15.9.05

O hambúrguer na solitária

Não nego que gosto de fast food; de hambúrguer, pra ser mais preciso. E dia destes fui ao Bob's, só para variar um pouco do sabor da casa do palhaço Ronald. O Bob's da av. Paulista, num local relativamente discreto. A princípio estranhei a ausência de mesinhas na área de entrada e fiquei imaginando que o espaço reservado para as refeições estivesse num pavimento superior, ou então nos fundos. Estava certa minha segunda suposição.
E eu gostaria de escrever, nem tanto sobre a comida – já que esta pouco muda, de cadeia para cadeia – mas sim sobre o que vi quando dirigia-me ao salão dos fundos, onde estavam as mesinhas. O corredor de acesso ao local era todo ladeado de... hã, de balcões individuais. Talvez por raramente sair de casa, eu tenha estranhado a estrutura da casa. Mas não escondi minha surpresa com a descoberta. ( Por certo aquilo nada tem de novidade, mas como eu nunca havia visto nada parecido antes... )

E sentei-me ali, para experimentar a sensação.
Acomodado na banqueta, duas sólidas paredes laterais me isolavam por completo dos "companheiros de solitária". À minha frente, a parede de vidro. Lá fora, um singelo jardim, a tentar atenuar um pouco a frieza de nossa selva de pedra, de concreto armado, de vidros espelhados e ar condicionado.
Aprazível? Até que sim, não fosse a estranha impressão de estar confinado numa daquelas cabines onde trabalham os operadores de telemarketing. Por sorte não precisei comer meu lanche ali, pois estava com a boa companhia de uma amiga. Utilizamos uma das mesinhas convencionais.
E digo que foi sorte... por que?
Porque não deve ser nada animador ser forçado a comer naquelas pseudocabines. Claustrofobia à parte, a sensação de confinamento e solidão que senti ali foram consideráveis. Por outro lado...

Seria aquilo a adequação ao individualismo cada vez mais presente nas grandes capitais? Ou então ao tempo disponível sempre tão escasso? Eu poderia (ou deveria) entender como o espaço dos que dizem "Não tenho muito tempo pra comer; muito menos pra ficar conversando"?!
Ou senão é a busca de um tipo de cliente específico, o anti-social?
Ou ainda, nada a ver todas as suposições acima, sendo na verdade apenas o aproveitamento racional do espaço?

Sei lá. Só sei que estranhei. E só procurarei uma daquelas vagas solitárias no dia em que estiver de mal com Deus e o mundo.


Ei. Talvez seja mais uma suposição... ?
: o

2 comentários:

Anônimo disse...

Eu também só me imagino comendo assim num dia de mau humor. Por que, mesmo quando estou sozinha, gosto de comer vendo pessoas passar ou qualquer outro tipo de movimentação.

R. disse...

Certamente. No meu caso, gosto de ver a paisagem feminina.
(: )