9.6.09

A verdade que você não quer ver

Há pouco tempo percebi uma verdade inesperada: O desafeto reflete o defeito de quem com ele se incomoda. Lógico que isso não pode de forma alguma ser dito como uma regra geral, mas... digamos, como uma das explicações para a antipatia gratuita. (Ok, ok, às vezes nem é tão gratuita assim, mas continuemos)

O paradoxo foi notado quando eu, de cabeça mais fria, analisei por qual ou quais razões não ia com a cara de uma colega de trabalho. Diferenças de visão comercial e conhecimento técnico à parte, identifiquei como uma de suas características temperamentais que mais me tiravam do sério, o chilique.

Sim, praticamente qualquer coisa, qualquer mínimo detalhe que fosse era motivo para exaltação, para transtorno. E fazia – aliás, ainda faz – questão de deixar isso bem visível a todos. Na pior época – pra mim, evidente – era eu o Judas da vez. Volta-e-meia era questionado, de modo nada discreto, sobre algo que eu dissera/escrevera/fizera envolvendo-a. E como trabalhamos em conjunto, isso é uma constante, essa comunicação.

Pois eu ficava indignado, o sangue fervia de raiva e eu dava o "troco", quase sempre na mesma "moeda". Chegou a ficar naquele clima Eu-não-falo-com-Fulana/ Fulana-não-fala-comigo, depois de alguns episódios.

E não é que, agora retornando ao momento de reflexão, vi que eu também era igualmente chiliquento? Sim! Eu também fazia o maior discurso, às vezes por coisas ínfimas. E não somente tratando com a Dita-Cuja. Era com tudo!

Fiz então a analogia com o espelho...

Ela, refletindo esse meu lado explosivo fez o mesmo papel que o espelho, ao mostrar uma espinha na ponta do nariz... é, é o infeliz papel que o espelho tem a cumprir, por vezes, querendo ou não...

E me acalmei. Passei a entendê-la um pouco mais. A ser menos intolerante. Voltamos a conversar normalmente, dentro de um ambiente profissional. Não me sinto tão incomodado quanto antes, com a presença – sim, a simples presença já me importunava – e parece, estranhamente, que ela decidiu eleger outros judas entre os demais companheiros que ali fazem o mesmo que eu. Ao que parece, a "espinha" está cicatrizando...

4 comentários:

Caminhante disse...

Parabéns!

Anônimo disse...

Esse exercício do espelho requer muito coragem e desapego... poucas vezes consigo. [Rê]

Dri disse...

Será que é assim mesmo? Porque eu odeio muitas coisas em muita gente, então eu devo ser uma pessoa detestável.

R. disse...

É como eu disse, não é uma regra, nenhum fato comprovado. É só algo que notei. Talvez interpretando de forma alternativa o que sempre vemos de maneira única e imutável. Talvez devaneando em demasia. Mas fez algum sentido, ao menos pra mim.

Carece – ousando contradizer minha amiga Rê – de mais humildade que desapego. Tendemos a acreditar que o erro está fora de nós. E é mesmo difícil reconhecer e acatar que o erro, o defeito, o mau procedimento tão criticado por nós está também em nós mesmos.

Dri, tente auto-avaliar-se. De maneira imparcial, tente compreender o ponto-de-vista do desafeto. É claro que à primeira vista só encontrará falhas que os outros têm. Mas veja, com a mente calma e equilibrada, se não existe uma "espinha" sendo refletida. Caso haja, seja grata ao desafeto, ao incômodo, pois este está sendo uma ferramenta para seu aperfeiçoamento pessoal...