Esta noite houve reunião do condomínio. Quem conhece esse evento sabe porque tentei evitar, embora involuntariamente, comparecer. Definitivamente não é dos encontros onde se vai espontaneamente. A gente vai por obrigação mesmo.
E não é que justamente hoje me acontece um imprevisto no trabalho e acabo extrapolando o horário de expediente? "Desta vez escapei", pensei. Mas qual o quê. Como quase tudo o que tem hora marcada neste país, a infâme reunião também havia começado tarde. Pelo menos é o que presumi, pois cheguei ao prédio num horário em que, teoricamente, aquilo já teria terminado.
Teria. Adentrei o recinto e não tive escapatória, pois todos – ou uma parcela mínima destes – lá estavam. No maior bate-boca sobre o uso do estacionamento. Me sentei e fiquei, pois sair de fininho não ia pegar bem – embora muito façam isso. "E pensar que nem carro tenho...", lamentei mentalmente.
Depois veio a discussão sobre o cigarro. Um senhor achava-se, não sei se pelo fato de ter sido o construtor do imóvel e/ou o morador mais antigo, no direito de fumar dentro do elevador. Outro morador, visivelmente anti-tabagista e dos ferrenhos, protestava. E completava: "Nem aqui pode-se fumar!" (Detalhe: O local era a entrada do prédio, antes do hall, ou seja, ao ar-livre.) Eu, como fumante respeitador do alheio, jamais poluí elevadores, acho o cúmulo, isso. Por outro lado, ali... em ambiente completamente aberto?? Preferi me manter calado no meio do "tiroteio" entre dois extremistas.
Até que finalmente o síndico deu a reunião por encerrada. Não perdi tempo e, alegando estar precisando de um banho urgente e coisa e tal, me despedi de todos e subi.
Moro no quarto andar e, acreditem, debaixo do chuveiro ainda pude ouvir ânimos acirrados lá na portaria, a bradar sobre... ah, sobre resquícios de algum assunto do encontro que, francamente, nem fiz questão de ter conhecimento. E mandei sabão nas orelhas.
2 comentários:
Nem lembrava que você era fumante. Achei que já tivesse largado esse hábito feio.
Eu fujo dessas reuniões. Só participei de uma ou duas, a vida inteira. Pavor.
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