Trago para cá um comentário encontrado no fórum de uma comunidade na internet, cujo tema é filosofia política. Tomei a liberdade de reescrevê-lo para melhor compreensão dos leitores, mas tendo o cuidado de não alterar o seu teor:
" Já fui criticado por não dar a mínima para o português e também por não achar que essa língua seja nossa.
Na minha concepção, ela é mais uma forma de opressão, introduzida pelos colonos que torturaram brutalmente um povo e dizimaram parte dele só por egoísmo e cobiça! Fomos obrigados a falar e ler o português. Apesar de atualmente essa língua estar transformada e pouco ter a ver com a original, continuo achando que não precisamos dela para sermos cientistas ou filósofos.
Será que a gramática dessa língua opressora influenciará minhas decisões sobre ciência e filosofia? "
Um fato é incontestável: O principal intuito dos portugueses ao se instalarem no Brasil foi mesmo a exploração. Impuseram seu idioma sim, e quase sempre à força. Entretanto...
Relacionar o fato histórico com a língua, mesmo que esta nos tenha sido imposta, me parece pouco sensato. O português, tal qual outro idioma, é apenas um meio de comunicação e pode ser usado da maneira que aprouver a seu conhecedor. A língua não "faz a cabeça" de seu usuário. Ou faz? Se nosso idioma oficial fosse o tupi-guarani até hoje, estaríamos melhores? Ou se fosse o inglês, o francês... algo mudaria?
Não creio. Até poderíamos ter uma cultura diferente, mas isso, pelo menos a meu ver, não estaria relacionado ao idioma e sim à forma como tivesse sido construída a sociedade.
E de maneira alguma vejo a língua portuguesa como opressora. Foi opressor o modo como foi imposta, mas não a própria. Amo a língua portuguesa e não vejo nisso subjulgamento algum perante os portugueses; amo a língua porque ela me oferece todos os recursos de que necessito para transmitir mensagens e me comunicar plenamente, amo a língua até, por não ter tido a oportunidade de conhecer outras a fundo. Mas... sinceramente? Nunca senti falta de outra.
Pelo menos não enquanto estiver – e pretendo estar – em meio a brasileiros. E amo o Brasil, apesar de tudo. (E não digo isso por estar ecoando até agora o clima pan-americano de "Brasil! il! il!", não)
2 comentários:
Até onde eu saiba, esses movimentos separatistas que tem por aí (como o ETA na Espanha) fazem questão de usar a lingua dos ancestrais, sob o mesmo argumento deste sujeito que você transcreveu.
Mas eu acho totalmente descabido, pelo menos no nosso caso. Não há memória ou nenhuma herança dos índios ou coisas anteriores aos portugueses que a gente preserve. A gente nasceu com o português - e alterando-o ainda por cima.
Pois é, é um puritanismo de cunho questionável mesmo.
: T
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