Mesmo ciente da estranheza e repulsa que posso causar, levanto-me para defender as prostitutas. Envolto na absurda alegação que levou ao equivocado ataque à Sirley, mas ainda mais por discordar da discriminação, da estigmatização das profissionais do sexo.
Não é preciso ser nenhum estudioso para reconhecer que a prostituição é, quase sempre, uma das ramificações do crime organizado. Sob a marginalidade, esta prática tende a envolver outras contravenções, tais quais o tráfico de entorpecentes e de seres humanos, como temos acompanhado pelos noticiários.
O que quero é, então, diferenciar a "instituição" prostituição da prostituta como indivíduo. Esta, há tempos conhecida como "mulher de vida fácil", pode ter, de fato, uma vida aparentemente fácil. "Fácil" por envolver uma ação que, em geral, costuma ser prazerosa, pouco ter exigida suas faculdades mentais e às vezes render financeiramente muito mais que o expediente à mesa de um escritório, por exemplo.
No entanto, a realidade parece ser menos glamourosa do que parece, pois, como bem sabemos, pimenta nos olhos dos outros...
Há, nesse meio vil, quem tenha tentado vencer na vida de forma mais nobre. Batalhou, caminhou, suou e só conseguiu receber portas na cara. Revés seguido de revés, débitos acumulando-se, filhos de um pai desertor famintos e acaba, sem outra alternativa, entregando-se a esse ganha-pão; vendendo seu próprio corpo.
Lamentável sim, mas por que não digno? E honesto?
Sem talentos inatos, sem oportunidades concedidas, sem apoio familiar e/ou sócio-econômico e educativo, por que não recorrer ao comércio de algo que é próprio, que legitimamente lhe pertence? Que mal faz a prostituta à sociedade, senão demonstrar de forma grotesca o quão impenetrável e insuficiente é a oferta de empregos no mercado de trabalho?
E volto a frisar: Não enalteço aqui as que, paralelamente ao sexo, praticam atos escusos. Tampouco as que, embora com todas as acessibilidades a um bom emprego à mão, caem nesse ramo por má índole própria e não por absoluta necessidade.
2 comentários:
Eu acho que de fácil essa vida não tem nada. A coisa é gostosa e natural quando a pessoa está a fim; elas têm que ficar a fim, mesmo quando é alguém que não as atrai, as maltrada - ou as duas coisas juntas.
Eu acho que se a gente começar a achar que espancar alguém por ser prostituta/ mendigo/ índio/ gay é válido, abrimos margem pra um monte de outras coisas.
De fato, Cami. A "coisa" envolve detalhes pelos quais a percepção de quem não está envolvido passa bem longe...
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