12.5.09

Auto-entrevista

Keity (já há muito, provável que nem chegue mais a ler este post) e, mais recentemente Carolina, como vocês deixaram explícita a curiosidade sobre o que é um paulistano morar no nordeste mas não definiram quais seriam as dúvidas, inventei esta auto-entrevista, tentando abordar alguns pontos que, creio, possam ser de seus interesses. No caso de não ter sido útil, aceito outras perguntas, ok? E lá vai.





O que o levou a mudar-se para tão longe?
– Motivo pessoal, não creio ser necessário ou relevante expôr aqui. Mas adianto-lhe que não havia nenhum vínculo familiar ou profissional nesta região, vim com a cara e coragem mesmo. E fé.

Os ares são mesmo mais saudáveis que os de São Paulo?
– Posso dizer que sim, pelo pigarro. Só noto a diferença quando viajo à SP; assim que desembarco, o danado do pigarro aparece com força total. E ao voltar ao nordeste, some.

Como é a vida noturna da grande Recife?
– Bem, como não sou de sair muito, não posso dar uma opinião consistente a respeito. Já conheci uma danceteria que não deixa nada a dever para qualquer uma das paulistanas. E digo isso como conhecedor de algumas. Faz muito tempo, mas já fui freqüentador da noite paulistana. Proporcionalmente eu diria que (aqui) não chega nem perto da atividade fervilhante que São Paulo tem, 24 horas por dia.

E a violência urbana?
– Igual, igual. Onde há pobres e ricos – e com o agravante das drogas – sempre haverá criminalidade. Não existe mais nenhum "oásis" de segurança, tal qual em SP, onde edifícios de alto nível e condomínios com toda infra-estrutura de vigilância de primeiro mundo são alvos de marginais cada vez mais capacitados, Recife também sofre com o mesmo mal. E tenho quase certeza de que todas as outras capitais também. Infelizmente.

O custo de vida é mais baixo?
– Creio que relativamente sim. Aluguéis – onerados por um IPTU não tão exorbitante – são menores, considerando-se as dimensões, localização e benefícios proporcionados. O camarão, que eu adoro, é mais barato! (risos). Por outro lado, como não temos Santa Ifigênia nem Bom Retiro, eletrônicos e vestuário são mais caros.

Falando em bens de consumo, existem lojas de grife aí?
– Certamente. Das mais populares como Marisa e C&A às mais refinadas como M. Officer ou Forum. Estranhamente não existe nenhuma unidade das Casas Bahia, embora sejamos obrigados a ver seus comerciais diariamente, na tevê.

A programação da rede aberta de televisão é muito diferente?
– Não muito. Existem programas locais, evidente, mas boa parte da grade de programação das emissoras públicas exibe o que o paulistano estaria assistindo. Um Datena – que só fala sobre SP e RJ, principalmente – ou CQC – idem. Também não é raro transmitirem jogos de futebol de times cariocas ou paulistas, embora o pernambucano seja um entusiasta por futebol.

A propósito, para que time você torce?
– Nenhum regional, costumo dizer que torço para o Brasil, porque assim, se for para sofrer, só a cada 4 anos, heheh... mas falando sobre onde estou, digo que o fanatismo do pernambucano envolve 3 grandes times: Sport, Náutico e Santa Cruz, os quais possuem, cada qual, seu próprio estádio na cidade.

É verdade que o calor do nordeste é insuportável?
– Mentira. Pelo menos eu nunca passei mal de calor, aqui. É verdade que às vezes suo um bocado, mas nada que não acontecesse também em SP. Diria até que, neste momento em que estou respondendo a esta auto-entrevista, a noite está nublada. Ligeiramente refrescante, apropriada para dormir. E na manhã de hoje tivemos chuva.

Pra terminar: Diga algo que você adora e algo que você detesta, de onde está morando atualmente.
– Se for sobre o prédio onde estou a resposta é: Adorava o sossego da vizinhança até um deles inventar de adotar um cão que não pára de latir. (Não mesmo, é insuportável)
Mas se for sobre a cidade, hum. Deixe-me pensar...

– Adoro pensar que estou a poucas quadras da praia e por isso não preciso enfrentar uma Anchieta-Imigrantes lotada nos finais de semana ou feriados para molhar os pés na água salgada, tampouco pagar um – caro – pedágio para isso. Basta caminhar. Poucos passos. E, mesmo de dentro de um ônibus, durante a semana, poder admirar as ondas, enquanto estou indo ao trabalho...

– Já o que venho detestando cada vez mais é o humor local. Pode parecer pretensão demais de minha parte dizer isso, mas a meu ver o humor regional só sabe misturar sexualidade com infantilidade. Às vezes, somente a infantilidade. Quão mais demente o modo de se expressar, mais engraçado. Não vejo inteligência nas piadas. Apenas uma ironia que, vide "Seu Mução", se faz pela mera maledicência, pelo uso de termos de baixo calão.

Suas palavras finais aos leitores?
– Aos meus pouquíssimos leitores, você quer dizer? (risos) Bem, primeiramente quero agradecê-los pela audiência – é "audiência", num blog? – e paciência em terem me lido até agora e me desculpar pela franqueza um tanto quanto seca – vide crítica ao que predomina no humor pernambucano – e por sequer ter citado o famoso carnaval de Olinda ou o Galo da Madrugada, conhecido como o maior bloco carnavalesco do mundo. Sinto muito, mas nunca fui um entusiasta desse feriado...

3 comentários:

Dri disse...

Não sei, você ainda me soa um pouco deslocado aí.

Reginacelia disse...

Nossa, achei super realista, com relação aos pontos que você descreveu. Também nunca entendi o lance das Casas Bahia. E o humor é meio bobalhão mesmo, confesso que também sou assim. E falo muitos palavrões, também. :S

Mas é claro que Recife é bem mais... :)

R. disse...

Dri, sou e sempre serei paulistano. Sobre ou sob o solo da terra de Adoniran. Costumo dizer que minhas cinzas ficarão pra sempre, na terra da garoa...

Palavrões, Flor? Basta conhecer Seu Mução e entender-se-á esse fenômeno. Mas talvez a coisa vá ainda mais longe: Não compreendo a maioria das brincadeiras da turma daqui. Ou, pelo menos, dos meus companheiros de trabalho. Deve ser coisa que só o povo daqui entende... e acha graça.