Reconheço que ultimamente os temas que venho abordando têm sido muito repetitivos e isso é maçante, mas acho que não tenho muita escolha, haja vista a minha pacata vidinha cíclica que raramente sai do loop casa-trabalho-casa. Pois bem, e feita esta mea culpa, aqui vão mais palavras sobre o meu cotidiano profissional...
Sempre tive o hábito de vender ao cliente apenas o necessário, aquilo que de fato seria imprescindível e por completo. Com um exemplo prático fica mais fácil esclarecer o que estou tentando dizer: Existe um líquido, conhecido como aditivo, que é colocado no radiador. Este produto é vendido em vasilhas de 1 litro.
Eu, até ainda há pouco, era incapaz de vender um. E por quê? Porque praticamente todos os veículos que lá na oficina vão parar não precisam de um litro. No máximo, de meio.
Com o passar do tempo fui notando que era – e ainda é – prática comum vender o litro e não consumí-lo todo. "E o que acontece com o que sobra?" alguns devem estar questionando, não é mesmo? Respondo: É guardado e utilizado em outros carros em que estejam faltando apenas um pouco. Não é entregue ao cliente que pagou pelo litro, se é isso que você imaginou.
A princípio comecei a me sentir desconfortável com essa atitude, como se eu estivesse sendo desonesto. A bem da verdade, ainda hoje tenho essa incômoda sensação, mas em menor proporção depois que analisei a situação por uma ótica... mais aplicada ao consumidor-padrão de automóveis de alto nível, digamos.
É ponto pacífico que quem compra um Toyota novo não é, em hipótese alguma, um pobre. Ou um classe-média "se-equilibrando-na-corda-bamba". É rico e ponto.
Posto isso, vejamos como se porta um consumidor rico em um restaurante.
Pede o que lhe agrada sem titubear, às vezes aceita sugestões do maitre. Finda a refeição, paga a conta e se vai. Sem olhar pra trás a quantidade de comida e bebida que, embora aproveitáveis, abandonou sobre a mesa. E sem o mínimo remorso pelo desperdício.
A partir dessa visão comportamental dos mais abastados é que aderi à venda parcialmente necessária. É claro que isso não quer dizer que abracei a causa da "empurroterapia" comercial, mas que passei a "dançar conforme a música, vendendo ao cliente o que ele precisa, mas que poderá não usar por completo.
Até poderíamos oferecer o que sobra ao dono do carro, mas... francamente, acho que alguns deles jamais viram o que há por baixo do capô. No máximo sabem que ali está o motor. E suponho que certamente não têm a mínima vontade e tampouco interesse em pôr suas mãos lá, então...
3 comentários:
Então, o certo seria as embalagens terem apenas meio litro!
*indignada com a desonestidades das empresas de carros & acessórios (ou seja lá em que item isso entre)
Ou ainda menos que meio litro...
Então tá resolvido!!!
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