Hoje, como a previsão do tempo era de um tórrido – em termos paulistanos, evidentemente – calor de 32º, resolvi ir trabalhar vestindo uma bermuda velha de moleton, contrariando a minha costumeira calça comprida. Esta é uma das vantagens em ser patrão, admito.
E, francamente, me senti muito bem, mais ágil, inclusive, sem aquela sensação incômoda de amarras que uma calça faz, sobre o corpo suado.
Estava usufruindo desse bem-estar sem nenhum remorso até que fui alertado por um vizinho, proprietário de oficina automotiva também, de que algumas pessoas reprovariam tal vestimenta. Retruquei, dizendo que "os clientes me procuram pela qualidade do meu serviço, não pela forma como me visto, oras bolas!" no que ele me explicou:
– Certa vez, tive um funcionário que um dia me apareceu aqui para trabalhar vestindo uma bermuda. E vindo um casal de namorados para fazer um serviço, aconteceu que o namorado acabou se invocando com o detalhe do atendente.
Por certo deve ter justificado seu protesto com algo do tipo "é uma falta de profissionalismo" ou "é anti-ético para a imagem da empresa", mas na verdade deve ter se enciumado por presenciar sua namorada a observar exageradamente as pernas desnudas do funcionário.
E cá fiquei a refletir a respeito; é falta de respeito para com o cliente?
Se existem profissionais muito mais dignos de respeito do que eu que vestem suas bermudas e ninguém, ao menos aparentemente, fica incomodado com isso, por que eu não poderia?
Ainda se fosse uma bermuda extravagante, toda florida ou cheia de grafismos como as de esportistas até vá lá, eu concordava, mas a minha? Uma bermuda bem comportada, barra nos joelhos, sem estampa alguma, e na cor azul-marinho, tal qual a parte de cima? Ah!
E lembrei do episódio de um desses enlatados norte-americanos que vi, certa vez. Um grupo de amigos e amigas recebe um novo integrante e este tem o hábito de usar bermudas. Mas o caso tem um agravante: O sujeito também tem a péssima mania de pôr os pés sobre a mesa e, detalhe; não usava cueca. Daí é óbvio que os rapazes da turma logo se invocaram com o recém-chegado e, no decorrer do capítulo deram um jeito no sujeito. Só não me recordo como acabava a história, mas enfim...
O que importa é que minha bermuda não é indecente e não acato esse ponto-de-vista "casal neuras*!".
*Pra quem não sabe, "Casal Neuras" é uma tira criada pelo cartunista Glauco.
(Eu ia linkar aqui o site oficial do Glauco, mas como o mesmo está hospedado no UOL, evitei. É que tenho raiva dos sites que estão lá. Qualquer coisa que você pretenda clicar para ler/ver, dá de cara com um seco aviso restringindo o acesso apenas aos assinantes do provedor. PqP! )
10 comentários:
O cara devia ter pernas bonitas, mas que problema há nisso??? :D
Sou TOTALMENTE favorável à sua idéia. Numa cidade como Recife, por exemplo, é um absurdo ver as pessoas usando calças, é completamente inapropriado. Imagina que Marido não pôde entrar uma vez num Fórum Judicial por que estava vestindo um bermudão abaixo dos joelhos, num calor de 35 graus. [:x]
Tenha dó, né não, Pê?
Numa hora destas continuo apoiando o primeiro-ministro (ainda é?) japonês Koizumi, quando sugeriu a abolição do uso da gravata e, por que não, do colarinho fechado até o pescoço, também.
Tudo bem que a justificativa dele à época tenha sido a de, com essa mudança de costumes – completamente ocidentais, diga-se de passagem – economizar energia elétrica deixando de usar ar-condicionado (ou, pelo menos, reduzindo seu uso), o que seria uma ação ecologicamente correta e coisa-e-tals mas...
Tá valendo, né! Por que precisamos nos submeter a essas regras impostas pelos povos lá de cima?
Ora bolas, eu nunca depreciaria um advogado se ele se apresentasse a mim vestindo uma bermuda, pô.
Ainda mais com o calor que está fazendo aqui. (Imagine aí, então... vixe)
Mó calooooOooooor !!
Tbm achei esse casal sensível demais. Quem sabe o sujeito só estava atrás de um pretexto pra ir embora... Como você disse, há bermudas e bermudas. Não imagino você usando uma de lycra, como dos ciclistas... :P
Ah, e quero me unir à você na critica ao UOL. As noticias mais interessantes sempre abrem aquela maldita janela. Como diria a do outro blog, ô doença!
Caminhante
Pois é, amigo, foi um barraco e tanto no meu blog! :-o
Acho que deve ser um disparate trabalhar de terno num dia quente, eu sou muito calorenta, nem me imagino trabalhando toda engravatada, se fosse homem e advogado eu estava perdida! =D
beijo
Bem, há profissões e profissões e situações e situações. De vez em quando, é necessário ser "socialmente correcto". Mas sendo tu o teu patrão, tu é que ditas as regras. Por isso, usa o que quiseres á vontade, desde que uses :P
(Já lá tens resposta sobre o Ricardo :))
Feliz Natal.
O moço do casal deve ter ficado com ciúmes porque a moça olhava para as pernas do rapaz. :) Por aqui, bermuda faz parte do uniforme de muita gente. Acho que é um pouco do ranço europeu nosso, ainda da colonização, que não vê na bermuda um vestuário qualquer. Abração, Ricardo e Feliz Natal! :)
Acho que o problema central dessa questão é que as oficinas mecânicas são, geralmente, lugares traumáticos. Pelo menos para mim é. Na única vez em que levei meu carro em uma oficina saí de lá sem nenhuma folha de cheque e endividada até a alma (e olha que o meu carro nem é tão velho assim). Então, se eu chegasse na sua oficina e te encontrasse de bermudas, num calor de 58º, eu certamente implicaria com a sua bermuda...(rs)
Caminhante: Havia me esquecido daquelas que os ciclistas usam. Mas... peraí, aquilo também é uma bermuda? Em todo caso, aquilo seria mesmo imoral; o tecido justo ao corpo daquele jeito, vai que o homem tem... ahn... tem uma "inflamação muscular involuntária" enquanto está deitado sobre um carro? Aí não, né. : /
(cochichando) E vc reparou, só vc e eu que temos essa raiva do UOL. Serão os demais assinantes? Ou crackers que conseguem acessar todo o conteúdo sem pagar nenhum tostão a mais por isso? Hmmm. (pensando)
Flor: Pois então, eu acho que tenho pernas bonitas, por tê-las elogiadas por duas pessoas, até hoje. A primeira foi uma doida que trabalhava no escritório de uma empresa na qual trabalhei, há uns 20 anos, e a segunda é minha atual mulher. Se bem que esta não sei se devemos considerar, haja visto que quando uma pessoa está apaixonada acha tudo lindo. Até mesmo cotovelos, creio.
E afirmo que pernas de fora certamente me atrairiam, numa oficina, caso eu revertesse os papéis e me tornasse cliente. (Antes que me estranhe(m): Estou a falar de pernas femininas, lógico)
: )
Rosana: Às vezes penso numa vantagem em ser homem, quanto a se vestir... ou o oposto; veja vc, um homem pode andar sem nada cintura acima, já a mulher não, salvo no caso de uma praia de naturismo. Por outro lado, a mulher tem mais vantagens: Jamais será obrigada a usar gravata e paletó ou de trabalhar de calças compridas. Vocês podem usar saia.
Até imagino que alguém vá me sugerir que, se invejo tanto essa liberdade feminina, por que não adiro à famosa tradição escocesa, não é mesmo? Mas não sou tão radical assim. Apenas a bermuda já me basta.
; )
Pseudo: Evidente, concordo com o que me dizes. Certa vez, em pleno dia de minha formatura, um de nossos colegas surge atrasado e todo esbaforido. Motivo do atraso: Não havia encontrado seus sapatos. E imagine então o visual deste meu companheiro; com seu paletó e calça em fino e sóbrio tecido e, nos pés, um alvo par de tênis?! Foi motivo de chacota de toda a turma de formandos daquele ano por muito tempo, o infeliz. Evidente que aquele seria o pior momento para ousar com o traje. Mesmo que involuntariamente, né.
Eu respeito certas convenções sociais, sim. Mas apenas as fundamentadas. Ou sacramentadas, sei lá.
Gi: Não estou certo disso, mas não é aí que os policiais fazem a ronda usual vestidos assim? Ou seria na Austrália? Ou noutro país? Pôxa! Se até policiais podem, e não perdem sua autoridade só por causa disso, por que eu não poderia, né não?
Ni: Ah, vc levantou uma questão à parte; a dos "profissionais": Estes, dividem-se em dois grupos: O dos entendidos que acreditam que trocando a maior quantidade de peças possível solucionarão o problema do cliente e, de quebra, terão um belo lucro a curto prazo e o dos que não entendem mesmo do assunto e vão trocando peças aleatoriamente até que, ou se esgota a paciência do cliente, ou seu saldo bancário.
É claro que existem casos sim, onde componentes danificados provocam uma verdadeira "bola de neve" de prejuízos em peças estragadas, mas isso é raro em carros novos e/ou pouco rodados. Em geral, ocorre quando o proprietário é desleixado com a manutenção básica ou mesmo, desconhece-a.
Mas evito tocar neste assunto aqui, pois quando começo a falar sobre o assunto, vixe... desando a falar...
(: )
Houve aí uma dupla de cantores que taxou de desrespeitoso com o público o fato de o artista ser, entre outras coisas, gordo. É semelhante ao caso da bermuda que vc descreveu.
Só pra ter certeza... És o Ébrio que conheço?
Ricardo,
Mudei meu blog, porque meu cotidiano não é mais tão durooo, hehehe
beijos e visite sempre =D
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