23.8.05

Um domingo como todos poderiam ser


Depois de uma agradável sessão de fotografias tiradas no templo Zu Lai em companhia de amigos, pegamos o ônibus de retorno (cujo horário já era pré-definido para as 15 horas) e voltamos a São Paulo. Meia-hora de viagem, logo estávamos de volta no centro da capital. Como o clima estava agradável, resolvemos aproveitar o restante da tarde. E como o local de desembarque era em uma praça onde realiza-se uma feira tradicional japonesa, aproveitamos para passear por ali. Finda a visitação da feira, veio a dúvida: Ainda estava cedo. Para onde poderíamos ir? E veio a sugestão: Tomar um café na Av. Paulista. Eu estava com preguiça de caminhar - ainda mais carregando toda a tralha de equipamentos fotográficos que incluia até um tripé - mas, ante a insistência das amigas, acabei cedendo. E fomos caminhando.

No meio do trajeto uma delas lembrou-se da Festa de Nossa Senhora Achiropita, famoso evento da comunidade italiana aqui nesta capital e perguntou se o local era próximo dali. E, para a nossa sorte, era. E decidimos rumar para lá. Pouco antes de chegarmos ao local da festa (que ainda estava meio deserto, pois era cedo) nos deparamos com outra feira em uma praça e, desta vez, uma feira de antigüidades. Entre ir para festa ou ver a feira, sugeri que visitássemos a feira, pois ainda era um pouco cedo para a festa (aproximadamente 17 horas), cujo ponto alto é a comida. E rodamos a feira de antiguidades, a observar e comentar. Em seguida, seguimos para a festa, que era no quarteirão seguinte.

Ainda havia pouca gente no local. Minhas amigas aproveitaram para ir na Igreja de N.S. Achiropita, pois queriam fazer pedidos. Como nem sabíamos se estaria aberta à visitação ou não, fomos lá conferir.

E lá chegando, descobrimos que ela estava fechada, mas porque estava sendo preparada para a procissão e que depois reabriria e permaneceria aberta até as 23 horas. Perguntando a que horas seria a procissão, nos foi informado que "Às 18". Olhei o relógio: 17:40. Como faltava pouco, passamos a caminhar a esmo, por entre as barracas ainda se preparando. As caixas de som tocavam "Ave Maria" e só de ouvi-la eu já me arrepiava, de emoção.
Alguns passos depois, nos deparamos com uma esquina onde várias pessoas postavam-se, a observar atentamente algo. Evidente que nossa curiosidade nos levou a ir lá, também. E lá chegando, avistamos na outra ponta dessa rua, a imagem da santa. Não tardou muito, e uma pessoa começou a anunciar que a procissão já estava para começar.

Me faltou pouco para não chorar. Chorar de emoção, sabe? Eu ali, a admirar a imagem da Santa; atrás dela, o pôr-do-sol. E todos entoando cânticos de louvor. Que momento lindo. E outra coisa que me emocionava um bocado, era o fato de que não havíamos planejado nada daquilo. Não foi intencional, o local, o horário... e no entanto, tudo havia dado tão certo para que estivéssemos presentes ali, naquele momento... O sincronismo perfeito de passos, de paradas, de trajeto.
E veio caminhando lentamente sobre o tapete de serragem colorida a procissão. Ao ver a imagem passando por nós, me senti verdadeiramente abençoado.

Finda a procissão, finalmente pudemos entrar na igreja. Repleta de gente, gente sentada, gente em pé; todos aguardando a missa. Enquanto minhas amigas seguiam rumo ao altar, fiquei parado próximo a entrada. A observar a beleza do interior daquele local. Aquela era – e ainda é – uma igreja muito especial, pra mim. Foi lá que tive a emoção de adentrar pelo corredor central, sob o som da marcha nupcial. Não, não me casei ali; apenas fui padrinho. Mas podem ter certeza de que é uma emoção sem igual. Boas lembranças...

E depois fomos nos divertir na festa. E que festa boa! Músicas italianas a animar o ambiente, o aroma delicioso vindo das barracas, a alegria contagiante de ambos os lados; tanto de quem ali estava a passeio, quanto dos que estavam a trabalho. E se falei do cheiro, não posso deixar de falar do sabor, da qualidade: Que comida boa!
Boa comida e muito boa companhia numa noite de agradável temperatura, certamente foi um domingo marcante. Desses que, de tão bons que são, nos dão a impressão de terem sido somente um sonho.

Graças a Deus que não foi; Foi é muito real. E abençoado.
Benção esta que considero dada também a todos os que me acompanham aqui.

0 (: )

2 comentários:

Anônimo disse...

Humm, lindo dia! Senti emoção parecida quando participei do Círio de Nazaré, em Belém, há quase dois anos. Inesquecível.

R. disse...

Pódicrê, Flor. (: )

Só uma pena que nenhuma das fotos que tirei naquela manhã sairam...
(: /


Alex, o Zu Lai é um templo budista que fica próximo à capital. Dá pra conhecer um pouco sobre ele, no site oficial:
http://www.templozulai.org.br/

: )