21.6.07

21 de junho

Deixando de lado a face endêmica do inverno, dou boas-vindas a esta estação.

Desde pequeno já gostava do inverno por um motivo meio estranho: Podia "camuflar" meu desengonçado ser sob camadas e camadas de roupa. Era um típico tímido que, com camisetas e calções, me sentia seminu. A queda na temperatura era, assim, um alívio pra mim.

E cresci. Não deixei de me considerar desajeitado, mas passei a comemorar a temporada de frio por outras razões. Uma delas, os líquidos. Em que outros dias a sopa ou o minestrone cairiam tão bem? E o vinho quente? Isso sem contar os líquidos não-potáveis, mas submersíveis. Quão paradisíaca que é uma banheira quente, ah!

Recordo com certa saudade dos rigorosos invernos enfrentados na terra do sol nascente. Foi onde, pela primeira vez, comprei uma latinha de limonada quente e, apesar da estranheza, acabei gostando. Mas ainda assim preferia consumir o caldo de milho. Quente, evidentemente. E também conheci uma sopa, dessas instantâneas, ao estilo tailandês; uma delícia, com toques de limão e gengibre (uma vaga variação do nosso quentão, talvez? Haha...). Ah, o Japão e suas tigelas fumegantes...

E volto à realidade. Recife e seu inverno de 28 graus.
Aqui, nem vinho quente com canela e raspas de maçã, nem apimentadas sopas, nem sucos – exóticos ou não – pelando de quentes; nada disso têm o mesmo sabor que teriam em meio ao congelante frio nipônico ou ao gélido frio paulistano. E sento-me à varanda sob uma tarde ensolarada, a filosofar:

Realmente ninguém se satisfaz com o que tem, né. Enquanto uns rangem os dentes trêmulos de frio e sonham com este sol, aqui estou sob ele relembrando saudoso de quando estive imerso em mantas a tomar sopa quente! (risos)

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