Reconheço que o título deste post não é apropriado para o que vem a seguir e por isso vou logo avisando: Se você, leitor deste blog, já está enjoado de ler sobre transportes coletivos ou, pra ser mais exato, os famigerados ônibus nossos-de-cada-dia, nem prossiga. Espere pelo próximo post. Mas se não for o caso, vamos lá.
"Oásis" é, definitivamente, um termo que não cabe a um ônibus. Pelo menos não ao qual sou infeliz usuário e sempre o pego invariavelmente cheio. Não, "cheio" é eufemismo; aquilo é superlotado, quase um desafio à lei da física que afirma que dois corpos não ocupam o mesmo espaço.
Como em todas as manhãs, embarquei. Consegui embarcar. A duras penas, alguns pisões nos pés alheios e uma ou outra cara feia, chego na catraca. Convenhamos, é um ponto estratégico e privilegiado: A janela do teto fornece alguma brisa e, o melhor: Não corremos o desagradável risco de sermos encoxados. Propositalmente ou não. Entretanto...
Sobe mais gente na parada (ou ponto) de ônibus e não tenho outra alternativa senão abandonar o refúgio da catraca e encarar o desafio do corredor, onde parece não haver espaço sequer para passar uma mosca. Estico o pescoço e consigo avistar poucas cabeças lá, no fundo do coletivo. É fato, muitas pessoas têm o hábito de entupir a área pré-catraca, as áreas próximas do pós e evitar o fundão com receio de pessoas suspeitas que, às vezes, que posicionam ali. Mas... fazer o quê? Era a minha única opção. E para lá fui.
E não é que, para a minha infelicidade, o espaço que eu imaginara não estar tão abarrotado na verdade estava? Fui enganado pela "ilusão de ótica" causada pelas baixinhas. Um fenômeno não-científico mas muito urbano que ocorre onde há aglomerações: Em meio a um mundaréu de cabeças, fica o vazio. E quando se chega lá, o vazio não está vazio. É aqui que entra o "oásis" do título: Quando você pensa que encontrou a salvação – ou um mal menor, ao menos – se depara com uma... miragem.
Pois é. Fiquei espremido no meio de um grupo de estatura "invisível". Sem poder descer – porque ainda faltavam algumas paradas até a minha – nem recuar. E vinha gente atrás. E num movimento brusco do veículo acabei fazendo outro ainda mais súbito e dei – sem querer, lógico! – a maior cotovelada na cabeça de uma das moças que ali estavam, ao que esta imediatamente virou-se pro meu lado e "fuzilou-me" com o olhar.
Apesar de eu ter me desculpado no ato, instintivamente – assim como muitas das reações que temos ali, dentro do "inferno sobre 4 rodas" – o olhar foi impiedoso, traduzia silenciosamente o quão doloroso havia sido o meu cotovelo em sua cabeça. E não a culpo por isso, foi mesmo uma pancada considerável. Não é difícil crer que ela esteja me xingando até agora, de noite...
Sei que a probabilidade desta moça vir a ler isto é tão remota quanto a do Michael Jackson voltar a ser negro ou nevar em Recife mas... fica aqui o meu pedido de desculpa reiterado, e com a precisa explicação do porquê fui parar ali. No lugar errado – e havia o certo? – na hora idem e perdendo o equilíbrio no instante ibidem. Foi mal...
:/
4 comentários:
Desculpe, mas eu ri.
Desculpe, eu também ri. Muito. =D
(:P ...
Lembro sem saudade do famigerado Rio Doce-CDU, que passava sempre (mas sempre mesmo!) lotado. Aí em Piedade não tem essa de uma linha ser lotada. Pelo que me lembro, todas as linhas lotam nos horários de pico.
É, Ricardo... a vida é dura.
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