27.8.05

Salsicha sem salsicha

Em meio aos legumes enlatados expostos na prateleira de um mercado, atraiu-me a atenção uma lata de salsichas. Estranhei o fato, pois conhecia a prateleira das salsichas enlatadas e não era aquela. Foi então que percebi que se tratava de uma salsicha... vegetal!
Novidade? É claro que não. Produtos de origem vegetal preparados de forma a assemelharem-se a carne existem há algum tempo e eu mesmo já estava ciente do fato. O que me surpreendeu foi a aparência – ao menos na foto da embalagem – extremamente atraente. Por pouco não fui convencido a comprá-la. Ou melhor, por muito; A atração que causava a foto era proporcional à repulsa que causava o preço. Sim! Cara demais! Assustadoramente cara!

E então passei a pensar... Seria a soja (principal ingrediente da composição da tal salsicha) mais cara que a carne bovina? Pode ser? Não sei. Estranho isso.
Sendo vegetal, deve ser mais saudável. Só que isso justificaria seu elevado preço? Não seria isso uma forma de elitização da boa alimentação? Ou, por outro lado, o "incentivo" ao consumo dos tradicionais embutidos animais? Ah, a menos que...

Isso seja uma forma de penalizar os 'quase-desertores' ! ( surpreso )
Vamos ver se consigo transmitir-lhes a concepção que tive dos elevados preços daquilo que "parece ser o que não é", com um exemplo hipotético:
Fulano é vegetariano. E como todo e qualquer ser humano, sabe do que é feita uma salsicha. No entanto, não resistindo às tentações da carne, resolve experimentar um similar vegetal, pois dessa forma não estará infringindo seu estilo de alimentação e nem ficará com peso na consciência. Trata-se de um "pecador" indireto, portanto. Não cometeu o erro, mas persistiu no desejo de fazê-lo. Concluindo, que ele pague a penitência. E caro.

Estarei "viajando" nas idéias?
Note-se que a cerveja sem álcool também não é das mais baratas. E é bem provável que o café descafeinado também seja mais caro que o comum.
Hmm. Alguma me diz que existe algo nas entrelinhas desses preços...

Ou que me contradiga o fabricante das salsichas sem carne.

23.8.05

Um domingo como todos poderiam ser


Depois de uma agradável sessão de fotografias tiradas no templo Zu Lai em companhia de amigos, pegamos o ônibus de retorno (cujo horário já era pré-definido para as 15 horas) e voltamos a São Paulo. Meia-hora de viagem, logo estávamos de volta no centro da capital. Como o clima estava agradável, resolvemos aproveitar o restante da tarde. E como o local de desembarque era em uma praça onde realiza-se uma feira tradicional japonesa, aproveitamos para passear por ali. Finda a visitação da feira, veio a dúvida: Ainda estava cedo. Para onde poderíamos ir? E veio a sugestão: Tomar um café na Av. Paulista. Eu estava com preguiça de caminhar - ainda mais carregando toda a tralha de equipamentos fotográficos que incluia até um tripé - mas, ante a insistência das amigas, acabei cedendo. E fomos caminhando.

No meio do trajeto uma delas lembrou-se da Festa de Nossa Senhora Achiropita, famoso evento da comunidade italiana aqui nesta capital e perguntou se o local era próximo dali. E, para a nossa sorte, era. E decidimos rumar para lá. Pouco antes de chegarmos ao local da festa (que ainda estava meio deserto, pois era cedo) nos deparamos com outra feira em uma praça e, desta vez, uma feira de antigüidades. Entre ir para festa ou ver a feira, sugeri que visitássemos a feira, pois ainda era um pouco cedo para a festa (aproximadamente 17 horas), cujo ponto alto é a comida. E rodamos a feira de antiguidades, a observar e comentar. Em seguida, seguimos para a festa, que era no quarteirão seguinte.

Ainda havia pouca gente no local. Minhas amigas aproveitaram para ir na Igreja de N.S. Achiropita, pois queriam fazer pedidos. Como nem sabíamos se estaria aberta à visitação ou não, fomos lá conferir.

E lá chegando, descobrimos que ela estava fechada, mas porque estava sendo preparada para a procissão e que depois reabriria e permaneceria aberta até as 23 horas. Perguntando a que horas seria a procissão, nos foi informado que "Às 18". Olhei o relógio: 17:40. Como faltava pouco, passamos a caminhar a esmo, por entre as barracas ainda se preparando. As caixas de som tocavam "Ave Maria" e só de ouvi-la eu já me arrepiava, de emoção.
Alguns passos depois, nos deparamos com uma esquina onde várias pessoas postavam-se, a observar atentamente algo. Evidente que nossa curiosidade nos levou a ir lá, também. E lá chegando, avistamos na outra ponta dessa rua, a imagem da santa. Não tardou muito, e uma pessoa começou a anunciar que a procissão já estava para começar.

Me faltou pouco para não chorar. Chorar de emoção, sabe? Eu ali, a admirar a imagem da Santa; atrás dela, o pôr-do-sol. E todos entoando cânticos de louvor. Que momento lindo. E outra coisa que me emocionava um bocado, era o fato de que não havíamos planejado nada daquilo. Não foi intencional, o local, o horário... e no entanto, tudo havia dado tão certo para que estivéssemos presentes ali, naquele momento... O sincronismo perfeito de passos, de paradas, de trajeto.
E veio caminhando lentamente sobre o tapete de serragem colorida a procissão. Ao ver a imagem passando por nós, me senti verdadeiramente abençoado.

Finda a procissão, finalmente pudemos entrar na igreja. Repleta de gente, gente sentada, gente em pé; todos aguardando a missa. Enquanto minhas amigas seguiam rumo ao altar, fiquei parado próximo a entrada. A observar a beleza do interior daquele local. Aquela era – e ainda é – uma igreja muito especial, pra mim. Foi lá que tive a emoção de adentrar pelo corredor central, sob o som da marcha nupcial. Não, não me casei ali; apenas fui padrinho. Mas podem ter certeza de que é uma emoção sem igual. Boas lembranças...

E depois fomos nos divertir na festa. E que festa boa! Músicas italianas a animar o ambiente, o aroma delicioso vindo das barracas, a alegria contagiante de ambos os lados; tanto de quem ali estava a passeio, quanto dos que estavam a trabalho. E se falei do cheiro, não posso deixar de falar do sabor, da qualidade: Que comida boa!
Boa comida e muito boa companhia numa noite de agradável temperatura, certamente foi um domingo marcante. Desses que, de tão bons que são, nos dão a impressão de terem sido somente um sonho.

Graças a Deus que não foi; Foi é muito real. E abençoado.
Benção esta que considero dada também a todos os que me acompanham aqui.

0 (: )

18.8.05

A gata e o formigão

Às vezes a depressão parece querer nos abraçar. Mas não me entrego tão facilmente assim; eu luto. Brigo comigo mesmo, me esbofeteio, me levanto. Há que ser assim, pois o melhor amigo de cada um deve ser, antes de mais nada, si mesmo. E passo a observar em meu redor, a procura de fatos ou de objetos que me espantem os pensamentos tristes. E sempre encontro.

Ao passar pela casa de minha irmã, lá estava seu animalzinho de estimação, a brincar. Uma gatinha e seu passatempo, uma grande formiga, doravante denominada 'formigão'. Fiquei ali a observá-los, atentamente... e logo me veio em mente o diálogo entre os dois:



Gata (dando patadas nele): Por que você não fica quieto?
Formigão (irritado): E por que você não pára de me bater?
G: Mas não estou batendo em você, só quero te tocar!
F: Não está batendo, é? Acha que suas patadas não doem, por acaso?
G: Mas sou delicada, veja. (Ela cutuca-o novamente, mas desta vez vira-o de ponta-cabeça, sem querer)
F: SOCORRO! Esta gata quer me matar! (sacudindo desesperadamente as patas no ar)
G: Mas que coisa! Você reclama demais, formigão. Espere que vou ajudá-lo.
(E tenta pegá-lo de novo. Formigão se agarra na pata da gata que, sentindo cócegas, lança-o longe)

F (bufando): Pra mim chega. Cansei disto. Tchau! (e sai em disparada)
G: Espera!! (dando um salto certeiro sobre ele) Se machucou? Faço um carinho em você e estará curado (e desce outra patada no infeliz).
F (cambaleante de tanto tomar patadas): Ai... eu quero minha mãe...


E consegui abrir o sorriso novamente.
E que assim seja. Uma ótima quinta-feira a todos.

: )

16.8.05

Contra o motoqueiro imprudente

Hoje amanheço novamente ouvindo meu rádio-despertador (que costumo deixar sintonizado numa emissora de notícias) falando sobre a "briga" entre carros e motos. Ou, entre motoristas e motociclistas, para ser exato. Que este duelo já vem de longa data todos nós sabemos; a questão agora é providenciar um meio que facilite a nós (os que não costumam rodar sobre duas rodas) identificá-los.
Se algum dia você já precisou anotar a placa de um automóvel em alta velocidade e só o conseguiu com muita dificuldade - ou talvez nem tenha conseguido - deve entender a problemática que envolve as motos: Suas placas de identificação são ainda menores que a dos carros.

E por que a necessidade disso, agora? Em vista da assustadora quantidade de motociclistas que trafegam por nossas cidades a desafiar as leis de trânsito - e a nossa paciência - constantemente! Ou que me contradiga o motorista de uma cidade como São Paulo que nunca presenciou uma moto cruzando o sinal vermelho, impunemente.
Não quero "comprar briga" com nenhum dos lados; sou conscientemente contra a generalização e tenho certeza de que nem todo motociclista é assim, mas concordo que alguma coisa precisa ser feita, no sentido de acabar com essa 'festa'. Com a alegação de que são profissionais cuja rapidez no trabalho é imprescindível, desoneram-se de qualquer culpa ou remorso por quaisquer barbaridades cometidas a serviço e ainda gabam-se por sua destreza.

"Destreza" esta que, vez ou outra, arranca um retrovisor ali, risca uma lataria lá. E ai de você, motorista, se derrubar um deles. Mesmo que você esteja coberto de razão, só o fato de haver um motociclista caído no asfalto já é motivo para que vários deles se aglomerem no local, a te hostilizar. Mentira? Quem sabe se as ocorrências que já vi nesta capital tenham sido apenas fatos isolados? Talvez. Mas que a categoria é muito unida, isso é fato. Chega a dar a impressão de que unida até mesmo nodo inconseqüente como pilotam.
A sugestão de que se aumentasse o tamanho das placas de identificação foi desaconselhada por um especialista da área, e por um motivo óbvio: Se com as atuais dimensões já causam estragos, imagine se houvesse um acréscimo? Também surgiu a idéia de estamparem os dados da placa no capacete, ou mesmo num colete. Mas quem garante que isso seria cumprido à risca?

É jogo duro. Nunca fui "vítima" de nenhum transgressor sobre duas rodas, mas me espanto com os fatos que vêm ao meu conhecimento e aguardo uma boa resolução no intuito de disciplinar estes companheiros de asfalto.
E pensar que bastaria que eles tivessem o respeito às leis, e principalmente, à vida.

...

14.8.05

Por que tenho tanto receio de convidar uma amiga para me acompanhar em uma sessão de cinema? Até parece que existe algo de indecente na arte cinematográfica! (estou falando sobre filmes convencionais, claro)

E então, como diria o caricatural psicólogo, voltemos à nossa (ou à minha, pra ser mais preciso) infância para descobrir de onde vem esse trauma...
Na primeira vez em que adentrei o grande recinto, quase matei minha mãe de vergonha. Impressionado com as dimensões nunca vistas antes, exclamei - e com o entusiasmo nada discreto de uma criança com com seus poucos anos de idade:
- Uia, mãe! Que tevezona grande que tem aqui !!
Talvez naquela época já estivesse se rascunhando minha tendência ao humorismo. Mas creio que as risadas abafadas foram devidas a minha infantil ingenuidade, tão somente. E rapidamente fui acomodado em uma das poltronas, por minha vexada mãe. (tadinha)

Depois desse dia, nada de tão marcante aconteceu. Aprendi que televisão é uma coisa e tela de cinema é outra. E aprendi também a me concentrar no que está acontecendo na grande tela e não na platéia. Tanto é que sou avesso ao "piquenique" que certas pessoas costumam fazer lá dentro. Se como alguma coisa lá dentro, é por insistência da companhia. Bebidas também são evitadas, sob pena de ser forçado a correr para o banheiro em pleno meio da sessão e perder uma parte do filme. E eu ainda diria mais: Tropeçando em joelhos alheios em meio a escuridão predominante, a incomodar quem nada tem a ver com sua bexiga apertada.
E divaguei... e me perdi no meio do assunto.


A questão é: Que mal há em convidar uma amiga para ir ao cinema?
Ter seu mau gosto desvendado? ( Algo assim, uma garota decepcionada, dizendo ao seu amigo: "Puxa, eu achava que você fosse tão intelectual, mas depois dessa tua insistência em ver um filme do Van Damme... sei não..." )
Ou transparecer o desejo de assumir um compromisso (sem perceber)? ( Exemplificando de novo; chega a moça no local marcado para o encontro, acompanhado de um senhor com ares rígidos e ela, efusivamente esclarece: "Oi! Este é meu pai. Ele fez questão de me trazer até aqui porque queria conhecer meu novo namorado pessoalmente! ". O amigo arregala os olhos e engole a seco: "Namorado?!" - pensa - "Mas quem falou em namoro aqui? Era só um convite pra ver um filme..." )

Ou quem sabe, a sala de cinema possua um poder oculto (assim como possuem os comerciais de sorvete e sofás infláveis, de nos persuadir a comprá-los) transformador, que de médicos nos faz monstros ao apagar das luzes? E, induzidos pelo clima intimista da penumbra, nos leva a esquecer a ética e os bons costumes (e resistência à tentação da carne, diga-se de passagem) para assim... hã, realizar coisas que em sã consciência não faríamos? Haveria, portanto, um conjunto hipnótico composto pela carência afetiva (de uma, ou de ambas partes), pela relativa discrição do ambiente e pelo desenrolar da história na grande tela?

Oh não. Esta hipótese só pode ser aceita pelos fracos, os que não resistem à tentação de acreditar que a vida imita a arte. Claro que não descarto a possibilidade da... inspiração, mas me dou ao respeito de ir ao cinema para fazer o óbvio, que é (ao menos para mim) assistir a um filme. E apenas isso.

Imagino que alguém, ao ler isto, esteja me sugerindo a ida solitária e desconheça o motivo que me leva a não fazer isso. Pois bem, não vou mais ao cinema sozinho, porque nas raras vezes em que arrisquei ir, acabei rodeado de diversos casaisinhos que pareciam se divertir mais tirando minha concentração na tela, que assistindo ao filme propriamente dito. E ao invés de me divertir, eu ficava é irritado. Bah!!

9.8.05

Quando o feio bonito é

Tamanha é a reincidência deste tema em uma comunidade que co-modero, que resolvi escrever a respeito: A influência da aparência física em um relacionamento amoroso.

Creio que na mente de muitas pessoas ainda ecoam as palavras de (se é que não estou enganado) Vinícius de Moraes: " As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental ". E vivem as creditar suas fracassadas tentativas de viver um grande amor à falta de beleza. Como se um rosto bonito, um corpo atraente fossem pré-requisitos indispensáveis para tanto.

Claro que não sou hipócrita a ponto de dizer que a beleza plástica não é importante. Tem sim, sua parcela de influência na atração que pode vir a acontecer entre duas pessoas. Entretanto, não é o maior peso na balança, na hora de optar pelo sim ou pelo não. Pelo menos é o que penso.
Afinal de contas, o que é um namorado ou namorada? Um mero "troféu" a ser exibido aos outros? Um invejável objeto para se portar a tiracolo, como se fosse uma bolsa de refinada grife ou mesmo um valiosíssimo relógio? É claro que não.
Eu digo, e sem medo de ser forçado a engolir minhas próprias palavras futuramente, que sou incapaz de ter um romance com uma mulher somente pelo fato de ela ser uma linda mulher. Imagine: Linda, um verdadeiro colírio aos olhos; porém grossa, antipática, mal humorada, alienada, burra... Haveria chances de se pensar em um casamento? Jamais! E sequer em um namoro.

Por outro lado, existem sim, os feios. Mas que sabem cultivar uma beleza interior tão grandiosa que deslumbra a todos, irradiando seu brilho de tal forma que a feiúra corpórea torna-se um detalhezinho ínfimo, desprezível. Em alguns casos, imperceptível. E creiam-me, estes são os verdadeiros vencedores da 'corrida' rumo a realização do sonho de um romance atemporal, definitivo; pois é inevitável o desgaste da carne, ao passo que a personalidade é capaz de permanecer intacta por décadas a fio.
Talvez este "discurso" seja inútil aos jovens com energia o suficiente para amar e desamar, cair e se levantar, e cair de novo, e continuar assim tentando, sucessivamente... mas eu bem que gostaria que eles entendessem esta realidade para se pouparem de dar tantas 'cabeçadas'.

Lamentável o fato de que alguns jovens, em extremo desespero por se considerarem incapazes desta "estréia" no mundo adulto, se entreguem ao ato mais triste, mais covarde: O suicídio; este sim o pior final que existe.
Na idade em que mais vale a marca de um tênis ou de uma calça que saber se vestir com bom gosto e ao seu próprio estilo, corremos o risco de vermos mais e mais vidas se perdendo precocemente – e inutilmente – em busca de valores morais totalmente deturpados. Como a cega escravidão às regras ditatoriais da moda e da estética.

E finalmente, existe a relatividade da beleza; O que é feio para uns, pode não ser para outros e vice-versa. Ou discordam que aquela máxima não seja realista?

"Existe gosto pra tudo".
( Inclusive mau gosto, heheh )

4.8.05

Frágil sigilo (se é que há)

Um dos termos mais ouvidos/lidos ultimamente é a 'Quebra de sigilo'. Inquérito pra lá, inquérito pra cá e dá-lhe quebra de sigilo telefônico e bancário. Mas não se enganem, não vou ser mais um a aumentar ainda mais a multidão dos que adoram comentar as estripulias do Roberto Jefferson ou sobre o brilho ofuscante do carequíssimo Marcos Valério. Não.

O tema é: Quebra de sigilo... internético!
Certo que não há nada de novo nisso, mas percebo que às vezes nos esquecemos de que nossos passos online podem ser rastreados e ficamos à vontade demais. Em um dos blogs que freqüento – que obviamente não direi qual – e talvez em muitos outros, está instalado um recurso que permite ao proprietário do site "ver" quem são os visitantes e inclusive saber de onde eles vieram. Se através de um link, de um outro site.

A princípio pensei: "Não há mal nenhum nisso, já que sou uma pessoa comum, de ações comuns, de comentários até que bem comunzinhos" e não dei muita importância ao fato. Entretanto...
Só depois é que fui me dar conta do tamanho do perigo. Sou uma pessoa comum, um homem comum. E o que faz um homem comum na internet, além das costumeiras utilidades e futilidades? Quem pensou em sacanagem aí, acertou. Não as sacanagens da esfera política, nem as ações perniciosas de hackers. É de sexo mesmo, que estou falando.

Tudo bem que já era de se imaginar que eu fosse um tipo de visitante de sites, ahn... cof cof, impróprios para menores de 18 anos (além do Orkut que, pra quem não sabe, é oficialmente proibido para menores, mas... hah) mas daí a ser imperceptivelmente descoberto por quem talvez eu menos espere...
Haveria nisso um misto de quebra de sigilo e invasão de privacidade? Creio que sim. Mas não critico quem o faça, embora me sinta temeroso. A alegação é a segurança. Assim como em tempos da ditadura militar, quando sua casa poderia ser invadida aos pontapés e ter todos os ambientes revirados (e sua pessoa, inclusive), à caça de um suposto comunista sob o discurso de que era "tudo para a sua segurança". Convenhamos, hoje em dia existem coisas muito piores que comunistas, que além de comerem criancinhas, vivem tentando dementar o disco rígido do seu computador ou então capturar sua senha do cartão de crédito.

Eu não faço nada disso, mas como creio que seja impossível obter um "habeas corpus preventivo" desses programas que deduram nossas clicadas mais libidinosas, pretendo estar mais atento aos meus próprios passos. Não que esteja fazendo o "voto de castidade online", mas de agora em diante vou...

... ug.
Pensando bem, acho que não tenho como escapar dessa devassa eletrônica, não.
Que os céus – e minhas amigas mais pudicas – me perdoem.

: /

1.8.05

Não torpedeio, sou da paz.

Não sou fissurado em celular, quase nem uso o que possuo; geralmente ele fica jogado no fundo de uma gaveta, inclusive. Mas atendendo a insistentes pedidos de minha ex para que eu mandasse um recado para o celular dela, finalmente resolvi mandar o meu primeiro tal do "torpedo" (só que via internet, pois o meu aparelho está descreditado. Se bem que eu o definiria como 'desacreditado', mas deixa pra lá, hehe).
E não é que gostei? Em menos de 5 minutos já estava apitando no meu aparelho a resposta dela, eufórica. E claro, abri um baita sorriso nessa hora. (: ]

Apesar desta introdução bem ao estilo "Meu querido diário", o que quero escrever é sobre o termo – que parece que pegou pra valer mesmo – utilizado para definir aqueles breves recadinhos enviados através do celular: O Torpedo.

Diz a definição: Torpedo, s. m. Engenho de guerra submarino que explode ao bater contra um obstáculo.
Presumo que isso já seja do conhecimento de todos, mas coloquei aqui só para destacar o motivo do meu inconformismo. Não entendo muito do assunto, mas me parece que a analogia surgiu com o chamado correio elegante. Com o flerte, enfim.
Mas por que se usar um termo tão belicoso para isso? Ora se os reais torpedos não são completamente traiçoeiros, como uma punhalada pelas costas? Que o digam as embarcações afundadas em tempos de guerra! Submerso e sorrateiro, lá ia o submarino "às escuras" se aproximando do navio inimigo até que ... [sonoplastia de lançamento de torpedo] e, em segundos, uma explosão seguida do caos a bordo da embarcação atingida. O desespero da tripulação. Mortos e feridos. E mais mortos, os que não conseguiram se agarrar a um dos botes salva-vidas a tempo...

Puxa vida! Discordo do uso do termo. Isto não é uma batalha naval! Ou... no modo figurado, seria a guerra dos sexos? O suspiro apaixonado do amado (ou da amada) seria a "conquista de Monte Castelo" amorosa? Fuzileiros mortos seriam os bombons que ela atirou na parede, por estar de regime e ainda por cima, na TPM? Não, não.

Definitivamente, sou da paz. Fora com a belicosidade, mesmo que não intencional.
... e justamente agora me lembrei da imagem do cupido, portando seu arco e flecha
... que, talvez não por acaso, também são originalmente... armas! Ugh. : P

Tudo bem, vá. Quando avistei a P., fui flechado sim, mas com uma flecha cuja ponta era uma ventosa plástica e não me sangrou, e muito menos doeu. Só que acho que o danadinho do cupido havia pingado algumas gotas de superbonder antes de atirar, pois esta flecha está grudada tão firme aqui dentro, quanto as raízes de um centenário carvalho no solo de uma floresta.
E acabei mudando um pouco o rumo da conversa, mas para concluir:

Eu não envio torpedos. Só envio mensagens de texto ao celular.
; )