Deu no Jornal da Band, da Rede Bandeirantes: "Jogo eletrônico no qual o jogador espanca prostitutas e ainda ganha pontos fazendo isso é vendido livremente no Brasil". É visível a analogia com o recente caso ocorrido no Rio de Janeiro, no qual jovens justificaram agressão gratuita por acreditarem que a vítima fosse uma prostituta.
O que mais deixou-me surpreso foi a informação de que seria um jogo produzido pela Sony, uma empresa que considero idônea, muito distante de criar jogos tão polêmicos assim. E parti para a pesquisa, para saber mais a respeito.
Encontro. O tal jogo, vulgarmente conhecido como "GTA", não é feito pela Sony, mas feito por terceiros e apenas licenciado para a plataforma Playstation. Fico um pouco aliviado, pois dessa maneira a fabricante japonesa passa de criminosa para cúmplice. Ou, no mínimo, conivente. (Um pouco) menos mal.
Só que conhecer esse jogo foi pra mim uma desagradável surpresa; comparado ao "Carmageddon" (jogo que foi proibido por incitar a violência ao volante), este GTA é muito pior, um autêntico compêndio do não politicamente correto; chega a deixar seu demoníaco concorrente meigo...
"GTA", uma sigla aparentemente inofensiva, ostenta descaradamente a que veio: A letra T vem de "theft", que em inglês significa roubo. Assim, o jogo é um simulador da vida criminosa e esta, também neste caso lúdico, não limita-se a espancar inocentes. É um "show" de tudo o que a sociedade sã abomina.
Propositalmente não estou disponibilizando mais detalhes (como links) a respeito na intenção de evitar divulgação ainda maior.
Retornamos à velha polêmica: Jogos violentos tornam a criança propensa a tornar-se agressiva?
Os especialistas se dividem; uns afirmam que sim, que isso induz o jovem a portar-se, na vida real, da mesma maneira como é envolvida em um jogo. Outros discordam, esclarecendo que o jogo é somente um modo de extravasar a adrenalina, não interferindo na formação do caráter da pessoa. Tal qual alguém que na infância assistiu a sangrentos desenhos animados não se transforma, só por esse fato, num serial killer. No entanto o caso dos moços que não pouparam murros e pontapés em alguém só por considerá-lo... pois é.
E vejam os casos de pessoas que tornaram-se assassinas sob a influência de jogos de RPG; estes cariocas não poderiam ser incluídos nessa mesma categoria? Até agora não se sabe se há alguma relação do caso policial com esse ou qualquer outro jogo virtual, mas...
Acredito que, mesmo usado com o dicernimento entre a realidade e a ficção, este tipo de jogo não deixa de ser uma apologia ao crime, mais uma "ferramenta" para aumentar o status dado à marginalidade e aos desvios de conduta. Portanto, recomendo aos pais e responsáveis por menores que estejam atentos ao conteúdo dos brinquedos que eles se utilizam.
8 comentários:
Meu afilhado tem esse jogo, é pesado, mesmo.
Ele se diverte espancando, roubando, matando & etc.
Esse povo que não sabe mais empinar pipa nem jogar amarelinha dá nisso!
Rapa, quando jogo Need for Speed e depois pego o carro, a impressão que tenho é estar dentro do jogo. Isso é perigoso eu sei, mas é uma sensação involuntária.
Um amigo me emprestou GTA mas ainda não joguei. Talvez minha vida mude. Me deu medo, uiii.
abs
Me dá um desânimo, Ricardo, quando vejo, quando leio esse tipo de atitude, de ação.
Mas não digo: "pára o mundo que eu quero descer!"
Há que se ter jeito pra tudo isso... Há que se conter essa barbárie de alguma maneira.
Ah, se!
Há que se ter.
Acredito que o Sr. deveria experimentar retirar todo o entretenimento da população pra ver o que acontece. Aí sim, teremos pessoas se suicidando, batendo em prostitutas e matando policiais. O Sr. deveria procurar se informar mais sobre a porcentagem de pessoas que jogam um videogame e saem causando estragos pela rua. Estude Sr. Ricardo! Estude que tal jogo não é da Sony. Estude que não se ganha pontos por matar prostitutas. Estude, que essa é uma analogia direta a um caso onde nenhum dos marginais sequer citou o nome do jogo, pois são marginais com problemas mentais mesmo, e finalmente, estude uma maneira de distribuir o entretenimento corretamente através de informação para a população.
E não através de informações totalmente inexadas de uma emissora que só se importa com a audiência.
Adry, fiquei sabendo de crianças que brincavam disfarçando-se de traficantes, sob clara influência do jogo citado. Talvez algo tão normal e aceitável quanto nossas brincadeiras de mocinho e bandido de antigamente, só que naqueles tempos quem prevalecia era a Lei. E todos sabíamos quem era o certo e quem era o errado. Hoje a fronteira entre o Bem e o Mal parece ter se tornado um tanto quanto inprecisa, infelizmente.
Hahahah, Issamu, meu caro; não escondo que também joguei muitos games onde excedia limites de velocidade, fugia da polícia, batia o carro etc. Mas tinha idade e sensatez o suficiente para entender que aquilo só poderia ser feito numa tela de televisão. O que me preocupa é ver crianças – afinal de contas, nossa juventude anda cada vez mais precoce, não? – ainda eu seus períodos de formação de caráter e conceitos jogando uma coisa dessas. Talvez eu esteja fazendo "tempestade em copo d'água". Talvez não...
Boca, Boca... a gente não pára. Mesmo que queira. Só parou para o Cazuza, que tinha razão em cantar que o tempo não pára... 8 )
Prezado Anônimo, se me permite, vamos esclarecer algumas coisas:
Em algum momento eu sugeri acabar com todo o entretenimento da população? A minha colocação foi contra jogos que fazem apologia ao crime e deveriam ser considerados impróprios para menores, o que ocorre em outros países, mas não no Brasil.
De fato desconheço a porcentagem de pessoas que, sob influência de jogos violentos tornam-se agressivas no seu dia-a-dia, mas supondo-se que seja uma quantidade desprezivelmente irrisória, isso justificaria fazer vista grossa? A meu ver, isso seria uma omissão equivalente a se dizer que "como são poucas as vítimas de ataque de tubarão, não precisamos nos preocupar com isso".
O jogo não é mesmo da Sony e isso está evidente no que escrevi. Que se pontua agredindo prostitutas foi o que o noticiário informou. Se me cabe alguma culpa, é por não ter confirmado esse detalhe. Mas por certo eu não faria a menor questão de comprar o tal jogo só para ver isso e nem creio que esta seja a parte mais relevante do que descrevi.
Também concordo que nenhum daqueles acusados do caso ocorrido no Rio de Janeiro declarou ter algo a ver com o GTA ou com outra coisa qualquer do gênero. E volto a te perguntar: Em algum lugar do texto eu havia dito que sim?
Realmente, realmente, a Rede Bandeirantes se importa com a audiência sim. Tal qual a Globo, a Record, a Rede TV! ... e me dirá você que o fazem em detrimento à qualidade, à fidelidade na divulgação dos fatos? Pois se for assim, entrego os pontos, pois não possuo tv a cabo e onde resido só existem 3 jornais impressos, os quais leio esporadicamente. Por certo acompanho fontes on-line, mas creio que sob sua ótica estas devem ser igualmente insuficientes e/ou pouco confiáveis. Enfim, recorrendo à desgastada mas válida frase feita; não sou perfeito. Quem dera fosse ao menos próximo a isso. Mas a realidade é que não sou, tenho meus defeitos e os assumo. Preciso estudar? Certamente! E quem não precisa? Só quem se cristalizou no orgulho e ficou cego ante sua própria e não reconhecida estagnação é que dispensa o estudo.
Finalmente, sua afirmação "distribuir o entretenimento corretamente através de informação para a população" refere-se a este blog? Se o for, fico satisfeito pelo reconhecimento de que o propósito deste humilde blog é o entretenimento, pois é justamente com este fim que o criei. Acrescido das finalidades básicas de um blog – que são o relato do cotidiano e impressões pessoais – insiro também pontos polêmicos e que revoltam a sociedade, embora dê preferência a temas mais amenos, a assuntos mais agradáveis e divertidos. Vez ou outra não me contenho e exponho minha indignação, sujeitando-me a respostas acaloradas.
Assim sendo, respeito a sua indignação estampada no ríspido comentário e acato as devidas críticas. O que não posso admitir é que sejam deturpadas ou mal interpretadas minhas palavras, isso jamais. E muito obrigado pelo seu comentário.
O que faz este paulistano em Jaboatão? Também sou paulista e saí de Jaboatão no início deste ano. Gostaria de saber a sua posição sobre a vida aí nesta cidade. Nilson
O que posso dizer sobre esta cidade? Bem, a primeira impressão que tive foi que as ruas são imundas. Mas isso não se resolve apenas criticando o serviço da prefeitura, é preciso que, além de uma melhor organização do serviço de coleta, os moradores se conscientizem de que também são responsáveis pela sujeira decorrente do lixo doméstico.
No mais, assustei-me com a violência, mas acho que isso é mais decorrente do destaque dado pela imprensa local ao assunto, que a uma violência urbana maior que a de outras regiões metropolitanas.
Fiquei abismado com o mar de lama que envolve a administração Nilton Coelho – vide o obscuro caso da indenização milionária à filha do prefeito – mas... qual paulistano, em sã consciência dos deputados que já possuiu em sua Câmara, se acha no direito de criticar E se achar superior aos pernambucanos? Só fica o lamento mesmo.
Também achei que estamos restritos a poucas opções quanto a supermercados, aqui. São escassas as opções, tanto quanto a variedade de produtos, quanto a bons preços. Que preços acessíveis existem, existem. Mas em pouca proporção, se comparados a alguns mercados que conheci na capital paulista.
Nilson, me desculpe pela resposta majoritariamente pessimista, mas é que um certo mau humor ronda-me, ultimamente.
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