24.8.07

Pior mico

Tem coisa pior que ser acordado com o volume de som nada comedido do vizinho de baixo (aquele, de sempre)? Pior que tem.

Depois de sua fase rap-de-morro-carioca e de uma breve passagem pelos idos mais melosos de Roberto Carlos, agora ele está numas de "breganejo". Aquele estilo musical que deve fazer as cinzas do Tinoco sacudirem de inconformismo dentro do caixão e que de sertanejo só tem certidão de nascimento, um chapéu e par de botas.

Pois é, e era uma daquelas típicas de dor de cotovelo que estavam tocando pra rua inteira ouvir quando me levantei da cama e tive a infeliz idéia de sair no terraço para ver o sol.
Justamente nessa hora estava passando ali em frente um grupo de colegiais que, ao me avistar com aquela cara amarrotada, deduziu que fosse eu o ouvinte daquela lastimável canção e riram. Umas discretamente, outras escancaradamente, divertindo-se a valer com o suposto mal amado do prédio.

Resumindo: Pior que ser acordado com o mau gosto musical do vizinho, é ser confundido com ele e ser tomado por corno, pagar por um mico que nem te pertence.

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23.8.07

Traduzindo

Real significado de algumas perguntas de chat:
(Do ponto de vista feminino mais pessimista possível)

– Oi, quer teclar?
– Oi, está disposta a fazer um sexo virtual ou veio aqui só pra ficar olhando?

– De onde você tecla?
– Você mora longe? (Porque se morar, esquece. Nem vai ter como marcar um encontro)

– Quantos anos você tem?
– Você é uma velhota? (Porque se for, estou fora. Eu quero é pegar uma gatinha hoje)

– Você tem webcam?
– Posso me certificar de que você não é uma feiosa?

– Você tem MSN? Tenho cam!
– Quer ver meu membro ereto?

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21.8.07

Ao senhor desconhecido

Caminhada faz bem à saúde e ninguém discorda, inclusive eu, mas posso afirmar que se esta for realizada na areia da praia, o benefício se estende ao ânimo também.

Eu já andava há dias desanimado, ante seguidas tentativas frustradas de obter um emprego. Pra piorar, madrugadas insônes tentando me distrair um pouco só terminando, salvo raras exceções, em aborrecimento.
Eis que hoje resolvo caminhar pela orla nesta manhã, aproveitando a falta de sono.

Apesar de nublado, o céu estava maravilhoso e a temperatura muito convidativa. E caminhei. Refleti sobre estes dias. Olhei para as ondas. Molhei os pés. Súbito sou cumprimentado por um senhor, completamente desconhecido, que me sorri e continua seus passos na areia. E pensei...

É alguém de outras épocas, do tempo em que o "bom dia" era cortês, não somente convenção social; o nosso automatizado "bom dia" do dia-a-dia que só é dito por hábito, não porque se deseje, de fato, que o interlocutor tenha ou esteja tendo um bom dia. E meu dia passou a ser bom a partir desse momento.

Acompanhei-o com o olhar até que ele desaparecesse no horizonte, imerso em suposições a seu respeito. Talvez tivesse passado, durante sua vida, por dificuldades ainda maiores que as minhas atuais. Por dores que jamais imaginou que fosse capaz de superar, por entraves que um dia acreditou serem invencíveis. Mas pôde vencê-las. E caminhou, viveu até ali, até aquele instante, para passar por mim e me provar que é possível e continuar realizando mais ainda.

Renovei minhas esperanças. E nesse devaneio perdi completamente a noção do tempo e caminhei por quase duas horas. Só notei que já estava distante demais quando nuvens escuras prenunciaram a chuva e então dei meia-volta. E retornei cantarolando Sinatra, praticamente despreocupado com um possível banho fora de hora. Até encontrei um pequeno peixe, quase morrendo. Estava tão fraco, o infeliz. Supus que tivesse sido levado até ali por uma onda que não quis mais voltar para buscá-lo. O recolhi e levei-o para água. Ainda atordoado saiu nadando meio sem jeito, mas foi. E me senti feliz por isso também.

Quanto a chuva, aguardou que eu chegasse em casa para cair. Uma diferente manhã para uma terça-feira, enfim. E que me perdoem os leitores por este post ao melhor estilo "meu querido diário", que destoa um bocado com a linha editorial que mantenho, mas... queria deixar aqui meu agradecimento àquele desconhecido que me fez pensar. E positivamente. Não intencionalmente, por certo, mas mesmo assim não retira-lhe o mérito. Muito obrigado e tenha muitos e bons dias!

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20.8.07

Tão provisório quanto a cobiça

Roberto Jefferson, aquele, sobre a clara tendência da Câmara à aprovação da prorrogação da CPMF: "Os deputados só têm a perder se continuarem dizendo amém a tudo que o Planalto quer - não terão o respeito nem do governo nem da sociedade".

Como se o respeito da sociedade fizesse alguma diferença para eles. Acredito que houve um tempo em que levantar a hipótese de corrupção sobre um parlamentar era motivo de polvorosa, de incredulidade popular, de vexatória exposição para o representante do povo. O vereador, o deputado, o senador, todos eles tinham como uma de suas principais características a dignidade. Mas agora não.

Parece que nos habituamos, tal qual a ouvir notícias sobre alguém que morreu de bala perdida no Rio, a conhecermos as ações ilícitas realizadas por estes que estão lá no Distrito Federal em nosso nome, e nem abalarmo-nos mais. Permanece a indignação inalterada, mas cada vez mais impotente ante os fatos, ante fóros privilegiados (vide Minas Gerais) abrangendo mais e mais gente no trenzinho-da-alegria, "Renans" que sorriem de cara lavada frente às câmeras, certos de que a impunidade está acima de qualquer denúncia estarrecedora...

E eles, cientes disso, não carecem do nosso respeito, jamais necessitaram disso pós-eleição. Mesmo com planos de reelegerem-se, sempre contaram com a nossa amnésia política para tanto.

Que ao menos acabassem logo de vez com essa hipocrisia do P, do citado imposto, que seria mais sincero e honesto, porque extingüí-lo definitivamente... alguém acredita nisso? Tem essa esperança?

Pois eu é que não. Entra governo, sai governo, quem (ou qual partido) é que vai querer perder essa "galinha dos ovos de ouro"? 38 bilhõesinhos de reais por ano entrando fácil, fácil nas mãos, sem nem precisar mandar a Polícia Federal pra cima do povo?

18.8.07

Por trás do nome

O caso do recall da Mattel me preocupa; se antes nos precavíamos contra produtos de qualidade duvidosa preferindo comprar apenas de fabricantes conhecidos – e reconhecidamente idôneos – agora nem essa segurança temos mais.

"Não compre de camelôs", "Não compre coisa de marca desconhecida"; todos esses conselhos parecem estar perdendo o sentido neste mundo made in China. Está cada vez mais impossível fugir dessa procedência. Duvida? Eles estão por toda a parte, não somente em eletroeletrônicos e calçados; podem estar até por dentro das paredes da sua casa...

Que muitos grandes fabricantes estão produzindo diretamente lá não era nenhuma novidade pra mim – descobri isso ao tentar comprar um aparelho de fax da Panasonic que não fosse Made in RPC – mas sempre confiava no controle de qualidade das matrizes. E agora, nem isso mais.

E a coisa só tende a se agravar, a menos que eles (os chineses) honrem esse discurso de que estão combatendo a pirataria e valorizando mais a qualidade, não apenas a aparência. E pode piorar também por conta da insaciável fome tributária que este país tem, aliado aos custos trabalhistas. Temo pelo dia em que compensará às indústrias brasileiras migrarem para o grande tigre asiático.
E então teremos camisetas da Hering chinesas, talheres Tramontina idem, tênis Rainha ibidem...

Isso se já não é assim...
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15.8.07

Laranjas podres

Conforme eu já havia manifestado antes em um tópico antigo, permaneço com minha indignação ante a injustiça para com os vegetais.

Consagrada fonte de vitamina C, tradicional produto em nossa balança de exportações, a laranja vem sendo constantemente citada nos noticiários, mas não como fruta e sim como designativo de algo pouco nobre, o "testa de ferro".

Laranjas do alagoano intocável, laranjas do meganarcotraficante colombiano. Laranjas que, muito ao contrário do virtuoso cítrico, não nos trazem benefício algum.

Enfatizo, portanto, meu repúdio ao uso do nome da imaculada laranja para definir esses cúmplices de negócios escusos. Assim como reitero abominar o pepino e o abacaxi como sinônimos de problema.

14.8.07

A sopa do Raul

Já faz um tempinho, a Pro-Teste havia anunciado um resultado nada esperado na análise das sopas instantâneas no mercado: A presença de resíduos de insetos em uma delas! Eu, como consumidor esporádico desse tipo de produto, fui imediatamente ao site para saber qual era essa infeliz marca e...

Nada feito. Só divulgam para os assinantes.
Assinantes do impresso que eles publicam, que fique claro. Cadastrar-se no site é inútil. Pelo menos para o propósito que eu tinha. Ahn...

Como não conheço ninguém que assine essa revista para me emprestar – ou ao menos me dar a ansiada informação – fiquei no dilema: Só comprar sopa de marcas idôneas ou nem comprar? Por via das dúvidas, e aproveitando que o frio nordestino nem é tão frio assim, decidi não comprar.

É duro ficar imaginando que tipo de inseto era, este que iria parar no prato de alguém. Talvez uma dessas malditas microformiguinhas que teimam em não arredar o pé da minha cozinha? Se for, menos mal, porque não duvido nada que algum dia eu tenha cozinhado alguma e ingerido sem saber. São micro! E não tem quem coma bunda de formiga? Pois é.

Dizem que na Ásia comem os mais variados tipos de insetos e por isso eu não estranharia o fato de ninguém, até onde sei, ter adoecido ao tomar sopas instantâneas com o inusitado ingrediente. Mas...

Bom, deixa pra lá.

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11.8.07

Rebatizados

Por que alguns rebatizados não "pegam"?
Como é o assunto que não sai dos holofotes da imprensa, estou falando sobre eles, os aeroportos.

Durante algum tempo cheguei a ficar confuso, achando que o Rio de Janeiro tivesse três aeroportos – Galeão, Tom Jobim e Santos Dumont – tamanha confusão que eu fazia ouvindo os repórteres a falar sobre estes. Até que decidi perguntar a uma amiga carioca quantos seriam, na verdade. E descobri que são dois. Tom Jobim é o antigo Galeão.

Concluí que o nome original é tão assimilado que alguns jornalistas o preferem. Eu diria que também prefiro que não haja nenhuma renomeação. Por sorte temos outros aeroportos com nomes que não pegaram de jeito nenhum, vide o aeroporto governador André Franco Montoro. Por acaso você o conhece?

Eu não estranharia se nem sequer os funcionários que lá trabalham desconhecessem este seu nome oficial. E qual é este aeroporto? O Internacional de Guarulhos, conhecido como o de Cumbica e, mais recentemente, como alternativo para grande parte do fluxo de trânsito do polêmico aeroporto de Congonhas.

E voltando à capital fluminense, fico a pensar:
Estaria o compositor e maestro Jobim sentindo-se honrado com a homenagem? Ainda mais com a situação caótica em que se encontra esta área? Não creio. Chego a imaginá-lo no céu, a protestar:

– É Galeão! O nome do aeroporto é Galeão!!

9.8.07

"O português é de Portugal"

Trago para cá um comentário encontrado no fórum de uma comunidade na internet, cujo tema é filosofia política. Tomei a liberdade de reescrevê-lo para melhor compreensão dos leitores, mas tendo o cuidado de não alterar o seu teor:


" Já fui criticado por não dar a mínima para o português e também por não achar que essa língua seja nossa.
Na minha concepção, ela é mais uma forma de opressão, introduzida pelos colonos que torturaram brutalmente um povo e dizimaram parte dele só por egoísmo e cobiça! Fomos obrigados a falar e ler o português. Apesar de atualmente essa língua estar transformada e pouco ter a ver com a original, continuo achando que não precisamos dela para sermos cientistas ou filósofos.
Será que a gramática dessa língua opressora influenciará minhas decisões sobre ciência e filosofia? "

Um fato é incontestável: O principal intuito dos portugueses ao se instalarem no Brasil foi mesmo a exploração. Impuseram seu idioma sim, e quase sempre à força. Entretanto...

Relacionar o fato histórico com a língua, mesmo que esta nos tenha sido imposta, me parece pouco sensato. O português, tal qual outro idioma, é apenas um meio de comunicação e pode ser usado da maneira que aprouver a seu conhecedor. A língua não "faz a cabeça" de seu usuário. Ou faz? Se nosso idioma oficial fosse o tupi-guarani até hoje, estaríamos melhores? Ou se fosse o inglês, o francês... algo mudaria?

Não creio. Até poderíamos ter uma cultura diferente, mas isso, pelo menos a meu ver, não estaria relacionado ao idioma e sim à forma como tivesse sido construída a sociedade.

E de maneira alguma vejo a língua portuguesa como opressora. Foi opressor o modo como foi imposta, mas não a própria. Amo a língua portuguesa e não vejo nisso subjulgamento algum perante os portugueses; amo a língua porque ela me oferece todos os recursos de que necessito para transmitir mensagens e me comunicar plenamente, amo a língua até, por não ter tido a oportunidade de conhecer outras a fundo. Mas... sinceramente? Nunca senti falta de outra.

Pelo menos não enquanto estiver – e pretendo estar – em meio a brasileiros. E amo o Brasil, apesar de tudo. (E não digo isso por estar ecoando até agora o clima pan-americano de "Brasil! il! il!", não)

2.8.07

(sem título)

Além de alguma inspiração, é preciso estar propenso a escrever e isso significa não apenas estar motivado e adequadamente instalado, mas também possuir o clima apropriado. Não o clima atmosférico, mas o clima... digamos, astral. E como ultimamente não estou tendo esse clima vou, logo após este breve prefácio "papo aranha", colocar umas palavras que nem podem ser consideradas um post, são só umas... observações.




Se todos os repórteres – inclusive os das outras emissoras – e até o William Bonner, que é editor, apresentador, parceiro de apresentação e ainda por cima marido, dizem "erbâs", por que a Fátima Bernardes diz "érbus" ? Qual motivo obscuro a leva a pronunciar o nome dessa fabricante de aviões desse jeito tão... hã, peculiar?

E a minha eterna curiosidade: Por que a novela das oito começa às nove?


Quase P.S: O outro William, o Waak (do Jornal da Glogo), diz: "erbás". Menos mal que o "érbus" da Fátima.