... quando dá, é ouvidos.
Hoje recebi a ligação de um pesquisador do banco do qual sou correntista, a fim de saber minha opinião sobre seus serviços. Notei que não se tratava de uma fraude – coisa tão comum hoje em dia, infelizmente – porque, além de iniciar a conversa citando meu nome completo, não perguntou nenhum dado pessoal meu; endereço, emprego, rendimentos ou outros valores, nada. Do começo ao fim, apenas a minha opinião.
A sorte daquele educado moço do outro lado da linha é que hoje eu não havia, como é quase que de costume, passado maus bocados ao tentar usar os terminais eletrônicos. Do contrário creio que eu teria sido injusto, descarregando toda a minha fúria com algo que, em tese, deveria facilitar a vida dos correntistas – o que nem sempre acontece – e isso em cima de um inocente. (Afinal, o pesquisador não era exatamente um funcionário do Banco, era de uma empresa especializada em pesquisas, contratada por este. E, mesmo que fosse um funcionário da instituição financeira, que culpa o infeliz teria, do funcionamento deficiente de caixas eletrônicos?)
Os parâmetros utilizados foram: Muito satisfeito, satisfeito, nem satisfeito nem insatisfeito, insatisfeito e muito insatisfeito. Estranhamente – ainda mais depois do parágrafo anterior – minha média ficou em "satisfeito". Em muitos casos, indiferente:
– Como o senhor se sente com o atendimento dado por seu gerente?
– Eu sei lá? Nem sei quem é meu gerente...
– Qual sua consideração quanto ao atendimento na agência?
– Nos caixas eletrônicos?
– Não, nos caixas convencionais e outros serviços, durante o horário do expediente.
– Indiferente. Afinal, nesse horário estou no trabalho e nem posso ir ao banco.
Mas, hah! Quando ele, finalmente, questionou minha opinião sobre o auto-atendimento não me fiz de rogado e respondi, em alto e bom som: "MUITO innnnnsatisfeito", enfatizando o "in" para que ele não entendesse o contrário. E sobre as taxas cobradas pelo banco? Estivesse eu num daqueles momentos de sarcástico mau humor teria retrucado: "Não tem a opção extremamente innnnsatisfeito? Ou p* da vida de insatisfeito??" mas, como hoje nem estava a tanto, arrematei com o "muito INsatisfeito" mesmo.
Concluído o questionário-enquete, agradeceu e desligou.
Uma pena que tais ações visem mais a uma certa "praxe" comercial, que a mudanças reais em prol do bem-estar... ou sei lá, de um pouco mais de conformismo do correntista...
3 comentários:
Imaginei você esticando o 'in'. Eu sempre finjo que não estou.
"O senhor Audrei está?"
"Não, ele foi na casa de um amigo e volta só depois das onze da noite."
Afff, além de tudo sou confundido com um homem.
Hahaha, o comentário anterior foi ótimo. =D
Meu banco nunca liga pra saber minha opinião. Mas acho que sou mais INdiferente que qualquer coisa.
Surpreendente. Confundirem "Naoko" (nome feminino japonês) com homem ou "Yuri" (homem em russo e mulher em japonês) até vá lá, mas Audrei? Será que nunca ouviram falar na Hepburn??
E mesmo que te liguem, Flores, de que adiantará? Tenha a certeza de que nada mudará...
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