13.11.05

Num "programa de índio"

Pra quem nunca sai de casa – como eu, por exemplo, – certos programas considerados "indígenas" podem nos render surpresas, vez ou outra. Ontem foi o dia de fazer a peregrinação que todo reformador de sua própria casa faz, em lojas de material para construção. Para pesquisar preços, certamente. E neste ponto sinto-me bem servido nesta capital, especialmente em determinado trecho da Marginal do Tietê, servida por 4 grandes lojas desse tipo. E lá fui.

Logo na primeira, enquanto observava distraidamente uma prateleira, ouço alguém dizer:
– Mas é perseguição? Até aqui?!
Me volto pra ver se a frase era comigo, e de fato era; um cliente amigo da minha oficina. Passada a ligeira surpresa, nos cumprimentamos. E pela primeira vez, conheço a esposa dele. Embora este amigo – ao menos aparentemente – não tivesse nenhum vínculo nordestino, sua senhora possuía um indisfarçavel sotaque que não deixava dúvidas quanto a procedência. Depois de uma breve palestra sobre alguns produtos daquela loja onde estávamos, despedimo-nos e cada qual seguiu seu caminho. Terminei de olhar alguns itens, e parti para a loja seguinte.

Nesta outra loja, nem bem dou meus primeiros passos entrada adentro, inicia-se uma música oriental. Mas não exatamente do oriente dos meus ancestrais, mas do... do Oriente Médio, isso! Na seção de tapetes (que fica ali mesmo, logo na entrada do recinto) avistei uma dançarina. Odalisca? A balançar-se ritmicamente, marcando os passos com um... pandeiro (?). Desnecessário dizer que, com a vestimenta típica e muito corpo exposto, a moça logo atraiu a atenção dos olhares masculinos ao redor. Mas eu... contrariando toda a tendência, não olhei as partes mais... ahn, digamos, sensuais. Fui imediatamente atraído pelos cabelos. Ah, os cabelos que eram muito parecidos com os de uma apaixonante mulher que mora lá pelos lados da terra de Alceu valença...
Alguns minutos apreciando a apresentação e lá fui, corredores adentro, procurar o que realmente havia ido lá procurar.
Achei. E achei caro. Parti para a terceira loja. (que bom que todas são praticamente vizinhas)

E na terceira loja, sem incidente algum, foi que encontrei os produtos que buscava. Coincidência ou não, quase sempre acabo fazendo minhas compras nessa terceira das quatro. Conseqüentemente, nunca entrei na quarta. Acho que um dia tentarei ir na última, primeiro. Só pra variar.

Finda a peregrinação, resolvo ir ao mercado comprar uma cervejinha, que ninguém é de ferro. E não é que, quando eu ia subindo pelas escadas-rolantes, um sujeito no sentido contrário da rolagem que eu seguia me cumprimenta, efusivamente?
– PAULO! Há quanto tempooo! Tudo bom?

Pego de surpresa, fico sem saber o que dizer; se digo que infelizmente não sou o Paulo, ou se retribuo gentilmente o cumprimento. Mas como a escada não pára e logo estamos nos distanciando, só tenho tempo de lhe responder:
– Opa, tudo beleza!
E nos despedimos, desajeitadamente.

Fiquei com pena dessa pessoa. Por certo deve ter se decepcionado com seu amigo Paulo. Tantos anos de amizade e agora ele sequer o reconhece. E mais pena ainda tive do Paulo, que provavelmente será considerado um arrogante. Ou, no mínimo, amnésico. E sem ter culpa alguma.

Compro minha cerveja e resolvo passar na lotérica para comprar uma raspadinha de 1 real. Eles não tem. "Me vê aí duas de R$0,50 então, que dá no mesmo". E raspo, na esperança de ganhar um dinheirinho que me permita viajar ao litoral nordestino e encontrar minha amada. Pois sim, ambos estão premiados. Mas com os 50 centavos. Nada ganhei, só deixei de perder. Consolo-me.

E o sábado termina com uma ligação telefônica. Liguei para ela, claro, para aplacar um pouco a saudade e, de quebra, perguntar-lhe se faria a dança do ventre pra mim (relembrando a dançarina da loja). Entretanto, minha esperança é em vão; ela pouco se interessa por isso. E penso no Paulo, novamente. Será que a namorada dele aceitaria proporcionar esse prazer a ele? Ah, bem capaz que não. A sorte dele não é lá muito melhor que a minha, não. Basta ver a má fama que lhe dei, gratuitamente, ontem. Mas...

Enfim, há prazeres tão bons quanto... ou muito mais extasiantes que uma dança das mil-e-uma-noites. Mas isso já é conversa privada, e para dois. Hehe.
: )

4 comentários:

Anônimo disse...

Eu já fiz dança do ventre por um tempo e sei alguns passos até hoje, mas não costumo dançar para os namorados e similares, pois acho que o componente sagrado da dança é mais forte pra mim. Embora ela tenha um componente forte de sedução desde a sua origem, apeguei-me mais à idéia da deusa, da mãe, da fertilidade. Bobagem minha. Mas só danço sozinha.
Beijo.

R. disse...

É, pensando bem...

Já houve um tempo em que eu tinha desinibição o suficiente para dançar em meio a outras pessoas – tudo bem que à custa de algumas doses de vodka, – mas, mas hoje em dia não tenho mais a mesma disposição. Ou coragem, talvez.
Posso dizer que a dança assumiu pra mim um caráter transcedental, quase ritualista.
É, acho que entendo a minha private-dancer-friend. E respeito a posição.
: )

Anônimo disse...

Ôpa, a escolhida é das bandas da terra de Alceu? Acho que ela dança sim, mas um xaxado, forró ou ciranda. Pergunte se ela dançaria essas com/para você. :) Um abraço.

R. disse...

Ah, Gi; creio que esse tipo de ritmo ela sabe dançar sim, mas aí quem não iria querer dançar seria eu, né.

(: P