Dentre as profissões que um dia já sonhei em ter, está uma que considero incomum: A de vitrinista. (A bem da verdade, também já pensei em me tornar padre, mas isso já é assunto pra outro post, hehe) Talvez influenciado pelo filme “Manequim” ou pelo meu gosto pela propaganda, pensava em viver compondo vitrines. Queria criar com arrojo, quase chocante, atraente, marcante.
Ainda nestes últimos dias estava caminhando pelas galerias de um shopping a observar como estes mostruários tem evoluído. Ou não.
Uma, de roupas, destacou-se a meus olhos por ostentar um manequim negro. Achei admirável. Em meio a um universo dominado por estátuas caucasianas, lá estava uma representando a mulher negra. Francamente é de se estranhar que seja raro encontrar um exemplar assim. É como se supusessem que os negros não se vestem. Tal qual a publicidade deve crer que negros nunca escovam seus dentes; um absurdo, enfim.
Mas, questões raciais à parte, gostei daquela vitrine por ser capaz de apresentar seus produtos de uma forma que se aproxima dos anseios... e mais, da realidade de muitos consumidores. Não era uma vitrine fria, convencional, com manequins fazendo o mero papel de cabides e sim representando um ambiente; era quase que uma vitrine viva.
São coisas assim que me atraem; um ou mais elementos diferentes, uma iluminação incomum, o aproveitamento do espaço sem cair na saturação, o posicionamento de forma a “abordar, convidar” o consumidor, o desvio do convencional.
E o que parece ser o convencional?
Vitrines que nos dão a impressão de já termos visto centenas de vezes, manequins imersos num universo paralelo e egocêntrico; o qual, se não nos atrai, a ele sequer somos convidados a entrar. Admito que é uma impressão pessoal quase alucinógena, maaas...
Enfim, acho que o mundo fez bem em me convencer a mudar a pretensão profissional. Livrou-se de um chato e seus delírios! (gargalhada)
5 comentários:
UAU! Eu nunca imaginaria uma coisa dessas!
Caminhante
Oi, Ricaro. Olha, eu não acho que isso seja delírio não. Aqui esse negócio de identificação racial/visual (como queira chamar) já existe há muito tempo. É nas vitrines de lojas, bonecas para crianças, jogos, até roupas e tal. A gente vê manequim negro, asiático, hispânico etc. Pode parecer estranho aos nossos olhos mas há sim características (fenótipo mesmo) próprias nossa, leia-se: América Latina e por isso também há essa 'necessidade' de representação. O que eu acho no fundo, não sei se você vai concordar, que não passa de outra jogada comercial. Você se vendo no produto, você vai lá e compra. :) Resumindo, você daria uma ótimo vitrinista. :D Um abraço.
AHAHAHAHAHAHAHAHAHA. Se você é critico de vitrines, eu sou de propagandas, pois quando assisto tv fico criticando-as propagandas como se fosse uma expert no assunto. No fundo, acho que se eu criasse uma, seria um tanto entendiante (sem mulheres de biquini, peixes falantes, rainha do baixinhos se lambuzando toda de creme... Chego a mudar de canal quando passa uma propaganda que não gosto...
Eu amo vitrines... Se perco meu tempo olhando as vitrines comuns, imagina qnto tempo eu ficaria olhando uma criação sua? hehehehe
Um abraço!
O que vc jamais imaginaria, Cami? Eu como vitrinista? Um manequim negro? Minha tese sobre vitrines? Ou N.D.A? : )
Sim, Gi, certamente existe o interesse comercial por trás da possível causa nobre em prol da igualdade racial; é a identificação com o consumidor, conforme sua conclusão. Eu nunca pisei em solo norte-americano – à exceção do saguão do aeroporto de L.A, somente – mas acredito que essa tendência venha mesmo de longa data. A propósito, a Benetton é daí? Lembro-me das propagandas dessa loja e até suponho que tenham sido elas que impulsionaram essa tendência.
Vais me dizer que é uma publicitária, Ni? Pois eu me considero um publicitário abortado. Faltou-me mais empenho nos estudos para vencer o funil do vestibular e justamente por isso sinto-me assim. Digo a vc que, conforme o horário – o das novelas, por exemplo – gosto mais de assistir aos comerciais que ao programa principal. E tenho também, de longa data, esta mania de analisar propagandas. É bem provável que cedo ou tarde eu não me contenha (de indignação) com algum comercial e venha aqui, só para criticá-lo. Aliás... acho que já fiz isso uma vez, abordando o de uma cerveja. (aquele da mosca que se queimava no frango assado e ia se refrescar no copo de cerveja, lembra? Que nojo!)
É, Adry, talvez não fossem nada de tão espetacular e impressionante assim, mas acredito que minhas vitrines chamariam a atenção do público, sim. Inclusive, certa vez, quando eu ainda estava na oficina automotiva, criei uma vitrine natalina com faróis e lanternas de carros. Em vez de simplesmente espalhar os cordões de pisca-pisca por toda a extensão envidraçada, tive a idéia de inseri-los dentro das peças óticas. E incluí um relê de pisca com várias lâmpadas instaladas dentro das lanternas, alimentadas por uma bateria. Não houve quem não notasse. : )
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