
De vez em quando dá saudade dessa época retratada, não somente neste "American Pie", mas em tantos outros filmes que exploram o filão da primeira experiência sexual de um adolescente. Destaco este por uma razão simplória: é um que possuo e já o assisti diversas vezes. Evidente, ainda mais por seu tema, que não se trata de nenhum filme fantástico, indispensável etc et cetera; é só mais um filme visivelmente comercial e juvenil. Ou "teen", como está em voga (ou na moda) dizer. E voltemos à saudade...
Não que o sexo dos dias atuais seja ruim e sim que a expectativa era, àquela época da virgindade, totalmente diferente. Naquele tempo viviamos uma mescla de diversos sentimentos: curiosidade, receio, auto-afirmação, inveja – quem é capaz de jurar jamais ter sentido isso do colega igualmente púbere que afirmava não ser mais virgem? – influência da sociedade, "instintos" hormonais... enfim, era muita coisa que orbitava dentro da cabeça de um menino ou menina prestes a se tornar adulto(a).
Em nossa precoce percepção (masculina) o dilema – parodiando Shakespeare – "Transar ou não transar" seria capaz de nos perpetuar como um Homem, assim com H maiúsculo... ou como um eterno fracassado. Daí vinha o desafio: perder a virgindade. Isso era imprescindível, sob pena de, caso não conseguissemos, virar o mote de piadas da turma ou ser visto como estranho. Pra dizer o mínimo.
Quanto às meninas, parto de uma suposição: Ou tinham farta informação, ou nenhuma. Ou ainda, a pior de todas as fontes: A novela. Ao contrário do sexo oposto, as meninas sempre consideravam a relação sexual como a conseqüência – ou, num termo mais apropriado, tavez, a celebração de um sentimento – e não a meta. E justamente por isso um "Eu te amo" era visto como o sinal verde para se tornar mulher. (transformando-se (a frase) também numa espécie de chave-mestra que abria todas as portas aos meninos. Inclusive "aquela")
Claro que nem tudo era tão simplista assim; algumas meninas sabiam que aquela declaração de amor dita com os olhos não em seus olhos, mas mergulhados dentro do seu decote era tão parcial e interesseira quanto comercial de cerveja. O que obrigava a nós, futuros homens, descobrir outras maneiras de atingir o intento.
O chamado "jogo da sedução" sempre foi um grande mistério pra mim, na juventude. E, enquanto jogo, fui jogador de desempenho sofrível. Assistia a "Porky's" e sonhava em viver daquele jeito, mas a realidade vivida era "Nerds Revenge" (sem a parte em que os Nerds finalmente se davam bem).
Mesmo assim, fica a saudade. Do tempo que o sexo era uma incógnita.
Uma atraente incógnita.
3 comentários:
No fim das contas, uma das questões é instigar a curiosidade. Seja aos 15, seja aos 30 (ou mais).
Por tabela, o interesse. Rotina desestimula tudo.
(pensando)
R$1,00 é caro? Puxa, achei barato demais. Até pagaria... ops!
:z
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