3.9.09

Todos têm a resposta (continuação do post anterior?)

Dizem que se tem uma coisa que homem detesta fazer é, estando perdido no trânsito, baixar o vidro e abordar um pedestre pra se localizar; prefere confiar no seu tino, mesmo estando completamente desnorteado. Creio eu que essa fama venha de algum orgulho-próprio masculino, coisa do tipo "Eu sou o responsável por esta família, Eu posso, Eu consigo sozinho!"

O que nunca foi o meu caso, juro. Sempre evitei isso devido à minha timidez. O que justifica meu apego aos guias de ruas, provavelmente. Se ver livre da insegurança de não saber ao certo qual caminho tomar, de precisar perguntar a populares a localização de um endereço... esse era o meu objetivo, não depender de ninguém, enfim.

Aqui em Recife eu poderia acrescentar mais um motivo a essa lista: Não ficar ainda mais perdido sendo informado pelas pessoas. Aqui abro o parêntese: Não é, não foi e jamais será uma exclusividade do povo pernambucano a característica que irei expôr a seguir, tampouco uma regra, mas é o que venho notando com freqüência...

Seria muito simples e prático, ao se desconhecer a resposta, apenas dizer "Não sei". Mas o recifense, talvez num esforço em ser gentil a qualquer custo, nunca nos deixa sem resposta. Mesmo que uma equivocada. E o fazem com convicção, não se nota nenhuma hesitação tipo "Acho que é..." ou "Se não estou enganado...", nada! A resposta vem clara, direta. Já dá pra se prever o que isso causa, não?

Saindo da temática da locomoção, tenho um colega de trabalho que sempre tem uma resposta pra qualquer coisa. No começo eu, ingênuo, ia acreditando em tudo. Com o passar do tempo, ganhando experiência e conhecendo mais as coisas lá dentro, fui vendo o tamanho da ladainha que aquele sujeito havia me passado. E com a maior cara lavada!

Aprendi. Tanto com essa pessoa, quanto vivendo como pedestre nesta metrópole nordestina, que a informação é abundante. Resta-nos dicernir entre a que de fato é verdadeira e o que é "encheção-de-lingüiça" ou "boa vontade" em nos orientar...

4 comentários:

Caminhante disse...

Excesso de gentileza mesmo. Mais pro Sul (nisso incluo SP), as pessoas não tem o menor pudor em dizer que não sabem e pronto.

Reginacelia disse...

Hahaha, é verdade, tem disso mesmo em recife. Incrível como você capta algumas características de lá com precisão. Uma vez um namorado paulista esteve lá e se aventurou de ir até a casa de minha mãe (eu não estava lá). Perguntei num ponto de ônibus que itinerário deveria fazer. Pois bem, as pessoas ficaram discutindo possíveis rotas e ele saiu de fininho... O "acho que é" é típico!

R. disse...

Não é mesmo? Às vezes é tão farta – e por vezes controversa... ou contraditória – a, ou as informações que a gente acaba ficando ainda mais perdido.

(:p

Ana disse...

Além de falar "não sei" sem constrangimento, existe um pouco essa coisa de usar o pedir informação como ÚLTIMO RECURSO pelo curitibano. E, confesso, me curitibanizei nesse aspecto também...