19.4.07

O buraco é mais embaixo

Resultado de uma pesquisa realizada recentemente pelo jornal Diário de Pernambuco aponta os principais problemas que mais preocupam o pernambucano atualmente:

Segurança: 72%
Desemprego: 67%
Atendimento de saúde: 36%


Não me admira que a segurança tenha ultrapassado o desemprego, dada a enorme ênfase com que a imprensa tem tocado no assunto. Eu sei, eu sei; assaltos e homicídios dão muito mais audiência que índices de desemprego e, justamente por isso, somos "bombardeados" com o caos na segurança pública todos os dias e acabamos só pensando nisso.

O que me preocupa é o fato de que algumas das possíveis raízes deste panorama de criminalidade passaram longe dos olhos dos entrevistados. A educação, por exemplo. Certamente temos escolas públicas que nos orgulham, mas... e as demais? Estão recebendo o devido incentivo? Estão em plenas condições de uso? São capazes de cativar os alunos e transformá-los em futuros cidadãos conscientes?
A evasão escolar me diz que não. Me transmite a imagem de uma instituição falida, estagnada no tempo, a pouco adequar-se à realidade de seus freqüentadores (ou, dos que deveriam freqüentá-la).
E, a meu ver, são estas pessoas relegadas à escola chamada "rua" que vão aumentando o contingente dos que espalham o terror entre os moradores.

Não quero com estas palavras colocar ninguém no banco dos réus, mas somente notar que algumas pessoas não estão vendo que "o buraco é mais embaixo". E não desejo que esta terra se torne uma filial do Rio de Janeiro, no que tange à marginalidade. Lá, prova-se que a formação de base (até onde podemos ver) é deixada de lado, em prol de uma guerra sem fim. "Guerra", literalmente.
E já vimos que nem com a participação do exército, da Força Nacional ou de seja lá quem for, a polícia consegue dar conta da quantidade de pessoas que se entregaram ao lado do mal.
Pessoas estas que, se desde a infância fossem melhor orientadas, não estariam com uma arma na mão e sim, com lápis e caneta.

Enfim, preocupar-se apenas com a situação da segurança pública e não observar o que pode ter culminado com isso é quase tão insensato quanto arrancar o próprio nariz para não sentir um mau cheiro.

Só para complementar a informação; os outros problemas apontados pelos entrevistados foram estes:

Falta de água: 20%
Falta de hospitais: 19% (na minha opinião, uma redundância com o 3º colocado, mas...)
Fome/ miséria/ pobreza: 14%
Calçamento: 11%

4 comentários:

Anônimo disse...

Bom , vc bem conhece o meu ponto de vista pq conversamos horas sobre este assunto. Sabe o qto me dói ver esta realidade, sendo esta a minha área de trabalho e sendo eu vivenciadora (bem de pertinho) do poder de transformação da educação na vida de uma pessoa. A base para um país tornar-se primeiro mundo é a educação, mas a educação desde sua base ( bem pouco valorizada no Brasil - vemos todo o investimento governamental ser depositado nas universidades federais, como se fosse possível a construção do conhecimento profissional em cima de uma base fraca)...e falaria até o dia amanhecer...mas prefiro atuar pra modificar.
Pat

Anônimo disse...

O problema da violência é realmente seríssimo aqui no estado. Tem uma parte da violência que a educação não resolve - mé fruto da impunidade. Por isso, acho justa a preocupação das pessoas na pesquisa, pois ela volta-se para o fato de que a violência precisa ser reprimida, e fortemente. A sensação de insegurança constante e coletiva é paranóica e cruel.

Paralelamente a tudo isso, educação, muita, pois eu acho muito que este país tem jeito, sim.

R. disse...

É por isso que sou, dentre outras coisas, seu fã nº1, Pat!
Não basta reclamar, é preciso agir; fazer o que está ao nosso alcance... e sempre há algo que está!


É verdade Rê, a impunidade é um dos nossos maiores incentivos à criminalidade. Estou farto de ver a polícia prender para, tempo depois, a justiça soltar. Em meus momentos mais pessimistas, chego a crer que a Justiça trabalha em prol do dinheiro, seja lá qual for sua origem, se lícita ou ilícita. Beneficiados os que têm o "poder do martelo", beneficiam a qualquer um, independentemente deste estar no lado do Bem ou não.

Caminhante disse...

Eu concordo com você. Se a gente não pensa na raiz do problema, acha que a solução pra tudo é presídio, sem pensar nos motivos que a gente precisa de cada vez mais deles...