15.11.09

Revisão do Acordo Ortográfico

É, gente, eu havia me declarado um ferrenho opositor às modificações impostas pelo (argh) Acordo Ortográfico mas agora estou tendo que engolir suas regras, sob pena de perder alguns valiosos pontos em um concurso público (ou mais, talvez) caso insista em permanecer preso à norma antiga.

Assim resolvi escrever sobre o assunto e com isso atualizar blog e, de quebra, estudando a matéria. Vamos lá...



Fundamentado no Decreto Federal nº6.583 de 29 de setembro de 2008, logo de cara temos o seguinte no parágrafo único do Artigo 2º: "A implementação do Acordo obedecerá ao período de transição de 1o de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2012, durante o qual coexistirão a norma ortográfica atualmente em vigor e a nova norma estabelecida." Bateu a dúvida: Se ambas normas coexistirão (serão consideradas corretas, presumo) durante esse tempo, por que as novas – e tão somente estas – são exigidas nos concursos? E mais: Se estou certo nessa conclusão quer dizer que até o final de 2012 poderei continuar escrevendo à moda antiga que estarei certo. Certo? Não sei.

Dígrafos finais (ch, ph, th) quando mudos serão suprimidos. Ou seja, Joseph vira José. E Nazareth, Nazaré (à exceção da banda de rock escocesa, espero.) E Bach, o compositor erudito, se tornará "Bá"? Johann Sebastian Bá??? Bah! >:P

Desumano é tudo junto e sobre-humano é separado. Hmm... é, "des-humano" não poderia ser, muito menos "deshumano", mas por que não "sobreumano"? Vixe, que estranho. É, fica mesmo desumano assim...

IV,1,C: "O c, com valor de oclusiva velar, conserva-se ou elimina-se, facultativamente, quando se profere numa pronúncia culta, quer geral, quer restritamente, ou então quando oscila entre a prolação e o emudecimento". Traduzindo: Dicção pode ser dição. E recepção pode ser receção. (é o que está no texto do decreto, juro!) No país da recessão agora teremos também receções? Valha-me Deus!

V,2,E: "Existem verbos em –iar, ligados a substantivos com as terminações átonas (ia , io), que admitem variantes na conjugação: negoceio ou negocio (cf. negócio); premeio ou premio (cf. prémio/prêmio); etc." Hein? Eu negoceio? Eu premeio?? :p

V,2,G: "Os verbos em –oar distinguem-se praticamente dos verbos em –uar pela sua conjugação nas formas rizotônicas, que têm sempre o na sílaba acentuada (e que não é mais acentuada, parêntese meu): abençoo, destoo, etc."(assim como nas paroxítonas como enjoo, voo, conforme IX,8)

VIII,1,A: Puré ou purê? Ambas! Bebê ou bebé? Ambas! Corretas!! Pode? Poooode.

IX,3: )"Não se acentuam graficamente os ditongos representados por ei e oi da sílaba tônica das palavras paroxítonas, dado que existe oscilação em muitos casos entre o fechamento e a abertura na sua articulação." Traduzindo: Ideia, assembleia, proteico, heroico, paranoico... Paranoico fico eu, com este item do Acordo, bah!!
E "apoio" perdeu acento, tanto na conjugação verbal "ex: Eu não apoio este maldito Acordo", quanto no substantivo. Ahn... no substantivo acho que nunca teve mesmo, né.

IX,5,C: Permanece a diferenciação: "Ele tem, eles têm". Viva!!

IX,7: "Prescinde-se de acento circunflexo nas formas verbais paroxítonas que contêm um e tônico oral fechado em hiato com a terminação –em da 3ª pessoa do plural do presente do indicativo ou do conjuntivo, conforme os casos: creem, deem (conj.), descreem, desdeem (conj.), leem, preveem, redeem (conj.), releem, reveem, veem." Tsc!

IX,9: "Prescinde-se, quer do acento agudo, quer do circunflexo, para distinguir palavras paroxítonas que, tendo respectivamente vogal tônica aberta ou fechada, são homógrafas de palavras proclíticas". Traduzindo: "Você não pára para mais, você simplesmente para. E para que você quer parar? Para com isso, meu!" Simples assim. E teus pelos também não têm mais acento. Pelos pelos do Tony Ramos! Sim, é verdade... e tem mais: agora é polo. Norte ou sul, é polo. Visionária foi a Volkswagen, ao criar o Polo.

XIV: É a extrema-unção do trema. De agora em diante ele só serve para ser usado em nomes próprios e-olha-lá e também para fazer emoticons "otaku" como este: ¬¬¨

XV,4e5: Bem-me-quer, mal-me-quer... arranque-lhe as pétalas mas não o hífen. Estando bem ou mal-humorado. Assim como o sem-vergonha, que perde tudo, menos o hífen... também.

XVI, 1,B: Micro-ondas, assim como pseudo-objeto, estão unidos pelo hífen. Não sei se já era assim antes, mas... eu não sabia. (Mas sei que "pseudoblog" era e continuará sendo tudo junto, hoho hoo)

XVI,1,C: Pan-americano é separado. Tudo junto, só a financeira do Silvio Santos.

XVI,2,A: "Não existe hífen nas formações em que o prefixo ou falso prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s, devendo estas consoantes duplicar-se". Ou seja, se a Geisy não estivesse vestindo um minivestido (tudo junto) e sim uma minissaia, esta estaria, inevitavelmente, com dois "s". Seguem a mesma regra o contraRRegra e a contraSSenha. Estranho, mas é. :/

XVI,2,B: "Também não tem hífen as formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por vogal diferente, como em extraescolar, autoestrada, hidroelétrica". Mesmo que esta seja a Itaipu com seus apagões, ainda é hidroelétrica!

XIX,1,D: Fulano, ciclano e beltrano, coitados, além de condenados ao eterno anonimato, sequer têm direito à inicial maiúscula. (Meu fulano só ganhou a maiúscula por estar no começo da frase, veja só.)



E estes foram os pontos que mais me... hã, incomodaram nesta porr... porcaria de Acordo – do qual não estou de acordo mas enfim...

:/

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