30.4.09

O banco não te dá desconto...

... quando dá, é ouvidos.


Hoje recebi a ligação de um pesquisador do banco do qual sou correntista, a fim de saber minha opinião sobre seus serviços. Notei que não se tratava de uma fraude – coisa tão comum hoje em dia, infelizmente – porque, além de iniciar a conversa citando meu nome completo, não perguntou nenhum dado pessoal meu; endereço, emprego, rendimentos ou outros valores, nada. Do começo ao fim, apenas a minha opinião.

A sorte daquele educado moço do outro lado da linha é que hoje eu não havia, como é quase que de costume, passado maus bocados ao tentar usar os terminais eletrônicos. Do contrário creio que eu teria sido injusto, descarregando toda a minha fúria com algo que, em tese, deveria facilitar a vida dos correntistas – o que nem sempre acontece – e isso em cima de um inocente. (Afinal, o pesquisador não era exatamente um funcionário do Banco, era de uma empresa especializada em pesquisas, contratada por este. E, mesmo que fosse um funcionário da instituição financeira, que culpa o infeliz teria, do funcionamento deficiente de caixas eletrônicos?)

Os parâmetros utilizados foram: Muito satisfeito, satisfeito, nem satisfeito nem insatisfeito, insatisfeito e muito insatisfeito. Estranhamente – ainda mais depois do parágrafo anterior – minha média ficou em "satisfeito". Em muitos casos, indiferente:

Como o senhor se sente com o atendimento dado por seu gerente?
– Eu sei lá? Nem sei quem é meu gerente...

Qual sua consideração quanto ao atendimento na agência?
– Nos caixas eletrônicos?
Não, nos caixas convencionais e outros serviços, durante o horário do expediente.
– Indiferente. Afinal, nesse horário estou no trabalho e nem posso ir ao banco.

Mas, hah! Quando ele, finalmente, questionou minha opinião sobre o auto-atendimento não me fiz de rogado e respondi, em alto e bom som: "MUITO innnnnsatisfeito", enfatizando o "in" para que ele não entendesse o contrário. E sobre as taxas cobradas pelo banco? Estivesse eu num daqueles momentos de sarcástico mau humor teria retrucado: "Não tem a opção extremamente innnnsatisfeito? Ou p* da vida de insatisfeito??" mas, como hoje nem estava a tanto, arrematei com o "muito INsatisfeito" mesmo.

Concluído o questionário-enquete, agradeceu e desligou.

Uma pena que tais ações visem mais a uma certa "praxe" comercial, que a mudanças reais em prol do bem-estar... ou sei lá, de um pouco mais de conformismo do correntista...

3 comentários:

Anônimo disse...

Imaginei você esticando o 'in'. Eu sempre finjo que não estou.

"O senhor Audrei está?"
"Não, ele foi na casa de um amigo e volta só depois das onze da noite."

Afff, além de tudo sou confundido com um homem.

Reginacelia disse...

Hahaha, o comentário anterior foi ótimo. =D

Meu banco nunca liga pra saber minha opinião. Mas acho que sou mais INdiferente que qualquer coisa.

R. disse...

Surpreendente. Confundirem "Naoko" (nome feminino japonês) com homem ou "Yuri" (homem em russo e mulher em japonês) até vá lá, mas Audrei? Será que nunca ouviram falar na Hepburn??

E mesmo que te liguem, Flores, de que adiantará? Tenha a certeza de que nada mudará...