Hoje deixei de lado os meus humorísticos favoritos (Casseta e a Diarista) para acompanhar uma mesa redonda sobre tema que muito me interessa: A cota para negros nas universidades.
E já começo a comentar colocando uma dúvida que tenho: Alguma universidade pública tem, além do estudo requerido, outro item levado em consideração para a aprovação?
Até onde sei, as notas obtidas no exame teórico são a única coisa que importa para conseguir o ingresso ao ensino superior público.
Foi perceptível que os debatedores a favor das cotas ateram-se a fatos históricos (escravidão) e ao racismo no mercado de trabalho e considerei impertinentes suas colocações. Segundo eles, a cota combate o preconceito racial e reestabelece a igualdade social, recuperando a defasagem educativa à qual os negros viveram submetidos por séculos.
Sem dúvida sou a favor de direitos iguais para todos – direito que é constitucional, inclusive – mas não creio que essa seja a forma mais justa. A meu ver, a própria medida possui teor preconceituoso, pois presume – ou leva a crer – que os negros tem capacidade intelectual inferior à dos brancos e/ou não possuem poder financeiro o suficiente para pagarem boas escolas – partindo de um pressuposto que escolas privadas sejam melhores que as públicas. Ou estou enganado? Isso sim é preconceito racial!
Além de que, temos casos que nos provam que a cota pode ser usada como mero facilitador de acesso, em detrimento do real propósito de nivelar a sociedade. Quantos não são os que, por possuírem um antepassado negro se aproveitam desse fato, não obstante terem todas as facilidades financeiras e socio-educativas?
E ainda, até que ponto é possível, ante a miscigenação de nosso povo, definir quem é negro ou não?
É preciso, isto sim, possibilitar a ascenção dos mais humildes ao ensino público, indiferente de a qual etnia estes pertençam. E, claro, acabar com o disparate da "cultura" de distinção racial no mercado de trabalho. Um excelente profissional jamais será definido pela cor de sua pele.
4 comentários:
Eu sou contra o sistema de cotas para negros nas universidades pelo simples fato de não haver critérios justos para se "classificar" negros e não negros. Se na época em que prestei vestibular ouvesse o sistema de cotas, tenho quase certeza de que seria selecionada, por ser morena e ter os lábios carnudos, apesar de não haver negros na minha família (pelo menos até os bisavos). Sou contra, contra, contra e contra (batendo o pé)
Ei, como te encontro orkut????
Eu também não concordo com as cotas, não creio nelas como antídoto, ou forma de igualar oportunidades. Mudanças na estrutura da educação de base, gratuita, claro. Isso findaria com praticamente todas as injustiças sociais e essa palhaçada de cotização. Enquanto a população se envolve nessa discussão inócua, o circo Brasília abre concorrência.
[Valeu a ida lá e lido a crônica do meu cotidiano].
O link, o nome e formato estético do Boca mudou. Querendo ir ver, ficarei feliz com sua visita.
Ah, e vou enviar à Câmara de Jaboatão um pedido para que vc se torne cidadão Jaboatonense.
;)
É o que eu disse, Ni, como definir com precisão quem é ou não é negro? Ainda se fosse num país como – suponho que deva ser, até hoje – a África do Sul eu até reconheceria essa possibilidade, mas aqui no Brasil?! Onde durante séculos várias etnias e culturas vieram miscigenando-se?
Educação de base é tudo, Boca. Só não reconhece isso quem é adepto de "tapar o sol com a peneira". Com a melhoria do ensino básico e a ampliação das universidades tudo isso perderia sentido e, de quebra, ainda conseguiríamos acabar com a "indústria do vestibular" (cursinhos e faculdades de fachada...)
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