Mas que fase nostálgica esta, não? Tento buscar inspirações diferentes para não ficar 'batendo muito na mesma tecla', mas não tem jeito. Portanto, lá vão outras linhas com sabor de século passado.
Minha ausência online justifica-se por uma mudança de residência, seguida de reforma. (Ou de reforma seguida de mudança, o que seria o certo? Acontece que na minha família a carruagem vai à frente dos bois. Ou, nem tanto. Bem, é uma coisa um bocado complicada de se explicar, como podem perceber por este atrapalhado parágrafo) E durante as "escavações", localizei algumas enciclopédias. Vem daí o tema do texto de hoje.
Enciclopédias! Quem tinha a Barsa era rei! A salvação de todos os trabalhos escolares; quase tudo o que era pedido pelos professores ginasiais ali estava, prontinho para ser copiado nos almaços. Embora muitas vezes copiassemos aquelas frases com termos demasiadamente rebuscados - Ah! Os britânicos e seu perfeccionismo! - sem ao menos entendermos os significados, a nota recebida pelo trabalho escolar era poupuda. Geralmente. Mesmo que não tivessemos entendido quase nada do conteúdo enciclopédico copiado, ao menos haviamos nos dado ao trabalho de abrir um livro para, mecanicamente, encontrar um item e reproduzi-lo com nossas próprias mãos. Tal qual o papagaio faz com os sons.
Creio que esse devia ser o nosso mérito; não exatamente a compreensão do assunto, mas a boa vontade - às vezes nem tão boa, mas... - de "pesquisá-lo".
E de volta ao século XXI...
Há muito que não sou mais aquele pequenino jovem que fazia trabalhos escolares debruçado sobre grossos fascículos, a recortar fotocópias e colá-las com a tenaz cola Tenaz; como será o mesmo trabalho, nos dias de hoje?
Se é que a Barsa ainda existe, provavelmente deve ter uma versão online, assim como o Aurélio. Ou, no mínimo, versão em CD, para aquela molecada que não desgruda do computador de jeito nenhum. Presumo que em um ponto, ao menos, os professores devem agradecer à presença desse maquinário e seus periféricos: Não sofrem mais tentando decifrar certos garranchos que, vaaaagamente assemelhavam-se a palavras. (Fontes tipográficas exdrúxulas à parte, claro)
De certa maneira o trabalho escolar de antigamente realmente era um trabalho. Porque o de hoje, hah! Enquanto papeia-se no Messenger e observam-se imagens num fotolog, fica a impressora incumbida do "árduo" trabalho de imprimir o trabalho (que, quase certeza, veio de um Control+C/Control+V), e tudo isso ao som de uma rádio também online. Trabalho para pesquisar na internet? Qual o quê. Qual criança não sabe usar um buscador hoje em dia? Se a do Renato Russo foi a geração Coca-Cola, ouso dizer que esta de agora é a do Google...
E fico com uma dúvida. Se na minha época eu concluía meus trabalhos com a bibliografia, qual será que é sua denominação online? "Sitografia" ?!
Concluindo, afirmo que algo de bom há, nisso tudo. O temível vendedor de enciclopédias é uma raça em extinção. Se você é, ou já foi um, lamento por seu emprego perdido. Mas você há de convir comigo que, há algumas décadas, aquele sujeito carregando a maleta com suas amostras nos apavorava. Melhor dizendo, nos tirava do sério. Com um blablabla infindável, nos cercava por todos os lados. Argumentos, contra-argumentos, vantagens, conteúdo, o brilhante futuro de seus filhos, a nata da cultura mundial à sua disposição para sempre, em sua sala de estar etc, etc e etc... aquela persistência típica dos vendedores, só que beirando a petulância. Resumindo, comprávamos a coleção toda, só para conseguirmos nos desvencilhar do grudento vendedor. E é deste tipo de vendedor sem a menor noção do que é persuadir ou irritar, que não sentirei nenhuma saudade. Af!
: P
Um comentário:
Hehehehe, Ricardo. Tirando essa parte incomoda dos vendedores (lembro de um na minha casa), você me trouxe boas recordações. Eu também fazia trabalhos em folhas e folhas de papel almaço e colava figurinhas com Tenaz. :) Um abração.
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