9.4.06

Cornetas na madrugada

Início da madrugada, estou voltando pra casa, depois de assistir a uma cansativa palestra técnica realizada no outro lado desta cidade. Avenida Santo Amaro... (ou era na 9 de Julho?) com pouco trânsito. Pouco em comparação ao horário comercial, evidentemente. Dirijo tranqüilo, sem pressa. A noite é agradável. Até que, numa conversão de pista – sinalizei a manobra com a seta, conforme de costume – alguém que já vinha naquela faixa e não quis me dar passagem acelerou e buzinou. Ao passar por meu carro, buzinei também. Vigorosamente, um longo toque de cornetas que durou o tempo de ele ziguezaguear por outros dois carros que estavam pouco a frente do meu e, em seguida, desaparecer por uma esquina.

Estranhamente não me irritei, tampouco me assustei; fiquei feliz!
Independente dos motivos que poderiam ter levado aquele motorista a ter tamanha pressa, – como ter a esposa prestes a dar a luz, um criminoso em fuga ou mesmo um simples bêbado saindo de uma balada mal sucedida, vá saber? – aquela buzinada havia me proporcionado alguma coisa de bom que passei a tentar entender, enquanto continuava a dirigir...

Sou um tipo de motorista que raramente recorre à buzina, seja para o que for. Tanto é que certa vez tive a de um carro furtado, e devo ter levado meses para notar. Por que então, buzinar seria prazeroso? Justamente por ser algo restrito, escasso (ao menos em minha vida sobre quatro rodas)? Seria então, o mesmo efeito 'válvula-de-escape' do stress, do torcedor que vai aos estádios e se exaspera aos brados, ofendendo a honra da mãe dos jogadores, do juíz, dos bandeirinhas e até da bola e da trave para, ao sair do estádio, ter aquele alívio, aquela leveza de quem descarregou tudo o que tinha travado na garganta?

Sim. E não.
Teria sido isso, se eu estivesse nervoso naquele momento, mas não estava. Estava exausto, apenas. Ouso dizer que aquela buzinada que dei teve um efeito similar ao ejaculatório. Uma explosão de prazer! Estranho? Sim, concordo. Ultimamente ando mesmo estranho. Creio que deve ser por causa da paixão...

: )

4 comentários:

Anônimo disse...

Eu, como boa recifense, uso a buzina mais que a média dos brasileiros. Mas quero crer que às vezes chamar a atenção de outro motorista dessa forma pode ser até educativo! Bjo.

Caminhante disse...

Deve ser como dizer palavrões. Relaxa que é uma beleza! ;)

Anônimo disse...

Conselho: se te fez tão bem, buzine mais! E esteja sempre apaixonado!

R. disse...

E hoje lembrei-me de Herbie, o fusca:

Bi-bii! ; )


(resposta bem bobinha, esta minha. Mas foi o que me ocorreu dizer, neste momento)

(: p