30.5.09

Bizarrice

Nas minhas andanças on-line por lugares pouco ortodoxos às vezes me deparo com coisas inusitadas, algumas vezes excitantes, noutras assustadoras e em outras ainda, engraçadas. Pois esta que encontrei se enquadra no último caso.

"Vela para massagem", dizia o anúncio num site de produtos adultos. E fiquei pensando de que maneira uma vela poderia servir pr'aquilo. Não perdi muito tempo imaginando desde um óbvio muito sem criatividade a variações completamente nonsense e cliquei no tal item pra ver mais detalhes. E surgiu na tela isso aí:




E então entendi: Faz-se a massagem com a cera liquefeita. A piada fica por conta do "Tem efeito aquecedor". Lógico, não? Aliás, vai aquecer tanto que causará umas boas queimaduras. Não sei dizer se de segundo, terceiro ou sei lá de que grau, mas que provocará... hah!

Ainda diz que é comestível, sabor ylang-ylang. Certo, sou um cara desantenado, não ligo pra moda e muito menos para acessórios metrossexuais mas sei que esse tal de ylang-ylang é um perfume – ou não é? E, apesar de conhecer uma exótica culinária oriental que utiliza flores como ingredientes de seus quitutes, não me senti nada atraído em comer uma parafina com gosto de flor. E ainda por cima sobre a pele queimada de alguém!

Bem, se você for adepto(a) do sadomasoquismo – só pode!! – e tiver se interessado no produto, passo o endereço do site...

(:P

27.5.09

Oásis

Reconheço que o título deste post não é apropriado para o que vem a seguir e por isso vou logo avisando: Se você, leitor deste blog, já está enjoado de ler sobre transportes coletivos ou, pra ser mais exato, os famigerados ônibus nossos-de-cada-dia, nem prossiga. Espere pelo próximo post. Mas se não for o caso, vamos lá.

"Oásis" é, definitivamente, um termo que não cabe a um ônibus. Pelo menos não ao qual sou infeliz usuário e sempre o pego invariavelmente cheio. Não, "cheio" é eufemismo; aquilo é superlotado, quase um desafio à lei da física que afirma que dois corpos não ocupam o mesmo espaço.

Como em todas as manhãs, embarquei. Consegui embarcar. A duras penas, alguns pisões nos pés alheios e uma ou outra cara feia, chego na catraca. Convenhamos, é um ponto estratégico e privilegiado: A janela do teto fornece alguma brisa e, o melhor: Não corremos o desagradável risco de sermos encoxados. Propositalmente ou não. Entretanto...

Sobe mais gente na parada (ou ponto) de ônibus e não tenho outra alternativa senão abandonar o refúgio da catraca e encarar o desafio do corredor, onde parece não haver espaço sequer para passar uma mosca. Estico o pescoço e consigo avistar poucas cabeças lá, no fundo do coletivo. É fato, muitas pessoas têm o hábito de entupir a área pré-catraca, as áreas próximas do pós e evitar o fundão com receio de pessoas suspeitas que, às vezes, que posicionam ali. Mas... fazer o quê? Era a minha única opção. E para lá fui.

E não é que, para a minha infelicidade, o espaço que eu imaginara não estar tão abarrotado na verdade estava? Fui enganado pela "ilusão de ótica" causada pelas baixinhas. Um fenômeno não-científico mas muito urbano que ocorre onde há aglomerações: Em meio a um mundaréu de cabeças, fica o vazio. E quando se chega lá, o vazio não está vazio. É aqui que entra o "oásis" do título: Quando você pensa que encontrou a salvação – ou um mal menor, ao menos – se depara com uma... miragem.

Pois é. Fiquei espremido no meio de um grupo de estatura "invisível". Sem poder descer – porque ainda faltavam algumas paradas até a minha – nem recuar. E vinha gente atrás. E num movimento brusco do veículo acabei fazendo outro ainda mais súbito e dei – sem querer, lógico! – a maior cotovelada na cabeça de uma das moças que ali estavam, ao que esta imediatamente virou-se pro meu lado e "fuzilou-me" com o olhar.
Apesar de eu ter me desculpado no ato, instintivamente – assim como muitas das reações que temos ali, dentro do "inferno sobre 4 rodas" – o olhar foi impiedoso, traduzia silenciosamente o quão doloroso havia sido o meu cotovelo em sua cabeça. E não a culpo por isso, foi mesmo uma pancada considerável. Não é difícil crer que ela esteja me xingando até agora, de noite...

Sei que a probabilidade desta moça vir a ler isto é tão remota quanto a do Michael Jackson voltar a ser negro ou nevar em Recife mas... fica aqui o meu pedido de desculpa reiterado, e com a precisa explicação do porquê fui parar ali. No lugar errado – e havia o certo? – na hora idem e perdendo o equilíbrio no instante ibidem. Foi mal...

:/

26.5.09

Transporte coletivo... de novo.

Pegar um ônibus na grande Recife não é missão tão simples quanto poderia e, inclusive, deveria. Ao menos para quem não é daqui. Vamos aos fatos, fazendo um comparativo com a capital paulista, onde por muitos anos fui usuário de coletivos.

Aqui, muitas vezes a origem-destino que figura no painel frontal do veículo não esclarece muito. Explico com um exemplo: O que pego diariamente para ir trabalhar é o "Candeias-Dois Irmãos" que, é dedutível, tem seu início de itinerário no bairro de Candeias – embora comece mesmo no bairro vizinho, Barra de Jangada, mas esse detalhe é desprezível, – terminando no de Dois Irmãos. Simples assim.

Mas e quanto ao "Jardim Piedade"? Imagina-se, e com razão, que comece no bairro de igual nome, mas... para aonde vai? Não consta! Na ida e na volta ele permanece sendo o "Jardim Piedade". Seria uma linha circular, então? Não que conste ou que eu saiba. É uma linha comum, com começo, meio e fim.

E voltemos ao meu ônibus do dia-a-dia. Você, paulistano como eu deve imaginar que, num sentido do percurso ele esteja identificado como "Candeias" e, em seu retorno, "Dois Irmãos" (ou vice-versa). Engano seu, ele é o "Candeias-Dois Irmãos" tanto indo, quanto vindo.

Como é de se imaginar, isso cria uma dúvida – pelo menos aos que desconhecem o mínimo sobre os transportes da região – quanto ao sentido em que os ônibus estão transitando e para evitar isso existe uma plaqueta que, num lado diz "Cidade" e em seu verso "Subúrbio"; seria o nosso centro e bairro, respectivamente. Ótimo. Basta o condutor virar a tal plaqueta a cada final de percurso. Só que, vez ou outra, algum esquece. Ou, pior ainda, há carros que nem sequer isso têm.

Ainda sofro – ou sofremos, os que já têm alguma deficiência, por idade ou hereditária, visual – com painéis que espremem a origem-destino. Imaginem um "Conde da Boa Vista - Conj. Marcos Freire - via shopping" cabendo ali, naquele pequeno espaço retangular? Pois é. E isso porque no momento não me lembrei de nenhum outro exemplar ainda pior, que ocupe 3 linhas escritas. E existem.

... 3 linhas que só conseguimos ler quando o veículo já passou pela parada (ah sim, aqui não existe "ponto" de ônibus, é parada de ônibus) e o perdemos.

Pra fechar o texto, o que considero insólito: Temos 4 faixas de tarifação de passagem de ônibus. 4!! A,B, D e G (o que houve com C, E e F? Só Deus sabe) + as linhas opcionais + Linhas especiais + Interurbanos, cada qual com sua tarifa diferente.

Das 4, pago a mais cara – que não é a A, tampouco a G, é a B. Vai entender? – que me fornece um ônibus sem ar-condicionado, que passa a cada 15 minutos no horário de pico – e só durante a semana, aos sábados passa a cada 45 minutos, oficialmente. De domingo deve ser um a cada hora – e que freqüentemente "queima" a parada. (Traduzindo: Passa direto pelo ponto).

Há aproximadamente meio ano o governo do Estado mudou o nome do órgão administrador do setor de EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos – O que, em si só eu já considerava uma redundância, porque se é metropolitana só podem ser urbanos, ou estou enganado? – para "Grande Recife", e em formato consórcio. Mas...pelo jeito, foi a famosa troca de 6 por meia-dúzia...

A voz

Só quando assisti a um filme, um dos da série "Die Hard" (Duro de Matar) com Bruce Willis é que me dei conta de um detalhe: Dubladores são mais característicos que dubladoras.

Mal consegui me concentrar na trama do filme, de tão incomodado que fiquei com a voz que dublava o ator principal. Definitivamente ela não se vestia nele, parecia ser uma voz assim... meio negra, acho. Ou nem isso, acho que não teria caído bem nem num Wesley Snipes, nem num Morgan Freeman. Era mesmo uma voz esquisita.

E comecei a notar o quão características as vozes se tornam. Alguns comediantes têm uma padrão, que cabe tanto em Adam Sandler, quanto em Steve Carrell ou Rob Schneider. O do sisudo Jean Reno também faria Steven Seagal. Ou até mesmo um caricato Steve Martin. Mas não faria a do John Candy, ah... seria engraçado imaginar que o dublador de um obeso tivesse um físico semelhante e a realidade provasse justamente o contrário!

Mas... e quanto às atrizes?

Lógico que seria perceptível, bizarro até, ver/ouvir a Lindsey Lohan com a voz de uma Susan Sarandon, porém, e se fosse a Jennifer Aniston com a da Anne Hathaway, faria alguma diferença? Não pra mim. E eu ainda poderia colocar outras atrizes na mesma voz: Halle Berry, Sandra Bullock, Cameron Diaz, Jodie Foster, Gwyneth Paltrow, Meg Ryan e até a Angelina Jolie? Não. Esta combinaria mais com Catherine Zetta-jones, acho. Ou Julia Roberts. Ou Kathleen Turner.

Mas vai colocar a voz do Harrison Ford no Anthony Hopkins ou no Dustin Hoffman, vai. E verá... ou melhor, ouvirá, que diferença!


... ou estou "viajando na maionese"?
(É, capaz que esteja mesmo...)

22.5.09

Não é fotomontagem

Ah, esta eu ri a valer, quando notei; É um quadro que está exposto ao lado do local onde recebemos os clientes do pós-venda. É uma oficina automotiva, definindo em português claro. Muitas pessoas já sabem, mas para quem ainda não, trabalho em uma concessionária. E de uma renomada fábrica, a qual pretendo evitar divulgação direta aqui, mas que os que conhecem um pouco sobre automóveis logo identificarão qual é.

É um painel onde consta o tempo dispendido em uma revisão, conforme sua quilometragem. Pormenores técnicos – e enfadonhos pra quem não é da área – à parte, o detalhe que quero comentar – e ironizar – é o seguinte. No rodapé desse quadro existem números de telefone que, suponho, sejam obrigados por lei a estar bem visíveis ao consumidor, tais quais o SAC da empresa e o PROCON. Só que, em vez do PROCON...





Acreditem se quiserem, mas... sim, é SUNAB!! Criada em 27 de agosto de 1962, a sigla significava "Superintendência Nacional do Abastecimento" e era uma agência regulamentadora do ramo... alimentício! (Os verbos estão no pretérito porque a tal superintendência nem existe mais, foi extinta em julho de 97...)
Eu disse no título e reafirmo: Não é montagem e muito menos coisa antiga. Estas fotos foram tiradas na tarde de hoje, dia 22 de maio de 2009.

(: P

21.5.09

Auto-pesquisa


É coisa que qualquer internauta e/ou conhecedor do Google já deve ter feito um dia, na vida online: Pesquisar seu próprio nome na grande rede. Eu mesmo já fiz isso, há muito tempo. E o resultado era sempre um ou outro blog citando um versinho que eu criara para ornar a descrição de uma comunidade orkutiana criada por uma amiga – também online, Maria de Fátima – chamada "Quem eu quero não me quer". Situação amorosa muito comum, aliás. E ficava só nisso.

Hoje, imitando uma pessoa que sigo no Twitter e que se deparou com um resultado pouco agradável nesse tipo de pesquisa, decidi (re)fazer o mesmo. Por pura curiosidade.

E desta vez não surgiram apenas blogs. Blogs? Bem, blogs podem citar desde um imortal da Academia Brasileira de Letras a um desconhecido zé mané qualquer, por pura graça ou menos que isso. Mas um site? É, apareceu um, e que se intitula "Pensador.info", ainda por cima, e no topo da lista de pesquisa. Pô...

Até comecei a me achar gente!
O Mário Quintana que se cuide? :D





(Menos, menos. Eu sei. (caindo na real...)

19.5.09

"Proibido para frescas"

Tal qual já existem os assentos cujo uso é – te-o-ri-ca-men-te – restrito a idosos, deficientes físicos e gestantes, deveria ter uma plaqueta de advertência semelhante, só que nas demais cadeiras, ao lado da janelas: "PROIBIDO PARA FRESCAS". Explico.

Senta-se ali, num desses assentos de uso comum, uma dondoca. Daquelas que investem o salário – ou a mesada, conforme o caso – inteiro(a) no cabeleireiro. Ou passa horas hooooras frente ao espelho passando escova (ou seja lá o que for). E, à primeira brisa que ameaça desalinhar seu penteado, não titubeia em fechar a janela. Em nome do tal penteado obtido a muito custo.

Ótimo... para ela.
Os outros que estão ali, espremidos no meio do corredor, a suar bicas, pouco importam. O que importa é que o vento – ou menos que isso – não estrague seu visual.

PÔRRA!!!
VSF! (expressão popular que todos devem conhecer e que dispensa qualquer esclarecimento), está preocupada com o penteado? Vá de táxi! Provavelmente chegará mais rápido e confortavelmente, num veículo possivelmente equipado com ar-condicionado. E o que é melhor, sem incomodar ou aumentar o desconforto de ninguém!

Deveria sim, ser proibido fechar a janela do ônibus por um motivo tão fútil assim. Nesse ponto acho que adoro as mulheres que têm o cabelo curto, ou as que mantém o longo preso, pois não se incomodam com o vento.

E fica um conselh... melhor, um APELO a você que está num coletivo lotado, num dia/tarde/noite abafado(a) e sentado ao lado da janela: Pelo menos tenha considerável motivo, ou tenha consideração pelos que não têm a mesma sorte que você de, além de estar sentada(o), ter um pouco de ar não-fétido de suor – ou outras coisas ainda piores – envolvendo suas narinas o tempo todo...

... e DEIXE A JANELA ABERTA!

13.5.09

Twitter vs Orkut; fatos e impressões

Eu não estaria sendo justo se tivesse escrito este post antes. Afinal, era preciso dar um tempo para que eu assimilasse o novo ambiente e suas ferramentas. (A propósito, devo ter levado, se não me falha a memória, quase 2 meses para que começasse a me interessar pelo Orkut – se bem que num tempo em que quase ninguém ainda nem havia ouvido falar naquilo, mas...)

Pois bem, falou-se – e ainda fala-se – muito sobre essa nova febre da internet e eu, com computador novinho e recém-retornado à grande rede não poderia deixar de conhecer o fenômeno. E lá entrei.

Pra quem não sabe de que se trata, eis uma breve descrição: É um microblog que se baseia em uma frase, apenas: "O que você está fazendo?" e isso deve ser respondido em mensagens de até 140 caracteres cada.

Banal? Até demais. As possíveis respostas que você deve ter imaginado aí realmente estão lá. Coisas do tipo "Acordei agora", "Voltei da balada bebadaço" ou "Estou vendo um casal trepando na varanda do prédio vizinho" são muito comuns. Talvez nem tanto a última, mas enfim...

A partir dessas mensagens você pode passar a ser seguido (ter alguém acompanhando tudo o que você escreve) e até mesmo surgir alguma interação por parte dessa aparente aproximação de um interessado. Ou não. E vice-versa, você pode se tornar o seguidor de alguém que considera interessante. Seu colega de escola? Conhecidos de chat ou blog? Celebridades? Sim, elas estão lá, compartilhando com milhares de usuários o seu cotidiano fora dos palcos.

Finda a parte "manual - primeiros passos" (fatos) deste texto, vem agora a minha impressão pessoal sobre a experiência até o momento...

Como tudo na internet são números – tal qual no Orkut o status se media pela quantidade de scraps, amigos, volume de membros em sua comunidade ou outra baboseira qualquer – no Twitter o que faz a fama de alguém é, pelo que entendi, sua quantidade de seguidores, oficialmente conhecidos como "followers". Um Ashton Kutcher, por exemplo, que tem lá seu milhão de followers, é o rei-da-cocada preta. Pra quem se interessa, aparentemente não há quem questione se de fato é mesmo o ator que está ali escrevendo. Parece que é mesmo o próprio. Pra mim tanto faz, pois nem sou fã dele, oras bolas.

Tenho, atualmente, 20 seguidores. Desses, 4 são vizinhas de blogosfera, 2 são... como eu definiria, "pessoa jurídica"? (um programa de tv e um site), 2 são fakes (Hahah! Achou que isso era exclusividade do Orkut?), 2 são do Botafogo e os demais uma miscelânea que tentarei explanar a seguir.

Diferentemente do Orkut, onde um add ("Add as a friend" ou pedido para tornar-se amigo) unilateral, se aceito, torna-se uma relação mútua, no Twitter você segue ou é seguido e nem sempre a recíproca é verdadeira. Entretanto, tal qual em outros recantos desse vasto universo cibernético, existe o "acordo" – às vezes implícito, por uma questão de cordialidade, talvez? outras vezes descarado mesmo de "Me siga que te sigo!" – do qual o Twitter não se tornou uma exceção. Daí surgiram as PJ's que eu já estava seguindo, creio.

Um fake passou a me seguir somente por eu tê-la mencionado num comentário a esmo. E o outro veio de carona. O que explicaria os dois alvinegros cariocas. Sim, porque quem me conhece sabe que não dou a mínima para futebol, quanto mais a um time do outro lado da ponte-aérea – meu lado mais paulistano falando – e... então só poderiam ser caronistas. Vindos através de quem? Do Hélio de La Peña, botafoguense roxo o qual acompanho.

Quanto aos demais, eu enquadraria em 4 casos:

– Seguidores por palavra-chave (Explicando com um exemplo: Ao escrever "Linkin Park" a minha frase que contém o nome sai em um eficaz mecanismo de busca interno e pode ser o chamariz para algum fã do grupo ou portal de música começar a me seguir e por aí vai)

– Simpatizantes de alguma coisa (De algo dito, de sua foto, de sua bio (O "About me" versão Twitter), de quem você está seguindo (afinidade...), de seu blog/flog ou site ou então de seu sucesso, caso você seja famoso)

– "Franco-atiradores" ou followers compulsivos (Não há muito o que dizer sobre isso, quem sabe a psicologia explique? Só sei que são perfis que, à primeira vista, não possuem vínculo algum contigo. Ou comigo, no caso. Do contrário, alguém me explica por que um campeonato de bodyboarding e o PPS (sim, o partido político) estão me seguindo?!

– Autômatos. Os infâmes spamers. Se marcam presença em tudo quanto é lugar online, por que não estariam tuitando (verbo extra-oficial, não duvido nada que o Aurélio o oficialize em sua próxima edição) também? Pois é.


Concluindo: O Twitter se tornará o novo Orkut da molecadinha? Acho pouco provável. Afinal, o primeiro não é um playground – cada vez mais incrementado, diga-se de passagem – tão atraente quanto este segundo. Não tem comunidades, não tem scrapbook, não tem testimonials (ou "depô's"), nem videos, nem fotos, tampouco buddy poke e outras tranqueiras. É deveras enxuto. Até mesmo as fotos são minúsculas.

Entende-se a prioridade do Twitter – ou ao menos assim entendo eu: A visualização do dia-a-dia de cada um, criando um ambiente onde a ação é enfatizada, algo próximo a um chat, mas muito mais focado no movimento – daí o acesso através de diversos meios, não somente o tradicional e sempre fixo desktop ou o móvel notebook mas até mesmo via celular. É a mobilidade em destaque.

Como limitar-se a relatar ao mundo seus afazeres domésticos e/ou profissionais seria, na maioria dos casos de nós, pobres e anônimos mortais, maçante demais, o site apresenta-se também como um veículo de divulgação de outros meios. Atualizou seu blog? Diga lá. E deixe o link para que todos possam acessar e ler. Um texto escrito – ou postado, pelo menos – naquela horinha! Ótimo para acompanhar de perto aquela pessoa que você gosta de ler, não? Ou ter alguma sensação de proximidade, de intimidade, de exclusividade, até (eu delirando um pouco...)

Embora o Twitter esteja sendo usado como anunciador de flashes jornalísticos, não vejo futuro ou muita utilidade nisso. Antigamente até poderia ter tido, mas hoje, com rádios e tevês online? É verdade que, permitindo a aglutinação dos jornais mais importantes em uma única coluna de flashes faz com que se tenha um panorama bem abrangente do que acontece pelo mundo em tempo real, mas... os portais online já não fazem isso?

No fim das contas, o tal microblogging mais me parece um passatempo, onde vez ou outra se encontra algum link que nos atrai a atenção, fantasiamos – ou não – com pessoas famosas e conversamos sobre trivialidades com cidadãos comuns num "grande messenger" para todos verem... ou às vezes, como costumo fazer, a esmo, sem interlocutor mesmo.

12.5.09

Auto-entrevista

Keity (já há muito, provável que nem chegue mais a ler este post) e, mais recentemente Carolina, como vocês deixaram explícita a curiosidade sobre o que é um paulistano morar no nordeste mas não definiram quais seriam as dúvidas, inventei esta auto-entrevista, tentando abordar alguns pontos que, creio, possam ser de seus interesses. No caso de não ter sido útil, aceito outras perguntas, ok? E lá vai.





O que o levou a mudar-se para tão longe?
– Motivo pessoal, não creio ser necessário ou relevante expôr aqui. Mas adianto-lhe que não havia nenhum vínculo familiar ou profissional nesta região, vim com a cara e coragem mesmo. E fé.

Os ares são mesmo mais saudáveis que os de São Paulo?
– Posso dizer que sim, pelo pigarro. Só noto a diferença quando viajo à SP; assim que desembarco, o danado do pigarro aparece com força total. E ao voltar ao nordeste, some.

Como é a vida noturna da grande Recife?
– Bem, como não sou de sair muito, não posso dar uma opinião consistente a respeito. Já conheci uma danceteria que não deixa nada a dever para qualquer uma das paulistanas. E digo isso como conhecedor de algumas. Faz muito tempo, mas já fui freqüentador da noite paulistana. Proporcionalmente eu diria que (aqui) não chega nem perto da atividade fervilhante que São Paulo tem, 24 horas por dia.

E a violência urbana?
– Igual, igual. Onde há pobres e ricos – e com o agravante das drogas – sempre haverá criminalidade. Não existe mais nenhum "oásis" de segurança, tal qual em SP, onde edifícios de alto nível e condomínios com toda infra-estrutura de vigilância de primeiro mundo são alvos de marginais cada vez mais capacitados, Recife também sofre com o mesmo mal. E tenho quase certeza de que todas as outras capitais também. Infelizmente.

O custo de vida é mais baixo?
– Creio que relativamente sim. Aluguéis – onerados por um IPTU não tão exorbitante – são menores, considerando-se as dimensões, localização e benefícios proporcionados. O camarão, que eu adoro, é mais barato! (risos). Por outro lado, como não temos Santa Ifigênia nem Bom Retiro, eletrônicos e vestuário são mais caros.

Falando em bens de consumo, existem lojas de grife aí?
– Certamente. Das mais populares como Marisa e C&A às mais refinadas como M. Officer ou Forum. Estranhamente não existe nenhuma unidade das Casas Bahia, embora sejamos obrigados a ver seus comerciais diariamente, na tevê.

A programação da rede aberta de televisão é muito diferente?
– Não muito. Existem programas locais, evidente, mas boa parte da grade de programação das emissoras públicas exibe o que o paulistano estaria assistindo. Um Datena – que só fala sobre SP e RJ, principalmente – ou CQC – idem. Também não é raro transmitirem jogos de futebol de times cariocas ou paulistas, embora o pernambucano seja um entusiasta por futebol.

A propósito, para que time você torce?
– Nenhum regional, costumo dizer que torço para o Brasil, porque assim, se for para sofrer, só a cada 4 anos, heheh... mas falando sobre onde estou, digo que o fanatismo do pernambucano envolve 3 grandes times: Sport, Náutico e Santa Cruz, os quais possuem, cada qual, seu próprio estádio na cidade.

É verdade que o calor do nordeste é insuportável?
– Mentira. Pelo menos eu nunca passei mal de calor, aqui. É verdade que às vezes suo um bocado, mas nada que não acontecesse também em SP. Diria até que, neste momento em que estou respondendo a esta auto-entrevista, a noite está nublada. Ligeiramente refrescante, apropriada para dormir. E na manhã de hoje tivemos chuva.

Pra terminar: Diga algo que você adora e algo que você detesta, de onde está morando atualmente.
– Se for sobre o prédio onde estou a resposta é: Adorava o sossego da vizinhança até um deles inventar de adotar um cão que não pára de latir. (Não mesmo, é insuportável)
Mas se for sobre a cidade, hum. Deixe-me pensar...

– Adoro pensar que estou a poucas quadras da praia e por isso não preciso enfrentar uma Anchieta-Imigrantes lotada nos finais de semana ou feriados para molhar os pés na água salgada, tampouco pagar um – caro – pedágio para isso. Basta caminhar. Poucos passos. E, mesmo de dentro de um ônibus, durante a semana, poder admirar as ondas, enquanto estou indo ao trabalho...

– Já o que venho detestando cada vez mais é o humor local. Pode parecer pretensão demais de minha parte dizer isso, mas a meu ver o humor regional só sabe misturar sexualidade com infantilidade. Às vezes, somente a infantilidade. Quão mais demente o modo de se expressar, mais engraçado. Não vejo inteligência nas piadas. Apenas uma ironia que, vide "Seu Mução", se faz pela mera maledicência, pelo uso de termos de baixo calão.

Suas palavras finais aos leitores?
– Aos meus pouquíssimos leitores, você quer dizer? (risos) Bem, primeiramente quero agradecê-los pela audiência – é "audiência", num blog? – e paciência em terem me lido até agora e me desculpar pela franqueza um tanto quanto seca – vide crítica ao que predomina no humor pernambucano – e por sequer ter citado o famoso carnaval de Olinda ou o Galo da Madrugada, conhecido como o maior bloco carnavalesco do mundo. Sinto muito, mas nunca fui um entusiasta desse feriado...

8.5.09

Se é pra não ter comentário

Não há autenticidade. As relações sociais baseiam-se em modelos que, em muitos casos, são orientados pela correlação de necessidades. Ou interesses, por assim dizer.

Já começa assim no meio familiar. Mas dessa parte cultural passarei direto, não é mais o que me apetece. Ou não é o que tanto me incomoda, no momento. A cruz da vez é a vida profissional, a que me induziu a um processo* de amnésia diária. Ou tentativa desta.

Vivemos de aparências. De conceitos pré-definidos que excluem excrúpulos. A imagem é tudo; o 'parecer impecável', o 'ser tudo o que o consumidor gostaria que fossemos' dita todas as ordens. A qualquer custo. Lícito ou não.

Eu que sempre prezei a honestidade comercial me vejo sob ordens superiores a ocultar os "podres do sistema". Somos silenciados em nome de uma irretocável imagem que se quer impor aos clientes. "O cliente não precisa saber..."

O meu cliente – dos tempos em que eu trabalhava em São Paulo – precisava saber, sim. E o sabia, com todas as letras; eu jamais escondi procedimentos e/ou procedências do que eu estava ali, propondo ao interessado. Sempre tive essa transparência.

Mas agora, em nome único e exclusivo de contas – as que todo cidadão de bem tem com que arcar; despesas domésticas, custo de sobrevivência – me dobro ao "sistema": Me calo. Lubridio o consumidor. Com tamanho desgosto que não me cabe. Os desonestos que lá trabalham prosseguem em toque de caixa, faturando e cantarolando alegremente sem nenhuma preocupação, pois estão acobertados pela conivência – ou cumplicidade, talvez seria o mais apropriado? – dos superiores.

Parece que a cada dia que passa me transformo mais num fantoche: Não posso dizer o que acho, não posso relatar o que vejo de errado – de que jeito, se a recomendação do erro vem "de cima"? – e não posso sequer alertar o cliente da arapuca em que está prestes a cair. Faço o que dita a regra comercial: Finjo que tudo é uma perfeição, que tudo realmente é o que deveria ser. Sob pena de eu ir parar no olho da rua se insinuar que não é.

O mundo é dos desonestos. Dos que têm a ladainha mais convincente.
Já os que têm algum caráter, estes são dispensáveis à empresa. Afinal, caráter nunca deu lucro a ninguém...






* 8 meses desempregado me ensinaram – a duras penas – que emprego não é coisa fácil de se conseguir aqui. Aliás, em lugar nenhum, ainda mais com o currículo pífio que tenho. E por isso tento, enquanto não avisto nenhuma outra "luz no fim do túnel", manter-me no que tenho.

E um dos métodos que criei para não ter um piripaque de tanto inconformismo e stress desse dia-a-dia é justamente o esquecer diário. Me esforço em parar de pensar naquilo que tanto me incomodou. Recorro a métodos não muito ortodoxos e adormeço ao final de cada dia. Esqueço, esqueço, ESQUEÇO. Deveria, católico tal qual sou, perdoar, mas não creio que aquilo seja "perdoável". É mesmo digno de esquecimento. Em nome de dívidas que não quero deixar vencerem.

7.5.09

Ser condômino é padecer na reunião

Esta noite houve reunião do condomínio. Quem conhece esse evento sabe porque tentei evitar, embora involuntariamente, comparecer. Definitivamente não é dos encontros onde se vai espontaneamente. A gente vai por obrigação mesmo.

E não é que justamente hoje me acontece um imprevisto no trabalho e acabo extrapolando o horário de expediente? "Desta vez escapei", pensei. Mas qual o quê. Como quase tudo o que tem hora marcada neste país, a infâme reunião também havia começado tarde. Pelo menos é o que presumi, pois cheguei ao prédio num horário em que, teoricamente, aquilo já teria terminado.

Teria. Adentrei o recinto e não tive escapatória, pois todos – ou uma parcela mínima destes – lá estavam. No maior bate-boca sobre o uso do estacionamento. Me sentei e fiquei, pois sair de fininho não ia pegar bem – embora muito façam isso. "E pensar que nem carro tenho...", lamentei mentalmente.

Depois veio a discussão sobre o cigarro. Um senhor achava-se, não sei se pelo fato de ter sido o construtor do imóvel e/ou o morador mais antigo, no direito de fumar dentro do elevador. Outro morador, visivelmente anti-tabagista e dos ferrenhos, protestava. E completava: "Nem aqui pode-se fumar!" (Detalhe: O local era a entrada do prédio, antes do hall, ou seja, ao ar-livre.) Eu, como fumante respeitador do alheio, jamais poluí elevadores, acho o cúmulo, isso. Por outro lado, ali... em ambiente completamente aberto?? Preferi me manter calado no meio do "tiroteio" entre dois extremistas.

Até que finalmente o síndico deu a reunião por encerrada. Não perdi tempo e, alegando estar precisando de um banho urgente e coisa e tal, me despedi de todos e subi.

Moro no quarto andar e, acreditem, debaixo do chuveiro ainda pude ouvir ânimos acirrados lá na portaria, a bradar sobre... ah, sobre resquícios de algum assunto do encontro que, francamente, nem fiz questão de ter conhecimento. E mandei sabão nas orelhas.

5.5.09

Sacrifício do governo... ?

Depois da redução do IPI para os automóveis novos, materiais de construção e a alguns produtos da chamada "linha branca" de eletrodomésticos, o ministro Mantega declara que não há mais previsão de que esse aparente "esforço" do governo em atenuar os efeitos da crise econômica mundial sobre o país prossiga, por não haver mais necessidade (a "marolinha" do Lula já passou?)

E fiquei a pensar: Com reduções ou isenções o governo deve ter se sentido o herói da pátria, o "paizão" que aperta seu próprio cinto para que sua prole não passe fome. Louvável, digno até demais. Só que me veio a curiosidade: Onde estariam fazendo falta esses milhões de reais não arrecadados?

Via de regra, todo tributo existe para algum fim. Como o COFINS que, segundo a Câmara dos deputados– e eu nem sabia, o próprio nome do tributo já diz a que veio "Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social" – é cobrado pela União para atender programas sociais do governo federal ou o ICMS que, no caso de São Paulo, destina-se a um vago "atender adequadamente às necessidades da população". Falou tudo e não disse nada mas pelo menos enrolou.

E o tal do IPI, hein?

No site da Receita Federal encontrei o conceito do imposto, no entanto, nada sobre a destinação dessa arrecadação, o que eu mais queria saber. Estão descritas 6 características deste imposto: Fato gerador, contribuinte, base de cálculo, alíquota, período de apuração e prazo de recolhimento e só. (a quem interessar, a página com os detalhes é esta aqui)


Realmente é estranho. Como se nós, que pagamos imposto por tudo e em tudo, não tivessemos interesse algum pelo destino do nosso suado dinheiro...

4.5.09

Quando a casa cai... literalmente

Sempre que acontecem catástrofes, geralmente por forças da natureza (enchentes, maremotos, terremotos etc) fico na maior dúvida quanto a um detalhe da divulgação das conseqüências do ocorrido: É desabrigado ou desalojado?

Vejamos...
"Desabrigado" vem de abrigo, ao passo que "desalojado" vem... de alojamento, acho. As vítimas perdem, a princípio, suas moradias. Uma residência, então, estaria mais para abrigo ou para alojamento?

As imagens que me vêm em mente de imediato são marciais, belicosas: Um abrigo anti-aéreo (ou "antiaéreo"? Ah, seja lá de que forma for!) ou anti-nuclear (idem ao anterior) e um alojamento de recrutas, barracas, coisas assim. A meu ver, portanto, nenhum dos casos remeteria à uma singela casa.

Ah, lembrei: Quem tenta se proteger da chuva também procura... um abrigo! Uma marquise, uma árvore (não recomendado), uma padaria – que nesse caso sim, torna-se um abrigo. Mas somente nesse, creio. Ou fugindo de um tiroteio na rua... e tão somente nesse momento. Ninguém vai ao "abrigo" comprar pão e leite todas as manhãs.

Enfim, qual o mais apropriado? Que me informe quem tenha a resposta. Por favor. Porque...


Imagino que até mesmo alguns jornalistas tenham essa mesma dúvida. Já vi e ouvi alguns dizerem " ... centenas de desabrigados e desalojados..." Talvez, por via das dúvidas, utilizaram os dois. Assim, pelo menos um estaria certo.

... ou ambos?
:o

2.5.09

Cinema com sauna grátis

Eu e minha noiva fomos ao Box Cinemas do Shopping Guararapes e compramos ingressos para a sessão das 18:45 na sala 9. Adentramos o recinto faltando pouco menos de dez minutos para o início programado e a apresentação dos trailers nem havia começado. Nos acomodamos e logo notamos o calor e o mau odor (semelhante a mofo) predominante no local. Mas imaginamos que ligariam o ar-condicionado ao apagar das luzes e esperamos.

No entanto, o filme teve início e nada da climatização funcionar. Uma sala relativamente pequena e estava lotada. Ao decorrer da exibição o clima foi degradando-se ainda mais, com o aumento da temperatura e conseqüente odor de suor predominando no ambiente. Minha mulher não sentiu-se bem e por pouco não teve que sair em meio a sessão.

Terminado o filme saímos, suando, do local. Fomos à bilheteria perguntar pelo gerente e nos orientaram a aguardar ali, ao lado, que o responsável viria nos atender. Minutos se passaram e nada. Batemos à porta lateral da bilheteria, onde aguardávamos e desta vez nos indicaram uma pessoa que estava na entrada esquerda do saguão do cinema. O abordamos e este nos mandou falar com o "assistente da gerência", que era uma pessoa
na bomboniere. Este assistente, enfim, indicou quem seria o gerente naquele momento, outra pessoa na entrada direita do cinema.

Moacir, o solícito gerente, após ouvir nossos protestos alegou que o aparelho de ar-condicionado havia pifado durante a sessão e que ele havia chamado a assistência (Como, se mesmo antes do começo do filme já não estava funcionando?). Depois, em resposta a nossa recomendação para que interditasse a sala até que o problema técnico já estivesse sanado afirmou que não poderia fazê-lo. (Não mesmo?)

Finalmente, decidiu-se a nos devolver o valor pago pelos ingressos. Não que meu maior inconformismo fosse pelo dinheiro pago e mau desfrutado, mas sim por esse descaso para com o consumidor, haja visto que o problema não havia sido naquela hora – prove-se pelo odor de mofo – e não notei intenção alguma por parte dos responsáveis pelo cinema em evitar esse desconforto a demais usuários, pois outra sessão estava programada na mesma sala, com ingressos sendo vendidos normalmente e – fiz questão de constatar isso antes de ir embora do local – a sala continuava exatamente do mesmo jeito.

Será que eles sempre contam com o conformismo do consumidor? Que admitamos justificativas visivelmente mentirosas e nos calemos? Lamentável.