Fim do mês típico, todo mundo "espremendo até a última gota" o mirrado salário – que, já disse o impagável José Simão: "Não é mínimo, é ínfimo" – e eu não estava fora dessa multidão. Prestes a estourar o limite do cheque especial, mas sabendo que pelo menos uns 5 reais – veja só a situação! – ainda teria para gastar, resolvi comprar algo para o café da manhã. Algo que sairia em torno de uns 3 reais.
Passei o cartão de débito na maquineta e... surpresa: Deu que a transação não estava autorizada. "Quer tentar novamente?" perguntou o caixa. E por que não? E tentamos de novo. E a mesma resposta. Não tive outra alternativa senão abandonar o café da manhã no balcão e caminhar rumo à parada de ônibus de mãos abanando. E com fome.
Inconformado, liguei para o atendimento do banco para saber por que razão eu não tinha sequer 3 reais para usar – sendo que, pelo que eu sabia, ainda deveria haver saldo suficiente para tanto.
Primeira surpresa, diz a gravação que atende: "Por motivo de segurança esta ligação está sendo transferida para um de nossos atendentes." Logo depois, a segunda, já na voz da atendente humana: "O cartão do senhor está bloqueado".
– Bloqueado? Mas por quê?
– Foi notada movimentação irregular de valores e o sistema bloqueou o uso do cartão automaticamente.
Compreensível, meu cartão poderia ter sido clonado ou eu poderia ter sido vítima de um seqüestro-relâmpago – e eu que me ferrasse com o seqüestrador, se fosse o caso – e por isso o bloqueio. Mais para evitar prejuízos da instituição financeira que meus.
Depois de um interrogatório onde só faltou me perguntarem de que cor é a cueca que costumo usar ou quantos fios de cabelo ainda me restam na cabeça vim a descobrir o que despertara a desconfiança de algo estranho: O valor de um pagamento feito no dia 16 deste mês. Foi mesmo um valor vultoso, da fatura de um cartão de crédito.
Detalhe: O cartão de crédito em questão pertence, embora indiretamente, ao mesmo banco do qual sou correntista. Pense: Ou eles estranharam a minha disposição em quitar integralmente uma fatura alta e imaginaram que eu tivesse perdido a razão e, alucinado, começasse a gastar mundos e fundos descontroladamente ou... simplesmente, num universo tão online e integrado como o de hoje, tais informações estariam desencontradas.
É, louco sei que não sou. Ou não estou. Só me resta interpretar isso tudo como uma tremenda falta de... de noção da parte deles. E sorte a minha que eu estava com o celular, com créditos para ligar e mais: Tudo o que perdi foi um café da manhã. E se fosse algo importante? E se eu não tivesse como fazer uma ligação telefônica na hora?
Tudo esclarecido, cartão desbloqueado, a atendente do banco perguntou, como de costume: "Algo mais?" no que não titubeei em responder:
– Tenho sim. Quero dizer que acho excelente essa preocupação de vocês com suspeitas oscilações de movimentação financeira. Mas acho também que, pelo menos, vocês poderiam ter me informado que meu cartão havia sido bloqueado. Afinal, meu cadastro aí está atualizado e vocês têm meus números de telefone (fixo e celular), não? Porque só vir a descobrir isso no caixa de uma loja é... pra só dizer o mínimo; deveras constrangedor!"
Disse a atendente que meu protesto foi registrado e blablabla ("Senhor, poderia anotar o nº do protocolo?") mas, quer saber? Isso vai dar... em nada! Tenho certeza. Só valeu pelo desabafo mesmo. E só. Mudar? Nada!!
4 comentários:
Nossa, comoasssim estranharam você pagar uma fatura alta e bloquearam? Por acaso acharam que alguém roubou o teu cartão e resolveu pagar suas contas com ele???
Talvez tenha sido isso, Cami. Vê se tem cabimento...
Atendimento é uma droga. Por isso que minha irmã liga lá para desabafar a TPM.
Gostei da possibilidade deles tentarem controlar a sua alucinação em gastar... preciso de um banco assim. =D
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