21.8.07

Ao senhor desconhecido

Caminhada faz bem à saúde e ninguém discorda, inclusive eu, mas posso afirmar que se esta for realizada na areia da praia, o benefício se estende ao ânimo também.

Eu já andava há dias desanimado, ante seguidas tentativas frustradas de obter um emprego. Pra piorar, madrugadas insônes tentando me distrair um pouco só terminando, salvo raras exceções, em aborrecimento.
Eis que hoje resolvo caminhar pela orla nesta manhã, aproveitando a falta de sono.

Apesar de nublado, o céu estava maravilhoso e a temperatura muito convidativa. E caminhei. Refleti sobre estes dias. Olhei para as ondas. Molhei os pés. Súbito sou cumprimentado por um senhor, completamente desconhecido, que me sorri e continua seus passos na areia. E pensei...

É alguém de outras épocas, do tempo em que o "bom dia" era cortês, não somente convenção social; o nosso automatizado "bom dia" do dia-a-dia que só é dito por hábito, não porque se deseje, de fato, que o interlocutor tenha ou esteja tendo um bom dia. E meu dia passou a ser bom a partir desse momento.

Acompanhei-o com o olhar até que ele desaparecesse no horizonte, imerso em suposições a seu respeito. Talvez tivesse passado, durante sua vida, por dificuldades ainda maiores que as minhas atuais. Por dores que jamais imaginou que fosse capaz de superar, por entraves que um dia acreditou serem invencíveis. Mas pôde vencê-las. E caminhou, viveu até ali, até aquele instante, para passar por mim e me provar que é possível e continuar realizando mais ainda.

Renovei minhas esperanças. E nesse devaneio perdi completamente a noção do tempo e caminhei por quase duas horas. Só notei que já estava distante demais quando nuvens escuras prenunciaram a chuva e então dei meia-volta. E retornei cantarolando Sinatra, praticamente despreocupado com um possível banho fora de hora. Até encontrei um pequeno peixe, quase morrendo. Estava tão fraco, o infeliz. Supus que tivesse sido levado até ali por uma onda que não quis mais voltar para buscá-lo. O recolhi e levei-o para água. Ainda atordoado saiu nadando meio sem jeito, mas foi. E me senti feliz por isso também.

Quanto a chuva, aguardou que eu chegasse em casa para cair. Uma diferente manhã para uma terça-feira, enfim. E que me perdoem os leitores por este post ao melhor estilo "meu querido diário", que destoa um bocado com a linha editorial que mantenho, mas... queria deixar aqui meu agradecimento àquele desconhecido que me fez pensar. E positivamente. Não intencionalmente, por certo, mas mesmo assim não retira-lhe o mérito. Muito obrigado e tenha muitos e bons dias!

: )

7 comentários:

Adry e Webert disse...

Que outros bons dias sejam somados a esse, caro amigo!

Um xero procê

Caminhante disse...

Que legal isso, Ricardo. Tão bom quando aparece uma coisa dessas, como se fosse o sinal que a gente estava precisando pra conseguir lutando mais um pouco.

Boa sorte pra você!

Anônimo disse...

Só os nobres de coração veriam o que vc viu neste "bom dia". Beijos, meu nobre. Te amo.
Pat

R. disse...

Obrigado, gente.

: )

Anônimo disse...

Que post bonito, Ricardo. Eu visitei o mar pela primeira vez recentemente e senti uma energia diferente. Que bom que você o tem no quintal da sua casa.
Toda a força para cima, garoto!

R. disse...

Valeu, Ni!

(: )

Unknown disse...

Belo complemento para o amor e o trabalho. Ric, você atingiu o nirvana!:)