Morar na Grande Recife NÃO é:
– Esperar por meia hora (ou até mais) para pegar – isso, com uma boa dose de sorte, pois quase sempre vem tão lotado que é humanamente impossível embarcar – um ônibus que cobra absurdos R$2,45 e nem sequer oferece ar-condicionado. Entretanto...
Morar na Grande Recife É:
– Estar dentro dessa "lata de sardinha" e ouvir a voz do motorista exclamando "Olha só o tamanho do congestionamento!" em plena Estrada da Batalha, ainda há quilômetros da Armindo Moura (acesso para a Ayrton Senna) e logo em seguida alguns passageiros sugerirem um atalho. E pasmem: O motorista ouviu o clamor popular – por 'popular' entenda-se uma meia-dúzia que estava espremida na pré-catraca e subiu um viaduto imprevisto no trajeto. E passou por um caminho que nem mesmo ele próprio conhecia. Guiou-se única e exclusivamente pelas orientações que lhe eram ditadas ao ouvido.
Resumindo, driblamos o congestionamento de maneira um tanto quanto inusitada – pelo menos eu jamais havia presenciado algo do tipo até hoje, à exceção, talvez, de quando o motorista se deparava com ruas repentinamente alagadas e completamente interditadas, o que não lhe deixava com outra alternativa. Mas diante de um congestionamento aparentemente devido apenas ao fluxo excessivo de veículos? Ah não – e consegui descer no meu ponto. Ou melhor, na minha parada.
E finalmente...
– Chegar no meu apartamento e ser recebido ao som de Reginaldo Rossi. E naquele volume nada modesto, típico de todo vizinho pernambucano. O que parece ser uma tradição local, inclusive: Muitas pessoas que conheço daqui têm no mínimo um vizinho desse tipo. E que quase sempre tem péssimo gosto musical e faz questão de demonstrar isso para todo o prédio ou, dependendo da potência do aparato de som, ao quarteirão inteiro.
Mas hoje perdôo o rei do brega. Estou de bom humor.
: )
9 comentários:
Ric, pularam muitos pontos de ônibus até então? Imagino as pessoas ali esperando e nada do ônibus... beijos
Isso já aconteceu comigo em Brasília, só que o motorista mudou por iniciativa própria e algumas pessoas ficaram bem bravas. Agora, negociar o roteiro foi meio louco! :O
Você tem sorte de ouvir o Rei: meu ex-vizinho ouvia Altemar Dutra e, pior, uma única música. Hoje não ouço nada - ou a acústica do prédio é ótima ou os vizinhos são silenciosos mesmo. Às vezes tenho até curiosidade de saber as preferências musicais deles. :D
Não se pode dizer que não é uma cidade democrática, não? :P
Aqui em Curitiba é assim: você está parado num congestionamento bem na frente do seu prédio. Se você pede pro motorista pra abrir a porta, ele te olha com desprezo e pergunta - Você não é daqui, né?
(Eu nunca perguntei. Foi um carioca que me contou)
Ihh, então Recife é como o Rio... Aqui o motorista até avisa, qd a gente toma o ônibus: "Ó, eu nem vou passar por tal lugar, pq tá engarrafado..."
Os vizinhos tbm são iguaizinhos. Mas aqui ouvem funk... :S
Ricardo, dá uma passadinha na salinha maluquinha, sim?
Ricardo,
essa de vizinho escutar brega com o som nas alturas é de lascar mesmo. E parece praga em Recife e arredores. Mas você até que teve sorte. Teve uma vez que eu morei no centro do Recife, ali na Rua Riachuelo. Todas as tardes (eu disse todas, de domingo a domingo) um fdp botava o CD do Mussão (acho que o nome é esse mesmo), já escutou? Um que faz uns trotes aos gritos... argh.
Era ele colocando Mussão e eu devolvendo com rock pauleira. O outro vizinho devolvia com clássico. E assim ia... insuportavelmente.
pelo menos de Reginaldo Rossi dá para rir...
putz velho, estou pensndo em ir pra recife e não idéia de como seja a vida nesse lugar...me dá um help, vc como bom paulistno pode entender como são meus costumes - de pessoa que odeia músic brega- então me escreve meu!! hehe
K8up@hotmail.com
E eu que pensava que por lá só rolava axé (o que me assustava, e muito!). Pelo visto a coisa é pior que eu pensava. Acho que não tem jeito, tá tudo dominado pela música brega, aqui no RS, onde moro há 2 anos, o must é o sertanejo universitário. Fala sério!
Adriani,
Entre axé e forró, o que predomina aqui é o forró e isso tem uma explicação: o axé é tipicamente baiano e é conhecida, ao menos aqui no nordeste, a rivalidade entre baianos e pernambucanos...
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