CENA REAL:
Caminhando pela calçada, avisto um cachorro, aparentemente de rua (sem coleira) que está em pé, a observar os transeuntes. Ao aproximar-me dele, noto que fui percebido por ele e me afasto, prosseguindo minha caminhada pelo meio-fio. E nada mais além disso acontece.
CENA SEMI-REAL:
Voltando pra casa após um exaustivo e gratificante dia de trabalho, deparo-me à distância com um cão.
Este parece-me algo carente de um mínimo de atenção e olha pra mim, amistosamente. Conforme vou me aproximando dele, o mesmo esboça uma discreta aproximação em minha direção. E instintivamente desvio-me dele, a pensar "Será que vai me morder?". E continuo a caminhar, ileso. Sem ouvir um único latido, sequer.
O PONTO DE VISTA CANINO, completamente hipotético. (ou nem tanto):
Puxa vida, ninguém dá atenção pra mim só porque sou um vira-latas, um cachorro sem dono. Mas... ei, olha só esse sujeito, quem sabe ele tenha um pedaço de bife naquela sacola e me dê um pedaço! Ou pelo menos um cafuné, sei lá. Eu iria gostar. E ele tem cara de bonzinho... vou tentar chegar perto dele...
Ei! Olha pra mim aqui! Vamos ser amigos?
( ... )
Mas que coisa, foi-se embora e no final das contas não me deu nada, nem o bife, nem o cafuné, nem um mísero sorriso de volta! Mas que ser humano mais insensível! E ainda reclamam quando nós latimos pra eles, implorando por alguma consideração. Mas que raça, viu! Depois nós é que somos irracionais, hunf!
2 comentários:
Eu levo muito em conta o ponto de vista do cão. Lindo texto.
Esta foi uma das situações que mereciam uma foto...
: )
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