Sábado passado fui no The Clock e, merchandisings à parte, quero falar sobre o local.
Como tenho certa fobia a regiões fervilhantes da noite paulistana, a localização desta casa noturna vem bem a calhar; fica em uma tranqüila avenida da zona oeste. Consegue-se chegar lá sem grandes percalços ( por 'percalços', entenda-se avenidas congestionadas por gente que estaciona em fila dupla, ou que resolve fazer uma paradinha em pleno meio da rua para paquerar garotas na calçada, ou estacionamentos que, quando não lotados, nos cobram "o olho da cara" para nos livrarem dos temíveis "flanelinhas" e seus sarcásticos sorrisos nos quais geralmente está declarado "Ou você me paga, ou quando você voltar aqui, só vai encontrar a marca dos pneus do seu carro no chão. Ou no mínimo, o vidro da porta estourado e uma bela "faxina" lá dentro! ").
Chegando ao local, nada de truculências por parte dos seguranças. Nenhuma revista, nenhuma implicância com minhas roupas que jamais fizeram o estilo baladeiro. Tenho consciência de que me visto mal, mas pouca importância dou a isso. E parece que a casa também não, achei ótimo. De levemente burocrático, apenas a exigência da apresentação de algum documento na entrada, o que é perfeitamente compreensível e demonstra que eles trabalham com seriedade.
O ambiente é pequeno, ao contrário de outros locais onde estive, e nisso também vejo pontos positivos: Deixa o clima mais íntimo, com ares interioranos - e eu, particularmente, gosto disso. Dificilmente alguém se perderia lá dentro, também. E digo pequeno, mas não apertado. É verdade que no ápice da noite - quando a banda convidada está tocando, por exemplo - há algum desconforto e trabalho para conseguir se locomover; mas nada semelhante a lugares onde estreitos corredores mal comportam o "baile" de cadeiras a que somos obrigados realizar, cada vez em que precisamos nos levantar. E falando em cadeiras, creio que lá não existem, pois as mesas são fixas, exatamente ao estilo das antigas lanchonetes americanas, como é adequado ao tema da casa. Aliás, pra quem ainda não visitou o site (linkado logo no início deste texto) e nem desconfia do motivo que inspira o nome deste rock bar, vou ser direto e reto: Vem de "Rock around the clock", sucesso de Bill Halley, na década de 50. E assim, fica evidente que é um bar temático, de estilo e de época. Sem que para isso seja preciso cair na caricatural reprodução de tudo e de todos.
A simpatia é uma das maiores características e ela trasmite-se, principalmente, nas boas-vindas que o mestre-de-cerimônias dá, no começo da noite. E não é apenas um singelo "sejam bem-vindos"; a equipe da casa é apresentada. E apresentam-se. O que vem em seguida igualmente inclui-se nesta boa impressão que tive, que é a aula de dança. Eis um grande diferencial, a meu ver. A alegação de desconhecer os passos clássicos logo deixa de ser motivo para que você entre na pista e se divirta. É também uma ótima maneira de aproximação entre a casa e os novos visitantes.
Outro ponto interessante é a heterogeneidade dos freqüentadores, que vai desde os mais caracterizados com vestimentas e penteados à moda daqueles tempos, aos mais sóbrios e neutros, passando pelos que nem sabem se vestir direito, como eu. O luxo e a modéstia parecem conseguir conviver harmonicamente na mesma pista de dança, sem atritos, sem destoarem entre si. E muito variada também é a faixa etária dos presentes, o que prova que o rock - aproveitando o bafafá da vinda do grupo inglês ao Brasil - "pré-Rolling Stones" também veio pra ficar. Muito mais "dinossáurico" que os ingleses que lotaram as areias de Copacabana, Bill Halley, Chuck Berry e tantos outros que possivelmente apenas nossos avós ainda se recordam, são capazes de atrair e divertir não apenas anciões de alvos cabelos, mas também moças e rapazes que nasceram quando Elvis já estava morto, enterrado e transformado em cinzas, pelo tempo.
Destaco também a performance dos barmen, que não se restringem a apenas servir as bebidas pedidas; sempre dão um jeito de incluir algum malabarismo no manuseio das garrafas, o que torna-se uma atração à parte e, convenhamos, isso 'enriquece' o drink aos olhos do cliente. E como se isso não bastasse, ainda nos oferecem um show pírico, no auge da noite. Assim temos a visão mais autêntica possível de "Great balls of fire", sucesso de Jerry Lee Lewis. Ao som da mesma, como não poderia deixar de ser. Fantástico.
Pra finalizar, sinto me injusto por excluir - embora não intencionalmente - o trabalho das garçonetes e os lanches, pois como sempre vou lá só pra beber e fico no balcão do bar, não poderia emitir uma opinião a respeito. Mas acredito que ainda farei isso, um dia, pois esta casa chamada "The Clock" tem me agradado muito e tenho certeza de que ainda levarei mais pessoas para conhecê-la.
: )
Informação ilustrativa: Elvis Presley morreu em Memphis, no dia 16 de agosto de 1977 e, portanto, quem nasceu depois de seu falecimento tem hoje, no máximo, 28 anos de idade.
2 comentários:
Acho que eu tbm gostaria de lá!
Se gostas de rock das antigas, o lugar é perfeito! ; )
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