10.9.09

O todo-poderoso

Certamente você já deve ter se deparado – ou pior, ainda é obrigado até hoje a conviver – com um colega de trabalho assim: Portador de um currículo invejável, extremamente comunicativo, atuante, aparentemente o "amigão" de todos e, o principal: desonesto.

É aquele sujeito no qual a empresa – logicamente antes de conhecer esta última característica – deposita as esperanças de ver o "salvador da pátria" vingar, o que vai fazer as coisas finalmente caminharem pra frente, elevar o nível do ambiente, dar lucro; um profissional promissor e exemplar, enfim.

No entanto, há quem não tenha excrúpulos para ganhar dinheiro, como todos bem sabem. E nessa laia eu diferenciaria 2 tipos: O incauto e o prevenido. Aqui me refiro a este segundo. Sabe ter uma rede de contatos importantes, torna-se íntimo de pessoas influentes, faz com que muitos a seu redor tenham "o rabo preso" com ele, por vezes até mesmo gente da esfera superior. E tudo isso discretamente.

Na frente de todos, perante algum julgamento, encarna o papel do coitado, do injustiçado, do subjulgado. Quando ninguém vê, comete seus atos ilícitos. "Trabalha" tranqüilo, pois tem seus comparsas lhe dando cobertura. E é convicto de que mesmo que seja descoberto nunca lhe acontecerá nada. No máximo, talvez, uma advertência verbal, e só para constar; só para parecer aos demais que o "lider" está sob "rédea curta". Coisas do tipo "entrou por um ouvido, saiu pelo outro" para ele.

Afinal, pesa a favor dele, além do notório currículo, do círculo de amizades e do custo do investimento nele efetuado por parte da firma o fato que ele aumenta o faturamento, não só o próprio, mas por tabela o do empregador também!

Era sobre gente assim que eu pretendia escrever. Sobre como entram num sistema, sugam e permanecem impunes. Era.

Havia um onde trabalho e era inspirado nele que eu ia fazer o texto. Hoje fiquei sabendo que, depois de muito tempo, depois de gente inocente se deixar levar por ele e acabar sendo demitida por não ter a mesma "perspicácia", depois de tanta indignação por minha parte e de outros colegas (que não faziam parte da "máfia") ao assistir de perto os golpes não podendo fazer nada, depois de meses aturando a alegria desaforada de um sujeito que se considerava intocável, finalmente veio a notícia que eu achava que não fosse vir tão cedo: ele havia sido demitido.




Este post foi um desabafo. Ao menos neste caso, a justiça tardou...
mas não falhou.

Um comentário:

Caminhante disse...

Eu tenho uma certa mágoa desse tipo. Quem é honesto e certinho nunca recebe o mesmo valor de um tipo desses, que mais se auto-promove do que trabalha.

Que bom que ele foi demitido! Nem conheço mas tenho certeza de que foi merecido!