28.4.06

Só faltou o avental branco...

A grosso modo, poderíamos dizer que o eletricista é o médico do automóvel. Modéstia e estopas sujas à parte, creio nisso. E hoje pude ter a verdadeira sensação de ser um médico-cirurgião. Eis o relatório:

O paciente: Fiat Brava;
O sintoma: Iluminação deficiente;
A causa: Suporte de regulagem do farol direito quebrado.

Análise geral da situação: O farol é composto por um bloco óptico selado; ou seja, uma lente de vidro fortemente colada na carcaça plástica. A peça danificada tem o diâmetro pouco menor que o de um lápis. Nenhuma acessibilidade, praticamente, pois a mesma encontra-se no interior do farol. Se fosse o carro de um cliente comum, eu teria recomendado a troca da peça, completa. No entanto, como o veículo em questão era - e ainda é, por sinal - de um amigo meu, passei a estudar o caso...

Retirar a lente de vidro? Não, não; isso poderia causar trincas no vidro, além de deformar o encaixe da mesma na carcaça. Puxar a peça quebrada com um pedaço de arame? Absurdo! Até que...
( Trilha sonora de "Missão Impossível" )

"Por que não abrir um corte na parte inferior do bloco, de maneira a ter acesso à peça quebrada e assim, conseguir restaurá-la?" – pensei. O corte ficaria oculto; exteriormente não ficaria nenhum sinal da "operação". Expus minha idéia ao dono do carro e, com seu consentimento, parti para a prática.

Com um ferro de solda bem aquecido obtive meu "bisturi". Numa área previamente segura para a operação, fiz a abertura. E com esta aberta, pude enfim reparar a peça quebrada, com Araldite lenta.
24 horas depois (tempo exigido para a aderência plena da cola) confirmei a rigidez do reparo e ressoldei o corte feito no bloco. Vedação aprovada, o farol foi recolocado no local.

Testei-o e... perfeito! Aceitou regulagem de foco e assim, resolveu-se o problema de meu amigo, a um custo sem comparação. Imagino o precinho nada camarada que deva custar um farol daqueles...


Uma cirurgia bem sucedida, enfim. E vejo o meu "paciente" em perfeito estado de funcionamento. Ah! É por isso que, muitas vezes, 'extrapolar' o 'manual de procedimento' pode ser benéfico. E, em tempo: Não incentivo o "quebra-galho", mas sim a capacidade de enxergar alternativas seguras e eficazes para solucionar os problemas.
: )

21.4.06

Um novo blockbuster evangélico?

Recentemente fui surpreendido com o fechamento de uma grande unidade da Igreja Universal do Reino de Deus, próxima de onde resido. Estava instalada num enorme imóvel onde antes havia um supermercado. E passei alguns dias – olhando operários realizando reformas no prédio – na expectativa de que aquele espaço fosse voltar a ser um bom local de compras... no entanto, para minha surpresa, o que acabou surgindo ali foi outra igreja! A chamada Boa Notícia.

Para a grande inauguração, a presença de um pastor asiático que logo presumi – e, posteriormente confirmei, no site da igreja – tratar-se de um coreano. Um coreano no mercad... digo, no ramo evangélico!
E agora vejo que o poderio dos chamados "Tigres asiáticos" não se limita à tecnologia de ponta ou à falsificações de grifes (especialidade do povo da terra de Mao), eles estão invadindo todas as áreas!! Depois da alardeada tentativa dos japoneses de assumir os direitos autorais ("direitos autorais"?!) do uso do nosso cupuaçu, acho que não devo duvidar de mais nada.

Enfim, os coreanos fizeram uma imponente igreja, aqui em meio a periferia paulistana. Talvez nem seja algo a ser considerado, mas... por outro lado, pode ser apenas "a ponta do iceberg"...
E penso: Se a Rede Record (entre outros veículos de comunicação) já foi adquirida pelos evangélicos, será que um dia a Globo cairá nas mãos dos asiáticos?!! (Imagino o esqueleto do Roberto Marinho sacolejando irado dentro de seu caixão). Te cuida, Edir Macedo!

Em tempo: A IURD não abandonou o meu bairro; só mudou-se para outro imóvel, a apenas uma quadra de onde antes estava. Só que agora fica num imóvel que não deve ter sequer um quarto do espaço físico do outro local...

18.4.06

"Na trave"

Manhã de uma segunda-feira no aeroporto internacional de Guarulhos. Eu e minha noiva chegamos ao balcão de check-in da Gol com uma hora de antecedência (conforme recomendado) e ficamos abismados: Filas gigantescas, que iam muito além dos corredores em ziguezague. As filas invadiam o saguão do aeroporto! Passageiros indignados protestavam, cheguei a ver uma funcionária da empresa que, por pouco não perde a compostura ante o clima tenso do local. Com muito custo conseguimos embarcar a mala e receber a passagem.

Com este contratempo, só pudemos tomar uma xícara de café às pressas, em meio a olhares ao relógio e línguas queimadas. Graças a Deus, ela pode embarcar a tempo, sem precisar correr pelos saguões. Passageira devidamente encaminhada – e eu estando mais aliviado, – dirigi-me ao andar superior, para aproveitar os minutos restantes do estacionamento para olhar a aeronave.
Ali chegando, resolvi ver os monitores informativos, que apresentam todas as saídas (neste caso). E notei algo que me revoltou: Dentro de um curto espaço de tempo (aproximadamente meia-hora) 5 vôos da Gol iam decolar. CINCO! E eu disse bem, " iam "; pois todos eles atrasaram com a superlotação e o tumulto nos balcões de check-in.

Fui à janela. Dali avistavam-se os cinco aviões. E impossível saber qual era qual. Voltei aos monitores e fiquei sabendo que o vôo dela se atrasaria 20 minutos. "Era de se prever...", pensei. E resolvi dar uma espiada no saguão, para ver se o tumulto na área da Gol permanecia. E pasme: Depois de ter presenciado aquele mundaréu de gente se espremendo ali, quinze ou vinte minutos depois não havia mais quase ninguém...

Enfim, o vôo de minha mulher saiu com meia-hora de atraso, mas felizmente foi uma viagem tranqüila, sem mais percalços até a chegada em seu destino.


Ficou apenas a minha indignação com essa evidente falta de senso na programação dos vôos. Seria algo estipulado pelo DAC? Ou pelo Infraero? Se for, até me conformarei. Porque, do contrário, para que a Gol honre seu slogan "Linhas aéreas inteligentes" ainda estará faltando muito, viu.

: T

"Um" Plano perfeito


Parece-me que Spike Lee tem aprimorado seu estilo, embora eu continue achando que ele ainda precisa 'podar' muitas superfluosidades para melhorar o ritmo do filme. O plano até que foi perfeito mesmo, embora a participação da Jodie Foster tenha sido extremamente coadjuvante; apagada, quase desnecessária, até. Deu-me a impressão que o nome dela só prestou-se a dar alguma notoriedade ao elenco.

Detalhe interessante é que, ao que tudo indica, este diretor tem uma evidente semelhança comigo: Adora curvas femininas e, em especial, os seios. Não fosse por isso, por certo não haveriam as cenas e falas destacando a "robusteza" de algumas atrizes.

De zero a dez, a nota seria 4. Mas vale a pipoca.
: )

9.4.06

Cornetas na madrugada

Início da madrugada, estou voltando pra casa, depois de assistir a uma cansativa palestra técnica realizada no outro lado desta cidade. Avenida Santo Amaro... (ou era na 9 de Julho?) com pouco trânsito. Pouco em comparação ao horário comercial, evidentemente. Dirijo tranqüilo, sem pressa. A noite é agradável. Até que, numa conversão de pista – sinalizei a manobra com a seta, conforme de costume – alguém que já vinha naquela faixa e não quis me dar passagem acelerou e buzinou. Ao passar por meu carro, buzinei também. Vigorosamente, um longo toque de cornetas que durou o tempo de ele ziguezaguear por outros dois carros que estavam pouco a frente do meu e, em seguida, desaparecer por uma esquina.

Estranhamente não me irritei, tampouco me assustei; fiquei feliz!
Independente dos motivos que poderiam ter levado aquele motorista a ter tamanha pressa, – como ter a esposa prestes a dar a luz, um criminoso em fuga ou mesmo um simples bêbado saindo de uma balada mal sucedida, vá saber? – aquela buzinada havia me proporcionado alguma coisa de bom que passei a tentar entender, enquanto continuava a dirigir...

Sou um tipo de motorista que raramente recorre à buzina, seja para o que for. Tanto é que certa vez tive a de um carro furtado, e devo ter levado meses para notar. Por que então, buzinar seria prazeroso? Justamente por ser algo restrito, escasso (ao menos em minha vida sobre quatro rodas)? Seria então, o mesmo efeito 'válvula-de-escape' do stress, do torcedor que vai aos estádios e se exaspera aos brados, ofendendo a honra da mãe dos jogadores, do juíz, dos bandeirinhas e até da bola e da trave para, ao sair do estádio, ter aquele alívio, aquela leveza de quem descarregou tudo o que tinha travado na garganta?

Sim. E não.
Teria sido isso, se eu estivesse nervoso naquele momento, mas não estava. Estava exausto, apenas. Ouso dizer que aquela buzinada que dei teve um efeito similar ao ejaculatório. Uma explosão de prazer! Estranho? Sim, concordo. Ultimamente ando mesmo estranho. Creio que deve ser por causa da paixão...

: )

6.4.06

Ilógica

Há aproximadamente três meses sou assinante de um plano da companhia telefônica o qual permite que, pagando-se 30 reais por mês, eu acesse a internet (discada) à vontade, sem incorrer na costumeira cobrança por pulsos. No meu caso, que nem sempre podia esperar a meia-noite para acessar – aqui em SP, da meia-noite às 6 manhã cobra-se apenas um pulso por ligação, independentemente da duração da mesma – foi extremamente vantajoso e com isso consegui reduzir consideravelmente o valor da minha conta de telefone. Perfeito. Só que até ontem.

Ontem, como de costume, abri o discador e mandei conectar. Não conectou e me exibiu uma mensagem de erro dizendo que "o login ou a senha estavam incorretos". Tentei de novo e novamente a mesma mensagem de erro. O login ou a senha até poderiam estar errados SE e somente SE, creio; eu não os tivesse gravado na configuração do discador assim que o mesmo foi instalado aqui. Porém, estavam gravados desde o início.
Tá bom, vai que algum vírus alterou alguma coisa ali? Em todo o caso, reconfiguro a coisa e tento. E nada, de novo.

Por sorte mantenho aqui um outro discador alternativo e dele fiz uso para conseguir voltar à rede. De imediato fui ao site da companhia, em busca de um 0800. Vasculhei, vasculhei e absolutamente nada. Só havia um "Fale conosco" onde deveria ser informado o nome, telefone, e-mail e a consulta em si. Sem outra alternativa, preenchi os dados solicitados, expus meu problema e fiquei aguardando...

E aguardando até hoje sem resposta alguma (nem via e-mail, nem por telefone), quando minha paciência esgotou-se e resolvi ligar diretamente ao SAC da companhia telefônica, para tentar descobrir algum número de atendimento do departamento de internet, de lá. E acabei fazendo uma descoberta nada agradável: Esse departamento só tem atendimento online!! E retruquei ao atendente: "Mas então quer dizer que não consigo me conectar à internet e o atendimento que eles nos dão é o online, apenas?!! Fantástico..."

Eis que o atendente parece finalmente 'cair na realidade' e me oferece um login e senha temporários, para que eu possa entrar no site do provedor e conversar num chat com o serviço técnico. Assim é feito. E o outro atendente também não entende o que poderia ter acontecido; me sugere a alteração da senha e concordo. Desconecto, reconecto com a nova senha e, finalmente, dá certo.


Agora tudo voltou ao normal. Mas fico a pensar, viu...
Eu tinha um discador/provedor alternativo e pude dar um jeito na situação. Mas... e se acontece com quem não tem? É obrigado a pagar o acesso em uma lan house, ou fazer a "peregrinação" pela casa de parentes e amigos, implorando o empréstimo do computador para conseguir ser atendido pelo suporte técnico que só existe na internet?!

Absurdo. Portanto, clientes da iTelefonica, rezem para que a conexão se estabeleça sempre, do contrário... já sabem.

): T

5.4.06

Criatividade... só nos pés?

Característica que eu já vinha notando há algum tempo é a falta de criatividade dos times de futebol do Brasil, para criarem seus nomes. Muitos são repetidos, mudando-se (ou acrescentando-se) apenas alguma característica, geralmente estadual; paulista, mineiro, baiano... Denominações quase que sempre as mesmas.

E eis que, assistindo a um programa esportivo, ouço pela primeira vez um nome que me soa diferente, exótico até: "Ananindeua". Seria 'a luz no fim do túnel' ? A esperança de que a ousadia peculiar da nova geração estivesse enfim se manifestando nos gramados? Vou buscar o time na Federação e, desafortunadamente, descubro que não havia no Ananindeua tanta originalidade quanto eu esperava; aliás, no CMA; "Clube Municipal Ananindeua", sediado na cidade de mesmo nome.

Restando-me apenas saber o que seria o (ou a) Ananindeua original, encontrei - embora de maneira meio incompleta - a resposta para essa curiosidade na página estadual: "O nome desse Município advém da abundância de árvores denominadas ANANI, que crescia à margem do igarapé que recebeu o nome de Ananindeua."

Ananindeua, Ananindeua...

É, ainda não foi desta vez que aplaudi o nome de um time de futebol...

: T