Eu não estaria sendo justo se tivesse escrito este post antes. Afinal, era preciso dar um tempo para que eu assimilasse o novo ambiente e suas ferramentas. (A propósito, devo ter levado, se não me falha a memória, quase 2 meses para que começasse a me interessar pelo Orkut – se bem que num tempo em que quase ninguém ainda nem havia ouvido falar naquilo, mas...)
Pois bem, falou-se – e ainda fala-se – muito sobre essa nova febre da internet e eu, com computador novinho e recém-retornado à grande rede não poderia deixar de conhecer o fenômeno. E lá entrei.
Pra quem não sabe de que se trata, eis uma breve descrição: É um microblog que se baseia em uma frase, apenas: "O que você está fazendo?" e isso deve ser respondido em mensagens de até 140 caracteres cada.
Banal? Até demais. As possíveis respostas que você deve ter imaginado aí realmente estão lá. Coisas do tipo "Acordei agora", "Voltei da balada bebadaço" ou "Estou vendo um casal trepando na varanda do prédio vizinho" são muito comuns. Talvez nem tanto a última, mas enfim...
A partir dessas mensagens você pode passar a ser seguido (ter alguém acompanhando tudo o que você escreve) e até mesmo surgir alguma interação por parte dessa aparente aproximação de um interessado. Ou não. E vice-versa, você pode se tornar o seguidor de alguém que considera interessante. Seu colega de escola? Conhecidos de chat ou blog? Celebridades? Sim, elas estão lá, compartilhando com milhares de usuários o seu cotidiano fora dos palcos.
Finda a parte "manual - primeiros passos" (fatos) deste texto, vem agora a minha impressão pessoal sobre a experiência até o momento...
Como tudo na internet são números – tal qual no Orkut o status se media pela quantidade de scraps, amigos, volume de membros em sua comunidade ou outra baboseira qualquer – no Twitter o que faz a fama de alguém é, pelo que entendi, sua quantidade de seguidores, oficialmente conhecidos como "followers". Um Ashton Kutcher, por exemplo, que tem lá seu milhão de followers, é o rei-da-cocada preta. Pra quem se interessa, aparentemente não há quem questione se de fato é mesmo o ator que está ali escrevendo. Parece que é mesmo o próprio. Pra mim tanto faz, pois nem sou fã dele, oras bolas.
Tenho, atualmente, 20 seguidores. Desses, 4 são vizinhas de blogosfera, 2 são... como eu definiria, "pessoa jurídica"? (um programa de tv e um site), 2 são fakes (Hahah! Achou que isso era exclusividade do Orkut?), 2 são do Botafogo e os demais uma miscelânea que tentarei explanar a seguir.
Diferentemente do Orkut, onde um add ("Add as a friend" ou pedido para tornar-se amigo) unilateral, se aceito, torna-se uma relação mútua, no Twitter você segue ou é seguido e nem sempre a recíproca é verdadeira. Entretanto, tal qual em outros recantos desse vasto universo cibernético, existe o "acordo" – às vezes implícito, por uma questão de cordialidade, talvez? outras vezes descarado mesmo de "Me siga que te sigo!" – do qual o Twitter não se tornou uma exceção. Daí surgiram as PJ's que eu já estava seguindo, creio.
Um fake passou a me seguir somente por eu tê-la mencionado num comentário a esmo. E o outro veio de carona. O que explicaria os dois alvinegros cariocas. Sim, porque quem me conhece sabe que não dou a mínima para futebol, quanto mais a um time do outro lado da ponte-aérea – meu lado mais paulistano falando – e... então só poderiam ser caronistas. Vindos através de quem? Do Hélio de La Peña, botafoguense roxo o qual acompanho.
Quanto aos demais, eu enquadraria em 4 casos:
– Seguidores por palavra-chave (Explicando com um exemplo: Ao escrever "Linkin Park" a minha frase que contém o nome sai em um eficaz mecanismo de busca interno e pode ser o chamariz para algum fã do grupo ou portal de música começar a me seguir e por aí vai)
– Simpatizantes de alguma coisa (De algo dito, de sua foto, de sua bio (O "About me" versão Twitter), de quem você está seguindo (afinidade...), de seu blog/flog ou site ou então de seu sucesso, caso você seja famoso)
– "Franco-atiradores" ou followers compulsivos (Não há muito o que dizer sobre isso, quem sabe a psicologia explique? Só sei que são perfis que, à primeira vista, não possuem vínculo algum contigo. Ou comigo, no caso. Do contrário, alguém me explica por que um campeonato de bodyboarding e o PPS (sim, o partido político) estão me seguindo?!
– Autômatos. Os infâmes spamers. Se marcam presença em tudo quanto é lugar online, por que não estariam tuitando (verbo extra-oficial, não duvido nada que o Aurélio o oficialize em sua próxima edição) também? Pois é.
Concluindo: O Twitter se tornará o novo Orkut da molecadinha? Acho pouco provável. Afinal, o primeiro não é um playground – cada vez mais incrementado, diga-se de passagem – tão atraente quanto este segundo. Não tem comunidades, não tem scrapbook, não tem testimonials (ou "depô's"), nem videos, nem fotos, tampouco buddy poke e outras tranqueiras. É deveras enxuto. Até mesmo as fotos são minúsculas.
Entende-se a prioridade do Twitter – ou ao menos assim entendo eu: A visualização do dia-a-dia de cada um, criando um ambiente onde a ação é enfatizada, algo próximo a um chat, mas muito mais focado no movimento – daí o acesso através de diversos meios, não somente o tradicional e sempre fixo desktop ou o móvel notebook mas até mesmo via celular. É a mobilidade em destaque.
Como limitar-se a relatar ao mundo seus afazeres domésticos e/ou profissionais seria, na maioria dos casos de nós, pobres e anônimos mortais, maçante demais, o site apresenta-se também como um veículo de divulgação de outros meios. Atualizou seu blog? Diga lá. E deixe o link para que todos possam acessar e ler. Um texto escrito – ou postado, pelo menos – naquela horinha! Ótimo para acompanhar de perto aquela pessoa que você gosta de ler, não? Ou ter alguma sensação de proximidade, de intimidade, de exclusividade, até (eu delirando um pouco...)
Embora o Twitter esteja sendo usado como anunciador de flashes jornalísticos, não vejo futuro ou muita utilidade nisso. Antigamente até poderia ter tido, mas hoje, com rádios e tevês online? É verdade que, permitindo a aglutinação dos jornais mais importantes em uma única coluna de flashes faz com que se tenha um panorama bem abrangente do que acontece pelo mundo em tempo real, mas... os portais online já não fazem isso?
No fim das contas, o tal microblogging mais me parece um passatempo, onde vez ou outra se encontra algum link que nos atrai a atenção, fantasiamos – ou não – com pessoas famosas e conversamos sobre trivialidades com cidadãos comuns num "grande messenger" para todos verem... ou às vezes, como costumo fazer, a esmo, sem interlocutor mesmo.