Não desmerecendo o mérito dos jogos pan-americanos, seu valor para o esporte e o congraçamento entre as nações da América e blablabla, estou ansioso para que isso acabe logo e por uma razão: Minha tv nova pifou e fui forçado a usar uma antiga que possuía, sobrevivente da malfadada mudança e esta só sintoniza – acredite quem quiser – a Rede Globo.
Por um lado estou dando graças por me ver livre da Xuxa, mas por outro lado sinto falta de alguns desenhos animados. Sessão da tarde? Já era! E o noticiário é outro prolongamento para falar sobre o quê? Adivinhem. Não fosse a queda do avião da TAM, o Jornal Nacional seria uma espécie de "Globo Esporte II". Ainda mais com o recesso parlamentar em Brasília.
Mas deixa o mau humor pra lá e vamos falar sobre outro assunto mais agradável (ou menos maçante, ao menos pra mim).
Pan-americano. De toda a América.
Tirando o inglês, o francês e, claro, o nosso "brasileirês, a língua mais falada neste continente é o espanhol.
Há quem afirme que já temos uma derivação "de fronteira", o "portunhol", mas eu desconheço como este dialeto seja. Ou melhor, até imagino: Deve ser algo parecido com o que – uma lenda, segundo consta (em minha pouco confiável memória) – um jogador de futebol brasileiro, em excursão por um de nossos vizinhos latinos, chegou no balcão de um restaurante e pediu, todo cheio de pompa e convicção:
– Dê-me una Coeca-Coela!
Mas deixemos o jeitinho brasileiro de lado e nos concentremos no espanhol de fato.
Uma língua que, à primeira vista, parece compreensível – quem não entenderia, por exemplo, "¿Cuánto cuesta esto?", frase que já era globalizada antes mesmo da globalização; que o diga quem conheceu Ciudad Del Este quando esta ainda era Puerto Stroessner – mas nem tudo é o que parece ser.
"Comedor", por exemplo. A nós, brasileiros que criamos este termo para definir o indivíduo promíscuo, esta palavra soa um tanto quanto repugnante, mas na verdade o comedor espanhol não se trata de nenhum "Don Juan insaciável" e sim o local onde comemos (alimentos): O restaurante.
E dentro do comedor, outra pegadinha: Peça o pastel. Mas não estranhe se o garçom o olhar com cara de "só veio aqui para comer a sobremesa?".
Não que os pastéis espanhóis sejam somente doces, mas é que "pastel", lá, é o nosso bolo. Sim, o participante indispensável das festas de aniversário.
Fora os falsos cognatos, ainda temos palavras completamente diferentes da língua lusa; "coche de alquiler" é um bom exemplo. Se você der a sorte de encontrar uma filial da Avis, tudo bem, mas vá atrás de um carro para alugar onde não exista um rent-a-car? Isso, coche de alquiler é o equivalente espanhol.
Você que está lendo este texto e tem noções do idioma de Cervantes deve estar me achando um retardado, mas certamente me acharia ainda mais se me avistasse em frente a um elevador, apertando insistentemente o botão sob uma plaqueta com os dizeres: "Roto" ou "Descompuesto". :p
Ai, ai...
Pra terminar, uma palavra praticamente universal: Motel.
Como se diz "motel" em espanhol? Motel.
Como se diz "motel" em inglês? Motel.
Como se diz "motel" em italiano? Motel.
Como se diz "motel" em japonês? Motel !!
Só não sou capaz de afirmar se todos esses motéis têm a mesma função que o motel brasileiro, mas pelo menos sei que todos eles se compõem de, pelo menos, um quarto, cama e banheiro. ; )
7 comentários:
Aham...e em todos os motéis é possível..."dormir".
motéru é assim que os japoneses pronunciam.
Muito bom esse post.
Fruto de uma mente vivaz. Tbm adorei, Issamu.
P
Nossa, até em japonês? Tá mais universal que a coca-cuela!;)
Obrigado, Issamu. : )
Coche de alquiler.
;-)
"Você que está lendo este texto e tem noções do idioma de [autor de don quixote] deve estar me achando um..."
Se acertar ganha um pastel? Cervantes!
De aniversário ou da pastelaria da esquina são igualmente apetitosos!
Beijo, Ric.;-)
Alquiler! Bem notado. Corrigi! : )
Cervantes, isso!
Bolo, só se for o da Pon. ; )
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