26.5.09

Transporte coletivo... de novo.

Pegar um ônibus na grande Recife não é missão tão simples quanto poderia e, inclusive, deveria. Ao menos para quem não é daqui. Vamos aos fatos, fazendo um comparativo com a capital paulista, onde por muitos anos fui usuário de coletivos.

Aqui, muitas vezes a origem-destino que figura no painel frontal do veículo não esclarece muito. Explico com um exemplo: O que pego diariamente para ir trabalhar é o "Candeias-Dois Irmãos" que, é dedutível, tem seu início de itinerário no bairro de Candeias – embora comece mesmo no bairro vizinho, Barra de Jangada, mas esse detalhe é desprezível, – terminando no de Dois Irmãos. Simples assim.

Mas e quanto ao "Jardim Piedade"? Imagina-se, e com razão, que comece no bairro de igual nome, mas... para aonde vai? Não consta! Na ida e na volta ele permanece sendo o "Jardim Piedade". Seria uma linha circular, então? Não que conste ou que eu saiba. É uma linha comum, com começo, meio e fim.

E voltemos ao meu ônibus do dia-a-dia. Você, paulistano como eu deve imaginar que, num sentido do percurso ele esteja identificado como "Candeias" e, em seu retorno, "Dois Irmãos" (ou vice-versa). Engano seu, ele é o "Candeias-Dois Irmãos" tanto indo, quanto vindo.

Como é de se imaginar, isso cria uma dúvida – pelo menos aos que desconhecem o mínimo sobre os transportes da região – quanto ao sentido em que os ônibus estão transitando e para evitar isso existe uma plaqueta que, num lado diz "Cidade" e em seu verso "Subúrbio"; seria o nosso centro e bairro, respectivamente. Ótimo. Basta o condutor virar a tal plaqueta a cada final de percurso. Só que, vez ou outra, algum esquece. Ou, pior ainda, há carros que nem sequer isso têm.

Ainda sofro – ou sofremos, os que já têm alguma deficiência, por idade ou hereditária, visual – com painéis que espremem a origem-destino. Imaginem um "Conde da Boa Vista - Conj. Marcos Freire - via shopping" cabendo ali, naquele pequeno espaço retangular? Pois é. E isso porque no momento não me lembrei de nenhum outro exemplar ainda pior, que ocupe 3 linhas escritas. E existem.

... 3 linhas que só conseguimos ler quando o veículo já passou pela parada (ah sim, aqui não existe "ponto" de ônibus, é parada de ônibus) e o perdemos.

Pra fechar o texto, o que considero insólito: Temos 4 faixas de tarifação de passagem de ônibus. 4!! A,B, D e G (o que houve com C, E e F? Só Deus sabe) + as linhas opcionais + Linhas especiais + Interurbanos, cada qual com sua tarifa diferente.

Das 4, pago a mais cara – que não é a A, tampouco a G, é a B. Vai entender? – que me fornece um ônibus sem ar-condicionado, que passa a cada 15 minutos no horário de pico – e só durante a semana, aos sábados passa a cada 45 minutos, oficialmente. De domingo deve ser um a cada hora – e que freqüentemente "queima" a parada. (Traduzindo: Passa direto pelo ponto).

Há aproximadamente meio ano o governo do Estado mudou o nome do órgão administrador do setor de EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos – O que, em si só eu já considerava uma redundância, porque se é metropolitana só podem ser urbanos, ou estou enganado? – para "Grande Recife", e em formato consórcio. Mas...pelo jeito, foi a famosa troca de 6 por meia-dúzia...

5 comentários:

Caminhante disse...

Aqui em Curitiba todos os ônibus têm trajetórias circulares. Então você sempre tem que saber (ou perguntar) em que sentido ele vai - se é horário ou anti-horário (para os mais localizados) ou em direção a qual terminal ele vai.

Pra mim é difícil essa coisa de o número ser mais importante do que o nome do ônibus. Quando vou pra SP me sinto totalmente cega, sou a última a conseguir achar o tal número. Condicionamento é fogo!

R. disse...

"Sentido horário e anti-horário"?? Danou-se! Já vi que me perderia em Curitiba tambémmmm!! :P

Pois é, Cami, eu paulistano sempre me ative ao nº da linha. Lembro até hoje a minha preferida para ir de casa ao Metrô: 178A. O citado Candeias-Dois Irmãos é o 020. As que vão pra Conde da Boa Vista são 061, 071. Pra Olinda o 910. Só que o pessoal daqui também parece não dar importância pra esses números. Engraçado, será mania de paulistano?

Dri disse...

Aqui esta' uma baderna. Antes havia o Ana Rosa e o D. Pedro II, ai virou Sacoma e Ipiranga. Agora tem so' o Ipiranga que passa no Sacoma. To perdida! Pelo menos mantiveram o numero da linha do Ipiranga (porque a linha Sacoma ja' era).

Anônimo disse...

Mas em SP também se chama EMTU. :@

Olha, realmente não é fácil pra quem não é de Recife. Mesmo eu, quando morava em Recife, usava muito esse site aqui: http://www.granderecife.pe.gov.br/consulta/itinerarios.asp

[Rê]

R. disse...

Pior que é mesmo, Rê. Sendo que a única diferença é que lá se pronuncia "ÊMTU, ao passo que aqui é ÉMTU.

E o link é muito útil, guardei. Obrigado :)