25.2.06

Tagarela das letrinhas

Eu e minha vizinha Mônica vivemos nos desentendendo como gato e rato (só não me perguntem quem é o gato e quem é o rato, nesta relação), mas uma reclamação que ela sempre me fez - e continua fazendo - trouxe uma questão à tona: Escrevo demais ?! Não no sentido de 'fabulosamente, 'de forma excepcional', 'impressionantemente bem' ou em qualquer outro tom de elogio; ela reclama que escrevo demais, em excesso, que meus textos são longos e exaustivos!

Daí pensei: Antigamente os jornais impressos gabavam-se por um grandioso conteúdo (novamente abro o parêntese para esclarecer: Não é grandioso no sentido de majestoso, mas no da enorme quantidade de informações passadas ao leitor, ou de um texto garboso) que era o favorito do leitor que dispunha de considerável tempo livre para atualizar-se com as efemérides, após farto café da manhã. E acomodava-se em sua confortável poltrona de leitura para tanto. Um ambiente semelhantes àqueles utópicos usados nos comerciais de margarina. Pois bem, os tempos mudaram. Os comerciais de margarina não, mas os jornais sim.

Creio que poucas pessoas têm tanto tempo disponível assim para ler um "calhamaço" diário. As notícias tornaram-se cada vez mais sintéticas (de 'síntese', não de 'artificial') e diretas, permitindo às gerações "tempo-é-dinheiro" e "multiplataforma" manterem-se informadas num relance. Criou-se o conceito do "Quanto mais informação em menos palavras, melhor". Às vezes o jornalista se atém mais na segunda parte da frase que na primeira, mas... tudo bem
As pessoas habituaram-se ao compacto. Notícia compacta, sanduíche compacto, automóvel compacto, mulher compacta... e a fartura passou a ser vista como desnecessária, senão como desperdício mesmo.

E eu, nesta onda de tendências, não estaria remando contra a maré?
Ao invés de ser direto e reto, adornando e, de certa maneira, rebuscando o texto? Puxa vida, mas sou pró-clímax! E, ao menos que eu saiba, nenhum clímax se faz num piscar de olhos. É preciso construí-lo, envolvê-lo, incitá-lo com preliminares. Ademais, sou contra textos absolutamente vãos, cuja única função é 'cumprir a diária atualização do blog'. (Como se isso fosse obrigatório, hunf)

Mas estou sim, "me afogando contra as ondas". Basta notar que os textos mais longos têm audiência ínfima. Minha sorte é que não sou assalariado para escrever, sequer patrocinado. Porque se o fosse, por certo eu já estaria "no olho da rua" há tempos!! [:p]

Ai, ai...

4 comentários:

Caminhante disse...

Acho que a linguagem de net é naturalemente mais curta; nesse sentido você e eu (assumo) escrevemos muito. A minha explicação pra isso é simples: é muito chato ler algo longo diante do monitor.

Adry e Webert disse...

Amo os seus textos, longos ou não!

Anônimo disse...

por incrivel que pareça, apesar dos seus textos serem longos, são rápidos.
isto já é alguma coisa..

R. disse...

"Longos e rápidos".

Que antagonismo...

(: p

Obrigado, acho...