20.9.07

Testimonial, O

Bateu uma saudade da época em que eu, orkutiano inveterado, fazia depoimentos – naquele tempo, testimonials. Tinha um costume de fazer isso que beirava à compulsão. É claro que não o fazia sem fundamento e tampouco sem um mínimo de conhecimento prévio do dedicado. Se recebesse a encomenda por parte de um completo desconhecido, creio que faria algo parecido com o que fez Gregório de Matos, o "Boca do Inferno", em um soneto que não consegui resgatar, infelizmente. Depoimento carece de afinidade, apreço e, claro, a já citada mínima convivência, mesmo que virtual.

E pensei: Por que não escrever um para minha amada, aqui mesmo neste espaço?
"Mas nem é dia dos namorados nem data especial nenhuma", respondi a mim mesmo e havia abandonado a idéia por alguns segundos, tempo o suficiente para me dar por conta que não somos obrigados a nos atermos e – principalmente – a nos restringirmos a datas que são mais comerciais que outra coisa. Então coloquei o Louis Armstrong pra tocar e parti para a inspiração.


Mulheres, existem muitas. Das mais impecáveis às que poderiam ser chamadas de "O primeiro rascunho vago que Deus fez de uma companhia para o Adão". Virtudes em umas, defeitos em outras, quem é são o suficiente para afirmar sem titubear o que é a perfeição em uma mulher? O corpo? O caráter? Sua cultura? Sua sensualidade? Sua fé?
Pois afirmo que é a alquimia disso tudo e algo mais, alguma coisa que não está na pele, nem no pensamento. É possível que esteja na alma, a tão buscada perfeição.

E a alma, enfim, derruba por terra toda a estereotipia do ideal amoroso imposto pela sanidade, pela sociedade que insiste em ditar regras a algo tão abstrato que é o amor. E nos tornamos loucos, ensandecidos da loucura mais sadia que se poderia criar neste mundo.

Alguém mais precipitado poderia concluir erroneamente que, com estas palavras eu estaria dizendo, em entrelinhas, que "Só um maluco para amar esta mulher!", mas a situação é exatamente a inversa; ama-se pelo que ela é, só para depois então adentrar no mundo mágico que é o da combinação perfeita, dos sonhos que se vivenciam acordados, do compartilhamento harmonioso das incompatibilidades, dos olhares que tagarelam em silêncio, dos toques que vão além da pele...

Amar alguém é estar no paraíso sem tirar os pés da terra e por isso me sinto tão leve quando penso em minh'amada Patrícia...

Soundtrack: "What a wonderful world", do inesquecível Louis Armstrong.

8 comentários:

Unknown disse...

U-A-U!

Anônimo disse...

Eu adoro essa música!

Anônimo disse...

Você é meu sorriso, a manifestação de meus lábios quando meus olhos encontraram o que meu coração procurava. Amo-te.
Pat

R. disse...

Ni, updateei: Agora vc pode ouvir a canção, se quiser!
; )

Pat, te respondo pessoalmente!
; )

Cami, vc que é casada; fala a verdade: O legal é fazer isso sem que seja nenhuma data especial, né não?
; )

Non Sequitur disse...

arruma uma conexão melhor que eu te passo "Ain't misbehavin'", para te inspirar de novo!

Unknown disse...

Exatamente, Ricardo! Quando tem uma data especial, sempre fica aquela dúvida se foi somente por causa da data...

Beijo pros dois, parabéns!

;)

A Autora disse...

De tirar o fôlego, Ricardo! Parabéns - não apenas pela sua capacidade de expressão, mas principalmente pela sua capacidade de sentir e de se entregar.
Sejam felizes!

Anônimo disse...

Oh meu Deus! Coisa mais linda! =)

Que vocês vivam felizes para sempre...