei de um programa da Rede Globo... ( abre aspas )
E agora, se vc acha que Adriana já está casada, tem dois filhos e está grávida de 2 meses do terceiro, ligue para 0800 XX XX;
Ou então, que ela ainda está solteira mas por ter se descoberto ser homossexual durante esse tempo que se passou, ligue para 0800 XX YY;
E finalmente, se vc acha que ela vai 'dar o maior bolo' no Ricardo, deixando-o esperando sozinho na mesa do restaurante por horas e horas até que o garçom apareça para pedir que ele se retire "pois já estamos fechando, senhor", ligue para 0800 YY XX.
Dê a sua opinião. A ligação é gratuita. Estamos aguardando o seu voto, pois aqui...
Você decide!
( fecha aspas )
Capítulo 4
Cheguei atrasado ao local marcado.
Não fora proposital; como eu ia prever que um pneu resolveria murchar bem no meio do caminho? Cheguei. Suado, ofegante, tentando disfarçar o encardido nas mãos. Olho em redor, na esperança de não vê-la, pois assim eu teria tempo de me recompôr do imprevisto, além de não fazer feio perante ela, mas...
Ai, ali está ela. Linda, por sinal. Primeira coisa, me desculpo pelo atraso; me atrapalho todo tentando explicar o que havia acontecido. Ela calmamente me diz pra ficar tranqüilo, pois o noivo dela tinha deixado-a ali há uns 5 minutinhos. "Ah, o noivo, claro. E onde está ele?" - pergunto. Ela me responde que ele tinha resolvido ir jogar boliche com os amigos, naquela noite.
Adriana está noiva, quem diria... Tsc! Mas é lógico que está. Uma mulher destas não ficaria sobrando de jeito nenhum, mas... por que o noivo não a acompanhou? Ele confia tanto assim nela? Ou é eu que sou inofensivo? Ah... do jeito que sou abobalhado, deve ter sido isso mesmo. Que se fosse eu o noivo dela, não a deixaria se encontrar com um sujeito que nem conhecesse e...
- Ricardo... Ricardo!!
- Ahn? O que?
- Até quando você vai deixar o garçom aí do seu lado te esperando?
- Ah sim, claro. (despertando do delírio) Vocês têm lasanha? - O garçom, visivelmente aborrecido com a demora, vai direto: "Bolonhesa ou molho branco?"
- Bolonhesa, por favor.
- Pra beber? - Cerveja. Não, não! Suco de laranja. Ah, também não. É isso, um guaraná!
O garçom anota o pedido e se vai. Divertida com meu embaraço, ela me pergunta se está tudo bem. Respondo que sim e nesse momento percebo uma sujeira embaixo do braço. Peço licença pra ir ao banheiro, me limpar.
Capítulo 5
De volta e devidamente limpo, pergunto a ela se tem visto a turminha do colégio. A resposta que me vem é vaga, ela parece apreensiva com algo e logo me comenta: - Notou aqueles três engravatados que passaram aqui ainda há pouco? Estou estranhando-os; entraram olhando para os lados e foram direto lá para no fundo do restaurante... Não dou importância para as palavras dela:
- Ah! Devem ser só uns conhecidos do dono - e volto ao nosso tempo de colegiais.
Passados alguns minutos, começo a estranhar a demora:
- Geralmente trazem logo a bebida, mas já fui e voltei ao banheiro e até agora nada do meu guaraná? - Olho em direção a cozinha e vejo dois dos tais engravatados. Parecem preocupados com alguma coisa e resolvem sair, ao que me parece. Quando estão próximos da nossa mesa, surge na entrada do salão um policial militar que logo reconhece um dos criminosos cuja descrição havia recebido. Ele dá a voz de prisão. Um dos procurados reage e atira no policial, mas não consegue acertá-lo. Revidando, o tiro do policial é quase certeiro, crava-se no ombro direito do primeiro atirador, que cai.
Pânico entre as mesas, a maioria deitada ou agachada sob as mesas, ouvem-se gritos, gente chorando. Meu coração batendo em desabalada carreira, também agachado atrás de uma cadeira e tremendo de medo, súbito olho para Adriana e descubro o pior: Sob a mira de uma pistola, ela é mantida refém.
Deus do Céu... - fico pensando - Se ao menos eu fosse mais corajoso, ou... sei lá, se tivesse os mesmos poderes de um Jackie Chan em um filme...
Chegam reforços policiais ao local. Todos param ali na entrada, imóveis. "Não atirem! Ele tem uma refém!!", alerta um deles ao grupo. Dois policiais tentam o diálogo, convencer o criminoso a libertar Adriana. Mas ele permanece impassível, exige a presença de jornalistas ali, antes de iniciar qualquer negociação. "E não tentem fazer gracinhas, senão eu mato esta mulher e todo mundo que está aqui!!" - brada o marginal.
Capítulo 6
Adriana está pálida, tem os olhos vidrados, os lábios trêmulos, incapacitada de dizer qualquer coisa. E eu ali no chão, lamentando minha covardia. Até que... Em dado instante, me dei conta de que... se estou na Ilha da Fantasia, eu posso! Sou capaz!
! Enxuguei as lágrimas e me levantei. O criminoso assustou-se com a ação repentina e apontou a arma no meu nariz e gritou:
- QUER MORRER?
Olho bem nos olhos deles e respondo:
- Morrer? Todo mundo morre, um dia, meu caro. Mas meu dia ainda não é hoje! - em fração de segundo agarro seu braço; ele tentar apertar o gatilho e não consegue, pois estou pressionando um ponto em seu corpo que anula, que anestesia a mobilidade do dedo indicador. Seu olhar passa do transtornado homicida ao desesperado e atônito que vê todas as suas chances de sucesso naufragarem de uma vez. Os policiais percebem a chance e entram correndo no salão. Agarram o infeliz que, embasbacado com o inesperado, se deixa ser rendido; a arma é finalmente tomada de suas mãos.
Ao ser liberta, Adriana desfalece em meus braços.
Dos criminosos, um é algemado e levado para a delegacia. O outro, embora o ferimento não fosse grave, precisou ser levado de ambulância para ser tratado. E... quanto ao terceiro do bando? Este foi rendido ao sair do banheiro, de onde se negava a sair, mais por estar com disenteria, que por estar recusando-se a rendição.
Despertando aos poucos, Adriana, ainda confusa, assustada, me perguntava se todo aquele pesadelo já havia terminado. Respondi positivamente e ela desabou aos prantos. De alívio.
Capítulo 7
Dias depois... Recebo o telefonema de Adriana, me perguntando se eu estava bem e me convidando para um almoço no domingo, no apartamento deles. Respondo que, apesar do grande susto, estou bem e aceito o convite.
Naquele dia do seqüestro ficamos tão chocados que só pude me despedir desajeitadamente dela, deixando-a com o noivo, que logo que soube do incidente correu pra lá. Tamanha havia sido a preocupação dele, que nem notou a minha presença ali. E ali deixei-os, abraçados e, discretamente, fui embora.
E no apartamento deles...
Ela me recebe com um apertado abraço. Em seguida, me apresenta ao seu noivo. Este também me abraça, afetuosamente. Chego a estranhar tamanha demonstração de carinho, afinal de contas, sou um mero amigo... e depois concluo que deve ser a gratidão por ter salvo sua noiva.
A mesa já estava posta, à minha espera. Sem demora, nos sentamos para almoçar.
Entre garfadas e lembranças, boas risadas. Angelo - eis o nome do noivo da Adriana - se divertia com as recordações dos tempos colegiais que expunhamos ali. Ele não fora de nossa época. Aliás, nem de nossa cidade. Havia se mudado há poucos anos, pra cá. E fiquei sabendo que eles tinham se conhecido em uma feira de livros ocorrida no Rio de janeiro.
- Você é carioca, Angelo? - perguntei. E ele disse que não, que era mineiro.
Notando minha expressão de estranheza, ele se adiantou em esclarecer: "Desde que ela montou a livraria, passou a visitar diversas feiras, exposições de livros. Eu, como sou editor de livros, também costumava... e ainda costumo... estar presente nesses eventos. E calhou de nos conhecermos justamente naquela feira do Rio, não é? - e trocou sorrisos cúmplices com ela - e agora... Vamos brindar!!"
Capítulo 8
Foi na despensa e de lá trouxe uma garrafa de champanhe gelado. A abriu. Serviu todas as taças que estavam na mesa, entregando-as para nós. Esperava que ele fosse se sentar novamente à mesa, mas não; continuou em pé:
- Quero fazer um brinde... ( e fez uma pausa para relembrar mentalmente algum discurso previamente escrito, ou talvez só pra fazer suspense mesmo e ) ...a VOCÊ, Ricardo!
Quase dei um sobressalto na cadeira, de susto:
- Ah! Ah... mas quê isso, não mereço tamanha homenagem não, até entendo que salvei uma vida que... - e Angelo me interrompe:
- Aí é que você se engana, meu amigo; Você não salvou apenas uma vida, mas sim... DUAS!
Fiquei mudo, sem entender nada. "Tinha mais alguém refém ali, naquela hora?", pensei. Não, não tinha. Adriana se antecipou em me explicar:
- Anteontem fui ao médico e confirmei o que eu, ou melhor, nós (olhando para Angelo) esperávamos: Um bebê! "Nosso primeiro herdeiro!", completou sorridente o futuro pai.
Se Adriana fosse morta, a pequena vida que começara a se formar dentro dela, ainda com poucas semanas, também seria inevitavelmente perdida... E brindamos. Não pude conter as lágrimas.
E assim, se passou o domingo.
Epílogo
Alguns meses depois, a boa notícia: O filho - agora não só da minha amiga, mas dos meus amigos - chegava ao mundo; forte, saudável, cheio de vitalidade! E o mais agradável ainda: Eu havia sido escolhido por unanimidade para ser o padrinho de batismo dele.
Na data marcada, lá estava eu, na igreja. Em meus braços, o pequeno Ricardo me olhava, algo assustado. E assim, abençoei meu pequeno xarazinho.
Ah! Uma história sem romances, como eu queria. Imprevista foi a entrada da Adriana no meio do enredo, mas foi bom. Infelizmente não pude viver a parte profissional, pois me faltaria embasamento técnico. Bem, enfim, este é o ...
F I M
( Trilha sonora: What a Wonderful World - Louis Armstrong )
( Trilha sonora: Mood Indigo - Duke Ellington )
Entre o final da década de oitenta e o início da seguinte... Ah! A publicidade que eu tanto desejava; já estava até meio encaminhado, num curso técnico da área. Foi então que vim a conhecer a Erika. E minha concentração para os estudos desandou por completo.
Foi o começo do namoro mais desastroso que já tive até hoje.
E se... Aquela menina jamais tivesse aparecido em minha vida ? . . .
Introdução a là informática
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( sumiu ) #
Capítulo 1
1988. Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado. FECAP, em São Paulo. E lá estou, sentado na ala intermediária da sala - não tinha conseguido vaga no fundão, ah! o fundão... - a observar os tipos ali presentes.
O que mais se via eram verdadeiras caricaturas dos chamados mauricinhos e patricinhas. Rapazes com seu indisfarçável orgulho do corpo torneado a base de horas e horas de academia - e anabolizantes também, vai saber? - e as moçoilas, quase tão embrulhadas de grifes quanto um piloto de fórmula 1 e seus patrocinadores, a ostentar aquele bronzeado de quem havia retornado de Guarujá ontem de tarde. Outras "tribos" também estavam presentes: A dos indiferentes a tudo e a dos CDF's. E eu, o que era? Apesar do tênis Nike de cano (cano?) alto e uma ou outra roupa Levi's americana, não pertencia ao grupo da ostentação. Eu sempre acabava na 'plebe rude' da sala: Os nerds. *
Na minha concepção, o nerd se diferencia do CDF por ser mais tolerante aos vícios. E mais! O CDF é capaz de recusar uma noite de sexo em plena época que antecede as provas bimestrais, coisa que o nerd não faria. Ele vai transar e depois fica com os remorsos. E a nota baixa nos resultados.
Mas, voltando a sala...
Capítulo 2
Aos poucos, fui me acostumando ao novo ambiente. A convivência diária foi evidenciando pessoas com as quais eu tinha mais afinidade: Paulo, o desenhista do fundão; Dárcio, o Raul Seixas da publicidade; Adriana, a japolaca (mestiça de japonês com polaca) mais linda que já vi até hoje; Julieta, a japonesinha que lidava com flores mas que não era uma que se cheirasse; Sofia e seu cabelão... entre outros personagens.
Não creio que eu tivesse a menor chance de namorar qualquer uma das garotas citadas. Muito menos as demais que estavam na mesma sala... ou no mesmo colégio, que fosse. Ah! Como eu gostava da área! Só não me atraía muito a sociologia - talvez por eu ser anti-social?! - mas o português, nossa amada e sofrida língua, seus recursos, seus meandros, seus subentendidos; Ê coisa boa! E até que eu ia bem nessa matéria. Persuadir, convencer. Também atrair e agradar. Gravar, cravar no topo da mente de cada consumidor ou cliente em potencial a nossa bandeira. Tais desafios eram meu deleite.
Talvez ainda sejam até hoje, mas sem os propósitos comerciais de então.
Da primeira bifurcação no desenrolar desta fantasia, um caminho já foi tomado: O profissional. ( Deixo o amoroso jogado no fundo do armário, trancafiado num baú ... (risos) solidamente imaginário cuja chave do trinco está perdida )
WENDELL: Mesmo tomando outro rumo... a vida insiste em trazer as experiências que a gente precisa viver... por isso tantos erros, acertos, até algumas trapalhadas memoráveis e outras até que gostaríamos de apagar definitivamente (quero o algoritimo de deleção... - não se esqueça de passar um programa para zerar o espaço livre, senão ainda pode se recuperar o arquivo deletado....). O amor nessa linha temporal fica relegado ao segundo plano... mas tem pessoas que adoram dificuldade e gente de conteúdo (como vc); creio que alguém apareceria para te desconcentrar novamente e lhe fazer repensar o caminho trilhado... Adorei o periodo escolhido... final da década de 80; passando para a década de 90, que surpresas o futuro reservaria... a popularização da Internet e do computador pessoal, o surgimento do celular... o dvd surge para tirar espaço do vinil. É um cenario de oportunidades e mudanças... a globalização começa a dar os sinais de vida. Certamente investindo seu tempo no aprendizado o Ricardo abriria um negócio próprio e se resolvesse aposentar os MSX e a vender computadores (enxergando a oportunidade de mercado...)
ALINE: E foi o que ele fez. Estava indo tudo taum bem na sua vida proficional... Ele estava mtu bem financeiramente... seu novo negócio era maravilhoso e crecia cada vez +... Ele estava feliz + sentia q algo estava faltando... Foi qndo em um dia de chuva ele no seu carro importado ele ve uma moça correndo... e a reconhece... era Adriana akela moça linda da qual jah falamos... ele pensa um poko... e chama atenção dela... e oferece uma carona... no caminho os dois conversam bastante relembrando os velhos tempos entaum marcam um encontro... um jantar em um restaurante ali perto...
Capítulo 3
Hmmmm. Internet. A (1ª) onda dos provedores gratuitos e a difusão da rede. O BBS perdendo espaço, os 14.4Kbps sendo superados seguidamente. O 286, 386, 486... Sim, num mercado onde a palavra estagnação não existe, num universo onde novas tecnologias são produzidas a cada instante, os equipamentos se renovam constantemente. Era (e foi) um ramo comercial próspero.
Amanhã é o dia do jantar marcado. Mas... por que um jantar?
Pelo clima romântico, o ambiente propício a grandes declarações amorosas, com taças de vinho brindadas à luz de velas? Ei ! Não estou apaixonado por ela. Ah sim, mas é claro. Não tem nada a ver, é um jantar porque ambos detestamos o trânsito no horário comercial. E não poderia ser num final de semana porque cada um de nós já tem seus compromissos pra esse período.
Talvez seja o dia em que ela leve as crianças - Sim, ela já deve ter uns dois filhos - ao shopping, ao parque...
Falando nisso, fiquei tão surpreso em revê-la daquela forma inesperada que até me esqueci de perguntar se ela ainda está solteira. Ou melhor, se já está casada, pra não passar uma impressão errônea de que eu pudesse estar cantando-a. Ou será que mesmo assim daria a mesma impressão? Tsc! Ah! De que importa? A menos que seja um marido neuroticamente ciumento, não haverá problema algum num jantar. É só o reencontro de amigos.
Dentro da minha mente alguma coisa curiosamente sussura : Íntimos ?. Não, não. Apenas uma amiga de escola. Uma boa amiga.
Intermezzo
... e me lembrei de um programa da Rede Globo... ( abre aspas )
E agora, se vc acha que Adriana já está casada, tem dois filhos e está grávida de 2 meses do terceiro, ligue para 0800 XX XX;
Ou então, que ela ainda está solteira mas por ter se descoberto ser homossexual durante esse tempo que se passou, ligue para 0800 XX YY;
E finalmente, se vc acha que ela vai 'dar o maior bolo' no Ricardo, deixando-o esperando sozinho na mesa do restaurante por horas e horas até que o garçom apareça para pedir que ele se retire "pois já estamos fechando, senhor", ligue para 0800 YY XX.
Dê a sua opinião. A ligação é gratuita. Estamos aguardando o seu voto, pois aqui...
Você decide!
( fecha aspas )
Capítulo 4
Cheguei atrasado ao local marcado.
Não fora proposital; como eu ia prever que um pneu resolveria murchar bem no meio do caminho? Cheguei. Suado, ofegante, tentando disfarçar o encardido nas mãos. Olho em redor, na esperança de não vê-la, pois assim eu teria tempo de me recompôr do imprevisto, além de não fazer feio perante ela, mas...
Ai, ali está ela. Linda, por sinal. Primeira coisa, me desculpo pelo atraso; me atrapalho todo tentando explicar o que havia acontecido. Ela calmamente me diz pra ficar tranqüilo, pois o noivo dela tinha deixado-a ali há uns 5 minutinhos. "Ah, o noivo, claro. E onde está ele?" - pergunto. Ela me responde que ele tinha resolvido ir jogar boliche com os amigos, naquela noite.
Adriana está noiva, quem diria... Tsc! Mas é lógico que está. Uma mulher destas não ficaria sobrando de jeito nenhum, mas... por que o noivo não a acompanhou? Ele confia tanto assim nela? Ou é eu que sou inofensivo? Ah... do jeito que sou abobalhado, deve ter sido isso mesmo. Que se fosse eu o noivo dela, não a deixaria se encontrar com um sujeito que nem conhecesse e...
- Ricardo... Ricardo!!
- Ahn? O que?
- Até quando você vai deixar o garçom aí do seu lado te esperando?
- Ah sim, claro. (despertando do delírio) Vocês têm lasanha? - O garçom, visivelmente aborrecido com a demora, vai direto: "Bolonhesa ou molho branco?"
- Bolonhesa, por favor.
- Pra beber? - Cerveja. Não, não! Suco de laranja. Ah, também não. É isso, um guaraná!
O garçom anota o pedido e se vai. Divertida com meu embaraço, ela me pergunta se está tudo bem. Respondo que sim e nesse momento percebo uma sujeira embaixo do braço. Peço licença pra ir ao banheiro, me limpar.
Capítulo 5
De volta e devidamente limpo, pergunto a ela se tem visto a turminha do colégio. A resposta que me vem é vaga, ela parece apreensiva com algo e logo me comenta: - Notou aqueles três engravatados que passaram aqui ainda há pouco? Estou estranhando-os; entraram olhando para os lados e foram direto lá para no fundo do restaurante... Não dou importância para as palavras dela:
- Ah! Devem ser só uns conhecidos do dono - e volto ao nosso tempo de colegiais.
Passados alguns minutos, começo a estranhar a demora:
- Geralmente trazem logo a bebida, mas já fui e voltei ao banheiro e até agora nada do meu guaraná? - Olho em direção a cozinha e vejo dois dos tais engravatados. Parecem preocupados com alguma coisa e resolvem sair, ao que me parece. Quando estão próximos da nossa mesa, surge na entrada do salão um policial militar que logo reconhece um dos criminosos cuja descrição havia recebido. Ele dá a voz de prisão. Um dos procurados reage e atira no policial, mas não consegue acertá-lo. Revidando, o tiro do policial é quase certeiro, crava-se no ombro direito do primeiro atirador, que cai.
Pânico entre as mesas, a maioria deitada ou agachada sob as mesas, ouvem-se gritos, gente chorando. Meu coração batendo em desabalada carreira, também agachado atrás de uma cadeira e tremendo de medo, súbito olho para Adriana e descubro o pior: Sob a mira de uma pistola, ela é mantida refém.
Deus do Céu... - fico pensando - Se ao menos eu fosse mais corajoso, ou... sei lá, se tivesse os mesmos poderes de um Jackie Chan em um filme...
Chegam reforços policiais ao local. Todos param ali na entrada, imóveis. "Não atirem! Ele tem uma refém!!", alerta um deles ao grupo. Dois policiais tentam o diálogo, convencer o criminoso a libertar Adriana. Mas ele permanece impassível, exige a presença de jornalistas ali, antes de iniciar qualquer negociação. "E não tentem fazer gracinhas, senão eu mato esta mulher e todo mundo que está aqui!!" - brada o marginal.
Capítulo 6
Adriana está pálida, tem os olhos vidrados, os lábios trêmulos, incapacitada de dizer qualquer coisa. E eu ali no chão, lamentando minha covardia. Até que... Em dado instante, me dei conta de que... se estou na Ilha da Fantasia, eu posso! Sou capaz!
! Enxuguei as lágrimas e me levantei. O criminoso assustou-se com a ação repentina e apontou a arma no meu nariz e gritou:
- QUER MORRER?
Olho bem nos olhos deles e respondo:
- Morrer? Todo mundo morre, um dia, meu caro. Mas meu dia ainda não é hoje! - em fração de segundo agarro seu braço; ele tentar apertar o gatilho e não consegue, pois estou pressionando um ponto em seu corpo que anula, que anestesia a mobilidade do dedo indicador. Seu olhar passa do transtornado homicida ao desesperado e atônito que vê todas as suas chances de sucesso naufragarem de uma vez. Os policiais percebem a chance e entram correndo no salão. Agarram o infeliz que, embasbacado com o inesperado, se deixa ser rendido; a arma é finalmente tomada de suas mãos.
Ao ser liberta, Adriana desfalece em meus braços.
Dos criminosos, um é algemado e levado para a delegacia. O outro, embora o ferimento não fosse grave, precisou ser levado de ambulância para ser tratado. E... quanto ao terceiro do bando? Este foi rendido ao sair do banheiro, de onde se negava a sair, mais por estar com disenteria, que por estar recusando-se a rendição.
Despertando aos poucos, Adriana, ainda confusa, assustada, me perguntava se todo aquele pesadelo já havia terminado. Respondi positivamente e ela desabou aos prantos. De alívio.
Capítulo 7
Dias depois... Recebo o telefonema de Adriana, me perguntando se eu estava bem e me convidando para um almoço no domingo, no apartamento deles. Respondo que, apesar do grande susto, estou bem e aceito o convite.
Naquele dia do seqüestro ficamos tão chocados que só pude me despedir desajeitadamente dela, deixando-a com o noivo, que logo que soube do incidente correu pra lá. Tamanha havia sido a preocupação dele, que nem notou a minha presença ali. E ali deixei-os, abraçados e, discretamente, fui embora.
E no apartamento deles...
Ela me recebe com um apertado abraço. Em seguida, me apresenta ao seu noivo. Este também me abraça, afetuosamente. Chego a estranhar tamanha demonstração de carinho, afinal de contas, sou um mero amigo... e depois concluo que deve ser a gratidão por ter salvo sua noiva.
A mesa já estava posta, à minha espera. Sem demora, nos sentamos para almoçar.
Entre garfadas e lembranças, boas risadas. Angelo - eis o nome do noivo da Adriana - se divertia com as recordações dos tempos colegiais que expunhamos ali. Ele não fora de nossa época. Aliás, nem de nossa cidade. Havia se mudado há poucos anos, pra cá. E fiquei sabendo que eles tinham se conhecido em uma feira de livros ocorrida no Rio de janeiro.
- Você é carioca, Angelo? - perguntei. E ele disse que não, que era mineiro.
Notando minha expressão de estranheza, ele se adiantou em esclarecer: "Desde que ela montou a livraria, passou a visitar diversas feiras, exposições de livros. Eu, como sou editor de livros, também costumava... e ainda costumo... estar presente nesses eventos. E calhou de nos conhecermos justamente naquela feira do Rio, não é? - e trocou sorrisos cúmplices com ela - e agora... Vamos brindar!!"
Capítulo 8
Foi na despensa e de lá trouxe uma garrafa de champanhe gelado. A abriu. Serviu todas as taças que estavam na mesa, entregando-as para nós. Esperava que ele fosse se sentar novamente à mesa, mas não; continuou em pé:
- Quero fazer um brinde... ( e fez uma pausa para relembrar mentalmente algum discurso previamente escrito, ou talvez só pra fazer suspense mesmo e ) ...a VOCÊ, Ricardo!
Quase dei um sobressalto na cadeira, de susto:
- Ah! Ah... mas quê isso, não mereço tamanha homenagem não, até entendo que salvei uma vida que... - e Angelo me interrompe:
- Aí é que você se engana, meu amigo; Você não salvou apenas uma vida, mas sim... DUAS!
Fiquei mudo, sem entender nada. "Tinha mais alguém refém ali, naquela hora?", pensei. Não, não tinha. Adriana se antecipou em me explicar:
- Anteontem fui ao médico e confirmei o que eu, ou melhor, nós (olhando para Angelo) esperávamos: Um bebê! "Nosso primeiro herdeiro!", completou sorridente o futuro pai.
Se Adriana fosse morta, a pequena vida que começara a se formar dentro dela, ainda com poucas semanas, também seria inevitavelmente perdida... E brindamos. Não pude conter as lágrimas.
E assim, se passou o domingo.
Epílogo
Alguns meses depois, a boa notícia: O filho - agora não só da minha amiga, mas dos meus amigos - chegava ao mundo; forte, saudável, cheio de vitalidade! E o mais agradável ainda: Eu havia sido escolhido por unanimidade para ser o padrinho de batismo dele.
Na data marcada, lá estava eu, na igreja. Em meus braços, o pequeno Ricardo me olhava, algo assustado. E assim, abençoei meu pequeno xarazinho.
Ah! Uma história sem romances, como eu queria. Imprevista foi a entrada da Adriana no meio do enredo, mas foi bom. Infelizmente não pude viver a parte profissional, pois me faltaria embasamento técnico. Bem, enfim, este é o ...
F I M
( Trilha sonora: What a Wonderful World - Louis Armstrong )
12.4.05
Nem o Jabor responde
Uma pena que não pude acompanhar o programa desde o início, mas foi interessante o Roda Viva (TV Cultura, TVE, RPT) de ontem, cujo entrevistado foi Arnaldo Jabor. Conhecidíssimo atualmente por seus comentários no rádio e na TV, afirmo que gosto de suas colocações porque ele não possui 'meias-palavras'. O que é bom, é bom. O que é ruim, é ruim. E o que é inaceitável é, e continuará sendo.
Fiquei surpreso ao ver que nem mesmo ele, aclamado cronista, cineasta desde a época em que eu ainda me borrava em minhas fraldas, não tinha a resposta para uma das dúvidas mais aflitivas que atormentam as mulheres: O que o homem espera de um relacionamento a dois? Ou, mais precisamente... de sua parceira? (talvez a pergunta não tenha sido exatamente essa, mas era algo próximo)
Jabor poderia ter listado os tradicionais sentimentos (respeito, cumplicidade, etc) que todos conhecem – ah! a boa e velha teoria – mas não, aquele seu momento era de racionalidade, de fatos concretos e não hipóteses abstratas e a resposta foi franca: "Não sei..."
O breve silêncio que se seguiu na arena – composta por profissionais de diversas áreas, dentre escritores, psicanalistas e professores – foi a implícita concordância de todos ali, de que não existe mesmo uma resposta precisa para essa questão.
E me lembrei da comunidade 'Quem eu quero não me quer', onde vivo tentando (Tentando! Nem sempre consigo...) aconselhar alguns jovens desencontrados no amor. A comunidade é formada majoritariamente por jovens, e muitos deles com idade inferior a 18 anos. Tenho notado a aflição deles, afoitos em iniciarem suas histórias amorosas. Querem o mais rápido possível, serem bem sucedidos.
Ah! Quantas vezes já escrevi lá que não existe nenhuma "fórmula" perfeita! Na – de certa forma graciosa – ingenuidade destes pré-adultos (ou "adultos" precoces) parece existir a palavra mágica. Como se fosse só³ dizer "Eu amo você" e o outro respondesse "Eu também" e o casal vivesse feliz para sempre...
E volto à s palavras do Jabor, concordando. Na ânsia de queimar etapas, os jovens de hoje desvalorizaram a união de um casal. Não existem mais o cortejo, a construção da intimidade, o glamour dos galanteios, a expectativa, a celebração do "enfim sós"...mais nada. Assim como o macarrão, o sexo também acabou se tornando instantâneo.
Talvez uma minoria queira mesmo só isso, mas creio que os demais não. E é para esta maioria que anseia a felicidade plena, que persisto escrevendo.
: )
Fiquei surpreso ao ver que nem mesmo ele, aclamado cronista, cineasta desde a época em que eu ainda me borrava em minhas fraldas, não tinha a resposta para uma das dúvidas mais aflitivas que atormentam as mulheres: O que o homem espera de um relacionamento a dois? Ou, mais precisamente... de sua parceira? (talvez a pergunta não tenha sido exatamente essa, mas era algo próximo)
Jabor poderia ter listado os tradicionais sentimentos (respeito, cumplicidade, etc) que todos conhecem – ah! a boa e velha teoria – mas não, aquele seu momento era de racionalidade, de fatos concretos e não hipóteses abstratas e a resposta foi franca: "Não sei..."
O breve silêncio que se seguiu na arena – composta por profissionais de diversas áreas, dentre escritores, psicanalistas e professores – foi a implícita concordância de todos ali, de que não existe mesmo uma resposta precisa para essa questão.
E me lembrei da comunidade 'Quem eu quero não me quer', onde vivo tentando (Tentando! Nem sempre consigo...) aconselhar alguns jovens desencontrados no amor. A comunidade é formada majoritariamente por jovens, e muitos deles com idade inferior a 18 anos. Tenho notado a aflição deles, afoitos em iniciarem suas histórias amorosas. Querem o mais rápido possível, serem bem sucedidos.
Ah! Quantas vezes já escrevi lá que não existe nenhuma "fórmula" perfeita! Na – de certa forma graciosa – ingenuidade destes pré-adultos (ou "adultos" precoces) parece existir a palavra mágica. Como se fosse só³ dizer "Eu amo você" e o outro respondesse "Eu também" e o casal vivesse feliz para sempre...
E volto à s palavras do Jabor, concordando. Na ânsia de queimar etapas, os jovens de hoje desvalorizaram a união de um casal. Não existem mais o cortejo, a construção da intimidade, o glamour dos galanteios, a expectativa, a celebração do "enfim sós"...mais nada. Assim como o macarrão, o sexo também acabou se tornando instantâneo.
Talvez uma minoria queira mesmo só isso, mas creio que os demais não. E é para esta maioria que anseia a felicidade plena, que persisto escrevendo.
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10.4.05
Reminiscências de piqueniques
Palavra tão rara hoje em dia, não? O Piquenique remete a um passado longínqüo...
Talvez nem tão longínqüo assim, mas sendo que estou a meio caminho de entrar na casa dos 'enta' e essa é uma lembrança dos meus dez e poucos anos... ah, é sim.
Sempre anunciado com a devida antecedência, esse era um evento que me deixava eufóricos. Já prevendo a presença de todas, ou quase todas, as guloseimas que não freqüentavam a mesa no dia-a-dia e, só por conta disso, a festa já estava garantida.
Eram outros tempos, realmente.
Nossa preocupação era com a chuva, ou com as formigas. Ou até mesmo com algum vento mais forte... tão diferente de hoje, em que ficamos preocupados com o preço do pedágio e o seqüestro-relâmpago.
Era relativamente fácil encontrar um local aprazível, longe da poluição, do trânsito, do estacionamento pago e dos conseqüentes "flanelinhas".
Embarcávamos todo o material necessário e lá íamos nós, estrada afora. Nós e uma valente variant 76, que carregava sem nenhum esmorecimento a família de 4 pessoas, ou às vezes mais, quando iam os primos junto, e toda a tralha do piquenique: Toalha, garrafa térmica, os potes com a comida e outros apetrechos que nem me lembro mais quais eram. Quem sabe varas de pesca, se o local fosse a margem de um riacho?
Quase sempre era uma empreitada bem sucedida. Só não era quando chovia.
Às vezes a chuva até nos permitia que ao menos terminassemos o lanche sobre a grama, mas não perdoava a estrada, na volta. E como essa estrada geralmente era de terra, imaginem...
Sim. Ladeira vai, ladeira vem, chega uma hora em que os pneus patinam sobre o lodo. Sem outra alternativa, lá vão os passageiros pra baixo da chuva, a fazer força.
Empurra, empurra, escorrega, empurra... até que... vai! E vai barro pra cima de todo mundo, também!
Pra criançada, aquilo também fazia parte da festa. Ruim era a tremedeira de frio, depois.
E ainda hoje...
A variant continua a mesma. Já as crianças cresceram. E o entusiasmo para encarar novas aventuras assim, deve ter se perdido com o tempo.
Infelizmente... ou talvez não, muitas coisas perderam essa naturalidade. Os "McDonald's" da vida sempre existiram durante minha infância, é verdade, mas não eram tão populares quanto o são agora. Hoje em dia é possível encontrar de tudo pré-fabricado, até mesmo um "Bolo da vovó" industrializado, com a pretensão de parecer caseiro e, inclusive, ter aquele mesmo gostinho do bolo que sua avó preparava, bah!
Piquenique com pescaria? Inventaram o pesqueiro. Agora você estaciona em um local que não atola, pode se sentar em cadeiras à margem de um lago artificial e até mesmo pedir uma cerveja acompanhada de uma porção de fritas, enquanto observa a bóia afundar.
É confortável? Claro que é. Mas de vez em quando ainda sinto saudades dos barrancos que desmoronavam e eu ia de bunda, na água.
Fico até imaginando como serão os pesqueiros num futuro, sabe lá... próximo?
Cada pescador tem direito a uma cabine envidraçada, com uma mesa, cadeira reclinável, ar-condicionado e uma vara de pescar com controle remoto. O pescador não precisa nem se dar ao trabalho de trocar as iscas, elas já são repostas automaticamente pelo molinete. Aliás, ele nem precisa mais segurar a vara, basta monitorar o fundo do lago através do sonar que aparece no display do controle remoto e escolher qual peixe deseja fisgar. A vara faz o resto. E sozinha.
O pescador boceja, entre um gole de cerveja e outro, e resolve interfonar pra recepção:
- Alô, aqui é do 103. Podem me mandar uma porção de muriçocas?
- Sinto muito, senhor; mas a muriçoca está em falta.
- Mas que coisa. E pernilongo, tem?
- Sinto informá-lo, mas acabou na semana passada e a entrega da nova remessa está atrasada...
- Mas que espelunca! Aqui não tem nada que preste? Me chame o gerente! Quero falar com ele!!
- Calma, senhor, não precisa se exaltar. Podemos lhe oferecer a troca da atual cabine em uso por outra, com grama sintética aromatizada e sons da antiga floresta amazônica no som ambiente...
- Humm... sem nenhum custo adicional?
- Excepcionalmente, sim.
- Tsc. Que seja, então. Mas vê se arranja um inseto aí pra me distrair, que isto aqui está tranqüilo demais, chega a me irritar!
- Aceitaria uma barata, senhor?
Talvez nem tão longínqüo assim, mas sendo que estou a meio caminho de entrar na casa dos 'enta' e essa é uma lembrança dos meus dez e poucos anos... ah, é sim.
Sempre anunciado com a devida antecedência, esse era um evento que me deixava eufóricos. Já prevendo a presença de todas, ou quase todas, as guloseimas que não freqüentavam a mesa no dia-a-dia e, só por conta disso, a festa já estava garantida.
Eram outros tempos, realmente.
Nossa preocupação era com a chuva, ou com as formigas. Ou até mesmo com algum vento mais forte... tão diferente de hoje, em que ficamos preocupados com o preço do pedágio e o seqüestro-relâmpago.
Era relativamente fácil encontrar um local aprazível, longe da poluição, do trânsito, do estacionamento pago e dos conseqüentes "flanelinhas".
Embarcávamos todo o material necessário e lá íamos nós, estrada afora. Nós e uma valente variant 76, que carregava sem nenhum esmorecimento a família de 4 pessoas, ou às vezes mais, quando iam os primos junto, e toda a tralha do piquenique: Toalha, garrafa térmica, os potes com a comida e outros apetrechos que nem me lembro mais quais eram. Quem sabe varas de pesca, se o local fosse a margem de um riacho?
Quase sempre era uma empreitada bem sucedida. Só não era quando chovia.
Às vezes a chuva até nos permitia que ao menos terminassemos o lanche sobre a grama, mas não perdoava a estrada, na volta. E como essa estrada geralmente era de terra, imaginem...
Sim. Ladeira vai, ladeira vem, chega uma hora em que os pneus patinam sobre o lodo. Sem outra alternativa, lá vão os passageiros pra baixo da chuva, a fazer força.
Empurra, empurra, escorrega, empurra... até que... vai! E vai barro pra cima de todo mundo, também!
Pra criançada, aquilo também fazia parte da festa. Ruim era a tremedeira de frio, depois.
E ainda hoje...
A variant continua a mesma. Já as crianças cresceram. E o entusiasmo para encarar novas aventuras assim, deve ter se perdido com o tempo.
Infelizmente... ou talvez não, muitas coisas perderam essa naturalidade. Os "McDonald's" da vida sempre existiram durante minha infância, é verdade, mas não eram tão populares quanto o são agora. Hoje em dia é possível encontrar de tudo pré-fabricado, até mesmo um "Bolo da vovó" industrializado, com a pretensão de parecer caseiro e, inclusive, ter aquele mesmo gostinho do bolo que sua avó preparava, bah!
Piquenique com pescaria? Inventaram o pesqueiro. Agora você estaciona em um local que não atola, pode se sentar em cadeiras à margem de um lago artificial e até mesmo pedir uma cerveja acompanhada de uma porção de fritas, enquanto observa a bóia afundar.
É confortável? Claro que é. Mas de vez em quando ainda sinto saudades dos barrancos que desmoronavam e eu ia de bunda, na água.
Fico até imaginando como serão os pesqueiros num futuro, sabe lá... próximo?
Cada pescador tem direito a uma cabine envidraçada, com uma mesa, cadeira reclinável, ar-condicionado e uma vara de pescar com controle remoto. O pescador não precisa nem se dar ao trabalho de trocar as iscas, elas já são repostas automaticamente pelo molinete. Aliás, ele nem precisa mais segurar a vara, basta monitorar o fundo do lago através do sonar que aparece no display do controle remoto e escolher qual peixe deseja fisgar. A vara faz o resto. E sozinha.
O pescador boceja, entre um gole de cerveja e outro, e resolve interfonar pra recepção:
- Alô, aqui é do 103. Podem me mandar uma porção de muriçocas?
- Sinto muito, senhor; mas a muriçoca está em falta.
- Mas que coisa. E pernilongo, tem?
- Sinto informá-lo, mas acabou na semana passada e a entrega da nova remessa está atrasada...
- Mas que espelunca! Aqui não tem nada que preste? Me chame o gerente! Quero falar com ele!!
- Calma, senhor, não precisa se exaltar. Podemos lhe oferecer a troca da atual cabine em uso por outra, com grama sintética aromatizada e sons da antiga floresta amazônica no som ambiente...
- Humm... sem nenhum custo adicional?
- Excepcionalmente, sim.
- Tsc. Que seja, então. Mas vê se arranja um inseto aí pra me distrair, que isto aqui está tranqüilo demais, chega a me irritar!
- Aceitaria uma barata, senhor?
8.4.05
Eu "coiso", tu "coisas"; é uma coisa!
Ah! Adoro dicionários!
Onde mais eu encontraria verbos como piriricar ou vitualhar ?
Me deleito com as palavras.
Também me atrapalho com elas.
Mas geralmente me dou bem com elas. De tempos em tempos lhes faço um cafuné, assim não fogem de mim. Embora domáveis, são um tanto quanto volúveis e, quando menos se espera, já voaram janela afora. Mas o que se vê... ou, melhor dizendo, ouve da boca do povo agora é uma tristeza que só.
- Cadê aquele "bagulho"?
- Ah, tá no meio 'das coisa' ali...
E aquela outra, já comentadíssima:
- Vá botar a camisa! Vá botar o tênis! ( enquanto isso, a galinha olha arregaladamente para o ser humano, pasma com a sua estranha fecundidade... )
Sempre que me flagro tentando "coisar" a designaçãoo de algo que eu saiba a forma correta, corrijo na hora. Só que, o que vem acontecendo ultimamente é uma "coisificação" não intencional. É quando as palavras estão escondidas ali na esquina, divertindo-se com as minhas frustradas tentativas de encontrá-las:
- Você sabe onde está o meu... o meu...
- O quê?
- Pô, é aquela coisa que é meio assim ... (gesticulando) tem um negócio assim, sabe? Daí sai um troço daqui e vai ligado numa outra coisa que...
É, tem horas em que só a pantomima salva.
____Glossário____
Piriricar: Ondular (a água da superfície do rio)
Vitualhar: Prover de mantimentos
Onde mais eu encontraria verbos como piriricar ou vitualhar ?
Me deleito com as palavras.
Também me atrapalho com elas.
Mas geralmente me dou bem com elas. De tempos em tempos lhes faço um cafuné, assim não fogem de mim. Embora domáveis, são um tanto quanto volúveis e, quando menos se espera, já voaram janela afora. Mas o que se vê... ou, melhor dizendo, ouve da boca do povo agora é uma tristeza que só.
- Cadê aquele "bagulho"?
- Ah, tá no meio 'das coisa' ali...
E aquela outra, já comentadíssima:
- Vá botar a camisa! Vá botar o tênis! ( enquanto isso, a galinha olha arregaladamente para o ser humano, pasma com a sua estranha fecundidade... )
Sempre que me flagro tentando "coisar" a designaçãoo de algo que eu saiba a forma correta, corrijo na hora. Só que, o que vem acontecendo ultimamente é uma "coisificação" não intencional. É quando as palavras estão escondidas ali na esquina, divertindo-se com as minhas frustradas tentativas de encontrá-las:
- Você sabe onde está o meu... o meu...
- O quê?
- Pô, é aquela coisa que é meio assim ... (gesticulando) tem um negócio assim, sabe? Daí sai um troço daqui e vai ligado numa outra coisa que...
É, tem horas em que só a pantomima salva.
____Glossário____
Piriricar: Ondular (a água da superfície do rio)
Vitualhar: Prover de mantimentos
6.4.05
O salmão no banco dos réus
Esta não é exatamente uma crônica, mas um... comentário noticioso, pode se dizer.
Em três meses, já foram registrados na cidade de São Paulo 18 casos de difilobotríase. Doença de nome pouco conhecido no Brasil, a também chamada "Tênia do peixe" parece ter desembarcado em nossas mesas vindo do Chile, oculta na saborosa carne do salmão.
Triste. Taaaava demorando...
Depois do palmito, do amendoim, do caldo de cana, da maionese e outros, o vilão desta vez é o salmão. O tão elogiado (por nutricionistas e pela medicina, devido a presença de ômega3) peixe dos mares, estandarte da geração saúde, famosa justificativa da longevidade dos nipônicos, agora é culpado de transmitir doença.
Embora a maioria das infecções seja assintomática, em aproximadamente 20% dos casos ocorrem estes sintomas: Dor e desconforto abdominal, flatulências, diarréia, vômito e, às vezes, perda de peso podendo provocar anemia.
Ou seja, não é considerada uma doença fatal. Inclusive, uma única dose do remédio Praziquantel já é suficiente pra matar o parasita.
O que me assustou foi a descrição do dito cujo: Diphyllobothrium ssp, um dos maiores parasitas intestinais do homem. Ele pode viver por mais de dez anos no intestino delgado, chegando a medir DEZ metros!! Já pensou? Um monstrinho destes, dentro da gente?!
É, pessoal. Em tempos de surto infeccioso, comer sashimi ou sushi... só se for bem cozido ou assado!
( Ha ha ha ... )
Em três meses, já foram registrados na cidade de São Paulo 18 casos de difilobotríase. Doença de nome pouco conhecido no Brasil, a também chamada "Tênia do peixe" parece ter desembarcado em nossas mesas vindo do Chile, oculta na saborosa carne do salmão.
Triste. Taaaava demorando...
Depois do palmito, do amendoim, do caldo de cana, da maionese e outros, o vilão desta vez é o salmão. O tão elogiado (por nutricionistas e pela medicina, devido a presença de ômega3) peixe dos mares, estandarte da geração saúde, famosa justificativa da longevidade dos nipônicos, agora é culpado de transmitir doença.
Embora a maioria das infecções seja assintomática, em aproximadamente 20% dos casos ocorrem estes sintomas: Dor e desconforto abdominal, flatulências, diarréia, vômito e, às vezes, perda de peso podendo provocar anemia.
Ou seja, não é considerada uma doença fatal. Inclusive, uma única dose do remédio Praziquantel já é suficiente pra matar o parasita.
O que me assustou foi a descrição do dito cujo: Diphyllobothrium ssp, um dos maiores parasitas intestinais do homem. Ele pode viver por mais de dez anos no intestino delgado, chegando a medir DEZ metros!! Já pensou? Um monstrinho destes, dentro da gente?!
É, pessoal. Em tempos de surto infeccioso, comer sashimi ou sushi... só se for bem cozido ou assado!
( Ha ha ha ... )
5.4.05
Gostaria de ouvir... o menu?
De tantas comunidades orkutianas que se dedicam a odiar algo, será que não existiria uma que odiasse aqueles malditos menus de atendimento telefônico? Percebi que odeio aquilo. Vocês devem conhecer, é aquela coisa assim:
" Bem-vindo a central de atendimento da companhia tal.
Para fazer isso, digite 1;
Para fazer aquilo, digite 2;
Para fazer outra coisa, digite 3;
Para outras opções, digite 4;
Para ouvir novamente, digite 7."
De vez em quando até consigo logo o que quero, mas quando a coisa enrosca... Ih...
( digito 3 )
" Para fazer assim, digite 1;
Para fazer assado, digite 2;
Para desfazer o assim, digite 3;
Para desfazer o assado, digite 4;
Para não fazer, digite 5;
Para voltar ao menu principal, digite 9."
Não é nada do que preciso. Por via das dúvidas, retorno ao menu principal.
( digito 9 )
" Para fazer isso, digite 1;
Para fazer aquilo, digite 2;
Para fazer outra coisa, digite 3;
Para outras opções, digite 4;
Para ouvir novamente, digite 7."
Tá. Então só pode estar nas 'Outras opções'.
( digito 4 )
" Para conhecer as nossas promoções, digite zero... "
( não quero saber de promoção alguma, só quero saber sobre um detalhe na fatura que recebi, raios! E enquanto eu praguejava mentalmente, eis a gravação, de novo )
" Para aderir ao plano X, digite 1;
Para migrar do plano A para o plano B, digite 2;
Para migrar do plano B para o plano A, digite 3;
Para concorrer a 2 ingressos para o show do Zezé de Camargo, digite 5;
Para voltar ao menu principal, digite 9. "
PqP! , fico tão revoltado que digito 8, só de desaforo. E lá vem a gravação:
" Opção inválida. Por favor, ouça atentamente as opções.
Para aderir ao plano X, digite 1;
Para migrar do plano A para o plano B, digite 2;
Para migrar do plano B para o plano A, digite 3;
Para concorrer a 2 ingressos para o show do Zezé de Camargo, digite 5;
Para voltar ao menu principal, digite 9. "
"Por favor" digo eu! Onde estão os atendentes dessa desgraça?! Mas é inútil implorar. Do outro lado da linha, a máquina e toda sua gentileza artificial me pede:
" Digite a opção desejada."
( É, só que não existe a opção que eu desejo. E já nem sei mais o que digito. Então a máquina me sugere )
" Para voltar ao menu principal, digite 9. "
( tá, digito 9. )
" Para fazer isso, digite 1;
Para fazer aquilo, digite 2;
Para fazer outra coisa, digite 3;
Para outras opções, digite 4;
Para ouvir novamente, digite 7."
( ah! Agora é questão de honra! Começo a digitar uma seqüência de números, na forma mais confusa que consigo )
" Aguarde na linha, um de nossos atendentes irá atendê-lo." - finalmente diz, a solícita máquina.
( Aaaaaaté que enfim! Até que enfim! - começo a cantarolar, de alívio )
Esta história é fictícia. Os menus automatizados também.
Se bem que existem mesmo menus assim. Que nos obrigam a "passear" por opções e mais opções que nem sempre são as que você deseja.
Quem dera existisse uma opção assim:
" Para mandar este menu automatizado para o quinto dos infernos, digite #. "
Eu digitaria #. E com o maior prazer.
): )
" Bem-vindo a central de atendimento da companhia tal.
Para fazer isso, digite 1;
Para fazer aquilo, digite 2;
Para fazer outra coisa, digite 3;
Para outras opções, digite 4;
Para ouvir novamente, digite 7."
De vez em quando até consigo logo o que quero, mas quando a coisa enrosca... Ih...
( digito 3 )
" Para fazer assim, digite 1;
Para fazer assado, digite 2;
Para desfazer o assim, digite 3;
Para desfazer o assado, digite 4;
Para não fazer, digite 5;
Para voltar ao menu principal, digite 9."
Não é nada do que preciso. Por via das dúvidas, retorno ao menu principal.
( digito 9 )
" Para fazer isso, digite 1;
Para fazer aquilo, digite 2;
Para fazer outra coisa, digite 3;
Para outras opções, digite 4;
Para ouvir novamente, digite 7."
Tá. Então só pode estar nas 'Outras opções'.
( digito 4 )
" Para conhecer as nossas promoções, digite zero... "
( não quero saber de promoção alguma, só quero saber sobre um detalhe na fatura que recebi, raios! E enquanto eu praguejava mentalmente, eis a gravação, de novo )
" Para aderir ao plano X, digite 1;
Para migrar do plano A para o plano B, digite 2;
Para migrar do plano B para o plano A, digite 3;
Para concorrer a 2 ingressos para o show do Zezé de Camargo, digite 5;
Para voltar ao menu principal, digite 9. "
PqP! , fico tão revoltado que digito 8, só de desaforo. E lá vem a gravação:
" Opção inválida. Por favor, ouça atentamente as opções.
Para aderir ao plano X, digite 1;
Para migrar do plano A para o plano B, digite 2;
Para migrar do plano B para o plano A, digite 3;
Para concorrer a 2 ingressos para o show do Zezé de Camargo, digite 5;
Para voltar ao menu principal, digite 9. "
"Por favor" digo eu! Onde estão os atendentes dessa desgraça?! Mas é inútil implorar. Do outro lado da linha, a máquina e toda sua gentileza artificial me pede:
" Digite a opção desejada."
( É, só que não existe a opção que eu desejo. E já nem sei mais o que digito. Então a máquina me sugere )
" Para voltar ao menu principal, digite 9. "
( tá, digito 9. )
" Para fazer isso, digite 1;
Para fazer aquilo, digite 2;
Para fazer outra coisa, digite 3;
Para outras opções, digite 4;
Para ouvir novamente, digite 7."
( ah! Agora é questão de honra! Começo a digitar uma seqüência de números, na forma mais confusa que consigo )
" Aguarde na linha, um de nossos atendentes irá atendê-lo." - finalmente diz, a solícita máquina.
( Aaaaaaté que enfim! Até que enfim! - começo a cantarolar, de alívio )
Esta história é fictícia. Os menus automatizados também.
Se bem que existem mesmo menus assim. Que nos obrigam a "passear" por opções e mais opções que nem sempre são as que você deseja.
Quem dera existisse uma opção assim:
" Para mandar este menu automatizado para o quinto dos infernos, digite #. "
Eu digitaria #. E com o maior prazer.
): )
2.4.05
" Sentindo na pele "
Muito boa a iniciativa de um colégio da cidade de Santo André, na Grande São Paulo. Infelizmente não guardei maiores detalhes quando assisti a notícia, mas posso comentar sobre a essência da idéia.
Eles criaram um projeto de conscientização. Não sei se esta seria a definição exata usada por eles, mas certamente é adequada. E vamos a ele:
Estudantes na faixa dos 12 aos 15 anos receberam na escola a visita de deficientes físicos de diversos tipos; cegos, mudos, tetraplégicos, e puderam conversar com eles. Conhecer a história de cada um, suas batalhas, suas dificuldades, suas vitórias. Esse contato, essa troca de informações por si só já seria merecedora de aplausos, um grande passo rumo a conscientização dos futuros adultos ante a situação dos deficientes físicos no Brasil. Uma forma palpável, marcante, de despertar os estudantes para os riscos de algumas doenças, de acidentes, de imprudências. Porém... a grande ação deste projeto seria outra.
Depois da palestra, todos os alunos eram submetidos a experiência de "ser" deficiente físico, por alguns minutos: Caminhar pela calçada de olhos vendados, locomover-se em uma cadeira de rodas na rua, por exemplo. Daí veio o nome do projeto: " Sentindo na pele."
E, creio, depois de sentirem na própria pele as agruras sofridas por quem é deficiente físico, estes jovens crescerão com visão mais realista, mais compreensiva, de tudo – ou quase – que ainda é preciso ser melhorado nesta terra, para que um dia os deficientes deixem de ter seus limites mais restringidos ainda do que já são.
E que estes futuros motoristas respeitem as vagas reservadas aos deficientes, também.
Eles criaram um projeto de conscientização. Não sei se esta seria a definição exata usada por eles, mas certamente é adequada. E vamos a ele:
Estudantes na faixa dos 12 aos 15 anos receberam na escola a visita de deficientes físicos de diversos tipos; cegos, mudos, tetraplégicos, e puderam conversar com eles. Conhecer a história de cada um, suas batalhas, suas dificuldades, suas vitórias. Esse contato, essa troca de informações por si só já seria merecedora de aplausos, um grande passo rumo a conscientização dos futuros adultos ante a situação dos deficientes físicos no Brasil. Uma forma palpável, marcante, de despertar os estudantes para os riscos de algumas doenças, de acidentes, de imprudências. Porém... a grande ação deste projeto seria outra.
Depois da palestra, todos os alunos eram submetidos a experiência de "ser" deficiente físico, por alguns minutos: Caminhar pela calçada de olhos vendados, locomover-se em uma cadeira de rodas na rua, por exemplo. Daí veio o nome do projeto: " Sentindo na pele."
E, creio, depois de sentirem na própria pele as agruras sofridas por quem é deficiente físico, estes jovens crescerão com visão mais realista, mais compreensiva, de tudo – ou quase – que ainda é preciso ser melhorado nesta terra, para que um dia os deficientes deixem de ter seus limites mais restringidos ainda do que já são.
E que estes futuros motoristas respeitem as vagas reservadas aos deficientes, também.
1.4.05
Só um comercial...
( abre aspas )
Depois de uma noite reconfortante, desperto ao som dos pássaros que cantam, a celebrar o início de mais um dia de labuta. Me levanto da cama e vou ao banho.
Banho tomado, barba feita, roupa vestida impecavelmente, desço para a sala de jantar, onde o café da manhã me aguarda.
Antes de mais nada, beijo minha esposa, linda e maravilhosa como sempre. Feliz e prestativa, ela me diz para me sentar à mesa e comer, antes que os pães recém trazidos da padaria esfriem. Me sento. O aroma do café e dos outros acompanhamentos da farta mesa deixam minha satisfação mais completa ainda. Mas falta... ah! Aqui está, a melhor margarina do mundo! Agora sim.
Enquanto admiro minha esposa, a mulher mais perfeita que existe, surgem sorridentes meus dois filhos, penteados, arrumados para ir à escola, cumprimentam a mãe e a mim com um terno abraço e um beijo. Estão lindos. O brilho nos olhos dos dois evidencia o entusiasmo com o qual acordaram para estudar. Logo avançam em direção ao bolo de cenoura ainda morno.
Lá fora o dia ensolarado combina perfeitamente com o meu estado de espírito neste dia. E todos estão presentes, sorridentes, sem problemas de nenhuma natureza; nem uma dor de dente, nem um topetezinho desalinhado, nem uma nota vermelha na caderneta, nada.
Minha esposa continua tão linda quanto no dia em que estávamos no altar, a trocar as eternas juras de amor, abençoadas por Deus. Não está deseperada com o vencimento de nenhuma fatura, nem com as contas da escola das crianças, nem a da TV a cabo, nem do clube, sequer com o preço do botijão de gás.
E eu sei que tenho um excelente emprego, recebo um invejável salário e moro nesta casa confortavelmente mobiliada. Bom, é hora de irmos, crianças! - digo, terminando o último gole de café.
Eles recolhem educadamente os talheres usados, levantam-se e dão novamente um abraço e um beijo na mãe. Pegam seus materiais escolares e se dirigem ao carro.
Na minha vez de se despedir, dou um abraço também, mas meu beijo é muito mais intenso e longo. Não me preocupo em perder a hora no serviço, nem com algum congestionamento que possa encontrar pelo caminho, estou tranqüilo.
Mas as crianças estão me esperando e preciso ir.
( fecha aspas )
Ah! Se minha vida fosse um comercial de margarina!!
( suspiro... )
Depois de uma noite reconfortante, desperto ao som dos pássaros que cantam, a celebrar o início de mais um dia de labuta. Me levanto da cama e vou ao banho.
Banho tomado, barba feita, roupa vestida impecavelmente, desço para a sala de jantar, onde o café da manhã me aguarda.
Antes de mais nada, beijo minha esposa, linda e maravilhosa como sempre. Feliz e prestativa, ela me diz para me sentar à mesa e comer, antes que os pães recém trazidos da padaria esfriem. Me sento. O aroma do café e dos outros acompanhamentos da farta mesa deixam minha satisfação mais completa ainda. Mas falta... ah! Aqui está, a melhor margarina do mundo! Agora sim.
Enquanto admiro minha esposa, a mulher mais perfeita que existe, surgem sorridentes meus dois filhos, penteados, arrumados para ir à escola, cumprimentam a mãe e a mim com um terno abraço e um beijo. Estão lindos. O brilho nos olhos dos dois evidencia o entusiasmo com o qual acordaram para estudar. Logo avançam em direção ao bolo de cenoura ainda morno.
Lá fora o dia ensolarado combina perfeitamente com o meu estado de espírito neste dia. E todos estão presentes, sorridentes, sem problemas de nenhuma natureza; nem uma dor de dente, nem um topetezinho desalinhado, nem uma nota vermelha na caderneta, nada.
Minha esposa continua tão linda quanto no dia em que estávamos no altar, a trocar as eternas juras de amor, abençoadas por Deus. Não está deseperada com o vencimento de nenhuma fatura, nem com as contas da escola das crianças, nem a da TV a cabo, nem do clube, sequer com o preço do botijão de gás.
E eu sei que tenho um excelente emprego, recebo um invejável salário e moro nesta casa confortavelmente mobiliada. Bom, é hora de irmos, crianças! - digo, terminando o último gole de café.
Eles recolhem educadamente os talheres usados, levantam-se e dão novamente um abraço e um beijo na mãe. Pegam seus materiais escolares e se dirigem ao carro.
Na minha vez de se despedir, dou um abraço também, mas meu beijo é muito mais intenso e longo. Não me preocupo em perder a hora no serviço, nem com algum congestionamento que possa encontrar pelo caminho, estou tranqüilo.
Mas as crianças estão me esperando e preciso ir.
( fecha aspas )
Ah! Se minha vida fosse um comercial de margarina!!
( suspiro... )
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