Quem tem um telefone em casa provavelmente já recebeu uma ligação destas: "Boa tarde, eu represento a entidade filantrópica tal; com quem falo?"
Hoje me foi mais um dia de atender algo do tipo. Mas acredito que encontrei a fórmula mágica para encurtar essa aporrinhação.
Antes de mais nada, quero deixar claro que reconheço a existência de entidades sérias e que, honestamente, dependem desse tipo de captação de recursos para sobreviver e a estas presto a devida distinção e respeito.
Entretanto, esta que me ligou hoje já era uma velha conhecida... do lado não tão nobre assim da coisa. Certa vez, anos atrás, foram atendidos por minha mãe que, na maior das boas intenções, lhes fez uma doação. Tempos depois, veio a público a denúncia de enriquecimento ilícito do presidente dessa entidade. Por conseqüinte, mais e mais reportagens se seguiram desvendando os verdadeiros caminhos – nada caridosos, diga-se de passagem – percorridos pelas doações financeiras.
Nem é preciso dizer o tamanho do arrependimento e revolta que minha mãe teve, e que depois disso ela nunca mais ofertou um centavo sequer a essa... "empresa", não?
E voltemos ao presente.
Não respondi qual era o meu nome e retruquei: "Qual seria o motivo da ligação?". A interlocutora se fez de desentendida e repetiu a sua frase de apresentação. Não me fiz de rogado e dei-lhe o troco na mesma moeda-papagaio: "Mas qual seria o motivo da ligação?" E então ela deu início àquela ladainha que muitos devem conhecer: "Somos uma entidade localizada no bairro tal, mantemos uma creche pra tantas crianças, oferecemos educação para moradores de rua e..." E então a interrompi:
– E ajuda para desempregados, vocês oferecem? – ela estranhou a inesperada pergunta:
– Não, mas... por quê?
– Porque estou desempregado há meses e estou precisando – respondi.
– Mas nós estamos necessitando de apoio financeiro e...
– E eu também estou – completei.
Não foi preciso mais para me livrar dela. E percebi que desculpas evasivas como "Olha, agora estou sem tempo pra falar" ou "As coisas andam difíceis pra mim, no momento não vai dar..." etc só incentivam ainda mais o outro lado a grudarem em nossas orelhas implorando por uns trocados. Passam a descarregar toda sua munição de suposta filantropia a fim de nos vencer ou pela piedade, ou pelo cansaço.
Ao passo que quando, em vez da mão de negação lhes mostramos a mão igualmente pedinte, eles logo viram as costas pra nós e se vão. Hum...
3 comentários:
Genial, educado e eficiente. Vou adotar!
Hahahaha, genial! Tbm vou usar!
E olha que nem foi proposital, já que estou mesmo desempregado. Mas que pode vir a ser uma tática eficaz, isso é. Afinal de contas, qual "telemarketeiro" poderia contrargumentar isso, não?
: T
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