29.6.05

Não sei "ficar", só sei ficar : /

Tenho uma grande dúvida já há um bom tempo; nem sei se seria adequado colocá-la aqui, mas... em todo caso, vai que tem alguém aí que saiba a resposta e possa me esclarecer, não é mesmo?

" Ficar ". Todos já devem ter escutado esse verbo que, nas bocas mais juvenis, tem ganhado significados cada vez mais variados. Não obstante o verbo ser transitivo, os 'ficantes' sempre ficam intransitivamente. E é nisso que reside minha curiosidade. Tenho chegado ao ponto de vasculhar em publicações* voltadas ao público adolescente (ou quase, são as que alguns chamam de "teen") a exata definição do que seja 'ficar' com alguém. E não encontro.

Evidente que "ficar com alguém" em seu sentido original nada mais é que estar, permanecer com alguém. Mas o X da questão é: Fazendo o que? Que apenas no fato de estar acompanhado por alguém nada se evidencia... ou estou enganado? Posso muito bem ficar bebendo com os amigos, ou ficar apreciando obras de arte em um museu com uma amiga, mas o que significaria dizer que "fiquei com uma mulher", por exemplo?

Que passamos uma inocente tarde juntos observando vitrines de um shopping? Que andamos de mãos dadas? Que eu a tenha beijado no rosto? Ou na boca mesmo? Ou senão...
Que fomos parar em uma cama mesmo, e transamos?

Céus.
Minha cabeça é um monte de interrogações.


* Sim, folheio revistas do tipo "Capricho" que minhas sobrinhas compram.
( apesar do olhar de justificada estranheza por parte delas )
: P

27.6.05

Nem toda geladeira é igual...

Até parece proposital: A cerveja com o preço mais em conta não estava gelada, de novo!

A primeira vez, foi no fatídico dia 12 deste mês. Resolvi tomar cerveja e fui ao mercado, à tarde, para comprar a bebida. A mais barata era a Kaiser, e a geladeira estava repleta. "Ótimo", pensei. Só que ao apalpar a primeira latinha dali de dentro a minha alegria foi por água abaixo: De gelada ela não tinha quase nada. Fui verificar as outras marcas.
A Brahma, que estava com o preço mediano entre a barata e a cara, também não estava lá essas coisas em materia de refrigeração. Enquanto isso, a Skol e seu elevado preço estava adequadamente gelada.
Acabei levando a Kaiser levemente fria.

Concluí que, se a Skol estava cara, o povo não estava levando e, dessa forma, a bebida passava mais tempo guardada sob refrigeração, ao contrário das outras marcas cujos preços estavam mais atraentes. Melhor preço, maior rotatividade do produto e consequënte tempo insuficiente para que a bebida gelasse. "É, deve ser isso", pensei, me conformando.

E não é que ontem fui ao mesmo mercado novamente e me deparei com a mesma situação de novo?!
Era um domingo comum, no entanto... a mesmíssima coisa de antes: Uma geladeira cheia de Kaiser's quase sem gelo e a outra com as Skol's estupidamente geladas; do jeito que o povo – e eu, claro – gosta. E os preços? Em patamares idênticos ao da vez anterior.
Só que desta vez prestei atenção ao termômetro instalado nos refrigeradores. Coincidência ou não, a da Skol era a que apresentava a temperatura mais baixa. É provável que algum de vocês tente me justificar o fato dizendo que, com a constante abertura dos outros refrigeradores, era absolutamente normal que estes apresentassem a temperatura um pouco mais elevada, devido a mistura do ar atmosférico – que nem estava tão quente assim, pra ser sincero – com o do interior das geladeiras. Sim, pode ser isso mesmo. Só que...

Já pensaram que a regulagem desses refrigeradores poderia estar sendo manipulada, a fim de promover a venda de um item mais lucrativo ao estabelecimento, em detrimento a outro cuja margem de lucro seria bem menor? Pois eu pensei. E da próxima vez irei em outro mercado.

): /

22.6.05

" Cai, cai balão... Cai, cai balão... "

Junho...
Passado o temível dia dos namorados, eis que estamos no período das festas juninas. Pode parecer uma redundância, mas há locais que não se contentam com algumas semanas e prolongam os eventos até o mês seguinte, "convertendo" as juninas em "julinas".

Nunca fui de festas. Nem de aniversário, nem juninas, nem as tais baladas. Resquícios na memória me trazem a imagem típica de um cenário chico-bentoniano: Bandeirolas de papel, uma grande fogueira, barracas de quitutes, de jogos, um ou mais sanfoneiros (ou isso já é forró?), mulheres com maquiagem propositalmente exagerada. Como se as interioranas não soubessem se embelezar...

Quem sabe esse tempo já deva ter existido. Creio que não mais. Eu nunca soube se elas eram mesmo assim. Caipirinha pra mim sempre foi uma bebida, nada além disso.

E existiram os balões, também. Pacatos em sua pequenez, causaram seus danos e foram devidamente proibidos por lei. Acabaram-se os singelos balõezinhos de junho para termos aterrorizantes balões gigantescos durante o ano todo. Não sei se é um problema típico desta capital, mas vou explicar aos que talvez desconheçam o fato: Existem equipes (que mais certo seria denominá-los 'bandos'), os chamados "baloeiros", que são capazes de investir todos os seus recursos na construção e lançamento de balões. E quanto maior ele for, melhor é; devem pensar. E embarcam fogos de artifício no artefato, para que eles estourem no alto, para chamar a atenção, possivelmente. Assim que a coisa se eleva ao céu, tem início uma caçada de "resgate", geralmente motorizada, a fim de recuperar partes reaproveitáveis da estrutura do balão.

E ai de você se o dito cujo cair sobre sua casa. Dificilmente algum deles irá tocar a campainha para educadamente lhe dizer: "Boa noite. Por gentileza, poderia nos dar licença para pegarmos o nosso balão?". Não.
Já vi cenas de donas-de-casa desesperadas, nos noticiários. Ou com a casa se incendiando devido a um balão, ou com um bando de alucinados pulando o muro e invadindo a residência atrás dos destroços, ou com ambas as desgraças...

Se você que está lendo isto for um "baloeiro" que bate no peito e afirma cheio de orgulho que jamais permitiu que seus balões causassem dano algum, quer fosse em bens materiais, quer fosse em seres vivos, peço desculpas pela generalização e o respeitarei.
Agora...
Que tal você também respeitar a lei? Tantas diversões sadias por aí...

Olha lá, a mocinha do correio-elegante chegando...
; )

16.6.05

Uma noite de gravações

"Sua chamada está sendo encaminhada para a caixa de mensagens e estará sujeita a cobrança após o sinal..."
- Alô Rose? Me liga, precisamos conversar. Beijo.

Minutos depois...
"Sua chamada está sendo encaminhada... "
- Rose, eu sei que você está brava comigo, mas eu não tive culpa, me perdoa! Atende esse celular, vai!!

E passados mais alguns minutos ...
"Sua chamada está sendo encaminhada... "
- PeloAmorDeDeus, Rose!! Eu sei que você está aí, pare com essa birra, precisamos muito conversar!!

Meia hora depois...
"Sua chamada está sendo encaminhada... "
- Tá, agora há pouco eu estava exaltado, mas foi coisa de momento, já passou. Eu te garanto que não vou gritar mais com você... Por favor, Rô... me liga. Ou atenda o celular...

Passados cinco minutos...
"Sua chamada está sendo encaminhada... "
- Olha, eu vou me atirar na frente do primeiro caminhão que passar aqui pela rodovia. Você precisa acreditar em mim, Rose! Aquela calcinha que estava no meu quarto, aquela vermelha... Fui eu que comprei pra mim mesmo!! Estou morto de vergo... ( e acabou o tempo da gravação )

Novamente:
"Sua chamada está sendo encaminhada... "
- Como eu estava te dizendo, aquela calcinha é minha! Não teve nenhuma mulher além de você na minha cama, não!! Posso te provar, tenho a notinha da compra da peça aqui comigo, juro!!

Quase uma hora depois...
"Sua chamada está sendo encaminhada... "
- Você não quer acreditar mesmo, não é? Tudo bem, então está tudo acabado entre nós! Nem precisa mais ligar pra mim, não; vou é me atirar daqui da janela do apartamento mesmo. Você vai ver a notícia nos jornais amanh... ( e acabou o tempo, de novo )

Uns 40 minutos depois, toca o telefone do Cidão e ele mais que depressa atende, vendo o número do celular da Rosemeire ali no identificador de chamadas:
- Alô?
Uma voz masculina fala, do outro lado da linha:
- Ahn... boa noite, eu...
Cidão fica furioso de ciúmes:
- Ei, quem é você? O que está fazendo com a Rose? Diga! Diga!!
- Em primeiro lugar, acalme-se, por favor. Eu não sei quem é você, muito menos quem seja a Rose.
- Como não? Você está ligando do celular dela! Acha que sou besta? Tenho identificador, aqui!!
- Poderia verificar o número do qual estou ligando ?
- Não tente mudar de assunto, você deve ser aquele desgraçado do ex dela, não é?
- Por favor... acalme-se e olhe o número do meu telefone...

Cidão resolve olhar: 9YXX-0998.
E o telefone dela era 9YYX-0998. Em seu desespero não percebeu que havia ligado para o número errado e passou a noite toda apertando a rediscagem.
- Oh nããão...


Cidão desmaiou. Quanto a Rosemeire, esta passou a noite em claro, a observar o celular quieto e aguardando uma ligação.

Aquela ligação.

10.6.05

Casar ?

Aqui tenho a prova de que o casamento não é o paraíso que aparenta ser, antes da troca de alianças:

Já passa das 19 horas. O expediente desta oficina vai até as 18 horas. Dois clientes se encontram aqui, ambos estão cientes do horário de atendimento. Um já foi atendido, teve o defeito de seu carro sanado, no entanto continua aqui, a conversar animadamente com o outro cliente... que também parece não ter a menor pressa em ir embora. Faz questão de indicar mais e mais pontos a serem mexidos, inclusive.

Ambos são casados, devem estar na faixa dos 40, 50 anos. Quando o assunto da palestra é filho (ou filhos), a conversa não rende, ao contrário do caso das mulheres, que adoram falar sobre seus filhos. (Nada contra, viu.) Sobre outros temas, a conversa é animadíssima. Política, futebol, violência urbana...

E por que não teriam a mínima pressa em voltar pra casa, em plena noite de uma sexta-feira, huh?
Alguém imagina?

Voltar ao "lar, doce lar" e encontrar alguém que mal se parece com uma mulher atraente quando tinha seus vinte e poucos anos, se deparar com reclamações sobre os filhos, e os filhos brigando, chorando. E mais reclamações sobre o dia-a-dia nada romântico de um casal dominado pelo marasmo da rotina.

Pode ser isso. Pessimismo demais de minha parte? Talvez.
Mas fico feliz em ser solteiro, pensando que essa suposição possa estar bem próxima à realidade...

6.6.05

Beijo e beijos

Nunca havia pensado nisto antes: Entre 'beijo' e 'beijos' no cumprimento entre um homem e uma mulher existe alguma sutileza, quanto ao grau de aproximação e intimidade?

Comecei a analisar a questão depois das palavras da Regina, em seu blog.
Em minha convivência virtual geralmente costumo usar 'beijos', que equivaleriam àqueles (três) de antigamente, dados ao ar; o beijo mais "desbeijo" que conheço. Em verdade, um relar de bochechas, nada mais que isso. Não tenho prestado atenção ao momento na hora em que acontece na vida real, mas creio que ultimamente tenho dado um único beijo. Na bochecha, claro.

Ou seja, no meu caso específico, um ou mais beijos não fariam grande diferença. Ambas alternativas poderiam ser interpretadas como carinho de amigo. Ou menos que isso, mera convenção social. Por outro lado, o significado poderia ser completamente diferente: 'Beijos' poderiam ser vários – muito mais que três, apenas – e não só no rosto. Poderiam cruzar montes e vales, picos e grutas, explorando a topografia humana de fronteira a fronteira. Se bem que, nesse caso, os beijos vêm quase sempre acompanhados de um 'anexo': "Onde você os queira..."

O 'beijo' também pode não ser na bochecha; pode ser certeiro, na boca! Ainda assim se divide em dois tipos: O chamado "selinho" e o de língua, também conhecido como " à francesa". Definitivamente não sou da geração 'selinho', embora a atualidade me pareça afirmar que esse tipo de beijo é inócuo, inofensivo. Para os modernos, portanto, o beijo seco não representaria nenhum (ou quase nenhum) avanço rumo ao envolvimento maior com a outra pessoa. Entretanto, o mesmo não pode ser dito sobre seu oposto, o beijo molhado. Não na minha concepção, pelo menos. O beijo no qual línguas se encontram mexe demais com a adrenalina, causando alterações súbitas que podem levar o casal a sentir 'desejos incomuns' entre simples amigos.
Isso sem contar que o beijo solo pode também ser um maternal (ou paternal, conforme o caso) beijo na testa ou um cavalheiresco beijo na mão. (tudo bem que na mão hoje em dia é coisa teatral, ou de realeza, ou papal, mas ainda assim conta)

Conclusão a que chego depois de toda essa dissertação: Nenhuma ! : O
Coitada da Rê, que deve estar arrancando os cabelos de raiva, a estas alturas...

" Patologia sentimental "

A uma semana do dito "Dia dos namorados", aguardada data por uns, temida por outros; aproveito para desenterrar esta redação que fiz na aula de redação - cujo tema era justamente esse - do cursinho, e que obteve nota dez. Se foi merecida ou não eu não sei dizer, mas... bem, aí está:



É um fato praticamente comprovado, se não por meios científicos mas por meios literários, que o amor é um estado de profundas alterações no íntimo humano. Não há quem discorde do benefício dessas alterações, principalmente enquanto o relacionamento não esbarra em certos empecilhos da alma, como o ciúme.
O ciúme está para o relacionamento amoroso assim como o condimento está para a culinária; sem ele torna-se insosso, em excesso torna-se intragável. O namoro traz a sensação de possuir e ser possuído e, a completa ausência de ciúme simplesmente desfiguraria a relação. Somos escravos de nossos próprios sentimentos e entre eles, a insegurança, a falta de auto-estima e até mesmo a inveja contribuem, e muito, para inflamar este câncer amoroso.
Torna-se impossível amar a quem se ama, desta forma. Tempestades que são sucedidas por calmarias, até que um dia o céu escurece por dias... meses... e anos. E o que existia de uma linda história de amor passa a ser mais um drama da vida real.
Enfim, nada mais natural que desejar ter o amado para si somente, criando seu mundo numa redoma de vidro; porém, há de se saber dosar o apego à privacidade e, por que não dizer, à propriedade.


S D D, infelizmente.