Pra quem está começando a carreira artística (especificamente falando, como músico), todo espaço na mídia é batalhado e valioso, por mais que breve que este seja. Aparecer na televisão pode ser o trampolim para ser reconhecido por mais pessoas além das que são vizinhas à garagem-estúdio da banda.
Eis que nesta tarde, assistindo a um programa de auditório num canal regional, vejo um desses espaços abertos aos novos talentos. Num minúsculo cenário praticamente isento de decoração – pra não dizer tosco – 5 rapazes se apresentavam. Mas era mais que perceptível a dublagem da música previamente gravada; a guitarra e baixo elétrico eram "wireless", e a bateria era composta de um chimbau e uma caixa.
Pra quem não sabe, uma bateria, por mais básica que seja, deve ter no mínimo 7 peças. Daí pode se ter uma noção de quão patética era a cena do baterista tentando fingir que tocava as 7 peças em 2, somente. Quanto aos instrumentos de corda, não duvido nada que realmente possa existir um modelo wireless (sem fio), ainda mais com a tecnologia em constante avanço, mas tenho a certeza de que aqueles ali... ah, aqueles ali precisariam dos fios, sim. E ligados a um amplificador, outro objeto que o contra-regra nem fez questão de incluir na encenação.
Pra quem entende algo de instrumentos musicais – os próprios músicos, no caso – aquilo deve ter sido um tanto quanto constrangedor, beirando ao ridículo. No entanto, considerando-se o público alvo – menininhas que compram um cd só porque o cantor é um "gateeenho" e o ritmo é "dançável" – a empreitada deve ter sido bem sucedida.
"Tocaram" bem. Das que vi até hoje, esta não foi a pior.
Se a promoção surtirá efeito, só Deus e a audiência sabem. Se é que havia alguma audiência naquele horário e canal, além de um desocupado como eu...
2 comentários:
Acho legal abrir espaço para novos talentos, mas me considero incapaz de fazer isso.
Tive a sorte de conhecer excelentes cantores e cantoras fora da mídia. Se vc tiver esse interesse, onde vc está tem um endereço certo: Aky discos da imperial. Procure Cícero por lá. O cara é um minerador!
Só quando eu aprender a tocar ou cantar, Ana.
: p
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