8.6.08

Consegui...


O microssauro II já estava esclerosado e acabei dando-lhe a extrema-unção num dia destes, em que eu nem devia ter saído da cama para ir trabalhar. Deu tudo errado, subiu o nível de adrenalina, o de stress nem se fala. E nesse dia o meu velhinho não quis conectar-se. Me ignorava solenemente.
Conclusão: Joguei a máquina contra a parede e agora estou sem nada.
E como no momento tenho outras prioridades maiores que a compra de um computador novo - Sim! Desta vez tem de ser um 0km! - ficarei... de novo, aliás, sem acessar este espaço.
Fazer o que, né? Ou deveria ter aprendido a controlar meus acessos de fúria com hardwares a tempo...
(: /

13.5.08

Respondendo a Flor (sobre telefone)

O que aconteceu foi que, como passo o dia inteiro fora de casa, no trabalho, só me restava a tarde de sábado – porque trabalho meio-expediente nesse dia – para aguardar a visita do técnico que iria fazer a reinstalação. E justamente, como não havia outra opção, pedi que o serviço fosse realizado nesse período.

Pois bem. Marcaram um sábado dias depois e nessa data fiquei a postos, ansioso em voltar a ter telefone e internet. As horas se passaram e nada. Passei a tarde toda contemplando um aparelho de telefone tão inerte e inútil quanto uma estatueta de pingüim sobre a geladeira.

Na semana seguinte recebo outro contato da companhia telefônica, a fim de confirmar a instalação da linha para outro sábado vindouro. Mas assim... como se não tivesse acontecido nada, como se aquele fosse o primeiro agendamento. Fiquei indignado. Questionei a razão que teria levado o técnico a não comparecer aqui. E, como era de se esperar, recebo uma resposta-padrão (dessas que todo atendente de telemarketing tem na ponta da língua): "O imóvel encontrava-se fechado, senhor".

De fato fechado estava, pois moro num condomínio, desses que têm muros em redor e um portão eletrônico na entrada. Mas retruquei: "E o sujeito nem quis tocar a campainha??". Blablablás inúteis à parte, ficou confirmada nova data. Eu tinha compromisso nesse dia, mas em vista de minha ansiedade em ter de volta a linha e um perceptível aborrecimento com o desencontro inicial, protelei a saía e me comprometi a estar presente, novamente, nessa outra tarde de sábado.

E assim foi feito. Chego do serviço às pressas, não querendo deixar nenhuma margem para o técnico justificar a ausência de novo. E fico...

"A ver navios". Ou carros, motos. Cada veículo que se aproximava do portão do prédio era motivo para eu esticar o pescoço, esperançoso em avistar alguém da companhia telefônica. No final da tarde, a noite já caindo sobre a cidade, pára ali um motoqueiro, olhando a fachada e conferindo o endereço daqui. "É ele! É ele!", pensei. Em vão. Era só um entregador de fast food. E dei por encerrada outra tarde de espera perdida.

Na outra semana, repeteco do blablablá da telefônica e perdi a compostura:

– Será que dessa vez posso acreditar que esse técnico virá mesmo?
Sim senhor, está confirmado para este sábado, entre as 14 às 18 horas.
– E desta vez me mandarão alguém que conhece um aparelho chamado interfone, que tem botõesinhos com números de cada apartamento deste prédio e no meio destes, o meu? Ou terei que ensinar o imbecil a apertar o botão e aguardar minha voz soar pelo fantástico aparato?
O técnico será orientado para que o chame através da campainha, senhor.
– E se caso ele só estiver com preguiça de trabalhar num sábado à tarde oriente-o para que ligue para mim, neste mesmo número de celular no qual estamos conversando agora, avisando que preferiu ficar no bar tomando cervejas e pronto! Pelo menos não ficarei inutilmente esperando e poderei aproveitar melhor meu restante de sábado. É possível? Ou é pedir demais?
Certo, senhor.

Mais uma tarde de sábado. Prevendo o pior, trouxe uma garrafa de vinho para bebericar durante a espera. Para me acalmar, também, pois minha vontade era de linchar um técnico de companhia telefônica assim que me deparasse com um. Mas como não podia fazê-lo – ao menos não antes que o mesmo transferisse minha linha – fui mandando minha raiva goela abaixo com goles de um tinto barato. Só pra aumentar minha irritação, meus créditos de celular haviam acabado dias antes. Eu estava completamente incomunicável com o mundo, à exceção de alguém que me ligasse – o maldito técnico, talvez? – e de eventuais berros na varanda.

E adivinhem: Ele não apareceu.
Na outra semana, replay de alguns parágrafos anteriores. Não mudei o tom: "Por acaso vocês estão achando que tenho cara de palhaço?", "Terei de levar o caso a público, aos jornais? Ou ao tribunal mesmo? Será que assim irão me levar a sério??"

Finalmente levaram a sério. Não sei se foram as ameaças que funcionaram ou se foi o técnico que, só pra variar um pouquinho, resolveu trabalhar, mas nesse sábado-final-da-série-martirizante enfim voltei a ter minha linha telefônica ativa novamente.

Em tempo de ligar pra SP e falar com o pessoal de casa, principalmente com minha mãe. Ô saudade!

9.5.08

A feiúra pode ser útil

Imagine um automóvel ridículo. Ou ainda, tente se recordar, você já deve ter visto algo do gênero na televisão ou mesmo passando à sua frente pelas avenidas da cidade; um veículo completamente bizarro. E não falo sobre tunings tresloucados, que colocam aerofólios do tamanho de uma mesa de jantar sobre o porta-malas do carro ou exageros do tipo, mas a acessórios de gosto duvidoso. Mais ainda.

Pois bem, hoje avistei de perto um desses. O veículo que ninguém estranharia se fosse dito que o proprietário trataria-se do Falcão, o cantor mais conhecido por seu girassol na lapela que por dotes musicais.

Ninguém acharia aquilo bonito. Inconformava-me imaginar o proprietário daquela criação exdrúlula gabando-se pela imponência, criatividade e... beleza da...quela coisa.

E não cheguei a conhecê-lo. Nem soube se o sujeito era uma pessoa igualmente extravagante no seu modo de vestir, de falar, de agir... mas depois pude saber, e de certa forma conformando-me, que uma das razões que levara o dono do tal carro a transformá-lo numa alegoria – de evidente mau gosto, diga-se de passagem – sobre quantro rodas havia sido o valor do seguro.

Sim! O seguro do automóvel!
Veja se o cidadão não teve razão em sua estratégia: Ao invés de pagar por uma caríssima apólice que talvez nem fosse cobrir o valor do bem, decidiu personalizar – radicalmente, evidente – o automóvel de modo que este ficasse chamativo, exclusivo! Ou seja, qualquer ladrão que se atrevesse a levá-lo teria que ocultá-lo imediatamente, ou seria reconhecido e denunciado por todos. Além disso, teria um trabalho enorme só para descaracterizar o carro.

Eu, como conhecedor do assunto que sou, afirmo isso com toda a convicção; a personalização não limitava-se tão somente a adesivos, frisos ou coisas simples assim. Era – e ainda está sendo – uma parafernália de equipamentos. Chamá-lo de "árvore de natal" ambulante seria pouco. Qual gatuno animaria-se em furtar um outdoor desses, hein?

(Faltou a foto, admito. Uma pena)

7.5.08

"Novela" e novela

Queria evitar o assunto mas não dá; todo jornal que você pega pra ler fala sobre, todo telejornal tem no mínimo um bloco inteiro só sobre. Você sabe, é o caso da menina que foi jogada da janela.

Não vou desmerecer a comoção que o acontecido provocou em todos, mas convenhamos, essa novela da vida real já se prolongou além dos limites (de nossa paciência). Diversos indícios e nenhuma prova incriminatória. Eu disse "indícios"? Somente o fato de ter sido comprovada a ausência da famosa terceira pessoa – nova designação para o tradicional bode expiatório, pelo visto – já teria sido, ao menos para mim – leigo que sou em criminalística mas com um mínimo de raciocínio e bom senso – prova suficiente da autoria do crime.

Mas não. Além da coleta de material de praxe no local do ocorrido, uma reconstituição. Com direito a àrea reservada para a imprensa e um pedido, sensatamente* negado pelas autoridades competentes, para que o espaço aéreo fosse interditado durante o espetác... digo, durante a reconstituição.

E os jornais cobrindo tudo a respeito, desde manifestantes – alguns, mais buscando holofotes que demonstrando uma sincera indignação com o caso da menina – a meticulosos relatórios da perícia que comprov... digo, que indiciavam o casal. Mas nada de condenação.

Me irritei a tal ponto que imaginei uma hipotética situação: Um vizinho teria estranhado a movimentação naquela noite e teria flagrado o crime, filmando tudo através de um celular. E isso não seria prova, seria apenas um indício: Indício de que a tal hora e tais minutos do dia tal um homem, com fisionomia idêntica a de A.N (ele, aquele), com estrutura corpórea extremamente próxima, vestindo uma camiseta exatamente igual a que o suspeito usava naquela noite e com a voz também parecida havia lançado uma criança daquela janela. Não seria prova, não. Seria indício. INDÍCIO. Iriam averiguar a qualidade da gravação. Um técnico questionaria a nitidez das imagens, o advogado de defesa levantaria suspeitas sobre a autenticidade da prov... digo, do indício: "Estão tentando incriminar meu cliente com uma falsa gravação usando um sósia!"

Pois é. E enquanto isso, impressos vendendo, jornais tendo audiência. Seria doentio demais de minha parte imaginar que algum beneficiado com o caso estaria incentivando a "novela"? A imprensa é evidente que alimentou-se disso. Mas e o caso dos gastos com cartões corporativos, alguém se lembra disso? Alguém dá bola para a Dilma Roussef se exaltando em defesa de gastos – melhor seria dizer "mordomias" mesmo – efetuados no governo do FHC? Não. Porque a imprensa nos sufoca com o caso da menina.

E agora o casal será preso. Fim da novela? Não aposto minhas fichas nisso. Fosse um caso ocorrido num local humilde, entre desconhecidos josés e marias, o inquérito teria durado poucas horas e o casal já estaria encarcerado. Mas como não foi...




E falando em novela, "Duas Caras" vai terminar. E já vai tarde, digo.
Depois que vi uma universidade privada tendo sua reitoria invadida no descarado plágio da real invasão de uma universidade pública e mais, tendo ali dentro um caso de gastos obscuros com cartões corporativos, deixei de levá-la a sério. Tudo bem que trata-se de uma ficção, mas é preciso um mínimo de personalidade, de persuasão, de lógica, para ser aturável. E ela não foi.
Desta novela reconheço apenas um mérito: O de ter destacado a beleza negra, e fugindo ao lugar-comum dos personagens, à estereotipização da mulher negra. Ao menos um pouco.


* Bastaria fazer um levantamento do movimento do espaço aéreo durante aquelas horas daquela noite, não?

4.5.08

Retomando as atividades

... na internet, claro, porque na vida real as coisas permaneceram em andamento. Graças a Deus. E lá vem a parte "meu querido diário" deste post...

Passei um bom tempo sem escrever aqui por 2 motivos: Primeiramente pelo meu Microssauro II, que resolveu ter panes esporádicas. Na mais duradoura delas, passou uma semana em coma. Ainda agora comporta-se de maneira estranha. Talvez esteja pedindo a aposentadoria. E por causa dessa instabilidade já deixo avisado aos leitores que não estranhem se eu sumir da blogosfera de novo. Terá sido por ele, meu velho guerreiro.

O segundo motivo foi minha mudança de residência. Um grande alívio, por sinal. Livrei-me da vizinhança da favelinha que me deixava doido com sua trilha sonora. (Pra quem não sabe, a trilha sonora de uma favela é: Música da pior qualidade em volume ensurdecedor, bêbados discutindo, crianças berrando na rua, cães latindo ininterruptamente – e principalmente na hora em que você quer dormir)
Não deu tanto trabalho assim o transporte dos objetos – afinal, nem tinha e continuo não tendo quase nada de mobília ou eletrodomésticos – mas sim a transferência da linha telefônica para o novo endereço.

...

E já estava agora no terceiro parágrafo, contando sobre meu calvário para conseguir ter minha linha funcionando aqui quando me dei conta: "Mas que ocorrido mais sem graça, ora bolas!" e apaguei tudo. Pra que falar sobre isso, não é mesmo?

O que importa é que estou voltando. E com muito prazer, pois adoro escrever.
E que venha o próximo post.

16.3.08

5 personagens marcantes da literatura

Um meme criado por Caminhante e que eu não poderia deixar de responder. Com prazer.

ALICE, a do País das Maravilhas. E por quê? Ahn, só porque foi um dos livros que mais li – porque reli e reli, evidente – durante minha infância. Mas se fosse para destacar um mérito dessa personagem, por certo seria a perseverança; aquela coisa de jamais entregar os pontos, por mais que o caminho a frente lhe parecesse fechado, buscava transpô-lo. E seguia em frente, sempre, confiante, decidida.

GUSTAVO, personagem de um livro de autor pouco conhecido, do qual sequer me recordo o título da obra – perdoem-me por esta descrição nada esclarecedora, mas é que minha memória... sabem como é...
Por que o Gustavo? Porque eu me via nele, à época; um garoto introvertido, incapaz de ter uma namorada, mas que, embora na história ele se desse mal no final (acabava sendo humilhado pela garota que admirava e ficava sozinho como sempre) sentia-se fortalecido, de certa forma. Um sobrevivente, um jovem a caminho da maturidade.


O ANALISTA DE BAGÉ que, para os que o conhecem, dispensa apresentação e/ou comentários.
Porque, muitas vezes, só o joelhaço resolve! ; )

Puxa, só três até agora. Está difícil...
Gostava de Marcos Rey, Fernando Sabino, Orígenes Lessa, mas algum personagem assim, marcante... hum.

Ah sim, LISÍSTRATA, uma grega que teve uma genial idéia para acabar com a guerra: A greve do sexo. Às vezes acho que ela tendia ao lesbianismo e por isso mesmo uniu o útil ao agradável e deixou seu marido passando vontade mas...

LYGIA FAGUNDES TELLES, autobiográfica; ela sendo personagem de si mesma. Com o olhar que só ela mesma poderia ter, tanto sobre os acontecimentos mais relevantes, quanto sobre os corriqueiros, aqueles que passariam despercebidos a todos...

Valeu a resposta, Cami?

: o

Mais do tal "site de relacionamentos na internet"


Eu até perdôo o "romãnçe" se ela me disser em qual canal passa essa tal de "Tela de Quente"...
Obs: Apaguei o nome que constava ali, a fim de preservar a identidade da pessoa.

23.2.08

...


'Bora caminhar na areia da praia?

10.2.08

Ironia

Encontrei estas linhas descritivas na página pessoal de um sujeito, no Orkut:


" sou folgado kuando se é precizo
e gosto de baguncar tenho varios objetivos para alcansar e um deles e ser policial da rota ou goe
tenho muita sorte de ter uma linda e otma namorada naum goatu de talaricos nem de malas e keru ter uma otma e linda semana se vc gostou add senaum vaza pois de ze povinho
to cheio pois tenhu um dentro de casa bjaun pras monas ki conheço e pras ki naum konhelo tbm
e um abraço pros manos do baskete e da escola do Catalanoki
e minha segunda melhor escola
e tenho orgulho de dizer ki briguei por ela e apoio os manos ki lutaun para ki naum difamen o nome da escola Oswaldo Catalano "


Se ele realmente se preocupasse com a difamação desse colégio, jamais teria escrito nada no Orkut. Ou, melhor ainda: Em lugar algum. Porque...

Difamação maior que essa, estou pra ver...

Detalhe: O autor desse fervor todo em defender a honra de um colégio não é, como poderia se supor, um menininho de 10, 11 anos... não. É um mancebo de declarados 18 anos de idade, comprovados com fotos próprias em seu álbum...

9.2.08

Tá ruim?

Você acha que sua vida não pode ficar pior do que já está?
Então... pense nisto:























He he he. (risadinha sarcástica)

3.2.08

Deprimido

Estava eu procurando na internet uma imagem que transmitisse o meu estado de (des)ânimo com estes dias de completa inutilidade em casa quando deparei-me, dentre tantos rostos lamuriosos e corpos cabisbaixos, este fusca.


Hum. Convenhamos, apesar dos protetores de faróis darem ao carrinho um certo "olhar" melancólico, ele está mais para deprimente (o estado de conservação), que para deprimido!

E um feliz carnaval pra quem gosta disso.
Eu dispenso.

30.1.08

Os dois lados da moeda

Amanheceu mais um dia chamado "útil", chuvoso. Eu, sem guarda-chuva nem outra alternativa, fui caminhando para pegar minha condução sob a água mesmo. A princípio, como qualquer mortal, lamentei.

Conforme ia caminhando, meus pensamentos bailavam sobre o tema, sobre a situação. Primeiro pensei na grande vantagem que haveria em chorar, aproveitando, além das gotas da chuva se misturando às lágrimas, meus óculos completamente impregnados de água, ocultando da curiosidade alheia os olhos marejados...
Tentei cantarolar mentalmente uma canção do Kid Abelha que justamente fazia menção a lágrimas e chuva, mas aquilo não me empolgou. E voltou-se meu pensamento a outro lado: O católico.

Ou, pra ser mais específico, o renovador carismático e seu emblema-mór: Padre Marcelo. Aquele mesmo do "Ergueeei... as mãos..." e seus baldes d'água benta no povo. Então olhei ao alto e imaginei a reprodução da mesma benção, só que em proporção divina. E sorri. Enfim entendi – ou concluí por conta própria – que aquele aguaceiro todo que me encharcava nada mais era que um benzimento de Deus.

Cheguei ao ponto (parada, para os pernambucanos) de ônibus acompanhado da chuva matinal. Roupas totalmente molhadas, vez ou outra, enquanto aguardava a chegada do coletivo, mirava o céu nublado e sorria. Uma cena que ninguém deve ter entendido, certamente. Ou deve ter imaginado-me como apenas mais um enlouquecido pela vida selvagem da cidade de pedra...

• • •

À noite, hora de voltar pra casa. Durante o dia eu trabalhara com um uniforme sequinho e por isso não havia ficado com nenhum resquício do "banho" da manhã, mas... e quanto às roupas? Pois é, guardadas num armário nem puderam secar; ainda estavam úmidas. Como não havia outra opção, vesti-as assim mesmo e segui meu caminho.

Dentro do ônibus é que comecei a pensar no cheiro. Sim, porque roupas molhadas da chuva raramente ficam com um odor agradável. E passei a ter a incômoda impressão de que alguns mais próximos de mim olhavam-me com certo desagrado.
Discretamente cheirei-me e, sinceramente, não senti tanta ojeriza assim.

Mas sabe quanto você coloca em sua cabeça que todos ali estão te notando e reprovando? De repente é só mera coincidência, mas acaba preocupando. A mim pelo menos preocupa. E comecei a me sentir o mais desprezível dos seres.

Tive até vontade de, numa tresloucada atitude para salvar minha reputação, declarar para todos os presentes, em alto e bom som, que eu estava com aquele cheiro porque estava sem guarda-chuva, havia tomado chuva de manhã e estava sem roupas secas para vestir depois. Mas até parece que um cara acanhado como eu seria capaz disso.

Enfim, passei a viagem toda em pé, encolhido de vergonha, e pensando que preciso comprar logo um guarda-chuva...

: /

24.1.08

Será que entendi direito?

Não sei se foi desatenção minha ao acompanhar o Jornal Nacional nesta noite, mas duas notícias me causaram estranheza:

"2 carros roubados na Itália são localizados aqui no Brasil após denúncia do país europeu; um Porshe e uma Mercedes ... que serão leiloados aqui mesmo, pelo Brasil." Leiloados??

Deixe-me ver se entendi, parte I:
– Não devolverão os carros, apesar de seus vultosos valores e estarem intactos. (E possivelmente ser de conhecimento das autoridades italianas seus respectivos proprietários legais)
Concluo que aqui no Brasil o crime compensa. Até mesmo o praticado em outro continente.



"Prefeitura de Recife irá distribuir pílulas 'do dia seguinte' em postos de saúde durante o carnaval."

Deixe-me ver se entendi, parte II:
– O grande vilão da libertinagem carnavalesca era a AIDS. Ao menos é o que dá a se entender; porque nunca vi alguém fazer uso de tais pílulas se tivesse usado o preservativo. A menos que a prefeitura esteja se prevenindo contra um surto – um grande lote de produtos defeituosos, talvez, – a preocupação deve ser com a explosão demográfica. Tão somente.

22.1.08

18.1.08

O pescador

Incrível o que a perda do medo da morte – ou de grande parte do significado de sua própria vida – proporciona a quem assim se sente; quantos bons momentos não vivenciamos por conta desse medo...

Hoje, depois de voltar do trabalho e tomar um banho, resolvi jantar fora, em uma lanchonete próxima ao mar. Finda a refeição, decidi ir à praia.
Praia em plena noite de uma sexta-feira, quem em sã consciência (da atual violência urbana) iria? Pois eu fui. Sem pensar muito. Se fosse assaltado, teria alguns trocados para entregar ao marginal. Ou, em outra hipótese, se ele não se satisfizesse com a pequena quantia, poderia matar-me, isso não faria tanta diferença assim. E cheguei na orla.

A poucos metros, um grupo praticava capoeira. Escolhi um cantinho tranqüilo longe daqueles rapazes e sentei-me na areia. Logo percebi que no raso do mar, quase à minha frente, uma pessoa jogava uma rede de pesca. Não me importei com isso e fiquei.

Enquanto fazia minha reflexão sobre a vida – que coisa mais adequada é o mar, para isso! – notei que um jovem casal caucasiano – coisa típica, esse biotipo, das abastadas famílias residentes na beira do mar – surgira ali, na entrada da praia. Hesitantes, não sabiam se desciam do calçadão para a areia ou não. Não foi muito difícil imaginar seu dilema: "Terem alguns momentos de privacidade para namorar e correr o risco de aumentarem as estatísticas de criminalidade da cidade ou voltarem para a indiscrição do condomínio e lá darem seus amassos, mas com segurança?"

Acabaram ficando no meio-termo: Nem na areia, nem no prédio. Ficaram lá, na calçada, sob a iluminação pública. E prossegui com meus pensamentos, entre brincadeiras na areia.

Tempo depois, sentindo-me saciado/conformado com a companhia das ondas e de um céu relativamente estrelado, levanto-me, sacudo a areia de minha roupa e sigo meu caminho de volta para o urbano.
Despedindo-me do mar vi que os capoeiristas ainda estavam em plena ação, os enamorados estavam envoltos num íntimo abraço e o pescador, este permaneceu indiferente a tudo; aos rapazes que tanto poderiam ser simples atletas quanto marginais, ao acanhado e receoso casalzinho querendo algo mais e, principalmente, a este quase quarentão que havia surgido do nada e lá havia ficado, sentado na areia, a esfregar suas pernas nestas e olhar para o infinito com um olhar ora contemplativo, ora meditativo, ora somente abobalhado...

14.1.08

Post bipolar...

... mas com extremos diferentes.


(Trilha sonora: Óperas)

Se eu morresse amanhã. Ah, se eu morresse.
Não sentiria pesar em deixar esta terra. Não esta Terra, mas sim esta terra.
Não desmerecerei o mérito de todos os que até hoje vieram – e ainda vêm – ofertando-me simpática e receptivamente o conforto da sincera amizade para que eu pudesse – e possa – sentir-me em casa, mas por maior, intenso e carinhoso que seja este empenho, esta sensação não me nasce aqui dentro do peito. Ao contrário, vive aqui um coração que bate resignado, conformado com o caminho escolhido. Um certo caminho e caminho certo. Mas não isento da saudade da terra natal.

Terra tal qual outra qualquer, que assim como esta na qual hoje estou, também já me deixou solitário como uma gota de água em pleno mar – já ouviu falar da expressão "solitário no meio da multidão"? – mas que sempre voltava-me os olhos da compaixão e trazia o consolo, algum consolo. Éramos conhecidos, enfim. São Paulo por vezes foi-me uma babá desleixada, abandonando-me à minha própria sorte – que por vezes não era sorte, era o mais autêntico azar mesmo – mas sempre retornava. Vigilante, por vezes tardia, mas sempre atenta aos meus prantos. Cidade que me criou, cidade na qual me criei.
Cidade cruel, cidade apaixonante. Cidade natal. E de meus natais, de meus pais.

Pai, Mãe, amo-os eternamente! Ou enquanto minha sã consciência mantiver em minha lembrança o fato de que de vocês sou a criação. Amigos que lá fiz, sei que a maioria de vocês jamais lerá estas chorosas linhas, mas saibam que são únicos. Inimitáveis. Lugares, famosos ou não, a São Paulo pertencem. E de lá dignos são. A alegria e a tristeza paulistana somente de lá podem ser. Assim como um ardoroso paulistano, onde quer que esteja, àquele lugar estará intrinsecamente ligado, quer queira, quer não.
E eu quero.



(Trilha sonora: Rock internacional, década de 70 e 80)

E amanheço a segunda-feira disposto a começar bem a semana na empresa. Bem-humorado,
conversando sobre amenidades com os que tenho pouca intimidade e sobre bobagens mais
descontraídas com os mais íntimos. Mas a alegria do pobre dura pouco, já nos ensinava o milenar
(milenar?? Ou é centenário? Secular? Ah, sei lá!) ditado e, como todo ditado que se preze, logo provou-se a força de sua verdade ainda antes – muito antes, aliás, era umas 10 da manhã – do almoço: Um serviço que eu havia realizado na semana passada havia retornado. E com conseqüências nada agradáveis decorrentes de um deslize (esquecimento) que eu havia cometido. Poupo-os, assim como poupo-me dos detalhes – agora quero é esquecer mesmo!! – e só digo que a partir daí o dia se seguiu no mesmo ritmo; ou com notícias ruins, ou com fatos ruins tendo-me, ora como coadjuvante, ora como ator principal.

Foi, enfim, uma merda de dia. Quase que a síntese da semana passada em um único dia. Mas não vou praguejar sobre o tão ansiado e batalhado emprego, não; se foi batalhado, hei de continuar sendo o soldado na trincheira a vencer, principalmente, meus próprios limites e minha falta de paciência com tudo e todos.

Mas que no final do expediente, já sem a presença de nenhum cliente por perto não resisti... ah! Não mesmo! Questionado pelo chefe sobre um serviço o qual eu deveria ter dado início mas não pude devido a circunstâncias alheias à minha boa vontade, expliquei o porque e arrematei: "Quer saber? FODA-SE!!"

Lógico que não havia mandado meu chefe se f**** e sim aquele serviço e por isso ele arregalou-se. Outro colega que estava por perto ouviu meu inesperado desabafo e caiu na maior gargalhada. Acho que ele nunca havia me visto/ouvido falar palavrão antes. Mas e daí? Sou humano, não sou? Chego às tampas de "engolir sapos", não chego? Pois bem, dei-me à liberdade de ser o mais humano possível no final de um estressante expediente. E não me arrependi, pois o tresloucado manifesto já havia por mim sido calculado: O serviço estava inevitavelmente adiado para amanhã e eu já sabia de antemão.

Concluindo: O chefe compreendeu meu estado de exaltação e deu-me trégüa. Meu colega foi caminhando e rindo. O carro ficou mesmo para amanhã. E eu fiquei convicto de que às vezes é mesmo preciso "ligar o 'Foda-se!'" para ser feliz, como dizem alguns. Ou para, ao menos, sobreviver.

Interpretando a venda

Reconheço que ultimamente os temas que venho abordando têm sido muito repetitivos e isso é maçante, mas acho que não tenho muita escolha, haja vista a minha pacata vidinha cíclica que raramente sai do loop casa-trabalho-casa. Pois bem, e feita esta mea culpa, aqui vão mais palavras sobre o meu cotidiano profissional...

Sempre tive o hábito de vender ao cliente apenas o necessário, aquilo que de fato seria imprescindível e por completo. Com um exemplo prático fica mais fácil esclarecer o que estou tentando dizer: Existe um líquido, conhecido como aditivo, que é colocado no radiador. Este produto é vendido em vasilhas de 1 litro.
Eu, até ainda há pouco, era incapaz de vender um. E por quê? Porque praticamente todos os veículos que lá na oficina vão parar não precisam de um litro. No máximo, de meio.

Com o passar do tempo fui notando que era – e ainda é – prática comum vender o litro e não consumí-lo todo. "E o que acontece com o que sobra?" alguns devem estar questionando, não é mesmo? Respondo: É guardado e utilizado em outros carros em que estejam faltando apenas um pouco. Não é entregue ao cliente que pagou pelo litro, se é isso que você imaginou.

A princípio comecei a me sentir desconfortável com essa atitude, como se eu estivesse sendo desonesto. A bem da verdade, ainda hoje tenho essa incômoda sensação, mas em menor proporção depois que analisei a situação por uma ótica... mais aplicada ao consumidor-padrão de automóveis de alto nível, digamos.

É ponto pacífico que quem compra um Toyota novo não é, em hipótese alguma, um pobre. Ou um classe-média "se-equilibrando-na-corda-bamba". É rico e ponto.

Posto isso, vejamos como se porta um consumidor rico em um restaurante.
Pede o que lhe agrada sem titubear, às vezes aceita sugestões do maitre. Finda a refeição, paga a conta e se vai. Sem olhar pra trás a quantidade de comida e bebida que, embora aproveitáveis, abandonou sobre a mesa. E sem o mínimo remorso pelo desperdício.

A partir dessa visão comportamental dos mais abastados é que aderi à venda parcialmente necessária. É claro que isso não quer dizer que abracei a causa da "empurroterapia" comercial, mas que passei a "dançar conforme a música, vendendo ao cliente o que ele precisa, mas que poderá não usar por completo.

Até poderíamos oferecer o que sobra ao dono do carro, mas... francamente, acho que alguns deles jamais viram o que há por baixo do capô. No máximo sabem que ali está o motor. E suponho que certamente não têm a mínima vontade e tampouco interesse em pôr suas mãos lá, então...

8.1.08

Estranho inquilino

Era uma vez um papagaio.
Vivia constantemente aprisionado em uma grande gaiola, exposta na calçada. Como desde pequeno sempre simpatizei com esse bichinho, passei a alimentá-lo e ele não se fazia de rogado, aceitava de bom grado o cereal que eu lhe ofertava.

Até que, em certo final de tarde, resolvi libertá-lo do cárcere: Levantei a gaiola – esta estranhamente era aberta na parte inferior – e o fiz voar para fora, para o ar livre. Me dei por satisfeito ao vê-lo livre e segui meu caminho. Mas logo notei que não estava mais desacompanhado; havia alguma coisa pousada na minha nuca e, claro, só podia mesmo ser ele. O papagaio.

A princípio me senti um pouco incomodado – afinal, é um bocado estranha a sensação de uma ave pousada em sua própria nuca – mas, apesar do absurdo da situação, lembrei da célebre imagem do papagaio de pirata e, ainda estranhando meu novo companheiro ali atrás, perguntei-lhe:

– Acho que você não é papagaio de pirata, né?
– "Não é" – respondeu-me. E prosseguí o breve e inusitado diálogo:
– Então agora vai ficar aí?
– "Vai ficar."

E começou a bicar o colarinho da minha blusa, que era feita de lã de carneiro ou algo parecido. Como se estivesse a ajeitar seu ninho naquele lugar. Acabei cedendo à convicção do papagaio e não lhe fiz mais perguntas e ele continuou em sua obra, como se fosse a coisa mais natural do mundo fazer ninho em colarinho de pedestres. E lá fomos nós, eu e meu caronista. Ou seria hóspede?



Óbvio que esta historinha é fictícia. Na verdade, foi o sonho que tive na noite passada. E de manhã, desperto, fiquei tentando descobrir qual poderia ter sido a mensagem que ela me passara. Ou havia tentado passar; "Tu és eternamente responsável por aquilo que cativas" (ou algo quase assim? É uma frase conhecidíssima) ? Amigo que concorda com tudo o que você diz tem segundas intenções? Quanto mais você ajuda, mais o ajudado quer? Ou foi só mais um sonho bobo mesmo?


(: p

5.1.08

Dois corpos não ocupam o mesmo espaço... por pouco!

LOTAÇÃO: 42 PASSAGEIROS SENTADOS

É o que está escrito em uma discreta plaqueta afixada próxima ao motorista do coletivo que pego diariamente para ir trabalhar. Conscientemente nada consta sobre a quantidade de passageiros em pé, pois essa é uma incógnita a qual talvez só o cobrador saiba a resposta. E mesmo assim, aproximada.

Porque nos esprememos onde há espaço. Ou onde conseguirmos pisar, nem que seja sobre um pé alheio. Nos amassamos, nos contorcemos, nos acotovelamos e... olha mais passageiro subindo na próxima parada aí, gente!

E a gente se segura como pode. E às vezes nem pode. Quando muito, nem precisamos nos segurar, pois somos prensados no meio de tantos passageiros. Nessa hora que me perdoem quem encoxo, pois não sou somente o "algoz", mas quase sempre também mais uma vítima de alguém que se instala em nossa retaguarda. E nem adianta fazer cara feia. Pode ser proposital ou não, mas não tem jeito; é inevitável. E... te acalma que aí vem subindo mais passageiros, meu camarada!

Enfim, segue o ônibus urbano seu caminho, a sacolejar as sardinhas humanas a caminho de seus destinos.

E houve certa vez em que um motorista perguntou ao cobrador:
– Não cabe mais?
E ante a esperada negativa do segundo, reforcei a situação:
– Só se for por cima da cabeça das pessoas!!!


E ainda escreverei mais sobre este pequeno universo do meu cotidiano. Aguardem.