21.7.09

O engodo do widescreen

Este tempinho que fiquei sem monitor me fez, por tabela, descobrir porque muitas tevês LCD apresentam a imagem achatada. É algo tão óbvio, nem me conformo por não ter deduzido isso antes. Mas vamos começar... do começo.

Eu tinha um monitor convencional de 17" que já vinha tendo "ataques epiléticos". Nos seus derradeiros dias havia passado a fazer um ruído semelhante à fritura. E estalava. Até que deu seu suspiro-estalo final e morreu. Velhinho como já era, decidi aceitar a aposentadoria por ele requerida e passei a procurar seu substituto.

Já sabia de antemão que seria difícil encontrar outro daqueles, convencionais. Não demorei a notar que era mais que difícil; era impossível. Hoje em dia só existe LCD. E eu que nunca havia me imaginado com um destes, fui forçado a me modernizar. "Que seja, vamos escolher um LCD então", acatei, me dando por vencido.

Prestando atenção nos aparelhos dispostos nas prateleiras das lojas comecei a perceber que, praticamente todos, me davam uma sensação estranha. E "caiu a ficha": A imagem está deformada... esticada. E veio em mente o que já devia ter vindo logo de início: Elementar, o desktop (ou área de trabalho) não é em tamanho wide. Ou seja, para enquadrá-lo, o monitor dá... um jeitinho. Elementar, meu caro Watson...

Ciente do engodo parti em busca de um LCD que não fosse widescreen. E tem? Não tem! Widescreen é a onda da vez. E entende-se perfeitamente o por quê: O consumidor é atraído pelo tamanho divulgado, o que estampa os cartazes e embalagens em letras garrafais.

Um exemplo real: O monitor que – à contragosto e sem outra alternativa – comprei afirma ser um 18,5". Para quem, como eu, saiu de um 17" para o pomposo 18,5" isso pode soar como vantagem; como um monitor maior que o antigo. Engano. E provo.

Para quem não sabe, a medida de um monitor – ou televisor, igualmente – é definida pelo diâmetro da tela, em polegadas. Voltando ao meu LCD, sob esta ótica sabe qual a medida real dele? 12,5". Dando a deformação wide, passa aos 18,5" anunciados. Sacou a jogada?

Talvez os meios internéticos já estejam se adequando a esse formato e eu nem saiba, mas no momento o que penso é exatamente isso: Estamos nos habituando a uma imagem irreal, distorcida. É o que se pode concluir, já que não encontro ninguém reclamando da "wideização" forçada.

Das duas, uma: Ou os geradores audiovisuais (formatos de sites e sinais de tevê) passarão a oferecer os dois modos de imagem (convencional e wide) a fim de que o consumidor possa optar pelo mais adequado ou...

O internauta e/ou telespectador vai ter que se acostumar a ver as coisas achatadas em suas telas. E pelo que vejo, muitos já estão nesse caminho e nem perceberam...

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