7.12.06

Saudosismo às avessas

Inúmeros objetos e ações do nosso cotidiano vêm desaparecendo aos poucos, graças à modernização constante deste mundo cada vez mais tecnológico. Algumas que talvez tenham deixado alguém com saudade, outras das quais ninguém sente a menor falta e, inclusive, agradece aos céus por não existir mais. Falemos sobre estas últimas, pois.


Ficha telefônica: A "moedinha" feita de uma liga semelhante ao chumbo, com 3, às vezes 4 ranhuras. Um peso em nossos bolsos e, não raro, uma porqueira que encardia nossos dedos.

Programas em K7: Quem viveu a era do MSX conheceu - e sofreu - isso; os programas vinham gravados em fita cassete e, através de um toca-fitas, era transferido para o computador. Só que esse processo, além de extremamente demorado, freqüentemente resultava numa maldita mensagem de erro, e isso após aguardar por minutos, horas...

Telefone de disco: A cada número discado, precisávamos esperar o retorno do disco "tlec-tlec-tlec..."
Lembro que quando apressado, eu retornava o disco na marra. E o tempo gasto só para discar um interurbano então? Mas aqui a atual comodidade digital da chamada a um toque tem seu lado... eu não diria negativo, mas "não tão positivo": Como não precisamos mais digitar os números - que ficam armazenados na memória do aparelho - acontece de esquecê-los. Ou quem nunca ouviu uma frase assim, antes:
- O telefone do Fulano? Claro que sei, converso com ele diariamente! Espere só um momentinho que vou ver aqui no celular o número dele...

Sintonia de rádio analógica: Num aparelho de boa marca e qualidade idem, esse detalhe passava despercebido, mas nos demais... era um tal de gira pra cá, gira pra lá, e dá um toquinho pra cá, depois outro toquinho pra lá, mais um toquinho...
Creio eu que muitos acidentes de trânsito foram evitados graças ao rádio digital e suas estações (novamente) memorizáveis a um toque.

Maquineta manual de cartão de crédito: Aquela na qual colocava-se o cartão, sobre este o documento de venda e "vapt-vupt". Sim, esta parte do processo era de fato "vapt-vupt", ligeira assim. O problema vinha depois, para obter o código de autorização (ou de recusa, conforme o caso); ligar para a operadora do cartão, aguardar o atendimento automatizado, digitar um monte de números, - pausadamente, senão a "atendente robô" mandava repetir tudo de novo - às vezes depois disso ainda éramos transferidos para um atendente "não-tão-robô" que solicitava toooodos os dados que já havíamos digitado antes... para enfim, nos fornecer o tal código, af!
(Obs: Estas maquinetas manuais existem até hoje, mas são mantidas apenas para o caso de uma queda de energia na loja)

Dentre muitas outras coisas que progrediram e não nos deixaram nenhuma saudade.

10 comentários:

Anônimo disse...

Aaaaaaaaiii. Você me mata desse jeito... Sou extremamente saudosista (de verdade).

Anônimo disse...

Aaaaaaaaiii. Você me mata desse jeito... Sou extremamente saudosista (de verdade).

Anônimo disse...

Quero ver quem convence meu pai que sintonia de rádio analógica é ruim!!!
Pat

R. disse...

Falando em tecnologia, lembro de um tempo ido; quando exibíamos orgulhosamente um produto eletrônico e com mais orgulho ainda declarávamos: "É importado, viu?" – enchendo os olhos do interlocutor de admiração e inveja.

E hoje, vejam só, a situação chega a ser inversa. Eis uma exclamação (não tão exclamativa, aliás) hipotética – ou nem tanto: "Que droga, os rádios estavam muito caros, só consegui comprar este aqui, importado..." (cabisbaixo)

Não por minha descendência, mas defendo a qualidade dos importados contanto que se preze a boa procedência. E nesse quesito os japoneses são mesmo bons, em detrimento aos chineses que, salvo ainda raras exceções, só produzem imitações. E imitações mui mal feitas, por sinal.

Anônimo disse...

Ninguém lembrou da BOLA DE VIDRO, a das árvores de natal. Elas eram um perigo, quebravam fácil, o caquinho se despedaçava dentro da pele... mas que elas era lindas, isso eram!

Caminhante

R. disse...

Atualmente são feitas de acrílico, talvez? Juro que não sei. Falando em não lembrar, nem me lembro mais quando foi a última vez que enfeitei uma árvore de natal.

Anônimo disse...

Eu acho lindo telefone de disco, atualmente estou à procura de um. São mais charmosos. Tudo o mais eu concordo. E esse 'orgulho' dos importados era bem engraçado, mesmo. :D

R. disse...

"Regina"? Quem é vc? Por acaso seria a Regina de fato? : ]


Creio que aqueles modelos antigos, pretos e que tinham um fone que pesava meio quilo são encontrados em feiras de antigüidades, muito comuns aqui em São Paulo.

Só não sei se funcionariam, mas... em todo caso, para decoração servem perfeitamente.

Raquel disse...

Eu não costumo sentir saudades. Desse tanto de lixo aí então... Agora, fiquei preocupada, vou ver se decoro alguns celulares de amigos próximos. Imagina se preciso falar urgente com um deles e não estou com o celular? :S

R. disse...

Eu já passei por essa situação, Rosana. Precisei ligar para um nº que estava gravado no celular. Mas a bateria deste nem quis saber e descarregou antes que eu pudesse ao menos ver o tal nº.

Conclusão: Fui obrigado a ligar para um conhecido em comum (sorte que o nº deste eu me lembrava) que me passou o dado.

: p