29.7.07

Torre de Babel

E por falar em idiomas, você sabia que a India tem, segundo o site estatal, 22 línguas oficiais? (A Wiki diz que são 23, mas como agora estou estudando mais minhas fontes de informação, hehe...)

Embora mais populoso, em extensão é um país menor que o Brasil. E fico imaginando... fosse aqui, teríamos quase uma língua por estado – são 27, ao todo – já pensou? É verdade que já temos termos e expressões regionais que chegam a soar como um dialeto à parte, mas estes são casos isolados dentro do português usual. A ponto de ser considerado um idioma específico, a situação deve ser oposta, creio: Apenas algumas palavras em comum com o idioma oficial. Ou nenhuma mesmo.

Seria complicado. Também é verdade que já vi um dicionário de "pernambucanês" aqui na grande rede, mas quem diz que um paulistano como eu ou qualquer outro é incapaz de compreender? É claro que, vez ou outra, fico "boiando" no meio da conversa local, mas nada que não se resolva com um "Você poderia dizer isso com outras palavras...?"

Agora imagine se tivéssemos mesmo tantos idiomas assim. São Paulo e Rio de Janeiro teriam – claro, ante sua eterna rivalidade – seus próprios. Assim como o Rio Grande do Sul, do "independencionista" Pedro Simón. Aqui no nordeste, quem duvida que Pernambuco também teria o seu, só para fazer frente ao que a Bahia cunharia? E Minas Gerais? E o grande Amazonas? Teriam, teriam. E os outros, também.

Os cursos de idiomas ofereceriam, além de inglês, alemão, italiano etc, cursos de idiomas nacionais: "Carioquês Avançado", "Aprenda mato grossês em 3 meses"; as agências de viagens fariam promoções: "Conheça Belém do Pará com tradutor-intérprete incluso no preço!" ou "Compre seu pacote de 5 dias para Florianópolis e ganhe um curso de catarinês intensivo!"; Faculdades de Letras teriam especializações "MBA em paulistanês" e por aí vai...

Já pensou? Não, nem pense. Melhor ficar como está mesmo.

; )

28.7.07

Ainda sobre sonhos

Dentro do assunto recente, resolvi contar outra com a qual passei um vexame:


Desconheço se existe alguma confirmação científica a respeito, mas sustento a teoria de que necessidades fisiológicas durante o sono influenciam no conteúdo dos sonhos. Tanto é que eu, devido ao hábito – que outrora já foi diário – de beber cerveja, já sonhei muito com banheiros. E nessas ocasiões realmente me encontrava "apertado".

Talvez seja preciso pôr um parêntese informativo aqui; sou do tipo que pouco depois de beber, preciso ir "descarregar". É como se a cerveja "não pagasse pedágio" no meu fígado e passasse direto...

E certa vez, não lembro se sob efeito da bebida ou não, lá estava eu no mundo onírico novamente desesperado atrás de um banheiro. Como não encontrava – e no sonho você não encontra mesmo, se encontra não consegue se aliviar por motivos evidentes... a menos que faça na cama, claro – corri em direção a um descampado. Era de noite, um local ermo, e isso facilitaria a empreitada. Porém...

Havia um pequeno detalhe: Ali era meio pantanoso e tinha um bando de sapos aparentemente dormindo. Não me acanhei com a presença dos bichinhos e abaixei o zíper da calça. Mas ao tentar, finalmente, urinar... eis que acontece o inesperado: Todos eles saltam em minha direção!

Acordei na hora. E dando um berro: AAAAAAAAAAH !!!

E o mais humilhante de tudo: Justamente nessa noite eu não estava dormindo só. Passado o susto imediato dela, foi a minha vez de aturar as gozações...

(: /

27.7.07

¿Español?

Não desmerecendo o mérito dos jogos pan-americanos, seu valor para o esporte e o congraçamento entre as nações da América e blablabla, estou ansioso para que isso acabe logo e por uma razão: Minha tv nova pifou e fui forçado a usar uma antiga que possuía, sobrevivente da malfadada mudança e esta só sintoniza – acredite quem quiser – a Rede Globo.

Por um lado estou dando graças por me ver livre da Xuxa, mas por outro lado sinto falta de alguns desenhos animados. Sessão da tarde? Já era! E o noticiário é outro prolongamento para falar sobre o quê? Adivinhem. Não fosse a queda do avião da TAM, o Jornal Nacional seria uma espécie de "Globo Esporte II". Ainda mais com o recesso parlamentar em Brasília.

Mas deixa o mau humor pra lá e vamos falar sobre outro assunto mais agradável (ou menos maçante, ao menos pra mim).




Pan-americano. De toda a América.
Tirando o inglês, o francês e, claro, o nosso "brasileirês, a língua mais falada neste continente é o espanhol.
Há quem afirme que já temos uma derivação "de fronteira", o "portunhol", mas eu desconheço como este dialeto seja. Ou melhor, até imagino: Deve ser algo parecido com o que – uma lenda, segundo consta (em minha pouco confiável memória) – um jogador de futebol brasileiro, em excursão por um de nossos vizinhos latinos, chegou no balcão de um restaurante e pediu, todo cheio de pompa e convicção:

– Dê-me una Coeca-Coela!

Mas deixemos o jeitinho brasileiro de lado e nos concentremos no espanhol de fato.
Uma língua que, à primeira vista, parece compreensível – quem não entenderia, por exemplo, "¿Cuánto cuesta esto?", frase que já era globalizada antes mesmo da globalização; que o diga quem conheceu Ciudad Del Este quando esta ainda era Puerto Stroessner – mas nem tudo é o que parece ser.

"Comedor", por exemplo. A nós, brasileiros que criamos este termo para definir o indivíduo promíscuo, esta palavra soa um tanto quanto repugnante, mas na verdade o comedor espanhol não se trata de nenhum "Don Juan insaciável" e sim o local onde comemos (alimentos): O restaurante.

E dentro do comedor, outra pegadinha: Peça o pastel. Mas não estranhe se o garçom o olhar com cara de "só veio aqui para comer a sobremesa?".
Não que os pastéis espanhóis sejam somente doces, mas é que "pastel", lá, é o nosso bolo. Sim, o participante indispensável das festas de aniversário.

Fora os falsos cognatos, ainda temos palavras completamente diferentes da língua lusa; "coche de alquiler" é um bom exemplo. Se você der a sorte de encontrar uma filial da Avis, tudo bem, mas vá atrás de um carro para alugar onde não exista um rent-a-car? Isso, coche de alquiler é o equivalente espanhol.

Você que está lendo este texto e tem noções do idioma de Cervantes deve estar me achando um retardado, mas certamente me acharia ainda mais se me avistasse em frente a um elevador, apertando insistentemente o botão sob uma plaqueta com os dizeres: "Roto" ou "Descompuesto". :p

Ai, ai...
Pra terminar, uma palavra praticamente universal: Motel.

Como se diz "motel" em espanhol? Motel.
Como se diz "motel" em inglês? Motel.
Como se diz "motel" em italiano? Motel.
Como se diz "motel" em japonês? Motel !!

Só não sou capaz de afirmar se todos esses motéis têm a mesma função que o motel brasileiro, mas pelo menos sei que todos eles se compõem de, pelo menos, um quarto, cama e banheiro. ; )

26.7.07

In my book of dreams

Sonhos são mesmo absurdos; dificilmente seguem alguma linearidade e não raras vezes, também a lógica. Vez ou outra confesso que dou o braço a torcer para a curiosidade e tento descobrir em interpretadores de sonhos, o significado de alguns.

O que tive esta noite, no entanto, foi um desses que não valem o esforço: Eu estava em uma barraquinha de comida, dessas populares, que ficam na rua. Sem mais nem menos começo a dar conselhos ao dono do pequeno comércio "Olha, destaque mais este cartaz onde está escrito 'suco de cupuaçú' que você irá enriquecer", "Amplie esta lona de cobertura até o outro lado da calçada, assim não irá atrapalhar o fluxo dos pedestres"...

E ao estilo Alice-no-País-das-Maravilhas me teletransporto para dentro de um edifício, no qual estou fugindo de alguém que me persegue. A rota de fuga? O elevador. Ou melhor, os elevadores; entro em um, subo. Entro em outro, desço. Novamente entro em mais um e subo. Tudo na tentativa de despistar o perseguidor. E quem é ele? Eu nem sabia e continuo sem saber até agora. Aliás, não tenho nem certeza se havia mesmo alguém ou não. Mas eu fugia.

Fui parar novamente na rua, em frente a um semáforo de pedestres em uma grande avenida. O sinal fechou para os carros e todos pararam, à exceção de um, um fusquinha que discretamente – se é que isso é possível num cenário destes – passou pela faixa de pedestres no sinal vermelho e continou. Fiquei tão indignado que fui atrás do carro e segurei-o pelo pára-choque traseiro. Virei-o de ponta-cabeça e comecei a espancá-lo, como se estivesse batendo o pó de um tapete no chão. Depois de amassá-lo bem, ainda recoloquei-o de volta pra cima e prossegui com as pancadas no asfalto. O engraçado é que o motorista tirou o braço pra fora da janela e me fez o tradicional gesto do "Vá à..." e aí é que me empolguei e passei-a estraçalhá-lo ainda mais.

E acordei.


Sei que alguns sonhos são frutos de fortes impressões que temos enquanto acordados – como ao assistir um filme impactante, por exemplo – mas nada me consta que nestes últimos dias eu tivesse visto algo relacionado, mesmo que vagamente. Estranho.

25.7.07

Quanto mais se dá...

Dia destes, numa casa lotérica...

Lá estava eu aguardando minha vez na fila, para pagar uma conta. Dos 4 guichês existentes, apenas 2 estavam funcionando. Um deles, como manda a lei federal, prioritário ao atendimento de idosos, deficientes e gestantes.

E eis que surge uma distinta senhora que, ao se deparar com três aposentados já esperando na fila de atendimento especial, não titubeia em exigir que fosse atendida naquele momento, e no guichê de atendimento normal, cuja fila prolongava-se agência afora. A reação popular foi a esperada: Protestos gerais. E com o sensato apoio da atendente que recusou-se a atender a tal senhora, orientando-a a aguardar na fila do atendimento preferencial, a idosa viu-se sem outra alternativa e entrou na devida fila. Mas não sem passar uns longos minutos a resmungar.

E penso em como algumas pessoas são...
Se a sociedade não tem a educação e consideração em deixar que os mais velhos, que tanto já deram o sangue e suor pela comunidade, tenham aliviados ao menos o peso da torturante espera – sob os avassaladores efeitos de uma saúde possivelmente debilitada – em uma fila, a Lei oferece esse amparo. Entretanto... certas pessoas – como a senhora desta ocasião – abusam do benefício. Será que ela, ao exigir que fosse atendida no guichê normal, não percebia que dessa maneira iria "furar" a fila onde já se encontravam outros três idosos, pacientemente aguardando a vez de serem atendidos? Provável que não.

Em terra regida pela "Lei de Gérson*", o egoísmo não tem limites.



* Para quem desconhece a origem dessa "lei", ela surgiu da propaganda de uma marca de cigarro, na qual o jogador da Seleção Brasileira Gérson dizia: "Pra quem gosta de levar vantagem em tudo".

21.7.07

Atendendo aos pedidos


Aproveitando que a futura mamãe Gi tocou no assunto e também para encerrar a polêmica sobre a censura dos mamilos, aqui está a a foto de um mamilo sem "o brilho esquisito". Pronto! Agora podemos continuar com a programação normal?

: D

20.7.07

Túnel do tempo

Diário de Pernambuco, julho de 1882:

" Na quinta-feira a tarde o cidadão prestante João José dos Santos, pardo, moço e bem trajado foi pela ordenança do sr. subdelegado do Poço conduzido à presença do mesmo, por haver furtado do professor primário de Cruz das Almas, duas galinhas e um peru, que cerca de uma hora da tarde pastavam ao fundo da casa do mesmo professor. É bom que se acautelem os vizinhos das gentilezas deste amigo do alheio. Este indivíduo já serviu como guarda da Casa de Detenção. "

Bons eram os tempos em que o máximo de desvio de conduta por parte de um suposto homem da lei era furtar aves de um quintal...

Adoro ler esses nostálgicos retalhos da imprensa brasileira. Apesar de que crimes bárbaros sempre existiram em nossa história, chega a ser agradável saber que outrora os criminosos eram, se não mais modestos, quase cândidos.

Hoje, um ex-guarda de presídio com má índole faz muito mais que o João José de 1882. Ou pior, ainda em plena ativa. Corrompido, transforma as altas muralhas da prisão em mera decoração. Faz da reclusão repreensiva um "spa". E destrói o significado da permanência do criminoso naquele local.

17.7.07

Economia (?) sem justa causa

Descobri há poucos dias – decerto não trata-se de nenhuma novidade – mas...
Sabia que o cd pode ser gravado em seus dois lados? Eu já sabia que o LD (aquele "bolachão" digital do tamanho de um vinil) era assim, mas recentemente, ao comprar um dvd duplo, me surpreendi ao encontrar dentro da embalagem um produto, à primeira vista, sem uma única identificação sequer. "Putz, comprei um 'piratex' sem saber!", pensei na hora. Conformado – "Pelo menos saiu barato" – coloquei a coisa no aparelho pra assistir. E notei que não havia menção a dois filmes, mas apenas a um deles. Então virei o cd do avesso e encontrei o outro.

E fiquei a pensar...
O que estaria certo... ou seria mais viável, comercialmente; o produto duplo com mídias independentes ou inserido num único? Em vista do custo aparentemente irrisório do cd virgem, não vejo lá muita vantagem na utilização dos dois lados de um único cd. Ainda mais pelo inconveniente de que ficamos à merce de um cd quase "anônimo" (posteriormente notei que os nomes dos filmes constam sim, num discreto anel interno do cd) e que exige precaução além do normal no manuseio (como ambos os lados são lidos...)

De alguma maneira lembrou-me o "tiro pela culatra" que foi o rendimento forçado das fitas VHS através da redução na velocidade de gravação; procedimento que era capaz de triplicar o tempo de duração-padrão da fita, mas que quase sempre acarretava uma precoce perda de qualidade dos registros...

16.7.07

Dos males, o menor

Procuro não escrever quando estou mal humorado ou deprimido e por isso tenho mantido um breve silêncio aqui, mas... como o "show" tem que continuar, escolhi um tema que, se não é mais ameno, é mais agradável (pelo menos a nós, homens).

A nudez da Ana Paula, a bandeirinha; aquela. Uns são contra, outros a favor. Alegações moralistas à parte, em que interfere no seu trabalho ou na entidade a qual ela representa o fato de ela ter se exibido sem roupa numa revista masculina? A meu ver, pouca coisa ou quase nada.

Num país em que se elegem atrizes de filme pornô para cargos públicos – ou estou enganado? – é muita hipocrisia criticá-la por isso. Podemos sim o fazê-lo pelo pênalti legítimo que foi por ela equivocadamente invalidado, mas não pela nudez.

Me faz lembrar o caso Monica Lewinski. Alguns norte-americanos sugeriram o impeachment do Clinton por causa daquilo. E eu sempre fui da seguinte opinião, que ainda prefiro um pervertido sexual que administre com competência o país, que um exemplar marido que comande o país como se estivesse jogando War, aquele jogo de mesa.

E a juíza auxiliar aqui, parece estar sendo crucificada por bem menos que a felação na Casa Branca. Guardadas as devidas proporções, não estaríamos diante do mesmo tipo de disparate? Eu poderia, por exemplo, considerar que se uma freira posasse nua ela estaria com isso atingindo a moral da Igreja e deveria sofrer punições, como a expulsão, no mínimo. Mas... uma bandeirinha? E a CBF?

Se a mulher deve alguma satisfação, é ao marido, à família. Ou nem isso, haja visto que é maior de idade e tem toda a liberdade para fazer o que bem entender, dentro do que é permitido pela lei, claro...


Será que dentro das regras da CBF tem alguma que proíbe isso? Agora fiquei na dúvida...

11.7.07

Sonha, Brasil, sonha!

Zheng Xiaoyu, alto funcionário do governo chinês que comandava a Administração Estatal de Alimentos e Medicamentos (AEAM), condenado à morte em maio, por corrupção, por aceitar 6,5 milhões de yuans (R$ 1,6 milhão) em propinas em troca da aprovação de licenças a novos remédios foi executado na manhã desta terça-feira (noite de segunda-feira, pelo horário de Brasília), segundo informações da agência de notícias estatal Xinhua.
Fonte: BBC (será que esta é mais confiável que a Bandeirantes, meu prezado comentarista anônimo? Ou ainda não?)


No Japão, o corrupto se mata; na China, se não faz o mesmo, é condenado à morte e acaba igualmente morto. Fosse assim aqui no Brasil, acabaríamos com a corrupção num piscar de olhos...

Gargalhadas inimagináveis

Quem me conhece no chat sabe: Não suporto a risada "kkkk".
É claro que vez ou outra, esporadicamente, não faz mal algum, mas certas criaturas são capazes de, a cada duas frases tecladas, três serem longas linhas da letra K e mais nada. Eu diria que assemelham-se a hienas, com a diferença que a hiena não ri – o som que ela emite se parece com uma risada – e é um animal irracional.

... pensando bem, nessa última característica animal alguns internautas são idênticos, sim...

E falando em risos, de longa data venho reparando na originalidade com que nossos jovens riem interneticamente. Já nem estranho mais o "shuasua" de tanto que o vi e ainda vejo por aí, mas fico surpreso com outras variantes ainda mais exdrúxulas do que, ao menos teoricamente, deveria ser uma risada. Vejam alguns exemplos, todos reais, que "colecionei" até hoje:

ajiaejeiajeai
oskeoskeso
sueaheusahueah
dhasdhsuadhasdh
pkspoakspoakspoaks
ahyahuyahyhayuahyhauyahyuah
akpkPKPAOKPAOkpksoakspaokspoakpKpKPK

Pode parecer estranho, mas tiro o chapéu para essa criatividade teen. Só que cada vez que vejo uma bizarrice dessas fico intrigado, só pensando: Qual seria a sonoridade de tais risos? Tento imaginar e não consigo! Alguém, dessa geração ou não, seria capaz de visualizar? Ou melhor, de... ahn... "audioar"? "audiçar"?
(: p

Pôxa vida... e pensar que na minha época, o máximo da extravagância – ou sei lá como definir isso – ao rir era imitar o Pateta ou o Tutubarão...

10.7.07

Intervalo comercial

Comercial nota 10:

Dove, agora divulgando seu Summer Tone. Como se trata de um produto que produz o efeito do bronzeamento, nada mais natural exibir uma mulher com trajes sumários. O diferencial fica por conta da modelo, que assemelha-se a uma mulher "normal". Por certo a Dove poderia ter escalado uma dessas tantas modelos que vemos sempre em comerciais de lingerie e trajes de banho. Mas foi de encontro ao usual e, a meu ver, destacou-se positivamente: Com uma modelo tradicional, o comercial passaria despercebido ou logo cairia no esquecimento mas, ao contrário, com a mulher in natura, chamou a atenção e, por que não dizer, apresentou o produto envolvendo a realidade, não apenas o desejo feminino; aproximou-se da consumidora, a meu ver.


Comercial nota Zero:

Peugeot e seu modelo 307. Ou sou muito insensível e despreparado para interpretar ou entendi que a mensagem que o comercial pretende nos passar é que o carro é tão bom que se você o comprar, seu vizinho ficará morrendo de inveja. É isso? (É aquele comercial no qual uma família faz de tudo para evitar que seu vizinho veja o carro do anúncio)
E por acaso alguém compra um carro pensando em causar a inveja da vizinhança? Bem capaz. Mas duvido muito que esse seja o motivo principal que leve o consumidor a escolhê-lo. A coisa parece ser meio subliminar: Você é o que tem poder aquisitivo o suficiente para comprar o Peugeot, diferente de seu vizinho, que não tem como fazer o mesmo. Como o Peugeot é o carro dos sonhos do vizinho mas não pode tê-lo, ele faz de tudo para evitar que você conheça, compre o carro e deixe-o roendo-se de inveja. Será possível que é isso mesmo?
Se for, que comercial mais infeliz...

Bem diferente do que apresenta o Ford Focus. Este me entusiasmou pela maneira simbólica como colocou os estereótipos e ofereceu a alternativa.


E comercial nota Sub-zero:

Balcão BPN, uma financeira provavelmente da região. Não possui em seu reclame nenhum elemento vivo, apenas letreiros digitais e a respectiva narração. Mas não ganha a desonrosa nota pela pobreza de criatividade e sim por falta de revisão ortográfica! Explica-se: Quando o locutor fala sobre o tal balcão BPN, surge à nossa frente um vistoso "BALÇÃO" em letras que ocupam quase um terço da tela. E inacreditavelmente o mesmo erro dá um bis, segundos depois. Como não bastasse, ainda vemos "concorência" e, em letras mais discretas, "apolice". Tudo isso em menos de 30 segundos, creio. É um (de)feito impressionante!

8.7.07

Vida não tão fácil

Mesmo ciente da estranheza e repulsa que posso causar, levanto-me para defender as prostitutas. Envolto na absurda alegação que levou ao equivocado ataque à Sirley, mas ainda mais por discordar da discriminação, da estigmatização das profissionais do sexo.

Não é preciso ser nenhum estudioso para reconhecer que a prostituição é, quase sempre, uma das ramificações do crime organizado. Sob a marginalidade, esta prática tende a envolver outras contravenções, tais quais o tráfico de entorpecentes e de seres humanos, como temos acompanhado pelos noticiários.

O que quero é, então, diferenciar a "instituição" prostituição da prostituta como indivíduo. Esta, há tempos conhecida como "mulher de vida fácil", pode ter, de fato, uma vida aparentemente fácil. "Fácil" por envolver uma ação que, em geral, costuma ser prazerosa, pouco ter exigida suas faculdades mentais e às vezes render financeiramente muito mais que o expediente à mesa de um escritório, por exemplo.

No entanto, a realidade parece ser menos glamourosa do que parece, pois, como bem sabemos, pimenta nos olhos dos outros...

Há, nesse meio vil, quem tenha tentado vencer na vida de forma mais nobre. Batalhou, caminhou, suou e só conseguiu receber portas na cara. Revés seguido de revés, débitos acumulando-se, filhos de um pai desertor famintos e acaba, sem outra alternativa, entregando-se a esse ganha-pão; vendendo seu próprio corpo.

Lamentável sim, mas por que não digno? E honesto?
Sem talentos inatos, sem oportunidades concedidas, sem apoio familiar e/ou sócio-econômico e educativo, por que não recorrer ao comércio de algo que é próprio, que legitimamente lhe pertence? Que mal faz a prostituta à sociedade, senão demonstrar de forma grotesca o quão impenetrável e insuficiente é a oferta de empregos no mercado de trabalho?

E volto a frisar: Não enalteço aqui as que, paralelamente ao sexo, praticam atos escusos. Tampouco as que, embora com todas as acessibilidades a um bom emprego à mão, caem nesse ramo por má índole própria e não por absoluta necessidade.

5.7.07

Brincando com fogo

Deu no Jornal da Band, da Rede Bandeirantes: "Jogo eletrônico no qual o jogador espanca prostitutas e ainda ganha pontos fazendo isso é vendido livremente no Brasil". É visível a analogia com o recente caso ocorrido no Rio de Janeiro, no qual jovens justificaram agressão gratuita por acreditarem que a vítima fosse uma prostituta.

O que mais deixou-me surpreso foi a informação de que seria um jogo produzido pela Sony, uma empresa que considero idônea, muito distante de criar jogos tão polêmicos assim. E parti para a pesquisa, para saber mais a respeito.

Encontro. O tal jogo, vulgarmente conhecido como "GTA", não é feito pela Sony, mas feito por terceiros e apenas licenciado para a plataforma Playstation. Fico um pouco aliviado, pois dessa maneira a fabricante japonesa passa de criminosa para cúmplice. Ou, no mínimo, conivente. (Um pouco) menos mal.

Só que conhecer esse jogo foi pra mim uma desagradável surpresa; comparado ao "Carmageddon" (jogo que foi proibido por incitar a violência ao volante), este GTA é muito pior, um autêntico compêndio do não politicamente correto; chega a deixar seu demoníaco concorrente meigo...

"GTA", uma sigla aparentemente inofensiva, ostenta descaradamente a que veio: A letra T vem de "theft", que em inglês significa roubo. Assim, o jogo é um simulador da vida criminosa e esta, também neste caso lúdico, não limita-se a espancar inocentes. É um "show" de tudo o que a sociedade sã abomina.

Propositalmente não estou disponibilizando mais detalhes (como links) a respeito na intenção de evitar divulgação ainda maior.

Retornamos à velha polêmica: Jogos violentos tornam a criança propensa a tornar-se agressiva?
Os especialistas se dividem; uns afirmam que sim, que isso induz o jovem a portar-se, na vida real, da mesma maneira como é envolvida em um jogo. Outros discordam, esclarecendo que o jogo é somente um modo de extravasar a adrenalina, não interferindo na formação do caráter da pessoa. Tal qual alguém que na infância assistiu a sangrentos desenhos animados não se transforma, só por esse fato, num serial killer. No entanto o caso dos moços que não pouparam murros e pontapés em alguém só por considerá-lo... pois é.

E vejam os casos de pessoas que tornaram-se assassinas sob a influência de jogos de RPG; estes cariocas não poderiam ser incluídos nessa mesma categoria? Até agora não se sabe se há alguma relação do caso policial com esse ou qualquer outro jogo virtual, mas...

Acredito que, mesmo usado com o dicernimento entre a realidade e a ficção, este tipo de jogo não deixa de ser uma apologia ao crime, mais uma "ferramenta" para aumentar o status dado à marginalidade e aos desvios de conduta. Portanto, recomendo aos pais e responsáveis por menores que estejam atentos ao conteúdo dos brinquedos que eles se utilizam.

3.7.07

Caridade de mão única

Quem tem um telefone em casa provavelmente já recebeu uma ligação destas: "Boa tarde, eu represento a entidade filantrópica tal; com quem falo?"
Hoje me foi mais um dia de atender algo do tipo. Mas acredito que encontrei a fórmula mágica para encurtar essa aporrinhação.

Antes de mais nada, quero deixar claro que reconheço a existência de entidades sérias e que, honestamente, dependem desse tipo de captação de recursos para sobreviver e a estas presto a devida distinção e respeito.

Entretanto, esta que me ligou hoje já era uma velha conhecida... do lado não tão nobre assim da coisa. Certa vez, anos atrás, foram atendidos por minha mãe que, na maior das boas intenções, lhes fez uma doação. Tempos depois, veio a público a denúncia de enriquecimento ilícito do presidente dessa entidade. Por conseqüinte, mais e mais reportagens se seguiram desvendando os verdadeiros caminhos – nada caridosos, diga-se de passagem – percorridos pelas doações financeiras.

Nem é preciso dizer o tamanho do arrependimento e revolta que minha mãe teve, e que depois disso ela nunca mais ofertou um centavo sequer a essa... "empresa", não?

E voltemos ao presente.
Não respondi qual era o meu nome e retruquei: "Qual seria o motivo da ligação?". A interlocutora se fez de desentendida e repetiu a sua frase de apresentação. Não me fiz de rogado e dei-lhe o troco na mesma moeda-papagaio: "Mas qual seria o motivo da ligação?" E então ela deu início àquela ladainha que muitos devem conhecer: "Somos uma entidade localizada no bairro tal, mantemos uma creche pra tantas crianças, oferecemos educação para moradores de rua e..." E então a interrompi:

– E ajuda para desempregados, vocês oferecem? – ela estranhou a inesperada pergunta:
– Não, mas... por quê?
– Porque estou desempregado há meses e estou precisando – respondi.
– Mas nós estamos necessitando de apoio financeiro e...
– E eu também estou – completei.

Não foi preciso mais para me livrar dela. E percebi que desculpas evasivas como "Olha, agora estou sem tempo pra falar" ou "As coisas andam difíceis pra mim, no momento não vai dar..." etc só incentivam ainda mais o outro lado a grudarem em nossas orelhas implorando por uns trocados. Passam a descarregar toda sua munição de suposta filantropia a fim de nos vencer ou pela piedade, ou pelo cansaço.

Ao passo que quando, em vez da mão de negação lhes mostramos a mão igualmente pedinte, eles logo viram as costas pra nós e se vão. Hum...