O que aconteceu foi que, como passo o dia inteiro fora de casa, no trabalho, só me restava a tarde de sábado – porque trabalho meio-expediente nesse dia – para aguardar a visita do técnico que iria fazer a reinstalação. E justamente, como não havia outra opção, pedi que o serviço fosse realizado nesse período.
Pois bem. Marcaram um sábado dias depois e nessa data fiquei a postos, ansioso em voltar a ter telefone e internet. As horas se passaram e nada. Passei a tarde toda contemplando um aparelho de telefone tão inerte e inútil quanto uma estatueta de pingüim sobre a geladeira.
Na semana seguinte recebo outro contato da companhia telefônica, a fim de confirmar a instalação da linha para outro sábado vindouro. Mas assim... como se não tivesse acontecido nada, como se aquele fosse o primeiro agendamento. Fiquei indignado. Questionei a razão que teria levado o técnico a não comparecer aqui. E, como era de se esperar, recebo uma resposta-padrão (dessas que todo atendente de telemarketing tem na ponta da língua): "O imóvel encontrava-se fechado, senhor".
De fato fechado estava, pois moro num condomínio, desses que têm muros em redor e um portão eletrônico na entrada. Mas retruquei: "E o sujeito nem quis tocar a campainha??". Blablablás inúteis à parte, ficou confirmada nova data. Eu tinha compromisso nesse dia, mas em vista de minha ansiedade em ter de volta a linha e um perceptível aborrecimento com o desencontro inicial, protelei a saía e me comprometi a estar presente, novamente, nessa outra tarde de sábado.
E assim foi feito. Chego do serviço às pressas, não querendo deixar nenhuma margem para o técnico justificar a ausência de novo. E fico...
"A ver navios". Ou carros, motos. Cada veículo que se aproximava do portão do prédio era motivo para eu esticar o pescoço, esperançoso em avistar alguém da companhia telefônica. No final da tarde, a noite já caindo sobre a cidade, pára ali um motoqueiro, olhando a fachada e conferindo o endereço daqui. "É ele! É ele!", pensei. Em vão. Era só um entregador de fast food. E dei por encerrada outra tarde de espera perdida.
Na outra semana, repeteco do blablablá da telefônica e perdi a compostura:
– Será que dessa vez posso acreditar que esse técnico virá mesmo?
– Sim senhor, está confirmado para este sábado, entre as 14 às 18 horas.
– E desta vez me mandarão alguém que conhece um aparelho chamado interfone, que tem botõesinhos com números de cada apartamento deste prédio e no meio destes, o meu? Ou terei que ensinar o imbecil a apertar o botão e aguardar minha voz soar pelo fantástico aparato?
– O técnico será orientado para que o chame através da campainha, senhor.
– E se caso ele só estiver com preguiça de trabalhar num sábado à tarde oriente-o para que ligue para mim, neste mesmo número de celular no qual estamos conversando agora, avisando que preferiu ficar no bar tomando cervejas e pronto! Pelo menos não ficarei inutilmente esperando e poderei aproveitar melhor meu restante de sábado. É possível? Ou é pedir demais?
– Certo, senhor.
Mais uma tarde de sábado. Prevendo o pior, trouxe uma garrafa de vinho para bebericar durante a espera. Para me acalmar, também, pois minha vontade era de linchar um técnico de companhia telefônica assim que me deparasse com um. Mas como não podia fazê-lo – ao menos não antes que o mesmo transferisse minha linha – fui mandando minha raiva goela abaixo com goles de um tinto barato. Só pra aumentar minha irritação, meus créditos de celular haviam acabado dias antes. Eu estava completamente incomunicável com o mundo, à exceção de alguém que me ligasse – o maldito técnico, talvez? – e de eventuais berros na varanda.
E adivinhem: Ele não apareceu.
Na outra semana, replay de alguns parágrafos anteriores. Não mudei o tom: "Por acaso vocês estão achando que tenho cara de palhaço?", "Terei de levar o caso a público, aos jornais? Ou ao tribunal mesmo? Será que assim irão me levar a sério??"
Finalmente levaram a sério. Não sei se foram as ameaças que funcionaram ou se foi o técnico que, só pra variar um pouquinho, resolveu trabalhar, mas nesse sábado-final-da-série-martirizante enfim voltei a ter minha linha telefônica ativa novamente.
Em tempo de ligar pra SP e falar com o pessoal de casa, principalmente com minha mãe. Ô saudade!
3 comentários:
Passei por uma romaria semelhante com o meu aquecedor. A diferença é que quando o pessoal da entrega chegou, eles estavam tão p* quanto eu.
Meus Deus, eu teria linchado, sim! :O
Até parece que a gente tem culpa por estar empregado e passar o dia todo fora...
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