13.9.07

A etiqueta não está na etiqueta

Levei o maior sermão da Patroa por ter me vestido com uma camiseta da seleção brasileira para ir a uma festa de aniversário infantil. "Camiseta de time não se usa pra eventos sociais", disse-me, ríspida.

É claro que no convite de uma festa desse tipo nem poderia constar "Traje de gala ou esporte fino" e por isso mesmo achei que poderia ir vestido daquele jeito: Tênis, calça jeans e uma bonita camisa da seleção*, oficialíssima, da Nike. Em parte havia imaginado que a imponência da marca livraria qualquer ônus da banalidade mas...

Em vão. Fui forçado a trocar de camiseta às pressas, e à minha revelia. "Ainda se fosse uma dessas 'Nikes Made in Aquela-terra-que-falsifica-tudo' eu até entenderia", pensava consigo, enquanto vestia a outra roupa. E fiquei a matutar o porque de não poder comparecer a uma festinha infantil, que aconteceria no game center de um shopping center – nada mais casual, não? – homenageando o time de futebol nacional.

Talvez por ser inevitável a analogia que se faz do referido esporte com o desleixo; com a plebe rude cheirando a desodorante vencido, histericamente esbravejando impropérios com indisfarçável mau hálito de cerveja e/ou cachaça? Talvez.

Mas nunca estive em um estádio de futebol. E muito menos com aquela camiseta. Era – e ainda é – uma peça do vestuário que afinava muito mais com shoppings que com arquibancadas fervilhantes. Entretanto, como sei que quase sempre me dou mal quando vou de encontro à opinião dela aqui, já sei qual deve ser a resposta certa: Não importa se é aniversário de adulto ou de criança, se é em um shopping center ou em um refinado salão de festas, evite ir com camiseta de futebol. Nem sendo da seleção brasileira. Nem mesmo sendo da Nike, da Puma, da Adidas ou seja lá de que marca for, e por mais renomada que seja.

Só quem não sabia dessa regra de etiqueta era eu.

: /


*Só pra ajudar na visualização: Não é daquelas amarelo-canário, com o nº10 e o nome "Ronaldo" nas costas, mas sim uma azul-marinho, com um discreto bordado da CBF e nenhum número...

12 comentários:

Anônimo disse...

Xiiiii. O melhor é acatar a recomendação e não questionar muito...

Unknown disse...

Eu concordei com a patroa...

R. disse...

Tô dizendo? Ela sempre ganha apoio aqui!

: p

Anônimo disse...

Eu nunca vivi situação parecida, mas fiquei na dúvida. :S

Anônimo disse...

Oi Takeda Junior, faz tempo que não passo por aqui!!
Bjos

Non Sequitur disse...

impressão minha ou "esporte fino" é um oxímoro?

Anônimo disse...

Tenho uma teoria para isto: evitar o consumismo. Talvez tenha sido essa a idéia da patroa, evitar que as crianças se sintam tentadas a comprar também.

Melhor o azul da seleção, do que o verde marca-texto do Palmeiras.

Iiih esqueci que tu num gosta de futebol.

R. disse...

Aquele uniforme novo do Palmeiras está mesmo esquisito, Issamu!

: D

A Autora disse...

Ricardo, mais um voto para a Patroa. Camisa de seleção não importa de que marca seja: só para a praia ou ambientes tão à vontade quanto.
(pior que isso só se fosse a amarelinha!)

Unknown disse...

Curioso como isso varia por região... aqui em São Paulo, sendo oficial e do Brasil, para um aniversário infantil, estaria bem apropriada essa camisa. Distinto seria se fosse um evento noturno ou um casamento, por exemplo.

Unknown disse...

Eu me senti meio assim quando fui ao Maranhão. Achei super estranho o hábito de comprarem edredons para cobrir a cama numa terra onde no ano seis meses são de verão com chuva e seis meses são de verão sem chuva. Como estava ajudando minha amiga com a mudança e a decoração, fomos comprar cortinas, tapetes, etc. Havia um lindo só que claro. Comentei que era uma pena porque quem em sã consciência e em nome da praticidade colocaria um tapete tão claro na sala, ao que a vendedora retrucou, francamente chocada: quem é que cometeria tamanha falta de educação de pisar calçado dentro de casa, ainda mais sobre o tapete!? Algo perfeitamente comum aqui em São Paulo. Tem mais coisas, mas deixo para outra ocasião. Como vê, o óbvio a esse respeito não existe.:)

Unknown disse...

Eu me senti meio assim quando fui ao Maranhão. Achei super estranho o hábito de comprarem edredons para cobrir a cama numa terra onde no ano seis meses são de verão com chuva e seis meses são de verão sem chuva. Como estava ajudando minha amiga com a mudança e a decoração, fomos comprar cortinas, tapetes, etc. Havia um lindo só que claro. Comentei que era uma pena porque quem em sã consciência e em nome da praticidade colocaria um tapete tão claro na sala, ao que a vendedora retrucou, francamente chocada: quem é que cometeria tamanha falta de educação de pisar calçado dentro de casa, ainda mais sobre o tapete!? Algo perfeitamente comum aqui em São Paulo. Tem mais coisas, mas deixo para outra ocasião. Como vê, o óbvio a esse respeito não existe.:)